domingo, 4 de julho de 2021

Pobreza como cor da pele

            Cristãos publicam manifesto contra o presidente Bolsonaro do Brasil                     


Em agosto do ano passado, 130 cristãos no Brasil escreveram um manifesto que agora também está disponível em alemão. Denuncia a política governamental do presidente Jair Messias Bolsonaro. Zeitzeichen conversou com Hans Alfred Trein, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil     ::


Zeitzeichen - Pastor Trein, o que o fez decidir formular um manifesto sobre a situação social e política no Brasil e divulgá-lo ao público?

Hans Alfred Trein - Devido à nossa confissão da Reforma Luterana, temos a convicção de que temos que vincular nossa fé ao dia-a-dia de nossa vida. Desde que o atual governo do Brasil sob o presidente Bolsonaro assumiu a gestão do país, há dois anos, a situação no país foi se deteriorando sempre mais: necropolítica é o nome adequado. Muitas das promessas iniciais não foram cumpridas, e ele escolheu a mentira como método político, seguindo seu exemplo, Donald Trump.


A que você está se referindo?

Bolsonaro - como Trump - puxou as elites financeiras para seu barco com um discurso neoliberal: privatização, reforma trabalhista, reforma previdenciária... sempre em detrimento das classes mais pobres. Ele também prometeu acabar com o nepotismo. A cada dia fica mais claro que ele apoia principalmente sua família e amigos, se cerca de milícias e descreve seus críticos como inimigos ou comunistas.


Quais são suas principais críticas ao Governo Federal?

Segundo Bolsonaro, o Brasil tem uma intensiva política de proteção florestal. No entanto, os dados acessíveis internacionalmente mostram o contrário. Os incêndios e o desmatamento ilegal aumentaram drasticamente, desde 2019. Instâncias de controle e até órgãos governamentais de proteção florestal estão sendo desmontados. Em junho de 2019, ele extinguiu o Conselho do Fundo Amazônia. Como resultado, a Alemanha e a Noruega retiraram suas doações. Agora, na recente cúpula virtual do clima, ele pediu dinheiro para retomar a proteção da floresta tropical, mas no dia seguinte, mais de 36 milhões de euros foram cortados do Ministério do Meio Ambiente. Durante a estação seca, ocorreram grandes incêndios na área de subsidência do Pantanal. O governo culpa as ONGs por isso - uma mentira. Recentemente, 200.000 metros cúbicos de madeira foram roubados ilegalmente da floresta tropical. A imprensa denuncia e nada acontece. Existem agora mais de cem processos de impeachment no Parlamento e nada acontece. É insuportável.


Existem outros pontos de crítica?

Outro assunto é o nosso novo regime militar, que se instalou mesmo sem golpe. Milhares de militares estão agora em cargos no governo federal, a maioria dos quais ainda está ativa no exército. O que acontecerá no próximo ano se a oposição vencer as eleições? Esses militares voltarão para o quartel? O presidente também quer garantir que as pessoas possam manter até seis armas de fogo em casa e os colecionadores até sessenta. Dá a impressão que algo está sendo preparado.


No manifesto você também fala sobre o Brasil sendo colocado à venda.

A privatização de nossas empresas estatais de petróleo e eletricidade está ocorrendo a portas fechadas. O Banco Central também está sendo aberto à especulação financeira internacional. Nenhuma outra nação faz isso. Terras são colocadas à venda a investidores. Grandes empresas compram madeira e minerais; no futuro, ouro só deverá ser garimpado por grandes empresas estrangeiras. Resumindo: é uma grande liquidação.


O que você entende por genocídio da população local?

A maneira como Bolsonaro lida com a pandemia do coronavírus é catastrófica; inicialmente ele a chamou de “gripezinha”. Argumentou com a necessidade de manter a atividade econômica contra as demandas da saúde, para não restringir a disseminação. Ainda há meio ano, ele se manifestou contra as vacinas. A gente é induzido a pensar que uma espécie de darwinismo social está sendo implementado aqui. Isso significa: o governo presume que todos os habitantes se contaminarão com o vírus e, então, surgirá algo como a imunidade de rebanho. E aqueles que não são suficientemente fortes ou muito fracos, morrerão. Ele aceita isso como fatalidade irreversível, e isso explica as 395.000 mortes até o final de abril de 2021.


Em seu manifesto diz, que a religiosidade de Bolsonaro é apenas marketing.

Bolsonaro era originalmente católico, depois vinculou-se aos neo-pentecostais. Seu rebatismo no Jordão foi muito publicizado e explorado durante a campanha eleitoral; ele foi repetidamente retratado orando e ajoelhado. Mas, em todas as suas declarações não se ouve nada do Evangelho de amor e paz. Fala-se apenas de ódio e armamento. Mesmo assim, ele é politicamente apoiado por neopentecostais que atraem (a) população pobre com curas e uma teologia da prosperidade. Pelo que sustentam, qualquer pessoa pode pregar sem conhecimento ou estudo porque o Espírito Santo está soprando tudo. O discurso anticientífico de Bolsonaro é amplamente aceito justamente por muitas dessas pessoas de boa fé.

A Conferência dos Bispos Católicos do Brasil já havia divulgado um manifesto em abril de 2020. Como o seu foi recebido?

Ironicamente, teve uma resposta muito boa dos jesuítas da contra-reforma no século 16 e foi inicialmente colocado no site da Universidade Católica UNISINOS de São Leopoldo. Imprensa e jornalistas o publicaram em magazines e jornais brasileiros. Mas não houve nenhuma publicação da liderança de nossa igreja, nem da Federação Luterana Mundial ou do Conselho Mundial de Igrejas. Provavelmente porque não veio da igreja como instituição. Houve reações muito críticas à publicação universitária. Isso aponta para a divisão polarizada dentro da sociedade brasileira que perpassa a nossa Igreja Evangélica de Confissão Luterana. Recebemos feedback agressivo de membros da igreja ou associações como "Herdeiros de Worms".

Qual foi o conteúdo dessas declarações?

Exigem a separação entre religião e política; infelizmente, também existem ideologias de direita em nossa Igreja, até o ponto de se tornarem fascistas. Muitas pessoas não distinguem conceitualmente entre fé e ideologia e têm uma imagem autoritária da sociedade de acordo com o lema: um bom governo é um governo forte, autoritário, também com a participação de militares. Eles também rejeitam as discussões atuais, por exemplo, sobre igualdade das mulheres, a descriminalização do aborto ou o debate de gênero. Argumentam que a igreja deveria ficar em silêncio sobre isso e se basear em declarações bíblicas. Nenhuma distinção é feita entre a cultura bíblica de 2.000 anos atrás e a atual - muito menos são atualizadas as “Boas Novas”.


