sexta-feira, 10 de junho de 2016

A prática da leitura

A prática da leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a “compreender” o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sobe diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos no contato com um livro, enfim em todos estes casos estamos de certa forma, lendo, embora muitas vezes, não nos damos conta.



Sendo a escola a instituição moderna encarregada de transmitir a cultura às novas gerações é nela que as expressões “aprender a ler” e “ler para aprender” ganham o seu significado primeiro, para posteriormente alcançar um dos objetivos básicos que é o de formar o leitor crítico da cultura.

A existência de uma biblioteca escolar dotada de acervo diversificado que atende às necessidades e interesse do corpo docente e discente.

Educadores que são verdadeiros modelos de leitores isto é, demonstram entusiasmo pela leitura, conhecem as características do processo de leitura, selecionam texto significativos para os alunos e são abertos a outras interpretações de uma determinada obra.

Todavia, não é intenção de que a escola fabrique poetas, mas que possibilite às crianças o acesso aos textos poéticos, a melodia, sua beleza estética e dê vazão à sua imaginação e criatividade, características tão presentes nesses tipos de texto e que muito bem se identificam com as crianças.

Quando se fala em leitura na escola é preciso considerar as situações oferecidas no âmbito escolar para que ela se desenvolva; os materiais oferecidos, o tempo disponível para tal ação; o clima motivador do ambiente e as atividades desenvolvidas a partir do texto lido.

A escola tem por responsabilidade proporcionar aos seus alunos condições para que estes tenham acesso ao conhecimento. Nesse ciclo de criação e recriação do conhecimento, próprio da vida escolar, a leitura ocupa, sem dúvida alguma, um lugar de grande destaque.

É na escola, pela mediação do professor e com a ajuda do livro didático que os estudantes aprenderão a ler, a escrever e a enxergar sua própria realidade e a realidade do outro. Essa relação é essencial ao jovem, que pelo contato e exploração de diferentes textos e por meio de ações intermediadas, o aluno passará a interagir com seus pares, a produzir um conhecimento partilhado e com isto consegue representar oralmente e por escrito, sobe vários registros verbais, seu pensamento, sua experiência prévia de vida e seu conhecimento coletivo de mundo.

O leitor deverá entender a escola como um espaço convencional privilegiando o saber, no que concerne a leitura, e a escola precisa rever suas práticas, criando situações para que, o exercício da leitura e escrita produza reações, interações, construção de subjetividade e conhecimento.

Nesta direção à escola, como espaço socializador do conhecimento, fica com a tarefa primordial de assegurar aos seus alunos o aprendizado da leitura devendo fazer circular em seu meio uma diversidade de materiais com conteúdos ricos e variados, que promovam a formação de leitores livres. Concebe-se assim, a prática da leitura, não como habilidades linguísticas, mas como um processo de descoberta e de atribuição de sentidos para que venha possibilitar a interação leitor-mundo.

A leitura é uma ação que não pode faltar no contexto escolar, portanto, é de grande importância que a escola se preocupe em formar o aluno leitor para que o processo ensino aprendizagem caminhe com sucesso. É imprescindível que todo professor saiba diferenciar leitura enquanto decodificação, de leitura significativa, para que possa melhorar a sua prática docente.

Constata-se, que todo professor quando está desenvolvendo o seu trabalho o faz com as melhores intenções, além disso, acha que está fazendo correto talvez por desconhecer as técnicas, metodologias e teorias e por isso, acabam trabalhando a leitura de maneira superficial, porque muitas vezes em sua formação profissional não obtiveram embasamento teórico para respaldar a sua prática pedagógica, ou os que tiveram, caíram no comodismo de compactar com os processos de alienação social imposto pela classe dominante.

Porém, cabe ao professor assumir o seu papel de orientador e mediador do processo ensino-aprendizagem, apropriando-se de teorias que irão subsidiar sua prática pedagógica no ensino de leitura e outros.

Assim, a noção de leitura ganha em amplitude, não mais ficando restrita ao que está escrito, mas, abrindo-se pra englobar diferentes linguagens e compreensões.

Por fim, ousou-se afirmar no conhecimento teórico que vivenciados por todo processo acadêmico, que o individuo que não tem experiência com a leitura como prática principalmente de exercício do pensamento, do raciocínio lógico ou subjetivo, está fadado ao fracasso social, cultural e político.

A leitura é o conhecimento elementar de todos os homens. Sem ela, temos nossas atitudes e valores condicionados aos “intelectuais” e nossas ações éticas, submissas aos “valores puros” da elite dominante, que mesmo desprovida de cultura geral, está mais preparada economicamente para operar a dominação.

Mais do que esta realidade, educadores e educandos, devem se comunicar, num processo contínuo, para investir contra as de determinações desiguais da sociedade, em que uns indivíduos são lançados ao crescimento extremo social e político, e outros, são espezinhados socialmente.a da leitura

Marcilene Muniz Monteiro Conceição
Pedagoga e Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional e professora da rede publica estadual de Mato Grosso

Sirlene Coelho de Lima Brito
Pedagoga e Especialista em Inclusão Social no Espaço Escolar e professora da rede publica do estado de Mato Grosso

Transcrito de http://www.webartigos.com/artigos/a-pratica-da-leitura/88306/

O recado do morro [João Guimarães Rosa] José Miguel Wisnik


Veja 15 cantinhos de leitura que você vai querer ter em casa

Embora muitas pessoas digam que podem ler em qualquer lugar, os cantinhos apropriados para leitura muitas vezes são fundamentais.

Atualmente é cada vez mais difícil atrair os jovens para esse tipo de hobbie. Por conta disso, ter um local como estes em casa pode ser fundamental nesse tipo de educação.

Separamos neste post ideias de cantinhos de leitura fantásticos para criar em casa.

Provavelmente você vai querer seinspirar em alguns deles na hora da reforma! Veja as fotos abaixo!

Transcrito de Gadoo.com.br -20/05/2016


















Autor autista será destaque em Feira do Livro de Ribeirão Preto

O catarinense Rodrigo Tramonte, 36 anos, portador da Síndrome de Asperger, tipo de autismo de grau leve, será um dos destaques da Feira do Livro de Ribeirão Preto, cuja programação foi lançada na segunda-feira à noite, no Theatro Pedro II. Com facilidade no traço, ele é cartunista e autor de um livro em quadrinhos que trata do lado engraçado do autismo, com o objetivo de auxiliar crianças e adultos autistas bem como seus pais e familiares.



“Algumas situações dele são autobiográficas, mas eu adaptei em forma de tirinha, e outras são histórias que ouço ou me contam via rede social em grupos e ONGs das quais participo”, afirma Rodrigo, que também dá palestras sobre o tema.

A obra reúne tiras de quadrinhos de humor, do qual o personagem principal é Zé Azul, um autista de 30 anos que vive com a mãe e é anti-social. O objetivo do livro é conscientizar os leitores sobre o comportamento dos autistas e a forma como eles enxergam o mundo.

Tramonte descobriu aos 30 anos que tinha a Síndrome de Asperger, um tipo de autismo de grau leve, que não compromete a fala e a coordenação motora e, diante da descoberta, decidiu se tornar ativista pró-autismo.

O autor desenhou ao estilo dos clássicos Mafalda e Calvin, cujas histórias abordam as situações que o autista vive no seu cotidiano, e como os traços do autismo interferem nos seus gestos e palavras. As tiras falam de forma leve e bem-humorada sobre características autistas como a visão concreta e objetiva das coisas, a fixação em temas específicos, a dificuldade de moldar o próprio discurso conforme o contexto da situação presente, a hipersensibilidade dos cinco sentidos e a busca pelo isolamento.

