Tronco da Leitura
sábado, 6 de setembro de 2014
Leitura na infância favorece a inteligência
Um estudo realizado com gêmeos idênticos no Reino Unido mostra que ler bem no início da infância pode afetar positivamente a inteligência da pessoa para o resto da vida. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Edimburgo e pela King’s College de Londres, comparou o nível de leitura de 1.890 pares de irmãos por nove anos e constatou que os indivíduos que se davam bem com os livros a partir da fase de alfabetização desenvolveram habilidades cognitivas superiores na adolescência. A vantagem intelectual dos leitores, aponta o estudo, não foi restrita ao jeito com as palavras e se estendia também à capacidade de raciocínio em testes não relacionados com a literatura. Os resultados podem influenciar na forma como especialistas lidam com a educação infantil.
As crianças acompanhadas foram submetidas a exames de leitura e de inteligência aos 7, 9, 10, 12 e 16 anos. Eles passavam por testes de vocabulário e compreensão de texto, além de terem o conhecimento sobre autores populares sabatinado. A desenvoltura não verbal também foi testada em atividades que mediam o pensamento abstrato e a lógica dos pequenos. Como resultado, aqueles que liam melhor que seus irmãos também tinham desempenho superior em testes de inteligência em cada fase da vida.
“Podemos apenas especular as causas”, ressalta Stuart Ritchie, pesquisador de psicologia na Universidade de Edimburgo e principal autor do trabalho, publicado recentemente em Child Development. Ele aponta que há duas causas principais que podem ligar a leitura ao desenvolvimento da inteligência: “Primeiro, ler permite que as crianças pratiquem habilidades de pensamento, como imaginar outras pessoas, momentos, lugares e objetos que não estão diretamente na frente delas. Essas habilidades abstratas podem ser úteis em testes de inteligência e na performance intelectual de forma geral. Segundo, ler pode levar crianças a praticarem a concentração e o tipo de habilidades necessárias em situações nas quais testes de QI são feitos.”
Crianças em escola francesa: relação com a leitura começa muito antes do processo de alfabetização, dizem especialistas (AFP PHOTO / ERIC CABANIS )
Influência genética
A participação de gêmeos idênticos no estudo permite que os pesquisadores minimizem a influência de diferenças genéticas ou de criação no desenvolvimento das crianças. “Nunca dá para se excluir fatores genéticos, e acho que os pesquisadores não pretendem fazer isso. Por isso usaram gêmeos. Mas a questão é que a leitura é um fator determinante, com certeza, pois as crianças que não tinham essa habilidade tão desenvolvida ficaram um pouco para trás, mesmo sendo gêmeos”, analisa Augusto Buchweitz, pesquisador do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul. “Eles trabalharam com crianças que estavam num ponto inicial com o mesmo nível de inteligência, mas que, depois da aprendizagem da leitura, manifestaram diferenças”, ressalta o especialista.
As desigualdades de inteligência e de talento para a leitura testadas resultariam, portanto, das experiências que os gêmeos não partilharam, como um professor ou um grupo de amigos. De acordo com o estudo, as influências positivas fazem a diferença desde os 7 anos de idade, quando o destaque na leitura já resulta em melhor desenvolvimento cognitivo.
Para Buchweitz, o segredo está na plasticidade do cérebro infantil. No início da vida, a mente é especialmente receptiva a novos estímulos e tem uma grande capacidade de adaptação. “Nosso cérebro não está programado para ler. Ele não aprende naturalmente como a gente aprende a falar”, explica o brasileiro. “A criança tem de se adaptar a algo que não é natural a ela, ou seja, a leitura, e isso faz com que o cérebro dela se adapte e desenvolva outras habilidades.”
Para os autores do trabalho, a descoberta pode ser uma importante ferramenta para pais e educadores. Como a leitura é um talento que pode ser aprendido e desenvolvido, investir nessa atividade desde o início da infância poderia influenciar a inteligência de forma positiva até a vida adulta. Alunos que não recebem incentivo à leitura desde cedo poderiam sofrer não somente no processo de alfabetização, como também teriam a inteligência prejudicada de forma geral.
Educadores ressaltam que o contato com a leitura, dentro e fora da escola, é fundamental. E esse contato se dá de muitas formas além da de ter um livro nas mãos. A relação com as palavras começa muito antes da alfabetização, como quando o pequeno vê os pais lendo algo ou ouve uma história contada por um adulto. “A atividade de leitura fica carregada de sentido. Se alguém lê um livro para mim, um dia eu poderei ler sozinha. Não é o objeto em si que faz a mágica. O que faz sentido é aquilo que muda a relação que o ser humano tem com esse objeto”, afirma Maria do Rosário Longo Mortatti, presidente da Associação Brasileira de Alfabetização (ABAlf) no biênio 2012-2014.
Nunca é tarde
Embora o estudo reforce a importância da leitura desde cedo, os resultados não apontam claramente para uma idade ideal de alfabetização. “Podemos dizer que, ao menos nos termos das variáveis que analisamos, nós não encontramos nenhum efeito negativo na leitura em idade precoce”, ressalta o pesquisador Stuart Ritchie. A vantagem na inteligência foi constatada, inclusive, em crianças que se destacaram em fases posteriores da infância, mostrando que o investimento na literatura também gera frutos em crianças que receberam o estímulo um pouco mais tarde.
No Brasil, o Ministério da Educação estipula que as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos, mas não especifica em que idade esse processo deva ser iniciado. A especialista Maria do Rosário Mortatti, que também é professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília, acredita que o estímulo da leitura deva ser reforçado desde a primeira infância, muito antes de o processo formal de alfabetização ser iniciado. “A idade tem função para certos marcos escolares, rituais escolares. E muitas vezes não tem fundamentação científica nenhuma. Muitas vezes, é uma questão simples, são vagas que estão disponíveis”, alerta a educadora. “A oportunidade de a criança ler ou ouvir textos é imprescindível, e isso é desde bebê.”
Transcrito de http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2014/08/27/interna_tecnologia,562696/
leitura-na-infancia-favorece-a-inteligencia.shtml#.U_3xBRKzh-A.facebook
Tecnologia e educação na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Com o tema “Diversão, cultura e interatividade: tudo junto e misturado”, a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem expressiva participação da marca Samsung, líder global em tecnologia. A Empresa, que escolheu educação como um dos pilares de sua estratégia mundial de cidadania, é a patrocinadora master do evento e, em seu estande na feira, lança dois novos serviços, além de promover uma série de workshops e palestras sobre livros digitais e novas tecnologias de conteúdo.
“Estamos muito honrados em participar tão ativamente desta Bienal, pois reconhecemos a importância da leitura para construção de uma sociedade melhor. Assim como a tecnologia da Samsung, o hábito de ler possibilita a criação de mudanças positivas na vida das pessoas, ajudando-as a viver melhor, com riqueza de possibilidades”, afirma Mario Laffitte, vice-presidente de Marketing e Assuntos Institucionais da Samsung para América Latina.
Demonstrando que a tecnologia Samsung é capaz de acelerar descobertas e possibilidades, durante o evento, que acontece até 31 de agosto de 2014, em São Paulo, a área Media Solution Center Latin America – MSCLA da Samsung apresenta ao público dois novos serviços exclusivos para os consumidores da marca.
O Kindle para Samsung é o novo serviço de e-books. Disponível na Galaxy Apps, é resultado da parceria com a Amazon. Como ele, os usuários Samsung têm o benefício exclusivo de fazer o download gratuito de um livro por mês. São milhões de títulos nacionais e internacionais à disposição.
Nesta edição da Bienal, também será lançado o Samsung Papergarden, serviço de revistas digitais, disponível nos tablets. Inicialmente oferecido em parceria com a Editora Globo, oferece a melhor experiência de revistas para Android – simples e fácil de comprar e ler. Os clientes da Samsung podem ter acesso gratuito de uma edição em mais de 20 revistas.