Então, há uma interpretação fundamentalista da Bíblia?


Sim, embora a interpretação e exegese histórico-crítica sejam ensinadas em nossas faculdades de teologia. O que nós teólogos aprendemos nos últimos cinquenta anos não chegou à base da Igreja. Além disso, muitos em nossa igreja se sentem atraídos pelos neo-pentecostais, porque eles oferecem cura, uma espiritualidade individualizada e teologia da prosperidade. Também existe uma atitude de discriminação racial em nossa sociedade. Aqui, a pobreza tem uma cor de pele. Parte da discriminação social em nosso país data da época da escravidão. Em contraste com a América do Norte, escravos libertos no Brasil não receberam condições para se estabelecer como “livres” – por exemplo, um pedaço de terra. Foram “libertados” da escravidão para o desemprego. Isso resultou num sentimento cultural e racista de superioridade e numa estrutura de pensamento que se baseia exclusivamente no mérito. O que no fundo não é verdade e também é incompatível com o ensino luterano. A maioria tende a ser contra quando a política promove a integração social. Quando meus ancestrais emigraram do Hunsrück (Renânia/Alemanha) em 1825, eles receberam terras. Bolsonaro, por seu turno, prometeu aos grandes proprietários de terras uma inconstitucionalidade: não demarcar um milímetro de terra aos povos indígenas e descendentes dos escravos.


O que você espera das eleições da próxima campanha?

Nossa democracia sofreu um grande golpe com a destituição da presidente Dilma Rousseff, em 2016. O judiciário e a mídia oficial - nas mãos de cinco famílias brasileiras – deram sua contribuição para isso. Nós, na Igreja, também nos equivocamos na avaliação de nossa sociedade. Em termos de progresso social, estabilidade das instituições democráticas e da educação, estamos muito mais atrasados do que pensávamos: falta muito para superar e reparar os efeitos de massacres de povos indígenas e da escravidão negra. Soma-se a isso a ausência de um juízo social e político sobre a ditadura militar (1964-1985), uma sombra política permanente nos bastidores de nossa história.

Sinal do Tempo - 22º ano - junho de 2021  -   Zeitzeichen - 22. Jahrgang Juni 2021 € 7,20 8424

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Intelectuais alemães alertam: democracia brasileira pode não resistir


Quase três anos após carta lançada na eleição, signatários veem hoje confirmação de temores sobre Bolsonaro. Eles dizem que instituições estão sendo corroídas por dentro e podem não aguentar reeleição da extrema direita.

Em 2018, cerca de uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, um grupo de mais de 40 intelectuais alemães lançou uma carta aberta sobre os riscos à democracia e aos direitos humanos no Brasil.

Quase três anos após o manifesto, signatários do documento avaliam que aquele temor acabou se confirmando sob o governo Jair Bolsonaro e dizem que as instituições democráticas, corroídas por dentro, estão sob pressão crescente, podendo não resistir.

A carta de 2018 não citava abertamente o então candidato Bolsonaro, mas fazia referências claras a declarações dadas por ele e seus apoiadores em relação à propagação de desinformação e difamações, aos ataques aos direitos de minorias, e à incitação da violência.

"Aprendemos, dolorosamente, com a história europeia e, em especial, com a história alemã, que a apologia da tortura e da violência e o desrespeito a concidadãos e minorias jamais serão solução para crises econômicas e políticas", destacava a carta.

Ao final do texto, os intelectuais pediam que o Judiciário brasileiro e as forças democráticas lutassem pelos direitos humanos e a democracia, e defendiam a punição daqueles que violam esses princípios com palavras ou atos.

Bolsonaro acabou eleito, e seu atual mandato está entrando na fase final. Nestes quase três anos, foram frequentes a realização de atos contra instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso nacional, e gestos de apoio a pedidos de intervenção militar. O presidente e alguns de seus ministros participaram ativamente destes eventos, além de alimentar com ataques verbais o ódio contra a democracia e minorias.

O país também tem visto o desmonte de órgãos ambientais e de proteção a minorias e tentativas de interferência política em instituições de fiscalização, como a Polícia Federal, além de vivenciar ataques constantes à imprensa, praticados principalmente pelo presidente.

Já a propagação de mentiras se tornou política oficial durante pandemia, com o governo promovendo medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus e desdenhando de medidas sanitárias reconhecidas e aplicadas internacionalmente.


"Não é um golpe claro, mas uma infiltração"

Diante deste cenário, acadêmicos alemães ouvidos pela DW Brasil afirmam que a preocupação expressada na carta de 2018, de certa maneira, acabou se concretizando. Para a socióloga Maria Backhouse, da Universidade de Jena, essa confirmação, porém, ocorreu de forma diferente do que ela imaginava na época.

"Tinha o receio de que Bolsonaro instalaria uma ditadura, mas isso não ocorreu porque ele está tendo sucesso em sabotar a democracia por dentro", afirma a especialista em sociologia ambiental e desigualdade global.

Segundo ela, o presidente vem corroendo a democracia com os próprios meios deste sistema ao nomear determinados nomes para cargos estratégicos ou cortar recursos de universidades ou instituições de defesa do meio ambiente e minorias.

"A estratégia de Bolsonaro pode ser observada em vários países, não é um golpe claro, mas sim uma infiltração", ressalta Backhouse. 

Exemplos desse método de corrosão e seu impacto ocorreram em países como a Turquia de Recep Tayyip Erdogan – que ocupou o Judiciário e Forças Armadas com aliados e conseguiu assumir o controle destas instituições – ou a Hungria de Viktor Orbán – que conseguiu aprovar leis que, na prática, impossibilitam a vitória da oposição em eleições.

                                                            Bolsonaro durante "motociata" em São Paulo                                                                                                                                        Foto: Andre Lucas/dpa/picture alliance

A economista Barbara Fritz, da Universidade Livre de Berlim, diz que o modo de agir de Bolsonaro já era previsível antes das eleições. "Desde início era previsto que o governo Bolsonaro seria antidemocrático e promoveria uma luta permanente entre Judiciário e Legislativo, que tentam proteger as instituições democráticas. A ameaça à democracia continua existindo", destaca.

O sociólogo Hauke Brunkhorst, da Universidade de Flensburg, tem uma visão semelhante e afirma que a carta aberta continua atual. "Ainda seria um golpe de sorte caso a democracia no Brasil sobreviva nessas circunstâncias", avalia.