O objetivo do livro – lançado pela ONG Projeto Autonomia, da produtora cultural Andrea Monteiro - é conscientizar os leitores sobre o comportamento dos autistas e a forma como eles enxergam o mundo, através da linguagem universal e de fácil associação dos quadrinhos de humor. O livro será lançado em diversas capitais brasileiras.

Transcrito de http://www.blogdogaleno.com.br/2016/05/17/autor-autista-sera-destaque-em-feira-do-livro-de-ribeirao-preto

Discípulo de Borges preside Biblioteca Nacional argentina

Quando era adolescente, Alberto Manguel, de 68 anos, trabalhou na livraria Pygmalion, na avenida Corrientes, em Buenos Aires, dedicada a títulos em língua estrangeira.



Filho de pai diplomata, Manguel nasceu na Argentina, mas passou a infância no exterior e, portanto, fala inglês fluentemente. Não levou muito tempo até ser descoberto pelo mais famoso frequentador do espaço, o escritor Jorge Luis Borges (1899-1986).

Naquela época, o autor de O Aleph já estava a perder a visão, e por isso convocou aquele livreiro jovem, culto e bilíngue para ler para ele, em voz alta, os clássicos em inglês que ele já não podia revisitar sozinho.

A experiência marcaria o rapaz para o resto da vida. Manguel transformar-se-ia em autor, professor e bibliófilo.

Como num enredo literário, os destinos de Manguel e Borges voltam a entrecruzar-se. Em Julho, Manguel assumirá o cargo que foi do seu mestre no passado: o comando da Biblioteca Nacional argentina. Borges foi diretor da instituição de 1955 até 1973.

O acaso poético traz alegrias e desafios ao autor de A Biblioteca à Noite, Uma História da Leitura e co-autor do Dicionário de Lugares Imaginários.

Primeiro, será um regresso à Argentina desse intelectual que, pouco antes da ditadura, migrou para o exterior, naturalizou-se canadense, radicou-se em França e passou a dar aulas em universidades dos EUA.

Transcrito de Diário Digital - 24/05/2016

Pessoas estão famintas por livrarias reais, diz livreira dos EUA

Ela pode ser querida e ter vendido milhares de exemplares de livros que se tornaram clássicos do universo infantojuvenil, mas Judy Blume diz que acorda todos os dias e "olho para os céus e digo 'quem quer que esteja aí', eu te agradeço por não ter que escrever hoje".



Blume não tem que escrever porque, aos 78 anos, ela embarcou em uma nova carreira: ela agora é uma livreira independente. Junto com seu marido, George Cooper, ela abriu uma pequena livraria sem fins lucrativos em Key West, na Flórida, onde ela trabalha quase todos os dias. E ela está amando isso. O negócio para livrarias independentes nos EUA está indo bem, no geral. "Eu penso que as pessoas estão famintas por livrarias reais novamente. Não somos os únicos que estamos indo bem. Há muitas livrarias independentes se dando bem nesse momento", disse.

Recentemente, na BookExpo America, a American Booksellers Association (ABA) anunciou que pelo sétimo ano seguido, aumentou o número de livrarias associadas. Hoje são 1.775 membros que operam em 2.311 localidades.

Em 2009, eram 1.401 membros em 1.651 lugares. Em 2015, diz a ABA, as vendas em livrarias independentes subiram mais de 10% e a tendência é que permaneçam fortes em 2016.

Veja o link em inglês do The Guardian, em texto de Alison Flood.

Transcrito de Publishnews - 20/05/2016

Brasil tem mais leitores do que a Argentina e a Colômbia

Em 2015, o Brasil superou a Argentina e a Colômbia no número de leitores. Segundo uma pesquisa do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), da UNESCO, 85% dos argentinos, 78% dos brasileiros e 77% dos colombianos são considerados leitores, ou seja, que leram algum livro nos últimos 12 meses.



A análise também apontou que, no ano passado, entre os entrevistados que se classificaram como leitores, os brasileiros leram uma média de 7,7 livros, enquanto os argentinos leram seis e os colombianos 4,2. Entre o restante dos entrevistados, os brasileiros leram 4,7 livros, os argentinos três e os colombianos dois.

Os resultados foram apresentados durante a 4ª edição do estudo “Retratos de Leitura no Brasil”, que é realizada pelo Ibope, a pedido do Instituto Pró-Livro, que tem projetos voltados a conhecer a realidade da leitura no Brasil.

Para o Instituto, o número de brasileiros que podem ser considerados leitores é diferente daquele apresentado pelo Cerlalc, pois os critérios usados na pesquisa são diferentes. Para o Pró-Livro, os leitores devem ter lido alguma obra nos últimos 3 meses, ao contrário dos 12 estipulados pelo Centro.

Transcrito de Universia - 20/05/2016

Livro escrito em 1909 previu a era da internet

O escritor E.M. Forster previu há mais de um século a era da internet e o domínio das comunicações virtuais sobre as realizadas cara-a-cara. As previsões estão descritas na novela de ficção científica A Máquina Pára. O autor é mais conhecido pelas obras Howards End (1910), que deu origem a um filme com o mesmo nome e que valeu à atriz britânica Emma Thompson um Óscar em 1992, e Uma Passagem Para a Índia (1924), entre outros — que versam sobretudo sobre as relações de classe e a hipocrisia da sociedade britânica do início do século passado.



A novela, cujo título no original inglês é The Machine Stops, foi publicada inicialmente em 1909, na The Oxford and Cambridge Review e foi republicada em 1928 na obra The Eternal Moment and Other Stories. Na história, o autor analisa algumas tendências do século que então estava a começar, tais como o isolamento crescente dos indivíduos face ao desenvolvimento tecnológico e industrial e o maior afastamento do homem em relação à natureza.

O livro retrata um mundo dominado pela tecnologia, num período em que os seres humanos, depois de terem esgotado os recursos disponíveis na Terra, têm que passar a viver no subsolo e tornaram-se totalmente dependentes de uma infraestrutura conhecida como “A Máquina”, que parece ser uma vasta rede que permite a videoconferência e funciona como uma plataforma de troca de ideias em segunda mão, conta o The Guardian.

A obra conta a história de uma mãe e de um filho — Vashti e Kuno — que vivem num mundo pós-apocalíptico onde as pessoas vivem em casulos subterrâneos num universo no qual “A Máquina” satisfaz todas as suas necessidades humanas, descreve a BBC.

Os habitantes dos casulos vivem as suas vidas em isolamento e comunicam com o exterior através de ecrãs e de um tubo acústico (speaking tube). Quando “A Máquina” pára, as pessoas não conseguem adaptar-se à vida sem a tecnologia da qual dependiam, a cidade subterrânea colapsa e muitos morrem soterrados pelos escombros.

“Ele previu, com uma precisão surpreendente, o efeito que a tecnologia tem sobre as nossas relações uns com os outros, com os nossos corpos, com a nossa filosofia e cultura,” disse Neil Duffield, que adaptou a história para o palco da York Theatre Royal à BBC, uma peça que vai estar em cena até ao próximo dia 4 de junho.

E. M. Forster descreve na novela um mundo onde as pessoas comunicam essencialmente através de um ecrã, antecipando invenções como as mensagens instantâneas ou o Skype e muito antes de a rádio ser um meio de comunicação de massas. Hoje, “A Máquina Pára” já se tornou alvo de culto, com muitos inovadores e empreendedores a recomendarem a sua leitura, tais como Elon Musk, inventor do Paypal e atualmente presidente das empresas Tesla e Space X.

“As pessoas ao lê-lo dizem: olha, alguém há mais de 100 anos parece ter imaginado o mundo da internet e dos smartphones e muitas das questões que hoje abordamos sobre a forma como as pessoas vivem as suas vidas através da tecnologia e não olham para cima nem veem o mundo ao seu redor”, disse Howard Booth, da Universidade de Manchester e especialista na literatura de Forster à BBC.

