segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Press Release 012 – 13.10.2014

Grandes Clássicos - Obras completas
   Aluísio Azevedo - http://bit.ly/1oR1NA6

Grandes Clássicos – Obra Musical Completa
   Heitor Villa-Lobos - http://bit.ly/1oR1NA6

Notícias
   Ferreira Gullar é eleito para a Academia Brasileira de Letras - http://bit.ly/1o75wjO
   O francês Patrick Modiano ganha o Nobel de Literatura - http://bit.ly/1xI6NOx
   Após boom do formato digital, britânicos voltam a procurar livro impresso - http://bit.ly/1yrAPcy

Entrevista
   Castilho: PNLL é órgão mediador dos Ministérios da Cultura e da Educação - http://bit.ly/1qheiXD

Eventos
   Seminário: Cidadania e Cultura na época da Ditadura - http://bit.ly/1rVjovF

Destaques
   Chamada para publicação da Revista EntreLetras (UFT-PPGL) - http://bit.ly/10MfY5u
   Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz - http://bit.ly/1yrxk5R

Ensaios
   O jornalista Antonio Gramsci - http://bit.ly/1qP3b7M

Artigos
   Os livros infantis que os grandes autores brasileiros fizeram - http://bit.ly/1D5TXg2

Imagem
   Veríssimo - http://bit.ly/1tn1CFo

Imagem - O Prazer da Leitura
   Jardins Literários - http://bit.ly/1qhfgTN

Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro
Pós-Doutorando – UFT/PPGL
Editor



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PPGCAT: Apresentação de Seminário

Campus Araguaína
Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical

Apresentação do Seminário:
Uso do grão de milheto como alternativa para melhoria das características fermentativas
e valor nutricional de silagens de capins tropicais

 Doutorando: Wanderson Martins Alencar

Orientador: Prof. Dr. José Neuman Miranda Neiva
Co-orientadora: Profª Drª Fabrícia Rocha Chaves Miotto

Dia: 14 de outubro de 2014
Horário: 16:00 horas

sábado, 11 de outubro de 2014

Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz

Grande dia para a educação e grande dia para a paz. Parabéns, Malala Yousafzai, por ser uma inspiração para meninas, meninos e adultos de todo o mundo. O Prêmio Nobel da Paz voltou a ser dedicado aos que lutam por causas humanas!


Os livros infantis que os grandes autores brasileiros fizeram

As duas mãos de Carlos Drummond de Andrade, que escreviam sobre o sentimento do mundo e as pernas brancas, pernas amarelas, também se voltaram para elefantes que falam, histórias de infância, amores entre pulgas. Da mesma forma, o retrato de uma dona de casa que encontra e devora uma barata ou o trágico e cômico destino de Macabea não são o único tipo de universo de Clarice Lispector: ela também criava histórias em que seu cãozinho, Ulisses, falava e revelava as aventuras que viveu.



Se os nomes acima e outros, como Manuel Bandeira, Jorge Amado e Graciliano Ramos são presenças obrigatórias em qualquer historiografia da literatura brasileira, têm um lado muitas vezes menos conhecido. Em paralelo a nomes como o patrono da prosa infantil brasileira, Monteiro Lobato, vários mestres da nossa escrita se dedicaram a inventar histórias para crianças, em um mundo que se alimenta das fábulas, da cultura popular e das brincadeiras com as palavras (confira ao lado).

São histórias que podem parecer – ou mesmo ser – obras menores desses autores, mas não por sua pretensão. A maioria deles levava o ofício muito a sério, e suas produções são exemplos de como pensavam a poética voltada para o público infantil. É como o encenador russo Constantin Stanislavski já disse: para dialogar com as crianças, é preciso criar uma obra “igual a dos adultos, só que melhor”.

Drummond, por exemplo, defendia que não havia separação entre uma prosa adulta e uma infantil, e reclamava de quem tentava instaurar uma separação clara entre elas. “Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será a literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância. Vêm-me à lembrança as miniaturas de árvores, com que se diverte o sadismo botânico dos japoneses; não são organismos naturais e plenos; são anões vegetais. A redução do homem, que a literatura infantil implica, dá produtos semelhantes”, argumentava o mineiro.

Outra autora prolífica em obras infantis, Clarice dizia ter três sentidos para a vida: amar os outros, escrever e criar meus filhos. Juntou os objetivos em um só, depois de ser provocada pelo filho Paulo, quando já tinha uma sólida carreira literária. Ele queria saber por que a mãe só criava obras para adultos, nunca para os pequenos leitores como ele. Como conta a escritora e pesquisadora Geórgia Alves no artigo Os infantis de Clarice Lispector, o desafio foi aceito em 1967, com a publicação de O mistério do coelho pensante.