Cenário sombrio em caso de reeleição

Para Brunkhorst, especialista em sociologia constitucional e teoria política, o tipo "populista caótico fascista", como Bolsonaro ou o ex-presidente americano Donald Trump, dificilmente consegue resistir a um mandato. Mas se ele conseguir manipular o sistema eleitoral, a imprensa e outras instituições democráticas a seu favor, afirma o intelectual, como ocorreu na Hungria e na Polônia, Bolsonaro pode permanecer no poder "legalmente" por vários anos.

Devido a essas tentativas de corroer o sistema democrático por dentro, os intelectuais preveem um cenário mais sombrio no caso de um segundo mandato de Bolsonaro. Brunkhorst pontua que nenhuma democracia sobrevive à reeleição de "tais figuras, que não perseguem nada além de interesses próprios, privados e narcisistas".

Backhouse ressalta que as instituições democráticas já estão sofrendo uma enorme pressão, mas elas não implodiram ainda. "Há muita resistência, apesar de todas as catástrofes, mas temo que num segundo mandato Bolsonaro seja mais autoritário e atue com muito mais força para destruí-las", avalia.


Risco de golpe?

Fritz também enxerga o futuro cenário brasileiro de forma semelhante. Para a economista, as chances eleitorais de Bolsonaro, no entanto, dependem, além dos candidatos, dos rumos que a economia vai tomar neste e no próximo ano. "Há muitas incertezas neste momento, mas as condições de largada para a economia do Brasil são muito ruins, o que pode influenciar negativamente o voto em Bolsonaro".

Segundo Brunkhorst, o fim do risco à democracia só ficará claro nas próximas eleições e depende, não somente de uma troca de governo, como também da reação dos militares neste caso. O especialista, porém, avalia que o cenário não é tão favorável para as Forças Armadas.

"Um fator muito importante é que de repente a esquerda pode voltar a ganhar eleições nas Américas e trazer para a agenda projetos radicais, com os quais ninguém contava, como a mudança da Constituição no Chile, que deixa de lado o mercado e vai de encontro à democracia e novas formas de socialismo, ou o programa político dos EUA, que vai além do New Deal. Pela primeira vez, parece que os militares brasileiros não podem mais contar com o apoio americano no caso de um golpe", acrescenta o sociólogo.

Assim como Brunkhorst, Backhouse estima que a ameaça também depende da reação de militares a uma eventual derrota do presidente nas urnas, o que, na visão dela, pode resultar numa escalada de violência no país devido à eventual recusa de Bolsonaro em reconhecer o resultado eleitoral.

Clarissa Neher

sábado, 5 de junho de 2021

Ex-bolsonarista, Luana curou-se no 'labirinto do Minotauro'

Fernando Horta                                                                                                            

Vou fazer um 'fio' aqui para entendermos um perigoso jogo político do qual estamos sendo parte sem saber. Não é algo novo, mas que pouca gente conhece. Chame este fio de "em terra de cegos, quem tem um olho é rei". 

                                           Fernando Horta - Historiador, professor da Universidade de Brasília (UnB)

Luana Araújo impactou a CPI ontem e hoje aparece em diversos meios de comunicação que tentam vender a sua "genialidade" com informações sobre sua infância. Não vou entrar nos méritos nem nas teorias, mas não quer dizer absolutamente nada, se alfabetizar ou tocar piano na idade x.

Luana impactou a CPI por ser racional e conhecer aquilo que a sociedade pagou a ela para conhecer. Muito diferente da Nise Yamaguchi, por exemplo. Mas temos algumas centenas de homens e mulheres, biólogos, biomédicos, infectologistas, etc no Brasil, que fariam igual ou melhor.

A verdade é que Luana é (ou era) bolsonarista. Eu mesmo tive discussões com ela quando defendeu a reabertura das escolas em São Paulo. Foi escolhida por ser bolsonarista. Bolsonarista e lavajatista, que comemorou a prisão ilegal de Lula e deve ter uma posição semelhante a da Juliana Paes.

Luana Araújo é médica infectologista, Mestra em Saúde
Pública pela Johns Hopkins University

Daí quando o senado perguntou porque ela tinha sido selecionada, é porque os senadores sabiam que ela era bolsonarista. E que ela se desencantou quando o mesmo conteúdo ideológico que ela defendia - e achava correto - jogou contra ela.

Ela apagou o perfil exatamente para que não pudesse ser rastreada, mas a internet tem memória, e não é difícil encontrar a Luana daquela época printada por aí. Mas o que isso tem a ver com política e com o Brasil?

Aí vem o objetivo deste fio. Há muito tempo as potências do mundo tentam conservar um domínio sobre os outros povos que não seja pelas armas. O domínio pela força é caro e frequentemente colhe insucessos. O domínio pelo consentimento é barato e duradouro.

A principal técnica para isso é a "cooptação das elites". Existem muitos trabalhos de sociologia sobre isso e muitos projetos assim hoje no mundo. Vou dar três exemplos históricos.

No final da segunda guerra os EUA criaram no Panamá a chamada "Escola das Américas". Supostamente uma academia militar para "cooperação e troca" de conhecimentos, mas que era na verdade uma forma de moldar a ideologia.

Os militares selecionados iam para lá e "aprendiam" a odiar povo e a esquerda. Aos poucos, os militares que voltavam desta experiência foram reputados como "mais capazes", tinham suas promoções aceleradas e eram colocados em postos de comando, por supostamente, serem mais capazes.

A Escola das Américas garantia o selo de "capacidade", distintivo nas forças armadas, e foi de lá que saíram todos os planejadores do golpe de 64. Cooptação das elites.

O mesmo aconteceu com a chamada "Escola de Chicago" e o neoliberalismo. Os EUA criaram um "programa" para receber jovens economistas recém formados, para fazer "mestrado e doutorado" em Chicago. Com tudo pago.

Estes estudantes não eram os mais inteligentes, ou os mais capazes, mas estavam entre aqueles com um vazio interior grande, capazes de assimilar o que quer que os seus financiadores quisessem. Surgiram os "Chicago Boys".

Jovens com pouca ou nenhuma retidão ética e moral, sem nenhum compromisso coletivo, que eram alçados a categoria de "gênios" e, quando voltavam aos seus países, ocupavam cargos decisórios importantes e colocavam o plano dos seus financiadores em prática.

Quem tiver dúvida sobre a não distinção, em termos de inteligência ou competência, entre os "Chicago Boys" e seus colegas que ficaram em solo pátrio, basta saber que a 'anta' do Paulo Guedes foi um "Chicago Boy". Cooptação das elites.

O mesmo faz hoje as fundações do Lehmann e outros milionários brasileiros com gente como a Tabata Amaral. Todos sabem que há toda uma politicagem que envolve doações para a universidade e interesses para abertura de "programas" que recebem estudantes da América do Sul, África etc. 