A obra tem uma tradução em português do Brasil (A Máquina Pára), da autoria de Celso Braida, mas ainda não está publicada em Portugal.

Transcrito de observador.pt - 23/05/2016

PL que institui PNLE começa a tramitar no Congresso

Leonardo Neto

A senadora Fátima Bezerra (PT/RN), líder da Frente Parlamentar Mista do Livro e Leitura, protocolou na última quarta-feira (18) o Projeto de Lei 212/2016, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) e transforma o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) em uma política de Estado.



O projeto foi encaminhado para a Comissão de Educação, Cultura e Esporte onde poderá receber emendas até o próximo dia 25. A Comissão terá decisão terminativa, o que libera a matéria de passar pelo Plenário da casa. Uma vez aprovado pela Comissão, PL será encaminhado à Câmara dos Deputados.

Na semana passada, antes do afastamento da presidente Dilma, o conselho diretivo do PNLL decidiu apresentar o PL ao Parlamento. A intenção era de "não deixar minguar uma iniciativa de tantos anos de trabalho acumulado e manter a esperança de fazermos uma política pública supragovernamental e suprapartidária que não poderia correr mais uma vez o risco de sequer ser considerada em um novo governo”, declarou na ocasião José Castilho Marques Neto, na época ainda secretário-executivo do PNLL. Clique aqui para ler a íntegra do PL 212/2016.

Transcrito de Publishnews - 12/05/2016

Susan Neuman reflete sobre a missão das leituras

Lúcia Guimarães

NOVA YORK - A nova edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada na última quarta-feira, 18, é um desafio para aqueles que gostam de ver o copo meio cheio. Sim, o número de leitores no Brasil aumentou desde 2011. Eles passaram de 50% a 56%. Mas, quando se considera que 44% dos habitantes da oitava economia do mundo não leem regularmente, em pleno século 21, e que 30% nunca adquiriram um livro, é difícil encontrar causa para celebração.



Uma pesquisa divulgada em outubro passado pelo Pew Research Center revelou que sete em dez norte-americanos leram um livro – concluindo ou não, durante o ano anterior. A média de leitura na população geral do país é de doze livros por ano. Mas o livro eletrônico não parece estar criando novos leitores, as vendas de livros digitais estão desacelerando nos Estados Unidos, enquanto as vendas de livros impressos continuam sólidas. 

Com o começo próximo do verão no hemisfério norte, a mídia norte-americana divulga inúmeras listas de livros para se ler nas férias, dos romances leves para consumir na praia a livros de não ficção. É um típico exemplo cultural da leitura associada ao lazer. Celebridades como Bill Gates são ouvidas. Na lista de cinco que Gates ofereceu este ano, há apenas um romance, Seveneves, de Neal Stephenson, uma história de ficção científica.

A cultura importa, e sabemos que bons exemplos também. Tivemos um presidente intelectual, seguido de um presidente que confessou não ter a menor paciência para ler e uma presidente que, em campanha, lutou para se lembrar do que estava lendo. O presidente intelectual não inspirou, que se saiba, os brasileiros a ler mais, e antes que o acusem de descaso, é importante saber que o hábito de leitura não se adquire imitando chefes de Estado, e sim quem governa a vida do futuro leitor.

“Mas que números tristes”, lamentou a psicóloga e educadora Susan Neuman sobre a pesquisa dos hábitos de leitura no Brasil. Neuman é professora da Universidade de Nova York e foi subsecretária de educação no primeiro mandato de George W. Bush, encarregada de educação fundamental e secundária. Ela é reconhecida como uma das principais autoridades do país em desenvolvimento na primeira infância e alfabetização. Publicou vários livros, o penúltimo deles, em 2012, um estudo sobre o efeito da pobreza na alfabetização, Giving Our Children a Fighting Chance: Poverty, Literacy, and the Development of Information Capital.

Neuman participou de um estudo pioneiro usando a tecnologia de eye-tracking, que acompanha o menor movimento dos olhos, e concluiu que bebês de até 14 meses expostos ao contato regular com livros são capazes de reconhecer, por exemplo, se o livro está de cabeça para baixo. O estudo do qual ela participou, publicado em 2014, também derrubou o mito de que seria possível ensinar bebês a ler. Na época, ela comentou que a enxurrada de mídia eletrônica que promovia alfabetização precoce tinha um público alvo: pais ansiosos para tornar seus filhos mais competitivos na escola. Mas, como ela explica nesta entrevista ao Aliás, preparar a criança para a leitura pós-alfabetização é muito mais do que colocar um livro à sua frente. O hábito da leitura por curiosidade e prazer depende, em boa parte, de boas memórias da infância em torno de palavras e histórias. E elas dificilmente se formam na ausência de exemplos adultos e de afeto.

Diante dos números que a senhora considera tão preocupantes, como a pesquisa brasileira pode refletir a infância dos não leitores?

Há lições críticas que já aprendemos sobre como criar condições para a criança ler visando o objetivo real de leitura mais tarde em sua vida. Se uma criança não vê ninguém lendo habitualmente já é ruim, porque ela está sempre à procura de modelos que indiquem como o mundo funciona. Se não observa à sua volta uma cultura de leitura, tem menos chances de se sentir atraída por livros.

Em 2014, a Associação de Pediatria dos Estados Unidos passou a recomendar que, nas primeiras visitas a consultórios, os médicos recomendassem aos pais que lessem para os filhos bebês.

Sim, é importante ler para o bebê regularmente. Mas a futura alfabetização não depende apenas do objeto livro. Há várias atividades que contribuem para ela. Cantar para as crianças é muito importante, elas adquirem linguagem e aprendem com rimas. É preciso conversar bastante com a criança, mantendo contato de olhos. E brincar também, brincar com objetos, não necessariamente brinquedos fabricados para este fim. Hoje, a gente vê que escolas sofisticadas, frequentadas pela elite, usam pedras, materiais que forçam a criança a improvisar e exercitar a imaginação abstrata. Lembro que o começo do aprendizado de matemática é um sistema de símbolos que vai exigir capacidade de abstração. Por exemplo, quando uma criança desenha rabiscos e lhe conta uma história sobre o que está naquele papel, tudo isso contribui para alfabetização. De modo que não ter brinquedos caros, mas ser engajada por adultos em brincadeiras, está longe de ser uma desvantagem, porque a criança apura seu imaginário.

Em países com populações pobres como o Brasil, é comum os pais não terem livros em casa. Quando são limitadamente alfabetizados, podem se sentir intimidados na leitura para as crianças.

É preciso explicar aos pais que não sabem ler que eles podem ajudar na futura alfabetização dos filhos. O importante é terem atividades que envolvam conversa. Até mostrar imagens sem ler um texto e conversar sobre elas é uma atividade proveitosa.

Quando a criança chega à escola, o quanto professores atentos podem corrigir uma primeira infância com pouca atenção adulta?

Na verdade, a chave da capacidade de aprender está num adulto que demonstre cuidado. Sabemos que o desejo de aprender aumenta com a segurança que vem de se ter abrigo, alimentação e carinho. Pode vir de mãe, pai, avó, parente, qualquer modelo de adulto que “abrace” a criança com sua atenção, que a faça se sentir segura para explorar. A experiência com a leitura cedo é acompanhada de um aprender a aprender, adquirir compreensão sobre narrativas. Os dois primeiros anos de escolaridade são importantes mas, se a criança chega lá sem ter experimentado o estímulo adulto, não há professor dedicado que possa compensar na sala de aula. Falo de uma desvantagem que pode acompanhar o aluno pelo resto de sua vida escolar. Sempre digo, quando a criança pisa na escola pela primeira vez chega na companhia da geração que a enviou para lá.

Até quando a criança que não lê ainda pode ser recuperada para a leitura habitual na vida adulta?