No estande da Samsung, localizado no corredor de entrada da Bienal, é possível participar de atividades interativas, como por exemplo, “Você no Papergarden”, na qual o visitante recebe uma foto-montagem, figurando na capa de uma das 20 revistas da Editora Globo (disponíveis de forma gratuita para os usuários do Galaxy Tab S), podendo compartilhar a imagem em suas redes sociais.
Criar mudanças positivas para as pessoas e ajuda-las a ter uma vida melhor repleta de possibilidades é um dos principais objetivos da Samsung. Nesse contexto, durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a Empresa ainda apoia a realização da Escola do Livro, que acontece em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e tem como objetivo ampliar a qualificação no mercado de trabalho, promovendo cursos, workshops e palestras com temas como:
- Tecnologia na Educação – Tendências: O professor e consultor Tadeu Terra apresentará as principais tendências de uso de tecnologias móveis nas salas de aula.
- Tablets na sala de aula: O gerente de tecnologia da Samsung, Marcos Martins, falará sobre as funcionalidades do Education Hub, aplicação que permite o uso de tablets por alunos e professores.
- Empreendedorismo na era digital: Blogueira e autora de livros sobre inovação, Bel Pesce comentará sobre sua experiência com o desenvolvimento de startups.
- Amazon – os autores na era digital: Autores com livros na plataforma de auto-publicação da Amazon discutirão em uma mesa-redonda o ambiente e os desafios da edição independente. Mediação: Natalia Montuori, gerente Kindle da Amazon no Brasil.
Para celebrar todas essas novidades e apresentá-las ao maior número de interessados possível, a Samsung oferece como benefício o desconto de meia-entrada para todos os usuários de aparelhos da marca (mediante apresentação do mesmo na entrada). Os funcionários da Empresa, juntamente com um acompanhante, são beneficiados com acesso gratuito.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Leitura: Mia Couto lê 'Levantado do Chão', de José Saramago
O grande escritor moçambicano Mia Couto, lê trechos do livro 'Levantado do Chão', de José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura.
Para assistir, clique aqui
Bibliografia comentada: Guerra do Paraguai
A convite do Café História, o Prof. Vas preparou uma bibliografia comentada para aqueles
que desejam compreender melhor a maior guerra realizada no continente sul-americano
A Guerra do Paraguai é um dos grandes eventos bélicos no século XIX e o principal grande conflito entre nações no qual o Brasil já se envolveu ao longo de sua história. Foi um conflito longo, de 1864 a 1870, e sangrento, que ceifou a vida de milhares de pessoas, entre brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios. Conhecer um pouco mais sobre esse evento histórico é conhecer um forte componente do processo de conformação do Estado brasileiro, de elementos de formação da identidade nacional e de destaque para questões candentes para um jovem país, como o problema da escravidão e o papel dos militares na dinâmica política nacional, além do processo de arranjo geopolítico regional da região platina. Enfim é muito mais do simplesmente pensar em soldados e batalhas, nesse sentido, destaco cinco publicações que podem ajudar o leitor a se aprofundar nessa temática histórica.
1. FRAGOSO, Augusto Tasso. História da guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai. 2. ed. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1960, v. 1–5.
Trata-se de uma coleção de cinco volumes, publicada na década de 1960, com um criterioso trabalho de reunião e análise de documentos sobre a Guerra do Paraguai, que procura abarcar todos os eventos da guerra e as personagens de maior relevância no contexto militar. Fragoso, com as informações de que dispunha, faz uma excelente análise dos principais eventos militares do conflito e suas implicações no longo transcurso desta que foi a maior guerra sul-americana no século XIX. Em termos de historiografia brasileira sobre a “Guerra do Paraguai”, esta é uma coleção de uma vertente considerada tradicional, que destaca e valoriza os feitos militares, o tom ufanista, o heroísmo e a abnegação das forças brasileiras na luta contra o Paraguai, invasor do território brasileiro. É leitura indispensável àqueles que querem se debruçar sobre os estudos desse conflito.
2. SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
Este livro de Ricardo Salles é um dos divisores de água em termos de historiografia brasileira sobre a Guerra do Paraguai, pois representa, dentre outras obras, o avanço na análise histórica do conflito que superasse as publicações de vertente ‘tradicional’ (história das batalhas, historia das trincheiras, história oficial do conflito) e revisionista (cuja tese principal era a do imperialismo inglês como grande catalisador e instigador dos eventos bélicos platinos). Trata de um livro que abre caminho para uma nova historiografia sobre essa guerra, incorporando e integrando não somente as perspectivas e análises políticas e econômicas, mas também as culturais, a exemplo da discussão sobre a participação de negros, sejam escravos, libertos ou livres, e o processo de conformação de elementos de cidadania no Brasil a partir desse conflito. Brasil, o Uruguai e o Paraguai tiveram em suas fileiras batalhões formados por negros, escravos ou não.
3. MENEZES, Alfredo da Mota. Guerra do Paraguai — como construímos o conflito. São Paulo: Contexto; Cuiabá: ed. UFMT, 1998.
O livro de Menezes se debruça sobre o início do conflito e suas causas. Também representa um avanço na historiografia sobre esse conflito por desconstruir a tese de que a Guerra ter se iniciado pela atuação direta dos interesses ingleses na região platina. Nesse sentido, a geopolítica regional e os episódios da intervenção brasileira no Uruguai tem papel fundamental nas ações que catalisaram o início da guerra.
4. FIGUEIRA, Divalte Garcia. Soldados e negociantes na Guerra do Paraguai. São Paulo: Humanitas FFLCH-USP; FAPESP, 2001.
Figueira nos apresenta um panorama mais detalhado dos impactos econômicos da Guerra do Paraguai, mobilizados pelo Brasil para mover as complexas e burocráticas engrenagens do cotidiano bélico, ressaltando os custos, os recursos financeiros mobilizados, as dificuldades na compra e fornecimento de mercadorias essenciais ao abastecimento das forças militares, destacando a figura de alguns fornecedores e suas relações com as forças aliadas (Brasil, Argentina e Uruguai).
5. DORATIOTO, Francisco Fernando Monteoliva. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
O livro de Doratioto, “Maldita Guerra”, é um dos grandes destaques da nova historiografia sobre a Guerra do Paraguai. É um livro extenso, com farta utilização de fontes documentais e bibliográficas, que abarca todo o período e extensão do conflito e suas principais personagens. Doratioto também procura se distanciar da vertente historiográfica clássica e desmonta as principais teses revisionistas. A prioridade em apresentar uma perspectiva total do evento, ora aproximando do leitor alguns personagens e eventos específicos, ora apresentando somente os aspectos gerais deixa ao leitor certa impressão de totalidade quanto aos estudos históricos sobre este evento, o que não procede. A guerra é tratada em suas dimensões políticas, econômicas e, em parte, culturais, consolidando-se, também, como leitura fundamental e indispensável para se compreender a guerra.
Outras indicações:
CERQUEIRA, Dionisio. Reminiscências da campanha do Paraguai, 1865–1870. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980.
COSTA, Wilma Peres. A espada de Dâmocles: o Exército, a Guerra do Paraguai e a crise do Império. São Paulo: Hucitec – ed. UNICAMP, 1995.
IZECKSOHN, Vitor. O cerne da discórdia: a Guerra do Paraguai e o núcleo profissional do Exército Brasileiro. Rio de Janeiro: E-Papers, 2002.
SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai, memórias e imagens. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2003.
SILVEIRA, Mauro César. A batalha de papel: a Guerra do Paraguai através da caricatura. Porto Alegre: L&PM, 1996.