Essas pessoas não podem ser incapazes, mas estão longe de serem as melhores dos seus países. São escolhidas pelo vazio ético e a falta de compromisso nacional e social. A partir daí saem da experiência no exterior com o selo de "diferenciadas" para a população do seu país.

Em realidade, elas são diferenciadas em favor dos financiadores e não para os povos que as recebem de volta. Elas são "diferenciadas" porque trazem ideologias diferentes e são dóceis à figura das potências dominantes. E isso é uma forma barata de colonialismo cultural.

A fala de Luana enfatizando que foi a "única" que recebeu determinada honraria da Johns Hopkins, tem pouca importância nos meios acadêmicos, mas dita por ela, é parte da construção da aura de "diferenciada". Ela foi escolhida por ser bolsonarista. E se desiludiu.

Que bom que ela acordou ética e moralmente (será?), mas o caso dela não pode esconder toda uma política social de cooptação das elites, que acontece neste exato momento e que tem como representantes pessoas do quilate de Tabata Amaral e Kim Kataguiri.

Aprendi uma regra no meio acadêmico: se o "Dr" vier antes do nome, ele serve para nos mostrar que o ego vem antes do coletivo, e não raro, demonstra muito mais um artifício para esconder falhas de formação do que uma condecoração por mérito e esforço.

Quem é doutor de fato, não gosta de ser chamado assim e fica envergonhado que lhe chamem por uma coisa, que a imensa maioria passa a vida discutindo consigo mesmo, se está à altura do título.

Uma segunda coisa que aprendi, neste mundo da "torre de marfim", é que se os livros da pessoa chegaram antes dela no exterior, ela tem valor pelo que produziu. Se ela chegou lá antes dos livros, desconfie. Lembre-se da antiga e bem sucedida estratégia da "cooptação das elites".

E lembre também que isso não acontece só na academia. Acontece na arte, na política etc. Em toda atividade cujo ego e a vaidade estejam intrinsicamente ligadas ao sucesso, esta estratégia internacional funciona com efetividade. Não criemos heróis que lutam pelos outros!






sexta-feira, 4 de junho de 2021

Luana, musa da CPI, lava nossa alma

RUTH DE AQUINO
JUNE 03, 2021

A médica infectologista Luana Araújo, na CPI da Covid: lealdade aos pacientes, à Ciência e ao Brasil Mais Luanas e menos Nises e Mayras, esse é o Brasil que merecemos. “Não é porque um vírus morre no micro-ondas que eu vou pedir para o paciente entrar no forno duas vezes por dia”. Tem humor ferino a mineira Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas pela UFRJ. Assim ela detonou, na CPI no Senado, os tratamentos experimentais para Covid, com antivirais in vitro.


 Luana Araújo é médica infectologista, Mestra em Saúde Pública pela Universidade Johns Hopkins (EUA), fala inglês, alemão e português (em desuso no Planalto)

Luana tem mestrado nos EUA em Saúde Pública. Fala bem inglês, alemão e até o português, em desuso no Planalto. Canta, toca piano. No Senado, sapateou em cima dos negacionistas fake com o salto alto do conhecimento e da palavra. A discussão sobre a cloroquina, ela chamou de “delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente”. O tratamento precoce mereceu mais uma ironia: “É como se a gente estivesse escolhendo de que borda da Terra plana a gente vai pular”. Fiquei encantada.

Precoce não é o tratamento com as caixinhas de cloroquina e ivermectina que Mayra, Nise, Pazuello e Bolsonaro coagiram médicos a receitar. Precoce é Luana, que aprendeu a ler e escrever sozinha com dois anos e aos quinze foi estudar música na Áustria, já com ensino médio concluído. Em seu perfil do Instagram, canta em inglês, tocando violão. Aí entendo como Luana soube projetar a voz, esgrimindo as sílabas com clareza em seu depoimento. Suas palavras soaram como música para os meus ouvidos.

Luana é carismática e bonita. Não me venham acusar de machista por constatar e apreciar. Com “a política do apropriado”, ficou feio falar das belas. O irlandês maldito Oscar Wilde dizia que “a beleza é superior à genialidade porque não precisa de comentário; ela é um dos fatos do mundo, não pode ser interrogada, é soberana por direito divino”. E sabemos bem que ele não se referia especificamente às mulheres.

Espero que a infectologista vencedora de bolsa de prestígio para a Universidade Johns Hopkins conviva bem com os elogios e a fama repentina. Importante é seu percurso como médica, suas palestras sobre doenças infecciosas, como voluntária, para crianças e adolescentes. Ela mora em Nova Lima (MG) com o marido, fotógrafo oficial do time do Cruzeiro. Virou a musa da CPI pelo que pensa e fala.

Luana podia ser tudo, menos secretária extraordinária de enfrentamento à Covid no governo Bolsonaro. Ainda levaram 10 dias para perceber que ela era uma médica séria, a favor de máscara, distanciamento social, vacinas. Luana já tinha dito que o Brasil, no combate à pandemia, estava “na vanguarda da estupidez mundial” e que o tratamento precoce das Nises e Mayras não passava de “neocurandeirismo”. No Senado, ao ser confrontada com um vídeo do presidente contra máscaras, reagiu: “Como médica, é muito ruim ver isso. Isso dói”.

Tenha cuidado com os efeitos colaterais dos holofotes, Luana. Já surgiram perfis fake sobre você. Os bolsonaristas não perdoarão a goleada acachapante que você impôs a quem despreza a vida. São um rebanho imune à razão, pronto a se imolar em nome do capitão. Aplaudem mentiras cínicas e debochadas.

“Mais de 320 dias. Esse seria o tempo em que teríamos de ficar quietos para respeitar um minuto de silêncio para cada uma das mais de 460 mil mortes por Covid-19 no Brasil. Só de ontem para hoje, é como se mais de 12 aviões comerciais grandes, lotados tivessem caído em nosso território. Essa é a razão pela qual eu estou aqui hoje. Para mim, isso é intolerável e qualquer pessoa precisa fazer o que estiver a seu alcance para impedir essa hecatombe”.

Você lavou nossa alma, Luana, com sua lealdade aos pacientes e ao Brasil.

sábado, 29 de maio de 2021

Dezenas de milhares de brasileiros marcham para exigir o impeachment de Bolsonaro

The Guardian - Gary Miller

29 de maio de 2021

Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas das maiores cidades do Brasil para exigir a remoção do presidente Jair Bolsonaro por sua resposta catastrófica a uma pandemia de coronavírus que ceifou quase meio milhão de vidas de brasileiros.