Hoje chegamos a um consenso sobre a terceira série do ensino fundamental. Ali deve ser o limite. Se o aluno não aprendeu a ler até a terceira série, está com problemas. Não deve ser enviado ao ano letivo seguinte sem se recuperar ou terá mais chances de fracasso acadêmico. Há cinco anos, fundações e ONGs educacionais começaram campanhas para endossar essa ideia e as secretarias de educação do país, apesar de sua autonomia, tendem a aceita-la.

O quanto se conhece sobre o efeito de gadgets eletrônicos que caem nas mãos de crianças muito antes de chegarem à escola?

Hoje a gente ouve crianças reclamando “estou com tédio”, querem que tudo venha até elas. Como disse, na primeira infância é sempre bom estimular a abstração e não deixar a criança isolada com gadgets. Mas estamos começando a avaliar resultados positivos com aplicativos, as crianças demonstram grande facilidade de compreender histórias em plataformas digitais. Há o popular Speakaboos, de leitura interativa, e também o Learn With Homer para aprendizado pré-escolar de leitura a partir dos três anos.

Se a senhora tivesse que enfrentar corte de gastos como o que o governo brasileiro vai enfrentar, como atacaria o problema do baixo índice de leitura?

Apostaria em bibliotecas – fixas ou móveis. Elas são centros de aprendizado para a vida toda, um presente que se renova. Dão também uma sensação de segurança, são um elo comunitário.

A senhora é a favor de programas públicos de estímulo à leitura?

Sim, sou entusiasta de programas públicos. Eles são uma grande ajuda, não só para as crianças, como para famílias. Tive uma ótima experiência com bibliotecas móveis no Nepal, um país predominantemente rural, com a ONG Read. As famílias venciam o isolamento e as unidades se tornaram também uma fonte de atividade e construção da capital social.

Por que certos programas de incentivo ao livro fracassam?

Um problema que vejo é o tom excessivamente didático. É a ideia de leitura quase como um privilégio da elite que deve ser imitado. Esquecem de associar a leitura a brincadeiras e ao afeto adulto. Nem toda mãe ou todo pai pode passar muito tempo lendo à noite para cada filho. Mas não importa, nem que seja alguns minutos, abrace e beije a criança, olhe nos olhos enquanto abre um livro. Ela guarda estas emoções na memória e vai sempre associar a leitura a momentos preciosos.

Transcrito de - O Estado de S. Paulo - 22/05/2016

Altas leituras


Menina lendo na relva

Foto de velvetveins em Flickr

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Press Release 050 – 03 de junho de 2016

Editorial

   Sociedade brasileira avança, apesar do golpe http://bit.ly/25HtrYE

Artigos

   O papel da literatura infantil e juvenil indígena na educação socioambiental http://bit.ly/1tc7uDm

Sociedade

   O médico excomungado por aborto de menina de 9 anos vítima de estupro http://bit.ly/1U3Z3m4

Eventos

   Cimi e Unila promovem curso de extensão em Histórias e Culturas Indígenas http://bit.ly/1UCHhX2

TV Leituras

   Eliane Yunes no Sem Censura http://bit.ly/1sue2N4

Notícias

   Livrarias de rua de Belo Horizonte resistem como pontos de encontro http://bit.ly/28fqpgg

   Biblioteca ambulante chega a alunos de escolas em Niterói http://bit.ly/1XxbJG9

   eBooks já foram lidos por 26% dos brasileiros, diz pesquisa http://bit.ly/1Y3jG4n

   Através da literatura, projeto on-line dá voz às vítimas de abuso http://bit.ly/1TWj40N

   Pesquisa indica que maioria dos brasileiros ainda não conhece o livro digital http://bit.ly/22Ji0xB

   Livros mais vendidos http://bit.ly/1Umanr4

   Acórdão sobre biografia não autorizada de João Guimarães Rosa http://bit.ly/1RVq2LV

   Política e coerência http://bit.ly/1U9ybCj

O Prazer da Leitura

   Crianças se juntam para escrever um livro http://bit.ly/1OaqfAn

Imagem

   Miguel Nicolelis e o Brasil http://bit.ly/1UCIg9u

Prof. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor

Se desejar ler os demais Press Release, clique no blog Leituras http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - Sociedade brasileira avança, apesar do golpe

O surgimento do marcador 'Sociedade' se deu por causa do estupro e da repercussão nacional e internacional desse fato. Para além do estupro como crime tolerado na sociedade brasileira, reabriu o debate sobre o aborto, a partir do caso do obstetra Olímpio Moraes, de Recife, que enfrentou a fúria religiosa - do arcebispo e de populares - para salvar a vida da menina, que chegou para a consulta e a cirurgia om uma boneca nos braços. O médico concedeu entrevista à repórter da British Broadcasting Corporation (BBC). Hoje é possível perceber o absurdo, como no futuro será possível fazer com o golpe.

O Artigo O papel da literatura infantil e juvenil indígena na educação socioambiental discute o papel da literatura infantil e juvenil indígena. O Cimi e a Unila promovem curso de extensão, em Eventos. A TV Leituras mostra Eliana Yunes no programa Sem Censura. As Notícias trazem as Livrarias de rua de Belo, a biblioteca ambulante, os eBooks já lidos por 26% dos brasileiros, o projeto que dá voz às vítimas de estupro, a maioria de brasileiros sem acesso ao livro digital, os livros mais vendidos, o acórdão sobre biografia não autorizada de Guimarães Rosa, A atitude política do intelectual frente ao golpe. A imagem de Crianças se juntam para escrever um livro em O Prazer da Leitura e o mais conhecido cientista brasileiro denunciando o golpe, em Imagem.

Boa leitura.

O papel da literatura infantil e juvenil indígena na educação socioambiental

Antonio Carlos Ribeiro*

Para meus curumins, Pedro e Vitória! 

O tetragrama sagrado HVHY (em caracteres latinos) são as quatro consoantes que designam o nome de Deus (Yahweh, em hebraico), por isso impronunciável. No ÉÀÉÌ, evento realizado em 2013 na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), há também quatro letras, mas vogais, que o tornam pronunciável.

Para pensar no futuro das povos indígenas no Brasil é preciso pensar nas crianças indígenas. Para pensar nelas, é preciso pensar no seu núcleo familiar e na reflexão. E necessário lidar com esse saber e fazê-lo vivo entre as populações, sobretudo os mais jovens, mais precisamente as crianças indígenas. E nesse enquadramento, surge o papel da literatura infantil e juvenil, com funções várias, que dá os elementos para pensar o mundo, inclusive a educação socioambiental.  



Feitos esses recortes, descobre-se a tarefa da literatura indígena infantil e juvenil, e seus caminhos possíveis. Ela se origina naqueles saberes não ditos, não escritos, codificados em linguagem informal, muitas vezes apenas ambientais, sensoriais – com o uso apurado dos cinco sentidos e o aporte de um sexto que os interliga -
 recuperando a condição humana que a eles empresta sentido existencial.  

O que é significativo na vida de todos os seres humanos é guardado pelo mistério (da palavra grega mysterium que chega ao latim como sacramentum) e é comumente traduzida como o sinal visível de uma ausência. Por isso, em nossa cultura, a cadeira do avô é mantida na sala, o retrato da avó continua no quarto e o pátio é preservado com as árvores, os brinquedos e os riscos no chão para brincar de amarelinha. Isso significa que essas coisas são mais que coisas. Elas guardam fios invisíveis de memória e têm o poder de evocar sentimentos, imagens, sons, cheiros, cores e sabores que trazem de volta a capacidade mágica de ser revisitados por aqueles que fazem parte do momento fundante de nossa vida.  