TAUNAY, Alfredo d’Escragnolle, Visconde Taunay. Diário do Exército, campanha do Paraguai, 1869–1870: Comando-em-chefe de S. A. o Sr. Marechal de Exército Conde d’Eu. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2002.
TAUNAY, Alfredo d’Escragnolle. Recordações de guerra e de viagem. Brasília: Senado Federal/Conselho Editorial, 2008.
* Braz Batista Vas é graduado (licenciatura e bacharelado), Mestre e Doutor em História pela Unesp-Campus de Franca; Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal do Tocantins – Curso de História – Campus de Araguaína; Autor do livro: “O final de uma guerra e suas questões logísticas: o conde d’Eu na Guerra do Paraguai (1869-1870)”. E-mail: brazbv@gmail.com
Transcrito de http://cafehistoria.ning.com/page/bibliografia-comentada-guerra-do-paraguai
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Para 47% dos jovens, o bom professor usa tecnologia
Pesquisa Juventude Conectada mostra que brasileiros de 16 a 24 anos acreditam que
internet e tecnologia ajudam o aprendizado
Fernanda Kalena
Na opinião de 47% dos jovens brasileiros, um bom professor é aquele que sabe utilizar a internet e os recursos tecnológicos para ajudar no aprendizado dos alunos. É o que mostra a pesquisa Juventude Conectada, realizada pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Ibope, o Instituto Paulo Montenegro e a Escola do Futuro, da USP, e divulgada hoje (27) no Ria Festival, evento de cultura digital promovido pela fundação, em São Paulo.
Esse número pode ser justificado pelo crescente uso que os jovens fazem da internet e dos recursos tecnológicos para realizar atividades educativas, seja nas instituições de ensino ou em casa. Segundo o levantamento, 75% dos jovens dizem já ter utilizado a internet na escola para atividades propostas em aula – e 68% deles declaram ter utilizado na escola por iniciativa própria.
O número sobe para 82% quando se refere à utilização da internet no âmbito doméstico para a realização de atividades propostas em sala. E 77% dos jovens afirmaram que já utilizaram a internet em casa para fazer trabalhos por iniciativa própria. Isso também se justifica pelo entendimento que os jovens fazem do uso da internet, que possibilita que o aprendizado seja realizado em ritmos, horários e locais diferentes, de acordo com as necessidades e preferências de cada um, segundo 44% dos entrevistados.
Assim, é possível justificar a preferência dos estudantes por professores que fazem uso de tecnologias de informação e comunicação em sala de aula, por estarem mais alinhados tanto com o modo quanto com as ferramentas que os próprios jovens escolhem para estudar quando estão sozinhos.
Relação com os professores
Outro dado interessante apontado pela pesquisa é que os jovens conectados já estão percebendo uma das principais tendências no que diz respeito ao papel do professor na educação contemporânea. 38% deles acreditam que, no futuro, o professor passará a ser mais um orientador dos estudos, assumindo funções de tutor e curador, e não mais unicamente um transmissor de conhecimentos.
Essa percepção dos jovens sobre o papel dos docentes casa muito bem com outros dois dados da pesquisa que reforçam a necessidade do professor assumir esse papel de orientador. Em um deles, 33% os entrevistados dizem que a internet muitas vezes atrapalha a aprendizagem, pois as redes sociais e os games distraem o aluno, reduzindo seu tempo de estudo. E em outro, 24% afirmam que na internet tem muita informação, o que dificulta a seleção do melhor conteúdo.
“Vemos como a percepção da realidade dos jovens é boa. As perguntas que antes eles faziam para o professor, hoje são feitas para a internet e respondidas por ela. Logicamente o papel do professor tem que ser outro. É bacana ouvir isso dos jovens”, afirma Gabriella Bighetti, presidente da Fundação Telefônica Vivo, que também ressalta outro ponto de grande relevância: “não é só o papel do professor que está mudando com a tecnologia, mas sua relação com os alunos também. Segundo os jovens, se o professor estiver conectado isso ajuda no relacionamento entre eles. É uma questão de confiança”, completa.
A afirmação de Bighetti está baseada na resposta de 38% dos jovens ouvidos no levantamento que disseram que a tecnologia pode contribuir para melhoria da relação entre professores e alunos. E isso acontece inclusive fora da sala de aula: eles destacam positivamente os professores que compartilham material didático nas redes sociais, blogs, emails e tiram dúvidas pela internet.
Além de educação, a pesquisa completa também aborda o comportamento da juventude conectada nas áreas de ativismo, empreendedorismo e comportamento. No total, foram ouvidos 1440 jovens de 16 a 24 anos, que fazem uso regular da internet, em todas as cinco regiões do Brasil.
Transcrito de http://porvir.org/porpensar/para-47-dos-jovens-bom-professor-usa-tecnologia/20140827
Press Release 006 – 01.09.2014
Notícias
Nova universidade nos EUA inaugura biblioteca sem livros em papel - http://bit.ly/1qhYp5l
Livros que toda criança e adolescente devem ler - http://bit.ly/1qz3t6t
Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional de Lembrança do tráfico de Escravos e de sua Abolição - http://bit.ly/1tLmBP7
Eventos
Conferência Revoluções científicas e Transdisciplinaridade - http://bit.ly/1svxJxw
Documento
Telegrama de Cora Coralina a Carlos Drummond de Andrade - http://bit.ly/1pwsK29
Artigos
Manifestações de ódio estão dominando a internet? - http://bit.ly/1rxnltr
Resenha de livro
(Des) aprisionamentos - http://bit.ly/1teRqhd
Grandes Clássicos - Obras completas
Jorge Amado - http://bit.ly/1oR1NA6
Imagem
Quem mal lê... - http://bit.ly/1pCvIl2
Imagem - O Prazer da Leitura
Paraíso do livro - http://bit.ly/1qsew0v
Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro
Pós-Doutorando – UFT/PPGL
Editor
Nova universidade nos EUA inaugura biblioteca sem livros em papel - http://bit.ly/1qhYp5l
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Se desejar ler os demais Press Release, clique em http://bit.ly/1E35ugR
domingo, 31 de agosto de 2014
Documento: Telegrama de Cora Coralina a Carlos Drummond de Andrade
A escritora Cora Coralina teria completado 125 anos em 20 de agosto.
O Arquivo Museu de Literatura Brasileira (AMLB), da Casa de Rui Barbosa,
possui em seu acervo este telegrama que Cora enviou a Carlos Drummond de Andrade.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
(Des) Aprisionamentos, de Janete Santos
Wandecy de Carvalho
Com
este título, (Des) Aprisionamentos, a
editora Scortecci apresenta Janete Santos passeando em outro universo, diferente
daquele da sala de aula, onde a Drª Janete desenvolve pesquisa e ensino de
língua materna (UFT, campus de
Araguaína). Nesse mundo das letras existem
seres (personagens típicos) que só ela conhece bem, por isso imprime no papel
as imagens vistas ou idealizadas. No outro
mundo de Janete (não deveria ser esse o título do livro?), o leitor vai
encontrá-la narrando diferentes episódios da vida cotidiana, situações estas possíveis
de serem vividas ou observadas nos mais diferentes centros urbanos. E o mais importante é perceber que esses
episódios são expostos a partir de uma cuidadosa elaboração artística, ocasião
em que sobressai o trato com a linguagem. Em todos os textos existe um
repertório de palavras selecionadas com rigoroso critério e talento. Esses fatos fazem com que os textos fiquem bem
elaborados, expondo, assim, a eficiente competência linguística da autora, e o
rigor que a língua padrão exige.