Os manifestantes se aglomeraram em mais de 200 cidades e vilas para aquela que é a maior mobilização anti-Bolsonaro desde o início do surto de Covid no Brasil.

“Hoje é um marco decisivo na batalha para derrotar a administração genocida de Bolsonaro”, disse Silvia de Mendonça, 55, uma ativista dos direitos civis do Movimento Negro Unificado do Brasil, enquanto liderava uma coluna de manifestantes pelo dilapidado centro da cidade do Rio.

Osvaldo Bazani da Silva, um cabeleireiro de 48 anos que perdeu o irmão mais novo para a Covid-19, disse: “Não podemos perder mais vidas de brasileiros. Temos que sair às ruas todos os dias até que este governo caia. “Os manifestantes se aglomeraram em mais de 200 cidades e vilas para aquela que é a maior mobilização anti-Bolsonaro desde o início do surto de Covid no Brasil.

   

Os manifestantes chutam a cabeça representando o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante um protesto no Rio de Janeiro no sábado. Fotógrafo: Pilar Olivares / Reuters

No Rio, muitos manifestantes carregaram faixas feitas em casa lembrando seus entes queridos que eles perderam para uma epidemia que matou quase 460.000 brasileiros, o segundo maior número oficial de mortos no mundo depois dos Estados Unidos. “Estou aqui em sua memória”, disse Luiz Dantas, de 18 anos, segurando uma fotografia do avô, Sebastião, falecido em fevereiro aos 75 anos.

“O culpado tem um nome e um nome do meio”, disse Dantas, referindo-se ao presidente de extrema direita de seu país, que repetidamente banalizou o coronavírus como uma “pequena gripe” e sabotou os esforços de contenção, como o distanciamento social ou confinamentos.

“Eu quero justiça”, acrescentou o adolescente, derramando lágrimas enquanto falava.

Irene Grether, uma psicanalista de 69 anos que também estava no comício, disse que dois parentes morreram como resultado da inação de seu governo. “Este governo é mais perigoso que o vírus”, disse ele, enquanto milhares de manifestantes se reuniam perto de uma estátua que homenageia o líder da resistência contra a escravidão, Zumbi dos Palmares.

A sobrinha de Grether, uma economista de 46 anos chamada Ana Paula Carvalho, disse acreditar que Bolsonaro deveria ser levado ao tribunal penal internacional em Haia "por crimes contra o povo brasileiro". “Ele encoraja a morte e a destruição”, disse ele. “O Bolsonaro é uma tragédia brasileira.”

Bolsonaro defendeu sua resposta à pandemia, alegando que sua obstinada oposição ao fechamento visa projetar a subsistência e o emprego brasileiros. Mas Carvalho disse que ao permitir a propagação descontrolada do vírus e não adquirir vacinas suficientes, Bolsonaro destruiu a economia e também vidas. “Hoje o povo brasileiro tem a escolha entre morrer de vírus ou de fome”, disse.

As manifestações de sábado, que também ocorreram em grandes cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Recife e a capital Brasília, bem como dezenas de cidades menores, vêm com Bolsonaro possivelmente em sua pior fase desde que assumiu o cargo em janeiro de 2019.

As pesquisas sugerem crescente raiva sobre o tratamento de Covid por populistas de direita, com 57% da população agora apoiando seu impeachment. Uma investigação do Congresso está investigando a terrível resposta de Bolsonaro à crise de saúde pública com revelações prejudiciais sobre a conduta de seu governo. transmitido todas as noites no noticiário.

Bolsonaro parece particularmente afetado pelo ressurgimento de seu rival político Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente de esquerda que parece prestes a desafiá-lo à presidência nas eleições do próximo ano. Em entrevista recente ao The Guardian, Lula, cujos direitos políticos foram recentemente restaurados, disse não ter dúvidas de que o povo brasileiro se “libertaria” do Bolsonaro em 2022. “Ele poderia ter evitado metade dessas mortes”, disse Lula sobre 'A reação de Bolsonaro', para Covid.

Roberto Anderson, um professor universitário e ambientalista de 67 anos que estava na marcha de sábado, disse que ficou animado com a grande participação que sugeria que a maré finalmente estava se voltando contra o líder radical de direita do Brasil.

domingo, 9 de maio de 2021

Jornalistas salvam filósofo de torturadores

Antonio Carlos Ribeiro                                                                                                         

A narrativa do fato pareceu enviezar um evento desses que capta a atenção pela aparente glória, de um lado; e do horror mais desprezível que se pode impor a seres humanos, de outro. O que deveria ser uma homenagem ao Sheikh Zaied, que deixa a autoridade religiosa e política de sultão dos Emirados Árabes Unidos, com prêmio financeiro de 225 mil euros, que fez a Alemanha despertar desatinada - uma personalidade de cultura, sabedoria, impacto moral e respeitabilidade mundial - para intelectuais que são referências para a cultura ocidental. Do país que guarda as marcas dos seis anos na segunda guerra, e dos 76 que deles nos distanciam. A Reich Kultur deve ter sofrido um impacto tão grande, que jornalistas da revista der Spiegel o convenceram.

Desconsiderado o prêmio, a partir das histórias de todos conhecidas, da bagagem cultural e grandes contribuições, momento em que Jürgen Habermas declina da homenagem e volta à sua filosofia e sociologia que, junto com os colegas da Escola de Frankfurt, construíram o esteio da Cultura Ocidental, sobretudo em seus piores momentos. Certamente, um intelectual desta grandeza pode ter sofrido o efeito do ocaso intelectual, o descaso de jovens intelectuais, sua confrontação descontextualizada e incapacidade de entender professores de outro momento histórico que, na pior das hipóteses, abriram os caminhos pelos quais trilharam. Aos 91 anos, ele rejeita receber o prêmio na suntuosa Abu Dhabi. As diversas razões são a condição dos direitos humanos nos Emirados Árabes Unidos, da tortura, dos que rejeitam o regime e do encarceramento de líderes do movimento civil.


Jürgen Habermas

Sem autoridade mundial que conteste e imponha direitos consagrados em documentos aceitos ao redor do mundo, cartas solenes seriam pesarosas, além do sofrimento imposto à sua gente. Além de grandes arranha-céus em mercados verticais, cujos vitrais pretendem a negação do acesso. Ao que parece, 'Abu Dhabi' concentra riquezas, recursos, poder político, religioso e econômico que desperta a atenção do mundo ocidental, como o autódromo que acolheu as corridas de carros da Fórmula 1 em 2020, construído na capital como exibição de segurança, com 'cockpit' de última geração para pilotos e equipes de diversos continentes. Confronta recursos e estruturas naturais que dependem de forças e as querem controlar, impondo-se ao mundo. Além disso há direitos humanos que podem ser aniquilados como protesto contra a violência do genocídio e a destruição de instituições, a serem entregues ao nada.