Nas tradições indígenas essa intermediação é feita pela floresta, os rios, os animais, o plantio e o conjunto do ecossistema que integra o habitat desses povos. Assim, preservar esse ecossistema, para esses povos não é apenas a sobrevivência biológica e a criação das condições para a preservação da vida humana na terra. É recuperar a memória, que nos traz de volta as raízes mais profundas, fundacionais do mundo – a partir do qual lemos tudo à nossa volta – estruturantes do olhar, que ao se dirigir à natureza – nos faz encontrar-nos com nós mesmos, deparar-nos com aquela parte da personalidade humana que não está acessível pela razão.  

A razão, que no mundo ocidental, especialmente nas culturas mais ricas, parece fundamental, é representativa dessa lógica do domínio das situações, do controle dos outros, do poder sobre as coisas que nos faz pretensiosos, arrogantes e quase convictos. Julgamos poder colocar todos os conceitos sob seu controle, desde suas descrições mais básicas. O substantivo surge da pretensão de nomear a substantia, a essência, e muitos ainda creem que a palavra mantém aquele significado, a partir do qual aquilo tem sentido para as pessoas.  

Movimento inverso é o vivido por esses povos, dentre eles, especialmente os poetas. Da palavra de Ailton Krenak sobre poesia indígena na Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT), em outubro de 2009, aprendi a diferença da lógica do mundo ocidental para a dos povos indígenas. Segundo ele, as pessoas se deixam perpassar por todo esse conjunto à sua volta e o que fazem é emprestar sua capacidade, emoção e talento a essas forças que o perpassam, tomam conta, contribuem para adentrar o mistério. Aqui vale lembrar que o mistério não esconde, mas, contraditoriamente, revela.  

Possuídas pelo mistério as situações se descortinam, os horizontes se abrem e a conexão das imagens permite compreender, aprender junto, distinguir os entretons. Lembra a figura da tradição cristã – perdão por todo o mau significado que cristão, branco e ocidental evocam! – para falar de perceber o que está presente, mas não pode ser visto, como o véu da noiva no momento do sim no casamento (apocalipse = desvelar). O mistério pede respeito, ao conteúdo e ao processo, e isso é parte constitutiva do se aproximar. O cuidado é exigido porque aquilo de que aproximo é maior, é fontal, é constitutivo. Por isso, tirar as sandálias dos pés, se curvar, reverenciar.  

É com essa atitude, que a gente pode se aproximar da cultura dos povos indígenas. Lembre que estás pisando solo sagrado, da história das vítimas, da memória dos injustamente vencidos, dos que tiveram seu sagrado pisado. Esse é o primeiro passo, reverenciar. O segundo, é deixar-se possuir pelo mistério.  Se achegar à ancestralidade, sem esquecer que ela é prenhe da memória viva dos antepassados, é nutrida da sua história de luta e afirmação, é marcada por dor e sofrimento, e por isso é a semente que mantém esses povos vivos e lutando.  

E a literatura infantil e juvenil é a forma mais bela, quiçá prazerosa, de adentrar esse templo, a natureza na qual, desde tempos imemoriais, esses povos vivem e celebram. Quando a gente vagueia pela obra de Daniel Munduruku, entre diversos outros autores indígenas, se depara com esse horizonte.  

Em Você lembra, pai, ele trata das questões da relação pai-filho. Lembra o cotidiano, o ambiente do crescimento, os ritos de passagem, sempre marcados pela memória do pai. Poderosas memórias evocativas – ligadas a momentos significativos – são esse referencial. Os registros espirituais e afetivos são mais fortes que os racionais e intelectuais. Mexem com a vida toda e não apenas com a razão. A inteligência emocional tem mostrado hoje que quem ama mais muitas vezes chega antes às respostas.  

A Sabedoria das águas, do mesmo autor e na mesma temática, trata da mística do cotidiano, aponta para a espiritualidade, descreve dilemas existenciais de um índio jovem e sua mulher. Mostra essa liturgia necessária para viver os mistérios da vida e contemplar o que só pode ser visto pelos iniciados naquele rito. Mais que isso, se baseia na sabedoria ancestral, herdada de tempos imemoriais, construída pela mística dos xamãs e testemunhada pela comunidade peregrina. O mistério em vasos de barro é a comunidade humana.  

Essa mística é a que guarda os saberes da vida e da sobrevivência do cotidiano: da obtenção das condições de vida, das sementes; dos tempos de plantio e colheita, frio e calor, sol intenso e chuva abundante; dos alimentos, orações, remédios e cuidados. Os papéis de cada membro, o aprendizado dos pequenos e dos jovens, a força da experiência dos adultos e a sabedoria dos mais velhos. Em cada uma destas etapas há os sinais, os cuidados, os riscos, as precauções e as maldições.  

A mística da manutenção da vida, dos curumins, dos guerreiros, das mulheres e dos anciãos da tribo, vai dos cuidados básicos à completa liberdade para cada espaço: a tenda, o pátio, a aldeia e os espaços das aldeias, lembrando os protegidos da profanação como o lugar de culto e da sepultura dos mortos, com riscos que variam do perigo da natureza aos letais, que passam pelas forças que surgem das disputas. A mística da defesa de espaços de luta e sobrevivência passa pela caça e a pesca, com a obtenção de condições de caçar, transportar, preparar os alimentos. No interior das florestas.  

A literatura infantil e juvenil, que deve ser mais prestigiada, por ser uma extensão desta memória para as novas gerações, nos convida a “entrar numa compreensão mais circular, tradicional, ancestral. Esse pensar nos remete à ideia de que as coisas estão integradas entre si e que elas – as coisas – trazem um saber que lhes é peculiar e que se manifesta a quem está atento aos sinais do universo. Isso tem sido mantido pelos povos indígenas ao longo dos milhares de anos que habitam este planeta”, observa Munduruku. (Você lembra, pai, p. 9).  

Muito desse saber, a gente só recebe pela experiência. Quando tive contato com Cristino Wapichana, na FLIMT 2009, que me contou como uma tribo lida com o problema da violência especialmente em um ou outro jovem. Quando o grupo percebe isso, não reage a este comportamento, ao mesmo tempo que cria as condições para que o jovem índio perceba isso. Caso isso não resolva, o pagé entra em cena. Ele pega uma formiga grande e põe sobre o corpo do rapaz, que o pica imediatamente e é logo retirada. A dor é forte e o rapaz começa gritar. E então, o mesmo pajé administra o antídoto.

Assim, ele explicou como existem mecanismos naturais, usados pelo pajé para conter o ímpeto dos jovens. É uma forma de lidar com a pulsão e a violência. Logo percebemos a diferença entre as sociedades tribais e a nossa sociedade. Esse método diminui sensivelmente os casos de conflito. Mas é bom lembrar que as sociedades indígenas não têm polícia, nem ministério público e nem judiciário.    
A literatura infantil e juvenil guarda todos esses saberes. Por isso deve ser estimulada, preservada, fomentada e subsidiada. E o papel de uma instituição como o Instituto Interdisciplinar de Leitura (iiLer-PUC-Rio) é apoiar essa iniciativa.  

Referências

MUNDURUKU, Daniel. Coisas de Índio. São Paulo: Callis, 2000.
________. Coisas de Índio; versão infantil. São Paulo: Callis, 2003.
________. Sabedoria das águas. Ilustração de Fernando Vilela. São Paulo: Global, 2004.
________. O segredo da chuva. Ilustração de Marilda Castanha. São Paulo: Ática, 2003.
________. Você lembra, pai? Ilustração de Rogério Borges. São Paulo: Global, 2003.

*Pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e do Instituto Interdisciplinar de Leitura (iiLer-PUC-Rio)

O médico excomungado por aborto de menina de 9 anos vítima de estupro

Camilla Costa - Enviada especial da BBC Brasil a Recife

"Nunca tive dúvidas de que era o correto a fazer", diz obstetra sobre aborto em
garota vítima de estupro Foto: BBC BRASIL


Este texto foi publicado originalmente no dia 19 de fevereiro de 2016, em cobertura sobre o debate de aborto em casos de microcefalia. O texto foi reorganizado para a publicação atual.