O livro (Des) Aprisionamentos, além de um Prefácio escrito por Eunice R. Henriques, e uma Apresentação de José Francisco da Silva Concesso, está dividido em duas partes:
Na primeira, estão as crônicas, e elas foram expostas por uma narradora que, ao invés de sair de casa com uma máquina fotográfica, parece que sai com lápis e papel na mão, pronta para registrar os fatos que vive ou apenas observa. O certo é que nada passa despercebido aos olhos dessa caçadora de fatos do cotidiano; de posse deles, ela transforma palavras em imagens para que o leitor possa vê-las também. Dentre os episódios “capturados”, pode estar um assalto, o desentendimento entre o caixa e sua cliente, podem ser digressões sobre o dia das mães, o dia dos namorados, ou sobre o “Ato falho” de uma mulher em uma loja de joias, ou ainda da outra cliente que não resiste a tentações de consumo e acaba comprando o que não precisa. Se a narradora está em casa, para não ficar sem ter o que fazer, ela reconta, a seu modo, a lenda do boto cor de rosa, que sai a fazer filhos em noite de lua cheia. Interessante nessa narrativa, independente do trabalho de desmitificação do objeto, é que o boto, seja por um ‘ato falho’ da narradora, seja proposital, segue classificado pelo olhar do caboclo, como peixe mesmo e não como mamífero.
Na
segunda parte do livro estão os contos.
Dentre eles destaca-se aqui o “Vaticínio”, nele um narrador deprimido
questiona a hipocrisia e os artifícios criados pela sociedade para que as
pessoas vivam um faz de conta, diante
da dura realidade da vida. Há também “Os
condenados”, surpreendente história medieval envolvendo reis cruéis e princesas
violentadas. Aqui o segredo mantido
debaixo dos lenções seria a solução para todos os problemas do reino, se não
fosse a truculência do chefe da guarda que manda matar a peça principal daquele
jogo. Outro destaque é A campanha de
Orélio que, por perceber ser falsa a ideia de unidade nacional, ele sai em
conferências pelo Brasil propondo dividir o país em três grandes regiões.
Além
desses, existem ainda outros episódios que merecem destaques, mas identificá-los
é uma tarefa a ser desempenhada a cada novo leitor.
Por outro lado, como nem tudo é perfeito,
alguns dos textos classificados como contos poderiam ser incluídos entre as crônicas,
visto que os mesmos não possuem aqueles elementos que distinguem um gênero do
outro.
Por
fim, vale destacar a cuidadosa capa elaborada pela poetisa e artista plástica
Eliane Cristina Testa. Aqui os (Des) Aprisionamentos
se manifestam a partir das folhas que se libertam de um emaranhado de arames e se
deixam levar pelo vento, para bem longe dali.
Enfim,
o livro (Des) Aprisionamentos não possui contra indicações. Sendo assim, ele é capaz
de propiciar boa e descontraída leitura, por isso pode ser indicado para todas as
idades.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Nova universidade nos EUA inaugura biblioteca sem livros em papel
Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida, em foto sem data; a nova biblioteca foi inaugurada sem livros em papel (Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórida)
A Universidade Politécnica da Flórida, nos Estados Unidos, foi inaugurada na semana passada na cidade de Lakeland prometendo abordagens inovadoras no ensino e na pesquisa em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Uma dessas inovações é a biblioteca, que foi aberta neste mês com um acervo de 135 mil livros, mas nenhum deles impressos no papel. Todos estão em formato digital. A primeira aula da história da universidade aconteceu nesta segunda-feira (25).
"É uma decisão corajosa avançar sem livros", disse à agência de notícias Reuters Kathryn Miller, a diretoria de bibliotecas da nova instituição. A ideia por trás dessa decisão é refletir a priorização pela alta tecnologia que permeia toda a missão da "Florida Poly", como a universidade é chamada nos Estados Unidos.
Os 135 mil e-books podem ser acessados pelos estudantes pelo tablet ou notebook pessoais. O local, assim como o resto do campus, é equipado com internet sem fio. Além dos títulos já disponíveis, a instituição tem um orçamento de US$ 60 mil (cerca de R$ 140 mil) para comprar livros digitais por meio de softwares, para que os alunos possam lê-los uma vez gratuitamente. Com o segundo clique, a universidade compra o e-book. "Em vez de o bibliotecário colocar livros que eu acharia relevantes na estante, os estudantes é que estão escolhendo", disse Kathryn.
Nova função para bibliotecários
Já que não têm mais a função de carregar e guardar os livros físicos, os bibliotecários contratados pela universidade têm como principal tarefa orientar os leitores a aprender a gerenciar os materiais digitais.
A nova biblioteca, porém, não é 100% sem papel, segundo a Reuters. Alunos podem levar livros para estudar no local e emprestar livros em papel das outras 11 universidades estaduais da Flórida.
A Politécnica é a 12ª universidade mantida pelo governo do estado da Flórida e o prédio principal do campus foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava.
A construção levou 28 meses e, além da biblioteca digital, há um supercomputador e laboratórios de pesquisa para estudantes e professores.
Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava (Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórida)
Transcrito de http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/08/nova-universidade-nos-eua-inaugura-biblioteca-sem-livros-em-papel.html
Livros que toda criança e adolescente devem ler
Juliana Sada
Na semana em que tem início a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o Centro de Referências em Educação Integral abre espaço para a literatura. Crianças, especialistas, educadores e escritores indicaram os livros que toda criança e adolescente devem ler para contribuir com seu desenvolvimento integral. Afinal, o direito à leitura e à literatura envolve não apenas a língua, mas o significado simbólico, histórico e cultural de cada cultura. Confira a seguir!
O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry, Editora Agir)O-pequeno-príncipe
“É um livro para todas as idades. Para lembrar que não se deve matar a criança grande que habita em cada um de nós.
No nosso tempo, um dos maiores poetas vivos, o Manoel de Barros diz que continua a ser criança, quase chegando aos cem anos. Já o apóstolo Saulo de Tarso, na sua primeira carta aos Coríntios, escreveu: ‘quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, como criança me comportava. Hoje, depois de homem feito, deixei de lado as coisas de criança…’”.
José Pacheco, educador, um dos fundadores da Escola da Ponte em Portugal e autor do Dicionário de Valores (Edições SM).
Matilda (Roald Dahl, Ed. WMF Martins Fontes)
“Recomendo a obra do autor inglês Roald Dahl, que é fundamental; e deve ser a biblioteca básica das crianças. Ele tem um livro super marcante chamado ‘Matilda’, que posteriormente virou filme. Na história, Matilda é uma garota muito inteligente que vive em uma casa onde se detesta pessoas sábias e os pais querem que ela seja medíocre. É uma obra que não subestima a inteligência das crianças e que tem vínculo direto com as questões da infância, como o sentimento de rejeição ou de abandono e, ao mesmo tempo, mostrando como se pode superar isso. O livro traz a força da imaginação e a coragem da criança pra superar. É um livro maravilhoso e tem humor.
E, pessoalmente, Roald Dahl muito me influenciou como autor de livros infantis. Ele não tem problemas de colocar no texto questões que provoquem as crianças; ele é transgressor e não tem medo de escrever para a infância. É um dos grandes autores ingleses, que escreveu também “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, outra dica importante de leitura.”
Ilan Brenman, escritor e autor de Até as princesas soltam pum (Editora Brinque Book) e O Bico (Editora Moderna)
Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias (Ruth Rocha, Ed. Salamandra)
“É um livro que desperta muito a imaginação, mostrando o quanto a criança pode viajar por meio dela. Na história, Marcelo é um garoto que começa a falar de uma forma diferente e questiona o nome que as coisas têm, como por exemplo, perguntando porque a cadeira chama cadeira e não sentador? A partir disso, ele começa a dar nome para as coisas. É um livro que eu leio bastante na biblioteca e que aguça muito a imaginação das crianças.”