Parece haver um ressentimento agudo, feroz, furioso e guiado por uma lista interminável de poderes dos quais querem se apossar, mesmo sem o discurso articulado, organizado e integrador, como se os séculos os distanciassem de qualquer possibilidade de afirmação.

Essa situação ilumina o conflito da direita brasileira: superada, desarticulada, insegura de si mesma, disposta a desarticular conquistas, destruir sem construir as próprias conquistas, que se assemelhem aos avanços do país das duas primeiras décadas, amarradas a quem se agarrou a estruturas precárias de poder, sem encontrar espaços de afirmação que não implique em usurpar o que não pode construir.


Jürgen Habermas

O filósofo e sociólogo capaz de devolver um prêmio que não lhe corresponde, ainda é o mais vivo e influente do mundo. O catedrático - discípulo de Adorno, colega de Horkheimer, Marcuse, Fromm e Benjamin - é o último dinossauro da Escola de Frankfurt, sustenta seus enunciados e julgamentos sobre temas essenciais. Aos 91 anos, lida com temas como imigração, nacionalismos, mídias digitais e crises da filosofia. Neste universo caótico de perdas, homicídios e genocídios, como gratos pelas ferramentas e recursos que vão nos ajudar na reconstrução do país.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Violência contra jornalistas e indígenas se agrava

AKB

"A profissão, sob o governo Bolsonaro, se torna cada vez mais de risco e perigo", disse o ex-ministro José Dirceu. A situação de ataques covardes de bandos, caracterizados por terem o volume de massa muscular em proporção inversamente proporcional ao de massa encefálica, despontam e crescem especialmente nas capitais, tentando conter o volume de denúncias contra o governo Bolsonaro.                                                                                       

 
                            Ex-ministro José Dirceu sai em defesa de jornalistas e indígenas

A força da ideologia esvaziada, com os berros do capitão sem tropa e nem conquistas sequer no médio prazo, desmorona a articulação e se torna letal contra jornalistas no exercício da profissão. 'Não bastam denúncias. É preciso por fim aos atentados do governo Bolsonaro contra a Constituição'.

A necessidade de garantir a liberdade de trabalho dos jornalistas não será com Bolsonaro, que na posse 'trancou' a imprensa numa sala vazia, sem móveis, telefone, internet, como se quisesse impedir a difusão de notícias.

Já passou o tempo de revogação da famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN), a quem o ministro da Justiça ameaçou Renato Aroeira, Ricardo Noblat, Helio Schwartsman e Felipe Neto. Sem resultados.

"Não bastam apenas denúncias. É preciso exigir do Congresso Nacional e da Suprema Corte que coloquem um fim a esse atentado contra a Constituição Federal", afirmou José Dirceu.

Leis têm sofrido crescente violação, especialmente direitos e garantias constitucionais, e Bolsonaro sempre ensurdece. O uso e sobretudo o abuso da LSN para calar a liberdade de expressão e manifestação, estimula ataques a jornalistas e órgãos de imprensa.

    Liderança indígena Sônia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)

Os alvos são jornalistas e lideranças indígenas como Sonia Guajajara e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que acusam o presidente da República de crimes ambientais. Fato mundialmente conhecido. 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Vitória de Lula é justiça, resistência e conquista

22 de abril de 2021 - AKB

A programação da tarde dos veículos de mídia alternativa, com informações precisas, bradando seguridade para populações de excluídos, marginalizados e esperançosos, seguem um canto remoto mas audível, atrás do sonho do fim da perseguição de Lula.

Os movimentos aumentam o ritmo com as sequências de ameaças nefastas, baseadas no que surgiu como força-tarefa contra a corrupção que acabou por transformar-se no monstro com tentáculos para todos os lados, com poderes para denunciar crimes, prender por tempo indeterminado e achacar cofres de empresas, comandadas dos EUA.

A tensão e as expectativas crescem com os olhos atentos para o movimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal, as entidades de advogados, deputados(as) se articulando para ver Lula livre, sem crimes, com 20 pontos percentuais à frente de Bolsonaro e sem policiais com uniformes da CIA.

As horas se passaram, ministros que tomaram consciência desacatavam colegas que sofreram derrotas, rosnando e rangendo dentes. A fúria das elites de partidos toscos e gente sem qualquer formação política, ou incrivelmente desinformados ou se articulando, sem saber uma frase com sentido pleno.

Para deputados(as) e senadores(as)o, com aptidão, linguagem clara e de lideranças firmes, a solução é não arredar pé, antes que a resposta chegue ininterrupta e avassaladora. A deputada Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, esperou minuto a minuto para ouvir a decisão do Supremo Tribunal Federal, da qual formou maioria, confiada na Segunda Turma que anunciou reconhecer a suspeição de Moro ao julgar o ex-presidente Lula.

Maria do Rosário: a farsa caiu - Lula inocente

A festa se espalhou aos turbilhões: juiz suspeito, comandado dos EUA, destruiu firmas de Engenharia e participou da venda ignóbil da Petrobrás. Choro, lágrimas e 5 anos de lutas! O grito de Gleise Hoffmann ecoou: “Que nunca mais o judiciário volte a ser manipulado para perseguição política. Nem eleição a ser decida pela cassação ilegal de um candidato”, completou.

Em julgamento da tarde, o plenário do STF confirmou a decisão, declarou Sérgio Moro, ex-juiz da 13ª Vara de Curitiba e inepto nos processos movidos contra Lula, e início da desmontagem do monstrengo Lava Jato.

Até o fim da reportagem, votaram os ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Rosa Weber, deixando o placar em 7 a 2. Barroso votou com Edson Fachin, o relator derrotado.

Tereza Cruvinel se manifestou pelo Twitter, após o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar o entendimento da Segunda Turma da Corte, pela suspeição de Sergio Moro nos processos contra o ex-presidente Lula na Lava Jato. Ela lembrou da declaração de Lula em reunião do diretório nacional do PT em que o ex-presidente prometia sobreviver à perseguição judicial da Lava Jato. Para ela, o petista não só sobreviveu como venceu. 'Digo a vocês, farão tudo para me destruir mas eu vou sobreviver'. Lula foi moído mesmo, mas não apenas sobreviveu. Lula venceu. E a justiça venceu com ele".