Em 30 anos como médico obstetra, o pernambucano Olímpio Moraes conhece como poucos a força do debate sobre direitos reprodutivos e aborto no Brasil. Ele foi excomungado duas vezes por representantes da Igreja Católica no Estado - uma delas apenas por apoiar a iniciativa disponibilizar pílulas do dia seguinte em postos de saúde no Carnaval do Recife. Na outra, por realizar o aborto em uma menina que ficou grávida após ser estuprada.

A polêmica que lhe trouxe fama na imprensa nacional ocorreu quando uma garota de nove anos do interior pernambucano foi encaminhada a Recife, grávida de gêmeos.

"Ela tinha menstruado uma vez só e não entendia o que estava acontecendo, embora fosse dito para ela o que era uma gravidez. Ela achava que estava doente e ia para o hospital tirar o tumor. Estava sempre com uma boneca", relembra.

A gravidez da menina era produto do abuso sexual do padrasto. O caso atraiu a atenção da imprensa e também das autoridades religiosas locais.

"Eu nunca tive dúvidas de que aquilo era o correto a fazer. No caso dela se somavam duas indicações para o aborto legal. Além do estupro, havia o risco de morte. Era uma criança de 1,32 m grávida de gêmeos. Isso é uma gravidez de alto risco."

A excomunhão do obstetra anunciada em 2009 pelo arcebispo de Pernambuco na época, dom José Cardoso Sobrinho, não teve impacto em sua vida, diz Moraes.

"Toda a equipe médica daqui e a mãe da menina foram excomungadas. As pessoas me perguntam, mas não acontece nada. Até brinco dizendo que não recebi nenhum certificado para colocar no meu currículo, em defesa das mulheres", diz.

"Sou católico, como a maior parte dos brasileiros, mas não sou praticante. E acho que esse é um dos motivos que faz a gente se afastar quando começa a exercer a profissão. Às vezes acho que muitas religiões não condizem com um princípio básico que é ter compaixão e respeitar o sofrimento dos outros", diz.

Após o procedimento, a família da garota mudou-se para outra cidade. O arcebispo deixou o cargo no ano seguinte, por causa da idade avançada.

Objeção de consciência

Diretor do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) - o primeiro serviço médico a realizar abortos legais no Norte-Nordeste, que faz em média um procedimento a cada 15 dias -, em Recife, Moraes afirma que apesar da permissão em casos de estupro, de risco à vida da mãe e de anencefalia no bebê, mesmo o aborto legal ainda é difícil no Brasil.

Um dos principais empecilhos, diz ele, ainda é o comportamento de médicos e funcionários em relação às pacientes.

"Um grande problema para nós é a objeção de consciência, que é o direito do médico de se negar a realizar o aborto. Mas mesmo assim, o médico tem a obrigação de acolher a mulher, dar as informações a que ela tem direito e fazer o encaminhamento adequado."

"Ele não pode usar a objeção de consciência para obstruir o acesso à saúde. Isso é antiético", afirma.

Moraes admite, no entanto, que o argumento da objeção de consciência frequentemente significa que mulheres não terão amparo e orientação quando chegam à maternidade.

Em um caso recente, uma mulher grávida após um estupro chegou a ficar 24 horas no Cisam sem ser atendida, até que uma estudante de medicina se sensibilizou com sua situação.

"Você tem que tomar cuidado também porque os outros profissionais de saúde - enfermeiro, técnico de enfermagem - e mesmo o pessoal de apoio, como porteiro e maqueiro, agridem as mulheres com palavras", conta Moraes.

"Mas como diretor, às vezes só fico sabendo das coisas depois que ocorrem. Aconteceu de a paciente vítima de estupro estar numa área reservada e um funcionário abrir a porta e dizer: 'você vai matar seu filho', apenas porque soube que aquele era um caso de abortamento."

Mudança de posição

Mas apesar disso, Moraes se diz otimista sobre a mudança de mentalidade em relação aos direitos reprodutivos das mulheres.

"Houve um avanço. Quando eu me formei não se tocava no assunto. Quando a gente falava de aborto, era bem direto: aborto é crime, a mulher é criminosa. Era uma visão muito fria. E eu saí da faculdade com essa visão mesmo. Hoje sou diferente do que era há 30 anos", diz.

"Me marcou muito um dos primeiros casos que atendi, de uma policial que foi estuprada por três homens e ficou grávida. Com o sofrimento e o contato com as mulheres, a gente vai aprendendo coisas que não foram ditas na faculdade."

Ele diz ainda que o debate moral frequentemente ignora a experiência das mulheres que optam por interromper a gravidez.

"A mulher que faz o aborto não quer abortar. Isso causa consequências pra ela, físicas e psicológicas. Na verdade, ninguém é a favor do aborto. Mas quem é contra precisa entender que criminalizar não é a maneira mais eficiente de diminuir esse número. É o contrário."

Na tentativa de mudar o cenário da formação de médicos, o obstetra criou, na Universidade de Pernambuco (UPE), onde ensina, uma disciplina em que leva setores da sociedade para apresentarem seu ponto de vista aos alunos.

"Trazemos o movimento de mulheres, por exemplo, para discutir questões de direitos reprodutivos e planejamento familiar na perspectiva delas. Eles debatem o mesmo assunto que estão vendo na faculdade na perspectiva da biologia, mas pelo outro lado", explica.

"O que me deixa feliz é que quem tem uma visão restritiva sobre o aborto e passa para o nosso lado, nunca mais volta. Eu tenho colegas aqui no Cisam que há 10 anos não faziam abortamento legal de maneira nenhuma e hoje fazem. Quando eles percebem que estão dando assistência, se sentem mais médicos."

Transcrito de http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36402029

Cimi e Unila promovem curso de extensão em Histórias e Culturas Indígenas

O curso, gratuito, tem 50 vagas disponíveis e será ministrado entre os dias 11 e 29 de julho no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO). As inscrições vão até o dia 10 de junho.



O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Universidade da Integração Latino Americana (Unila) realizarão, em julho de 2016, um curso de extensão em Histórias e Culturas Indígenas. O curso é gratuito e voltado especialmente para movimentos e pastorais sociais, professores(as) de educação básica, pedagogos(as) e diretores(as) de escola e tem a finalidade de qualificar as pessoas para a abordagem, em seus contextos de atuação, de questões ligadas aos Povos Indígenas.

Em 2008, a lei 11.645 estabeleceu a obrigatoriedade do estudo de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do país, de modo que um dos objetivos do curso é buscar capacitar educadores(as) para a aplicação qualificada desta lei.

O curso tem 50 vagas disponíveis e será ministrado entre os dias 11 e 29 de julho no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO). Ao todo, o curso terá 314 horas, sendo 180 horas de aulas presenciais e mais 134 horas de atividades complementares.

O coordenador do curso, professor Clovis Antonio Brighenti, explica que o nome no plural - Histórias e Culturas Indígenas - evidencia a perspectiva de considerar os indígenas em sua multiplicidade. “São mais de 300 povos, o nome no plural significa que partimos da ideia de diversidade. A ideia não é tratar a questão dos povos indígenas a partir apenas da dicotomia entre indígenas e não-indígenas, mas sim a partir da diversidade de suas concepções, histórias, dinâmicas e formas de se relacionar, inclusive com a sociedade não-indígena. Cada povo tem uma história própria”. 

Entre os tópicos abordados no cronograma do curso, estão:

- História e Resistência Indígena; 
- Antropologia Indígena – marcos conceituais referentes à diversidade sociocultural;
- Terra, Território e Territorialidade e sua relação com práticas e saberes ambientais;
- Direitos Indígenas: legislação e mobilização política dos Povos Indígenas;
- os projetos de Bem viver como crítica radical ao capitalismo;
- Conjuntura Político Indigenista, espaços de controle social e protagonismo;
- orientação metodológica do ensino da História indígena. 