Eulina Cardoso, pedagoga e coordenadora da Biblioteca Esquina do Livro, que fica no bairro de Engenho Novo, no Rio de Janeiro, e integra o Polo Conexão Leitura.
Mitologia Grega
“O que eu mais gosto são os livros de mitologia grega. Neles, você passa por uma aventura e não precisa ver televisão, você imagina o cenário na cabeça. Eu adoro! Hoje vou começar a ler Homero, eu gosto destas coisas antigas. Os últimos que eu li foram “O Anel de Tutancâmon” (Rogério Andrade Barbosa, Ed. Melhoramentos), que é muito legal, e “Jiló, um garoto em perigo” (Marcio Poletto, Ed. Melhoramentos), que é sobre tráfico de crianças, mas não é muito triste, porque sempre acaba com um final feliz, né?”
Leonardo Odloak, 11 anos, estudante do 6º ano do ensino fundamental.
O Dia do Curinga (Jostein Gaarder, Ed. Cia das Letras)
“É um livro que me abriu bastante o imaginário, me ajudou a perceber que o mundo é viajável e me despertou a vontade de viajar. A obra também fez com que eu tivesse outra relação com o meu pai. O livro conta a história de um garoto e seu pai que vão buscar a mãe que os deixou há alguns anos. Então, eles passam a viajar pela Europa em busca dela e há histórias paralelas acontecendo e que se entrelaçam. Eu li com 12 ou 13 anos e me marcou muito, foi a partir dele que despertei meu gosto pela leitura.”
Antonio Sagrado Lovato, diretor do documentário 'Quando sinto que já sei'
Alexandre e outros heróis (Graciliano Ramos, Ed. Record)
“O livro tem várias histórias, mas tem uma que me marcou muito. Um garoto está na floresta, se assusta ao ver uma onça e foge. Ao chegar em casa, seu pai alerta que ele está sem um olho. Ele o havia esquecido na floresta! Com muito medo da onça, ele volta e consegue achar o olho. No entanto, ao colocar no rosto, ele põe o olho ao contrário. A partir daí, ele passar a olhar sempre para dentro e para fora. Desde então, eu tenho tentando sempre ficar com um olho atravessado! O Graciliano Ramos tem um jeito de escrever que não subestima o jovem, o livro é bastante simbólico e provocador”.
André Gravatá, autor do livro Volta ao mundo em 13 escolas
O Senhor das Moscas (William Golding, Ed. Alfaguara)
“Um dos maiores clássicos da literatura inglesa do Século XX, o livro constrói alegorias a partir da história de um grupo de crianças que, após a queda de um avião no mar, se vêem isoladas e sozinhas em uma ilha deserta. Por envolver personagens infantis, o livro costuma causar identificação com o público jovem. A obra é rica em possíveis interpretações trazendo elementos históricos, culturais e psicológicos, estabelecendo várias reflexões. O livro pode ser lido em diferentes idades e trazer diferentes interpretações, de acordo com o repertório da pessoa.
Na sala de aula, o livro pode trazer uma série de debates. Um deles é sobre o estado primitivo do ser humano, já que os garotos vão perdendo a civilidade e tendo uma atitude cada vez mais primitiva. E isso ocorre logo com crianças que são tidas como o símbolo da inocência e pureza, então, é possível debater psicologia a partir disso. Outra questão do livro são os regimes democrático e fascista, que as diferentes formas de organização dos garotos acabam refletindo.”
Rodrigo Valente, jornalista e professor de história.
A espada e o novelo (Dionisio Jacob, Ed.SM)
“O livro A espada e o novelo traz a história de um célebre contador de histórias que está à beira da morte. Para ouvir o que seriam as últimas histórias do velho Laodemo, pessoas de diferentes localidades do mundo se reúnem em uma ilha do mar Mediterrâneo. Pela memória do sábio Laodemo conheceremos vários feitos de heróis mitológicos como Jasão, Héracles e Teseu, e por sua boca falará os deuses, fazendo o mundo voltar a ser habitado por ninfas, centauros e monstros.
É uma obra, como sugere o título, que transita entre guerras, amores, fúria e perdão como se tivessem emaranhados num grande novelo que é o mundo. Depois que puxamos a primeira palavra da história é impossível não desenrolar todo o enredo até o final.”
Volnei Canônica, especialista em Literatura Infantil e Juvenil e coordenador do programa Prazer em Ler do Instituto C&A.
Jogos Vorazes (Suzanne Collins, Ed. Rocco) e Divergente (Veronica Roth, Ed. Rocco)divergente
“As histórias são muito boas, são de um futuro muito distante depois de várias mudanças que aconteceram no mundo. Tudo o que os personagens passam é muito emocionante! No Jogos Vorazes, eles estão divididos em doze distritos que servem à Capital. Tem a ver com a nossa realidade um pouco, ainda mais com os governantes, que se importam mais com si mesmos do que com o povo, que deveria ser a prioridade deles. Já no Divergente, as pessoas estão divididas em facções de acordo com as suas capacidades, como franqueza e erudição. Alguns deles descobrem que existem pessoas vivendo do outro lado da cerca, que não se encaixam em nenhuma facção e decidem conhecer este outro mundo.”
Andressa Almeida, 13 anos, estudante do 9º ano do ensino fundamental.
Transcrito de http://educacaointegral.org.br/noticias/livros-toda-crianca-adolescente-devem-ler/
Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição
Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, pela ocasião do Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição:
O Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição é particularmente significativo em 2014, aniversário de 210 anos da independência do Haiti e aniversário de 20 anos do programa educacional e cultural Projeto Rota de Escravos da UNESCO, um projeto pioneiro que ajudou a acelerar pesquisas e propagar o conhecimento sobre a história da escravidão e suas consequências.
A história do tráfico de escravos registra não somente seu sofrimento mas também sua luta vitoriosa pela liberdade e pelos direitos humanos, simbolizada pela insurreição de escravos de São Domingos da noite de 22 para 23 de agosto de 1971. Essa luta reforça a consciência sobre a igualdade de todos os homens e mulheres que é herança direta de todos.
Essa visão emancipatória deve servir de guia aos nossos esforços em prol de construir uma cultura de tolerância e respeito. Os programas educacionais e culturais da UNESCO e seu apoio a pesquisas históricas têm por objetivo destacar a riqueza das tradições produzidas pelos povos africanos em meio à adversidade – na arte, na música, na dança e na cultura de maneira geral –, criando laços indissolúveis entre povos e continentes e transformando irreversivelmente a cara da sociedade. Essa herança tem valor inestimável para uma vida pacífica em nosso mundo globalizado às vésperas da Década Internacional para os Povos de Ascendência Africana (2015-2024).
A transmissão dessa história é condição essencial para uma paz duradoura baseada na compreensão mútua entre povos e na plena consciência dos perigos do racismo e do preconceito. Ela também nos ajuda a continuar nossa mobilização contra formas modernas de escravidão e tráfico de pessoas que ainda afetam mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo.
Leal às palavras de Aimé Césaire, que disse, sobre a Cidadela no Haiti: “a essas pessoas, obrigadas a se ajoelhar, urgia um monumento para que se erguessem”, a UNESCO contribui ativamente com o projeto de um Memorial Permanente à Lembrança das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, a ser estabelecido na sede das Nações Unidas.
Conclamo os países-membros e os parceiros da UNESCO em escolas, universidades, na mídia, nos museus e nos lugares de memória a observar este Dia Internacional e a dobrar seus esforços para garantir que o papel feito pelos escravos na conquista do reconhecimento de direitos humanos universais seja conhecido mais a fundo e mais amplamente disseminado.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Manifestações de ódio estão dominando a internet?