Jandira Feghali e Flavio Dino lembram que a flagrante suspeição do ex-juiz que 'julgou' o presidente Lula é uma vitória da Constituição. Esperamos que sirva de freio aos que são tentados a servir ao poder sacrificando o Direito, numa espécie de vale-tudo. Sempre entram para a história de modo negativo.

Lula foi forte, corajoso e decidido, contando com apoios diversos de todos os setores populares. 'Acordar ouvindo a fala coletiva: Bom dia, Presidente Lula', era animador. Mas advogados como Cristiano e Valeska Zanin, foram aliados corajosos e decididos em meio à pantomima da perseguição patética. Sua presença celebrou o triunfo histórico de Lula no STF: vitória do Direito sobre o arbítrio!

                                        Pesquisa de intenção de voto - DataFolhaSP

Moro - do grego μωρός = estúpido, contraditório - confirmado como suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal, perseguiu o ex-presidente Lula que resistiu, num processo que destruiu a democracia, a soberania e a economia no Brasil.

O plenário do Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter íntegro o julgamento realizado em 23.03.2021 pela 2ª. Turma (habeas corpus nº 164.493) que, por seu turno, reconheceu que Moro quebrou a regra de ouro da jurisdição: agiu de forma parcial em relação ao ex-presidente Lula, com lawfare, verdadeira cruzada e os 580 dias de prisão ilegal, perseguições e constrangimentos irreparáveis, com a qual Moro se apequenou na humilhação pública de juristas no exercício da profissão.

É uma vitória do Direito sobre o arbítrio e o restabelecimento do devido processo legal e da credibilidade judiciária no Brasil.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Imprensa despenca no ranking da 'zona vermelha' da liberdade de imprensa

20 de abril de 2021 - AKB

A Organização Não-Governamental Repórteres sem Fronteiras divulgou documento sobre a liberdade de imprensa em todo o mundo. O relatório denuncia que o Brasil caiu quatro posições no ranking. A gravidade da situação do trabalho profissional de jornalistas é que a queda é vertiginosa, situando a imprensa brasileira na 111ª posição, após as quedas seguidas na  lista de 180 países.

                                                                                                          (Foto: Reprodução)

A queda pela quarta vez consecutiva no ranking anual da 'liberdade de imprensa' deve provocar debates das diversas ONGs até entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas, especialmente entre os que atuam em organismos oficiais, denuncia a Repórteres sem Fronteiras. A denúncia feita pelo jornalista Jamil Chade, do UOL, resulta da situação de pressão sobre profissionais, acentuada desde “a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, de forma fraudulenta em 2018, quando a imprensa brasileira ocupava o 102º lugar no ranking".

Os efeitos da divulgação de serviços noticiosos sofrem pressões com a difícil relação do presidente eleito com a imprensa - dos veículos empresariais aos das ONGs - acentuadas pela deterioração da imagem pública e dos riscos gerados pelas milícias. O ambiente tem se tornado perigoso para quem atua sem estrutura de apoio, empurrando o exercício da profissão e a insegurança pessoal no país, que passou a figurar na chamada 'zona vermelha do ranking', indicando regiões com cenários de ameaças à liberdade de imprensa.

Essa situação acentua a demanda em que o Brasil aparece atrás de países como Bolívia, Mauritânia, Guiné-Bissau, Equador, Ucrânia, Libéria, Paraguai, Etiópia e Moçambique. Até esse momento, o Brasil estava situado na faixa laranja, em que a condição para o trabalho da imprensa é considerada sensível. O fato se agrava, sem perspectivas, quando "o Brasil enfrenta problemas históricos e estruturais no campo da liberdade de expressão. É o segundo país da América Latina com o maior número de profissionais de imprensa assassinados na última década, atrás apenas do México. Ataques verbais, insultos, ameaças e agressões físicas contra jornalistas são frequentes no país", destaca o documento elaborado pela Repórteres sem Fronteira. 

Além do ambiente insalubre para o exercício da profissão, é sabido e conhecido que “o presidente Bolsonaro, seus filhos que ocupam cargos eletivos e vários aliados dentro do governo insultam e difamam jornalistas e meios de comunicação, quase diariamente, escancarando o desapreço pelo trabalho jornalístico. Multifacetados, estes ataques seguem uma estratégia cada vez mais estruturada de semear desconfiança no trabalho dos jornalistas, de destruir a credibilidade da imprensa como um todo e, gradualmente, construir a imagem de um inimigo comum". Essa imagem "já foi introjetada pelos seguidores do presidente e mancha as redes sociais com linchamentos online de profissionais da mídia e veículos de comunicação", diz outro trecho do relatório da Repórteres sem Fronteiras. 


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

NOTÍCIAS CORONAVÍRUS 91

07.08.2020

Brasil doente: quase 10 mil mortes e o país parece indiferente


 

China e Europa promovem cooperação antiepidêmica

O vice-premiê chinês Liu He, que também é membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, preside em conjunto com Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia, o 8º Diálogo Econômico e Comercial de Alto Nível China-União Europeia (UE). A reunião é realizada por videoconferência.  

A promoção conjunta da cooperação antiepidêmica e da recuperação econômica realizada pela China e Europa beneficiarão ambos os lados e o mundo inteiro, disse o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, nesta terça-feira (28).

Na reunião, os dois lados fizeram discussões profundas, francas e práticas sobre o tema "Cooperação China-UE pós-Covid-19, Promoção da Recuperação e Crescimento Constantes da Economia Global" e alcançaram uma série de resultados frutíferos no combate conjunto à epidemia, governança econômica global, segurança da cadeia industrial e de suprimentos, negociações sobre acordos de investimento China-UE, reforma da OMC, expansão da abertura do mercado, economia digital, interconectividade, além da cooperação financeira e tributária.

Observando que este ano marca o 45º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas China-UE, eles disseram que o Diálogo Econômico e Comercial de Alto Nível China-UE é de grande importância no contexto da Covid-19 e do grave impacto na economia mundial.

Os dois lados concordaram em trabalhar juntos para implementar o importante consenso alcançado entre seus líderes.

Eles concordaram em fortalecer o entendimento mútuo, criar certeza em meio à incerteza, aumentar a confiança do mercado e promover conjuntamente a cooperação econômica e comercial China-UE a um novo patamar na era pós-epidemia.

Liu disse que a epidemia da Covid-19 é um desafio comum para a humanidade. "Sendo duas grandes economias globais, a China e a Europa promovem conjuntamente a unidade global no combate à pandemia, impulsionam a recuperação econômica e salvaguardam conjuntamente o multilateralismo e o sistema de livre comércio, o que é benéfico para a China, a Europa e o mundo inteiro", afirmou.