Ao final do curso, como atividade complementar, é pedida a elaboração de um artigo, para o qual os(as) participantes contam com a orientação dos(as) professores(as).

As inscrições estão abertas até o dia 10 de junho de 2016. No dia 15 de junho, será divulgada a primeira chamada de selecionadas(os) e, no dia 30, a segunda chamada. Para se inscrever, envie a ficha de inscrição, disponível abaixo, pelo emailcurso.indigenismo@cimi.org.br ou extensao.indigenismo@unila.edu.br.

SERVIÇO - Curso de extensão em Histórias e Culturas Indígenas

Realização: Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Universidade Federal da Integração Latino Americana (Unila)

Data: de 11 a 29 de julho

Local: Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO)

Inscrições: até dia 10 de junho, enviando ficha de inscrição pelo emailcurso.indigenismo@cimi.org.br ou extensao.indigenismo@unila.edu.br

Hospedagem: O Cimi oferece hospedagem no Centro de Formação Vicente Cañas. Quem desejar, pode fazer contato pelo telefone 2106 - 1650 ou pelo emailcurso.indigenismo@cimi.org.br.

Custo: o curso é gratuito. A hospedagem é por conta dos(as) participantes.

Mais informações: Cimi: (61) 2106¬1650 ¬ Marline ¬ curso.indigenismo@cimi.org.br
UNILA: (45) 9807¬6716 ¬ extensao.indigenismo@unila.edu.br


Clique aqui para baixar o formulário de inscrição.

Clique aqui para acessar o cronograma completo do curso.


Eliane Yunes no Sem Censura

Assista a entrevista da Professora Eliana Yunes no programa Sem Censura (TVE) 


Livrarias de rua de Belo Horizonte resistem como pontos de encontro

Carlos Andrei Siquara

Nem sempre comprar um livro é apenas um ato de consumo. O escritor e chargista mineiro Max Velati, por exemplo, entende essa prática também como uma espécie de “ritual”, que vai além da troca de dinheiro por uma obra. “Isso é muito pouco comparado com o que acontece quando você sai de casa sem saber, às vezes, qual exemplar pretende achar, nem qual autor você quer ler”, observa ele.




Os lugares onde esse tipo de busca e descoberta são mais viáveis de acontecer, para ele, são as livrarias. “Nelas nós conseguimos ter acesso a todas essas informações que precisamos, e lá podemos encontrar também outras pessoas que se guiam por esses impulsos e estão ali em busca de inspirações. A livraria cumpre o papel de ser o centro dessas experiências”, completa ele.

Porém, constantemente, novos desafios têm sido colocados a esses espaços que lutam para manter as portas abertas. Um deles é a concorrência com as vendas via internet, que oferecem produtos, muitas vezes, num preço inferior ao mínimo praticado nesses estabelecimentos. Em razão disso, entre outros fatores, vem se diminuindo a quantidade de livrarias, na capital mineira. A Mineiriana, por exemplo, encerrou as atividades em 2015, e mais recentemente, a Leitura, localizada na avenida Cristóvão Colombo, na região da Savassi, também anunciou o seu encerramento.

No entanto, há outras como a Quixote, a Scriptum e a Ouvidor, que têm tentado se manter na contramão desse movimento. Para leitores e frequentadores, a exemplo do médico João Baptista Magro Filho, a permanência delas é fundamental, pois permitem que constantemente sejam criadas ou reforçadas conexões não só com a leitura, mas entre as pessoas que circulam nesses ambientes.

“O que buscamos numa livraria acho que é justamente a possibilidade de manter alguns laços que ela nos possibilita construir. Esses podem se apresentar inicialmente no momento em que se abre um livro ou também quando temos a possibilidade de dialogar com alguém. Penso, por exemplo, em Bartolomeu Campos de Queirós, que aparecia na Quixote, ouvia todo mundo, comentava um livro, falava de outro que estava escrevendo e, por fim, nos abençoada a todos”, frisa Magro Filho.

Com suas características específicas, cada uma dessas três livrarias citadas será abordada a seguir individualmente. Dos cafés, encontros ao investimento em publicações, cada uma delas mostra porque a rua Fernandes Tourinho, onde todas estão localizadas, se tornou o principal destino de livreiros e leitores da cidade.

Presença frequente de diferentes turmas

Semanalmente, a escritora Staël Gontijo vai até a livraria Quixote, um dos seus lugares preferidos para sentar, escrever anotações e desfrutar de uma boa leitura, na capital mineira. “Eu brinco com Alencar (Perdigão, proprietário) que eu vou tomar essa livraria por usucapião porque eu venho aqui demais”, conta ela, que estava no espaço na segunda-feira (16), embora conte que costuma transitar pelo local mais à terças-feiras.

“Aqui há algumas turmas, e cada uma tem um dia para vir. Mas, ao mesmo tempo, não são grupos fechados. Se você sentar sozinho e quiser bater um papo com quem estiver aqui no dia, vai ter espaço para falar de livro, literatura, do assunto que quiser. Eu venho mais às terças-feiras no final de tarde, mas, às vezes, apareço também na segunda ou numa sexta. Isso é tão constante que meu marido me liga e diz assim: ‘você está no seu escritório’ e, quando eu respondo ‘sim’, ele já sabe que estou aqui”, ri Gontijo.

Nessa mesma tarde, apareceram as estudantes Alfonsina Carlis e Amy Gibson, que são, respectivamente, do Uruguai e do Reino Unido. Em viagem pelo país, elas contaram que procuravam um ambiente em Belo Horizonte onde pudessem ler um pouco e conversar. Entraram no Google e decidiram pela Quixote.

“Nós queríamos um momento para ler, interagir com outras pessoas e descobrir coisas diferentes”, diz Gibson. Carlis, por sua vez, ressaltou que optou pela livraria pela variedade de informações. “É como se tivéssemos aqui a oportunidade de conhecer centenas de cidades no mesmo espaço, que nos permite explorar tudo isso”, acrescenta.

De acordo com Alencar Perdigão, fundador da Quixote há 13 anos, essa circulação e de frequência de pessoas no local acontece da maneira como ele havia imaginado desde o início, o que considera muito positivo. Contudo, hoje, percebe que a livraria precisa se reinventar para prosseguir na ativa.

“No momento eu noto que é necessária uma mudança, porque nos últimos anos as coisas mudaram bastante. Os lançamentos, que acontecem aos sábados, foram aumentando cada vez mais, enquanto a concorrência na venda de livros vem se acirrando. A grande ameaçadora hoje é a internet. Isso me obriga a repensar o negócio e eu acho que nós também precisamos de leis que regulem a venda do livro, tendo em vista a importância das livrarias de rua, que não deixa de ser um patrimônio da cidade, justamente por serem espaços de encontro”, diz. (CAS)

Transcrito de http://www.blogdogaleno.com.br/2016/05/25/livrarias-de-rua-de-belo-horizonte-resistem-como-pontos-de-encontro

Biblioteca ambulante chega a alunos de escolas em Niterói

Rômulo de Sá Pereira

O motorista ligou o motor e o ônibus partiu. Na trajetória, paradas em várias escolas da rede pública de Niterói. Dentro do veículo, um ambiente lúdico, cheio de arte, onde, em cada colégio, são oferecidas oficinas que misturam literatura, aquarela, colagem, escultura, xilogravura e outras técnicas artísticas. À frente do projeto “1.001 histórias com arte”, que estaciona na cidade no dia 6 de junho, está a paulista de nascimento e criação, mas niteroiense de coração, Carolina Butolo. Ela escolheu a cidade para viver e, hoje, se divide entre São Paulo e Icaraí, de onde toca seus projetos, que têm como foco as crianças.