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Farhad Manjoo [“Web Trolls Winning as Incivility Increases”, The New York Times, 15/8/2014], Enrique Krauze [“Anti-Semitism Stirs in Latin America”,The New York Times, 16/8/2014], Luigi Serenelli (com colaboração de Angela Waters e Jennifer Collins) [“As online anti-Semitism grows, so do efforts to counter it”, The Washington Post, 15/8/2014], Merissa Nathan Gerson [“
Troll é um termo utilizado na internet para caracterizar um baderneiro que surge – na maioria das vezes, anonimamente – para provocar discórdia nas redes sociais e em seções de comentários de blogs e sites, quase sempre com postagens agressivas.
Embora trolls, mensagens de ódio na rede ou o cyberbullying não sejam novidade, cada vez mais a internet parece estar perdendo uma guerra invisível contra tais assediadores, e o grande desafio no momento é encontrar uma forma inovadora de derrotar os encrenqueiros do mundo digital.
Bullying virtual
Dias após a morte de seu pai, o ator Robin Williams – que cometeu suicídio em 11/8 –, a também atriz Zelda Williams, tornou-se vítima do assédio online. Zelda decidiu sair de sua conta no Twitter após receber fotomontagens de seu pai com marcas no pescoço e fotos de cadáveres mortos por enforcamento.
Embora o cancelamento de uma celebridade no Twitter não soe como um dos problemas mais alarmantes que o mundo enfrenta, deve-se notar que o fenômeno não é fato isolado e afeta mais gente do que parece, podendo deixar um rastro de danos emocionais coletivos.
Em artigo publicado na revista Pacific Standard, a escritora Amanda Hess aponta que a internet tem se tornando uma “central para a experiência humana”, um lugar do qual não se é mais possível escapar caso você deseje trabalhar, namorar, socializar ou abrir uma conta corrente. Por causa disso, o impacto da rede em nossas vidas é maior do que se imagina. “Ameaças online podem dominar nosso emocional”, avalia. Amanda também pondera que os problemas online refletem um custo real, pois além de tomar tempo, às vezes exigem providências concretas para serem combatidos, como a abertura de processos ou o investimento em segurança online.
A escritora e ativista americana Jennifer Pozner – que se dedica principalmente a grupos de defesa de causas feministas – teve sua vida profundamente afetada por um perseguidor. Ela chegou a receber mensagens diárias de um indivíduo que criava contas novas no Twitter única e exclusivamente para perturbá-la.
Guerra online
A Guerra de Gaza tem sido mais um pretexto para manifestações odiosas nas redes sociais, principalmente no que diz respeito ao antissemitismo. Em análise para o New York Times, o jornalista Enrique Krauze, articulista do El País, chamou atenção para a quantidade de mensagens antissemitas redigidas em língua espanhola no Twitter. “Alguns governos latino-americanos manifestaram seu descontentamento com as ações de Israel. Chile e Brasil chamaram seus embaixadores, Fidel Castro acusou os israelenses de genocídio, e os governos favoravelmente dispostos à revolução populista da Venezuela condenaram publicamente a postura de Israel na guerra”, escreveu ele. “Embora tal rejeição política não seja necessariamente antissemita, há algo novo surgindo nas mídias sociais em língua espanhola, principalmente entre os jovens, onde a condenação a Israel é muitas vezes acompanhada por diatribes antissemitas. A América Latina não é particularmente antissemita, mas há um perigo de se transformar em tal”, concluiu.
Suzette Bronkhorst, cofundadora da Agência Holandesa de Queixas para Discriminação na Internet, diz que não se lembra de já ter visto níveis tão altos de discursos antissemitas em plataformas sociais. Em julho de 2014, o número de páginas antissemitas em língua holandesa no Facebook alcançou as centenas. No mesmo período, a hashtag “Hitler estava certo” apareceu mais de 10 mil vezes no Twitter, tornando-se um trending topic.
A Universidade Técnica de Berlim deu início a um projeto para analisar cerca de 100 mil textos da internet e avaliar como o antissemitismo se espalha nas redes sociais e nas seções de comentários de sites, chats e fóruns. A equipe descobriu que as manifestações não vêm só do círculo islâmico e dos círculos de direita, mas também da classe média escolarizada.
Yonathan Arfi, vice-presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França, diz que a onda antissemita é um novo fenômeno que tem se intensificado graças à internet. “É um espaço sem leis”, diz ele.
Combate
Mesmo com tantas evidências óbvias de que discursos de ódio devam ser combatidos, a questão ainda é bastante complicada. Tanto o Twitter quanto o Facebook têm meios para denunciar abusos, mas os recursos são frequentemente descritos como inadequados.
Del Harvey, vice-presidente da Equipe de Confiança e Segurança do Twitter, afirma que o site vive em constante processo de avaliação para melhorar ainda mais suas políticas e lidar melhor com casos como o da filha do ator Robin Williams.
A empresa de mídia online Gawker Media diz ter solucionado seus problemas implementando um sistema onde apenas comentadores aprovados têm permissão para postar na seção de comentários. Comentários reprovados costumam ser relegados a uma seção de “pendentes” com um aviso de alerta aos leitores sobre seu conteúdo.
Em 2013, o Facebook enfrentou pressão de ativistas e anunciantes, o que levou a rede social a rever suas páginas de comunidades, evitando assim a publicação de anúncios em páginas com conteúdo gráfico.
Adeptos da tecnologia e ativistas online, por outro lado, alegam já ter oferecido ao Twitter algumas ideias simples para tornar o microblog mais seguro. O programador Jacob Hoffman-Andrews, por exemplo, criou o “Block Together”, um programa que permite aos usuários bloquear novas contas no Twitter ou contas que tenham número baixo de seguidores.
Liberdade de expressão
O que torna boa parte das empresas de tecnologia hesitantes sobre a filtragem de qualquer conteúdo em seus sites é o temor de bloquear a liberdade de expressão. Monitorar conteúdo agressivo individualmente é algo complicado devido ao alto volume de informação na rede, e realizar bloqueio automático de conteúdo (através de palavras-chave) pode atrapalhar eventos políticos. É inegável, por exemplo, a importância das redes sociais durante a Primavera Árabe de 2010 e 2011.
Quando o Facebook esteve sob a pressão de ativistas em 2013, ele também apontou a dificuldade em não afetar a liberdade de expressão ao realizar a filtragem de seu conteúdo. “Avaliar materiais controversos nos obriga a tomar decisões difíceis e desperta preocupações em relação ao equilíbrio da liberdade de expressão e do respeito à comunidade”, declarou a equipe do Facebook em seu blog à época.
“Não alimente os trolls”
O jornalista britânico-americano Nick Bilton diz que já cometeu o “grande erro” de se envolver em discussões em redes sociais e que os episódios lhe renderam mensagens de ódio imediatas e ofensas impublicáveis.
Ele crê que não interessa o tópico abordado. Pode ser Gaza, a Agência Nacional de Segurança dos EUA, Beyoncé, Justin Bieber ou assuntos esotéricos: sempre haverá discursos de ódio na rede. Em artigo para o New York Times, o jornalista se pergunta: o que o usuário deve fazer então? Recusar-se a se manifestar ou a compartilhar links para não incitar a horda?
Bilton consultou uma série de jornalistas “cujo trabalho é ser atacado online” em busca de uma resposta. Boa parte deles disse ignorar as mensagens. Um editor da revista New Yorker afirmou: “A regra do seu envolvimento é nunca se envolver”. Um ex-funcionário da Gawker disse que um dos mantras da empresa é “Nunca reclame, nunca se explique”. Já um colega do New York Times recorreu a uma velha regra da internet: “Não alimente os trolls”.