Dombrovskis assinalou que a UE e a China são importantes parceiros de cooperação, e que promover o desenvolvimento das relações bilaterais é do interesse comum de ambos os lados.

 

Antes da pandemia Brasil já estava em crise econômica

A pesquisa semanal Focus, divulgada pelo Banco Central na segunda-feira (27) indicou que economistas e analistas financeiros trabalham com a perspectiva de uma contração menor da economia do Brasil em 2020.

O mercado espera uma contração de 5,77% da economia brasileira neste ano, na quarta semana seguida em que os economistas melhoraram a previsão. Na semana anterior, a projeção era de que o Produto Interno Bruto (PIB) sofreria recuo de 5,95%. Para 2021 permanece a expectativa de um crescimento econômico de 3,50%.

Para Istvan Kasznar, economista e professor da FGV/RJ, as previsões tendem a ser "incoerentes e insuficientes", mas elas atuam como uma "bússola" para orientar a política econômica do governo.

"Ao longo deste ano tivemos um lockdown, com uma parada geral. Agora, há mais de 20 dias, a economia como um todo começa a florescer e retomar. Porque as pessoas, entendendo que a pandemia veio para ficar [...] querem manter os seus empregos, continuar a produzir, gerar renda, e obriga as empresas a produzirem", disse Istvan Kasznar à Sputnik Brasil.

Para ele, uma certa retomada econômica era previsível. Os números baixos e até negativos do PIB, no entanto, não seriam somente uma consequência da pandemia, segundo o economista. Para Kasznar, o Brasil demorou para se recuperar da crise econômica de 2008. Assim, desde 2011 e 2012, as ações do governo não surtiram o efeito desejado e a economia do país iniciou a sua longa curva de desaceleração.

"Os gastos públicos começaram a aumentar, a dívida pública interna do Brasil cresceu de um patamar próximo aos 45% para hoje praticamente 107% (ainda há dúvidas a respeito do verdadeiro valor da formação dessa dívida sobre o PIB brasileiro) [...] Em 2015 a economia arrefece mais ainda e, em 2016, é um desastre", afirmou Istvan Kasznar.

"Existem muitos fatores responsáveis pela queda da economia brasileira, e vários desses permanecem entre nós. Sobretudo os estruturais. O economista destacou a importância da reforma tributária, mas também prevê um provável aumento da carga fiscal, como o retorno da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Por outro lado, Kasznar acredita que uma retomada da economia pode ser esperada "se continuarmos trilhando a Reforma Tributária, a reforma do mercado de capitais, a reforma do sistema de administração pública, as reformas associadas ao mercado de trabalho que continua precisando de flexibilização, e muito mais".


Brasil lidera ranking de óbitos de gestantes e puérperas por Covid-19

O Brasil concentra 77% dos óbitos de gestantes e puérperas por Covid-19 em todo o mundo, aponta um relatório Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) que está sendo compilado por profissionais da área de saúde de 12 universidades e instituições públicas, como a Fiocruz, Unicamp, USP e Unesp. 

Segundo os pesquisadores, das 160 mortes maternas em todo o mundo associadas ao novo coronavírus até o início de julho, 124 ocorreram no Brasil. Até o último dia 14 de julho, o país registrava 1.860 casos da doença identificados nesse grupo de mulheres e cerca de 201 mortes devido à Civid-19.


Covid-19: Brasil ultrapassa 90 mil mortes e 2,5 milhões de casos

O Brasil ultrapassou, nesta quarta-feira, 29, 90 mil mortes causadas pelo coronavírus, segundo o Ministério da Saúde. Foram registrados novos 1.595 óbitos causados pelo vírus. O País também contabilizou, nas últimas 24 horas, 69.074 diagnósticos positivos para Covid-19. Desde o início da pandemia, já foram 2.552.265 casos registrados.

Tanto no caso das infecções, quanto no das mortes foi um novo recorde diário, mas foi causado pelo atraso do estado de São Paulo, que não divulgou os números na terça-feira, 28. Segundo o secretário estadual de Saúde de SP, Jean Gorinchteyn, o atraso foi resultado de "uma incompatibilidade no acesso a essas informações".

Nesta quarta, entretanto, uma nova notícia agradou o mundo em relação à pandemia.

 

Aprovação de vacina contra Covid-19 da Rússia deve ser em agosto

A primeira vacina contra Covid-19 em potencial da Rússia receberá aprovação regulatória local na primeira metade de agosto e será administrada a profissionais de saúde da linha de frente pouco depois, disse à Reuters uma fonte de desenvolvimento a par do assunto. Instituto Gamaleya, uma instituição estatal de pesquisa de Moscou, finalizou os primeiros testes de uma vacina baseada em adenovírus em humanos no início deste mês e acredita que iniciará testes de larga escala em agosto.

A vacina receberá aprovação regulatória das autoridades russas durante a realização do teste de larga escala, disse a fonte, mostrando a determinação da Rússia de ser o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a Covid-19. A velocidade com que o país está se mobilizando para apresentar uma vacina levou parte da mídia ocidental a questionar se Moscou está colocando o prestígio nacional acima dos indícios científicos confiáveis e da segurança.

“A aprovação (regulatória) virá nas primeiras duas semanas de agosto”, disse a fonte de desenvolvimento. “10 de agosto é a data esperada, mas com certeza será antes de 15 de agosto. Todos os resultados (do teste) são altamente positivos até agora.” A fonte acrescentou que os profissionais de saúde russos que tratam pacientes de Covid-19 terão a chance de se oferecer para receberem a aplicação antes de a vacina conquistar a aprovação regulatória.

O serviço de imprensa do Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF), que está coordenando e financiando os esforços russos de desenvolvimento de vacinas, não quis comentar, mas seu chefe, Kirill Dmitriev, negou que a iniciativa está comprometendo a segurança. “O Ministério da Saúde da Rússia está seguindo todos os procedimentos rígidos necessários. Não está se tomando nenhum atalho”, disse Dmitriev na terça-feira.

Ele comparou o que disse ser o sucesso do país no desenvolvimento de uma vacina ao lançamento soviético do Sputnik 1, o primeiro satélite do mundo, em 1957. O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido disse neste mês que hackers apoiados pelo Estado russo estavam tentando roubar pesquisas sobre vacinas e tratamentos de Covid-19 de instituições acadêmicas e farmacêuticas de todo o mundo - alegação que Moscou negou. Mais de 100 possíveis vacinas estão sendo desenvolvidas em todo o mundo para tentar deter a pandemia de coronavírus. Ao menos quatro estão na Fase 3 de testes em humanos, a última antes do registro, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) - três na China e outra no Reino Unido.

 

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Renato Aroeira – Dados a granel