Acredito que a grande transformação está nos pequenos. Eu sempre trabalhei em projetos muito grandes, com orçamentos gigantescos, que, no final, acabavam sendo muito mais ativos de marketing do que um benefício cultural para a sociedade. Cansei de ficar lutando contra isso e, aí, resolvi fazer uma coisa diferente.

A primeira oportunidade de mudança veio com o convite do Instituto JCV para Carolina gerir este projeto, que na primeira edição, em 2015, chegou a 4.600 crianças, do primeiro e segundo anos do Ensino Fundamental, em 40 escolas do estado.

— Elas são convidadas a subir no ônibus, um ambiente colorido, que muitas chamam de espaçonave, e que tem biblioteca e sofás para eles sentarem. Todas ficam ansiosas, porque é totalmente diferente. Há uma contação de história e, depois, descemos para o ateliê montado em volta do veículo, onde acontece a oficina relacionada ao romance, conto ou cordel que foi apresentado.

De acordo com Camila, cada parada é diferente e são apresentados os mais variados tipos de artes plásticas.

— Na oficina de cordel, por exemplo, trabalhamos com a isogravura, que é a técnica da xilogravura, só que em isopor. Outro exemplo é a argila. Apresentamos a obra do Mestre Vitalino, contamos um pouco da cultura popular do Nordeste e, depois, trabalhamos o material, que a maioria das crianças nem conhece. Elas ficam enlouquecidas.

Carolina chegou na cidade em 2008 para uma primeira passagem no próprio instituto depois de trabalhar no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Ela se apaixonou por Niterói.

— O que mais gosto é a praia, é claro. Paulista sempre vai gostar mais da praia. Itacoatiara é o meu lugar. A do Sossego também, lá tem uma vista muito bonita do Morro da Urca.

Quando a vida acalmar, ela, que tem 33 anos, pretende se instalar de vez na cidade. Sua ideia é comprar uma roça.

— Eu saí de Niterói para virar uma roceira. Morei por um ano e meio em uma fazenda de orgânicos no interior de São Paulo. Foi uma decisão que me fez desacelerar, experimentar uma vida mais simples, com menos consumo.

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Por enquanto, ela toca o “1.001 Histórias com arte” e outros projetos na cidade, como um de arte de rua e fotografia, que será lançado na Ilha da Conceição. Mas, independentemente de onde esteja, Carolina pretende estar sempre ao lado das crianças.

— Quando eu pensei onde eu poderia ter mais impacto na sociedade, elas logo me vieram à cabeça. Porque os pequenos dessas comunidades têm muito pouco acesso a bens culturais. Além disso, eles não têm o costume de frequentar os espaços de cultura, já que seus pais também nunca o fizeram. Quando elas entram nesse universo, a aceitação é imediata e você consegue perceber que, de alguma forma, plantou uma sementinha ali.

Antes de Niterói, seu ônibus estacionou em Itaboraí e no Rio. Depois de passar por oito escolas do município e atender 800 alunos, será a vez de São Gonçalo, Macaé, Búzios, Cabo Frio e Rio das Ostras. A ideia é, no ano que vem, levar o projeto para a Região Serrana.

Transcrito de http://www.blogdogaleno.com.br/2016/05/24/biblioteca-ambulante-chega-a-alunos-de-escolas-em-niteroi

eBooks já foram lidos por 26% dos brasileiros, diz pesquisa

Mariana Nogueira
  
Os livros digitais já foram lidos por 26% dos entrevistados ouvidos pela 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro.

A pesquisa apontou que o número de leitores no Brasil cresceu 6% entre 2011 e 2015 , e que o total de livros lidos nos três meses anteriores à pesquisa foi de 2,54 obras.

Entre os chamados "Leitores" o percentual de quem já leu livro digital é 34%. E já entre quem gosta muito de ler, 38%. A metodologia da pesquisa considera como leitor, aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.

O celular foi o dispositivo de leitura mais comum, usado por 56% dos leitores de livros digitais. Na sequência aparecem: computador (49%), tablet (18%), leitores digitais, como Kindle, Kobo e Lev (4%). 

Entre as formas de acesso, 88% afirmaram ter baixado gratuitamente na internet e 15% disseram ter pago o download. Livros de literatura, como contos, romances ou poesias são os preferidos, com 47, logo depois seguidos por livros técnicos, para formação profissional, com 33%. 

"Entre aqueles que leem livros digitais, 91% são considerados leitores pelos critérios da pesquisa, ou seja, leram pelo menos um livro inteiro ou em partes nos 3 meses anteriores à pesquisa. Em relação à edição de 2011, houve um crescimento significativo da proporção de pessoas que já ouviram falar em livros digitais, 11 pontos percentuais. Entre esses, cerca de um quarto já leu algum livro digital", aponta o estudo. 

Metodologia 

A edição 2016 é a quarta edição da pesquisa, que teve também outras publicações referentes a dados coletados nos anos de 2000, 2007, 2011. A pesquisa teve abrangência nacional, com 5012 entrevistas pessoais, feitas nos domicílios dos entrevistados entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 2015. Foram ouvidos brasileiros a partir de 5 anos, alfabetizados ou não.

Perfil da amostra 

Entre os ouvidos pela pesquisa em 2015, 8% se declarou "não alfabetizado" ou que "não frequentou escola formal". Outros 21% disseram ter ensino fundamental I (1º ao 5º ano), 25% declararam ter o fundamental II (6º ao 9º ano), 33% o ensino médio e 13% o ensino superior.

Responsável pela pesquisa, o Instituto Pró-Livro (IPL) foi criado em 2006 pelas entidades do setor do livro – Associação Brasileira de Livros Escolares (Abrelivros), Câmara Brasileira de Livros (CBL) e Sindicato dos Editores de Livros (SNEL). É mantido por contribuições dessas entidades e de editoras, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

Desde a segunda edição o Instituto adotou metodologia que considera as orientações do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), da Unesco, e pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). O objetivo foi buscar um padrão internacional de medição que permita eventuais comparações e estudos sobre a questão da leitura nos países da região.

Transcrito de http://www.blogdogaleno.com.br/2016/05/23/ebooks-ja-foram-lidos-por-26-dos-brasileiros-diz-pesquisa

Através da literatura, projeto on-line dá voz às vítimas de abuso

Eduardo Melo

Certo dia, o padrasto ofereceu à enteada uma carona após o trabalho. Dirigiu até a Praça Pôr do Sol, no bairro Bela Vista, desligou o motor do carro e enfiou a mão debaixo da saia dela, que ameaçou gritar. Ele disse:

– Pode gritar, ninguém vai te ouvir.

A cena verídica batizou o projeto dos escritores Nurit Gil e Robertson Frizero, ambos radicados em Porto Alegre. A ideia era criar uma plataforma para vítimas de abuso sexual em que elas pudessem, sim, ser ouvidas.

– Diferentemente de outros crimes, em que as vítimas fazem questão de denunciar, o silêncio é um ponto em comum entre as histórias. Porque existe a vergonha, o medo, a culpa. Existe ainda a família, em que o tema é um tabu. E existe uma voz forte, que é a literatura – declara Nurit.

(Fonte: Revista Donna, Zero Hora, 03-05-2016. Matéria do jornalista Cauê Fonseca)



O site Pode Gritar entrou no ar em setembro de 2015. A proposta é que as vítimas de abuso sexual entrem em contato com os escritores e contem suas histórias. As narrativas, então, são reescritas em forma de relatos literários em primeira pessoa. Tanto a vítima quanto o escritor do relato assinam um termo de compromisso com cláusulas que asseguram a não identificação dos personagens e vetam qualquer uso comercial dos textos.

Transcrito de http://ebooknews.com.br/atraves-da-literatura-projeto-online-da-voz-as-vitimas-de-abuso/