Bernie Mayer, autor de vários livros sobre resolução de conflitos e professor da Escola de Direito da Universidade de Creighton, em Omaha, observa que, além da velocidade, há outro problema nas discussões digitais: nelas, as pessoas não conseguem captar o tom de uma conversa, a expressão facial e, acima de tudo, o sarcasmo. Mayer diz que é possível ter pistas através de emoticons e nuances gramaticais, mas que, por fim, num embate de 140 caracteres, isso se torna quase impossível.
Para Whitney Phillips, professora da Universidade Estadual de Humboldt, enquanto a internet estiver operando de acordo com uma economia baseada em cliques, os trolls vão existir. “Não é uma questão de saber se estamos ou não estamos vencendo a guerra contra os trolls, mas sim se estamos vencendo a guerra contra a misoginia, o racismo e afins”, diz ela. “A atitude dos trolls é apenas um sintoma destes problemas maiores”.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed812_manifestacoes_de_odio_estao_dominando_a_internet – 19.08.2014 - edição 812
Troll é um termo utilizado na internet para caracterizar um baderneiro que surge – na maioria das vezes, anonimamente – para provocar discórdia nas redes sociais e em seções de comentários de blogs e sites, quase sempre com postagens agressivas.
Embora trolls, mensagens de ódio na rede ou o cyberbullying não sejam novidade, cada vez mais a internet parece estar perdendo uma guerra invisível contra tais assediadores, e o grande desafio no momento é encontrar uma forma inovadora de derrotar os encrenqueiros do mundo digital.
Bullying virtual
Dias após a morte de seu pai, o ator Robin Williams – que cometeu suicídio em 11/8 –, a também atriz Zelda Williams, tornou-se vítima do assédio online. Zelda decidiu sair de sua conta no Twitter após receber fotomontagens de seu pai com marcas no pescoço e fotos de cadáveres mortos por enforcamento.
Embora o cancelamento de uma celebridade no Twitter não soe como um dos problemas mais alarmantes que o mundo enfrenta, deve-se notar que o fenômeno não é fato isolado e afeta mais gente do que parece, podendo deixar um rastro de danos emocionais coletivos.
Em artigo publicado na revista Pacific Standard, a escritora Amanda Hess aponta que a internet tem se tornando uma “central para a experiência humana”, um lugar do qual não se é mais possível escapar caso você deseje trabalhar, namorar, socializar ou abrir uma conta corrente. Por causa disso, o impacto da rede em nossas vidas é maior do que se imagina. “Ameaças online podem dominar nosso emocional”, avalia. Amanda também pondera que os problemas online refletem um custo real, pois além de tomar tempo, às vezes exigem providências concretas para serem combatidos, como a abertura de processos ou o investimento em segurança online.
A escritora e ativista americana Jennifer Pozner – que se dedica principalmente a grupos de defesa de causas feministas – teve sua vida profundamente afetada por um perseguidor. Ela chegou a receber mensagens diárias de um indivíduo que criava contas novas no Twitter única e exclusivamente para perturbá-la.
Guerra online
A Guerra de Gaza tem sido mais um pretexto para manifestações odiosas nas redes sociais, principalmente no que diz respeito ao antissemitismo. Em análise para o New York Times, o jornalista Enrique Krauze, articulista do El País, chamou atenção para a quantidade de mensagens antissemitas redigidas em língua espanhola no Twitter. “Alguns governos latino-americanos manifestaram seu descontentamento com as ações de Israel. Chile e Brasil chamaram seus embaixadores, Fidel Castro acusou os israelenses de genocídio, e os governos favoravelmente dispostos à revolução populista da Venezuela condenaram publicamente a postura de Israel na guerra”, escreveu ele. “Embora tal rejeição política não seja necessariamente antissemita, há algo novo surgindo nas mídias sociais em língua espanhola, principalmente entre os jovens, onde a condenação a Israel é muitas vezes acompanhada por diatribes antissemitas. A América Latina não é particularmente antissemita, mas há um perigo de se transformar em tal”, concluiu.
Suzette Bronkhorst, cofundadora da Agência Holandesa de Queixas para Discriminação na Internet, diz que não se lembra de já ter visto níveis tão altos de discursos antissemitas em plataformas sociais. Em julho de 2014, o número de páginas antissemitas em língua holandesa no Facebook alcançou as centenas. No mesmo período, a hashtag “Hitler estava certo” apareceu mais de 10 mil vezes no Twitter, tornando-se um trending topic.
A Universidade Técnica de Berlim deu início a um projeto para analisar cerca de 100 mil textos da internet e avaliar como o antissemitismo se espalha nas redes sociais e nas seções de comentários de sites, chats e fóruns. A equipe descobriu que as manifestações não vêm só do círculo islâmico e dos círculos de direita, mas também da classe média escolarizada.
Yonathan Arfi, vice-presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França, diz que a onda antissemita é um novo fenômeno que tem se intensificado graças à internet. “É um espaço sem leis”, diz ele.
Combate
Mesmo com tantas evidências óbvias de que discursos de ódio devam ser combatidos, a questão ainda é bastante complicada. Tanto o Twitter quanto o Facebook têm meios para denunciar abusos, mas os recursos são frequentemente descritos como inadequados.
Del Harvey, vice-presidente da Equipe de Confiança e Segurança do Twitter, afirma que o site vive em constante processo de avaliação para melhorar ainda mais suas políticas e lidar melhor com casos como o da filha do ator Robin Williams.
A empresa de mídia online Gawker Media diz ter solucionado seus problemas implementando um sistema onde apenas comentadores aprovados têm permissão para postar na seção de comentários. Comentários reprovados costumam ser relegados a uma seção de “pendentes” com um aviso de alerta aos leitores sobre seu conteúdo.
Em 2013, o Facebook enfrentou pressão de ativistas e anunciantes, o que levou a rede social a rever suas páginas de comunidades, evitando assim a publicação de anúncios em páginas com conteúdo gráfico.
Adeptos da tecnologia e ativistas online, por outro lado, alegam já ter oferecido ao Twitter algumas ideias simples para tornar o microblog mais seguro. O programador Jacob Hoffman-Andrews, por exemplo, criou o “Block Together”, um programa que permite aos usuários bloquear novas contas no Twitter ou contas que tenham número baixo de seguidores.
Liberdade de expressão
O que torna boa parte das empresas de tecnologia hesitantes sobre a filtragem de qualquer conteúdo em seus sites é o temor de bloquear a liberdade de expressão. Monitorar conteúdo agressivo individualmente é algo complicado devido ao alto volume de informação na rede, e realizar bloqueio automático de conteúdo (através de palavras-chave) pode atrapalhar eventos políticos. É inegável, por exemplo, a importância das redes sociais durante a Primavera Árabe de 2010 e 2011.
Quando o Facebook esteve sob a pressão de ativistas em 2013, ele também apontou a dificuldade em não afetar a liberdade de expressão ao realizar a filtragem de seu conteúdo. “Avaliar materiais controversos nos obriga a tomar decisões difíceis e desperta preocupações em relação ao equilíbrio da liberdade de expressão e do respeito à comunidade”, declarou a equipe do Facebook em seu blog à época.
“Não alimente os trolls”
O jornalista britânico-americano Nick Bilton diz que já cometeu o “grande erro” de se envolver em discussões em redes sociais e que os episódios lhe renderam mensagens de ódio imediatas e ofensas impublicáveis.
Ele crê que não interessa o tópico abordado. Pode ser Gaza, a Agência Nacional de Segurança dos EUA, Beyoncé, Justin Bieber ou assuntos esotéricos: sempre haverá discursos de ódio na rede. Em artigo para o New York Times, o jornalista se pergunta: o que o usuário deve fazer então? Recusar-se a se manifestar ou a compartilhar links para não incitar a horda?
Bilton consultou uma série de jornalistas “cujo trabalho é ser atacado online” em busca de uma resposta. Boa parte deles disse ignorar as mensagens. Um editor da revista New Yorker afirmou: “A regra do seu envolvimento é nunca se envolver”. Um ex-funcionário da Gawker disse que um dos mantras da empresa é “Nunca reclame, nunca se explique”. Já um colega do New York Times recorreu a uma velha regra da internet: “Não alimente os trolls”.
Bernie Mayer, autor de vários livros sobre resolução de conflitos e professor da Escola de Direito da Universidade de Creighton, em Omaha, observa que, além da velocidade, há outro problema nas discussões digitais: nelas, as pessoas não conseguem captar o tom de uma conversa, a expressão facial e, acima de tudo, o sarcasmo. Mayer diz que é possível ter pistas através de emoticons e nuances gramaticais, mas que, por fim, num embate de 140 caracteres, isso se torna quase impossível.
Para Whitney Phillips, professora da Universidade Estadual de Humboldt, enquanto a internet estiver operando de acordo com uma economia baseada em cliques, os trolls vão existir. “Não é uma questão de saber se estamos ou não estamos vencendo a guerra contra os trolls, mas sim se estamos vencendo a guerra contra a misoginia, o racismo e afins”, diz ela. “A atitude dos trolls é apenas um sintoma destes problemas maiores”.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed812_manifestacoes_de_odio_estao_dominando_a_internet – 19.08.2014 - edição 812
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Resenha de filme: Fahrenheit 451
Lianja Soares Aquino*
*Graduada em Letras e mestranda em ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins, UFT, Campus: Araguaína
O filme Fahrenheit 451 (Fahrenheit 451. Direção de François Truffaut, com Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack. Ficção científica, França/Reino Unido, 1966) transcorre numa cidade em que as casas são à prova de fogo, os bombeiros se destinam a que função? Queimar livros. Assim, inicia-se o filme Fahrenheit 451, dirigido pelo francês François Truffaut. O filme é uma adaptação do romance de Ray Bradbury, estadunidense e escritor de contos de ficção-científica. A trilha sonora usada no filme é de Bernard Hermann, compositor que também teve participação em filmes como, Psicose (Psycho, 1960) de Alfred Hitchcock; Kill Bill (2003), de Quentin Tarantino e Taxi Driver (1976), de Martin Scorcese.
Direção e trilha sonora são brilhantes, de acordo com os recursos da época, mas o mais significativo é a reflexão que o filme provoca sobre a manipulação dos programas de TV que incentivam o consumismo, a superficialidade e impõe regras de conduta social para controlar o comportamento da população. A proibição de livros como: novelas, biografias, aventuras, romances e filosóficos é obrigatória neste contexto, com a argumentação de que “A única maneira de ser feliz é garantir que todos sejam iguais, por isso a necessidade de se queimar os livros”.
A genialidade do filme está em sua atemporalidade. Produzido e divulgado nos anos sessenta (1966), momento de grandes transformações culturais, apoiadas em movimentos como o da geração beat, iniciada pelo escritor Jack Kerauac contra o moralismo rígido do começo dos anos 50, garante ainda, nos tempos atuais, um debate relevante sobre a obra e as relações humanas. A TV, também nesse período, tornou-se um meio de comunicação de massa e os movimentos feministas começaram a eclodir.
Com a avançada tecnologia dos dias atuais, algumas pessoas arriscam dizer que estamos chegando num período em que os livros impressos sumirão das prateleiras. Outra discussão ainda é o controle das massas através de mídias manipuladoras de opinião. Entre os anos de 1950 e 2014 muitas coisas mudaram, mas os temas propostos pelo filme parecem não ter vencido as barreiras do tempo.
Nesse ínterim, Montag, protagonista do filme, exerce a função de bombeiro e, junto a sua equipe, queima livros. Montag é objetivo em suas palavras, não questiona as ordens do chefe e é casado com Linda, uma mulher que passa os dias na frente da TV, tomando pílulas e seguindo o sistema vigente. Tudo é muito controlado: horários, trabalho e família. Mas Montag conhece Clarisse.
Numa conversa informal Montag é questionado por Clarice se nunca havia desejado ler algum livro que queimava. Esta pergunta seria o inicio de uma vida considerada transgressora para Montag, mas despertou sua curiosidade. Ele rouba um livro intitulado “A história pessoal de David Copperfiel, por Charles Dickens” e não conseguiu parar de ler e de roubar outros livros. As histórias que Montag lê e sua relação com os livros levam a questionamentos sobre sua condição de bombeiro e marido. A partir dessas reflexões, as suas atitudes começam a mudar.
O desfecho do filme não pode ser revelado aqui, pois o lirismo militante em questão é de encher os olhos e alma. O fato é, como disse Jorge Luis Borges, em seu texto A biblioteca de babel: “A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança.” E é com esta esperança de poder ser livre, enquanto leitor e construtor de cultura, que Montag escolhe seguir.
Para assistir o trailer, clique aqui
Para assistir o filme completo clique aqui
Press Release 005 – 25.08.2014 – Filme Getúlio
O filme Getúlio (Getúlio. Dir. João Jardim, com Tony Ramos, Drica Moraes, Alexandre Borges. Drama. Brasil. 2014) conta a história do governante que mais tempo exerceu o poder presidencial na história do país, instaurando o trabalhismo e, como estancieiro, virando as costas à reforma agrária.
A obra, que culmina com sua morte em 24 de agosto de 1954, é o ápice do relato dos seus últimos 19 dias, fazendo prevalecer a leitura dramática em detrimento da leitura política do golpismo que, nas palavras de Tancredo Neves, à época Ministro da Justiça, se revelariam nos mesmos líderes do golpe de 1964 - instalando a mais longa ditadura brasileira e a primeira das diversas que sangraram o continente por duas décadas. A trama dispensa um conjunto de elementos fundamentais para entender o golpismo, não dando elementos para uma compreensão histórica e politicamente mais objetiva.
Sua personalidade populista foi cristalizada na imagem do povo carregando seu caixão, do Palácio do Catete até o Aeroporto Santos Dumont - histórica dentro da obra ficcional - que rivalizava com o político-jornalista, Carlos Lacerda - que exerceu a profissão e o mandato com seus piores vícios - perenizando na imprensa o mesmo comportamento udenista dos nossos dias, mas só conseguindo derrubar ainda o Presidente
João Goulart, até a atual impotência desesperada.
Assista hoje o filme Getúlio na TV Globo, às 22h45
Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro
Pós-Doutorando – UFT/PPGL
Editor
Se desejar ler os demais Press Release, clique em http://bit.ly/1E35ugR
Press Release 004 – 25.08.2014
Destaque
Filme: Getúlio
http://bit.ly/1tA9WOJ
Resenha de filme
Viva a Liberdade
http://bit.ly/1p9SUaX
Resenha de filme
Fahrenheit 451 - http://bit.ly/1qHuiBK
Cultura
Ministério da Cultura coloca obras raras ao alcance dos dedos - http://bit.ly/1tBiDZp
Evento
ABL promove Seminário Brasil, brasis - http://bit.ly/1twjqLV
Evento Acadêmico
Atividades acadêmicas do curso de Física da UFT – Campus Araguaína -
http://bit.ly/1tBiDZp
Resenha de livro
O amor nos tempos do cólera – Gabriel Garcia Márquez - http://bit.ly/1pXYxrZ
Grandes Clássicos – Obra Completa
Eça de Queirós - http://bit.ly/1oR1NA6
Imagens: crianças e leitura
Meninas leitoras - http://bit.ly/1qGixf1
Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro
Pós-Doutorando – UFT/PPGL
Editor
Filme: Getúlio
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Resenha de filme
Viva a Liberdade
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Fahrenheit 451 - http://bit.ly/1qHuiBK
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Evento
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Evento Acadêmico
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Resenha de livro
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