De uma história que contava para o filho João Jorge dormir, Jorge Amado também se viu ligado à literatura infantil. Escreveu o texto de O gato malhado e a andorinha Sinhá em 1948, quando morava em Paris. Depois de voltar para o Brasil, deixou a narrativa de lado por muito tempo e até se esqueceu dela. Só a reencontrou quase 30 anos depois, e logo o amigo e ilustrador Carybé criou desenhos para acompanhar a história. O autor baiano, que nem gostava tanto assim do texto, se viu obrigado a publicá-lo – e gostou da experiência, tanto que deu continuidade a ela com outro livro, A bola e o goleiro.

Transcrito de http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2014/10/05/os-livros-infantis-que-os-grandes-autores-brasileiros-fizeram-149096.php

Após boom do formato digital, britânicos voltam a procurar livro impresso

LONDRES — Com o lançamento do Kindle, em 2007, a teoria de que "o papel é para onde as palavras vão para morrer" se difundiu. Desde então, houve um boom do livro digital, e o mais novo modelo do dispositivo da Amazon vem na esteira do Kindle Unlimited, um serviço que favorece a compra de vários e-books. Mas os resultados atuais têm mostrado uma outra realidade, na qual o formato físico continua dominando e cresce bem mais que o digital.


Em 2013, os consumidores britânicos gastaram 2,2 bilhões de libras em cópias impressas, em comparação com apenas 80 milhões em e-books. Em novembro do ano passado, as estatísticas da Associação de Editoras Americanas mostraram que as vendas de livros digitais subiram apenas 4,8% em um ano, enquanto as de livros de capa dura avançaram 11,5%. A análise da Nielsen BookData mostrou que, entre maio e junho do ano passado, houve uma queda de 26% nos e-books em comparação com o mesmo período de 2012.

Então os "convertidos" ao digital voltam timidamente à livraria? E por que motivos? A teoria principal é a de que a experiência de leitura dos e-books simplesmente não é rica o suficiente. Não há "cheiro de livro", o movimento das páginas e a praticidade de avançar rápido o suficiente. Um estudo mostrou que, em um grupo que leu o mesmo livro, os "leitores digitais" lembraram menos de detalhes da história. A conclusão foi a "falta de solidez", que seria provocada pela ausência de referência das páginas e da posição das informações no e-book.

"Guardo uma memória muito física de um livro por algum tempo depois de lê-lo. Lembro de uma cena particular ou de uma fala aparecendo em certo ponto de uma página à esquerda ou à direita, no topo ou na parte de baixo, e também a numeração, a posição", diz Scott Pack, editor do selo The Friday Project, da HarperCollins.

Em setembro deste ano, o portal especializado The Bookseller descobriu em uma pesquisa que quase 75% dos jovens de 16 a 24 anos preferiam ler no papel que em e-books. Quando perguntados sobre os motivos, o que mais se destacou foi a opção "Quero prateleiras que não fiquem vazias". E faz sentido: a disposição física de uma coleção de livros explica, de certa forma, a personalidade de uma pessoa.

"Acredito que o leitor de 2020 ou 2030 terá duas livrarias, uma física e uma digital, como diferentes tipos de livros e publicações em cada", acredita Pack. "Apesar de não ter qualquer problema com ler algum autor qualquer no e-book ou no meu Kindle, os meus preferidos precisam sempre estar no formato impresso. Continuo abismado com edições feitas com design cuidadoso e boa impressão."

O francês Patrick Modiano ganha o Nobel de Literatura

O Prêmio Nobel de Literatura de 2014 ficou com o francês Patrick Modiano, 69. Filho de um judeu de Alexandria e de uma comediante belga que se conheceram durante a ocupação nazista na França (1940-44), Modiano teve ressaltada pela Academia Sueca a sua habilidade de trabalhar com a memória e de resgatar esse período sombrio da Segunda Guerra Mundial, em que são ambientados muitos de seus livros. Décimo quinto francês a conquistar o prêmio, o escritor vai receber 8 milhões de coroas suecas (2,67 milhões de reais). O último francês a ganhar o Nobel de Literatura foi Jean-Marie Gustave Le Clézio, em 2008.



"O vencedor do Nobel de Literatura este ano é o francês Patrick Modiano, pela arte da memória, com a qual evocou os destinos humanos mais incompreensíveis e descortinou ao mundo a vida na ocupação", diz o texto do anúncio oficial da Academia Sueca, feito às 13h em Estocolmo (8h em Brasília). Modiano costuma dizer que sua memória teve início antes de seu nascimento, em referência à relação de seus pais, amantes clandestinos em um território ocupado. Mas não foi apenas com a perda do pai que ele teve de lidar ainda cedo: o escritor também perdeu um irmão, ao qual era muito afeiçoado, na adolescência.

Autor de livros como Dora Bruder, Vila Triste, Meninos Valentes, Ronda da Noite e Do Mais Longe do Esquecimento, lançados no Brasil pela Rocco e já fora de catálogo, Modiano é muito popular na França, onde é considerado um dos autores mais importantes da atualidade. Em 1978, ele venceu o Goncourt, principal prêmio literário do país, pelo livro Rue des Boutiques Obscures, lançado no Brasil como Uma Rua de Roma, também pela Rocco. Vive em Paris e faz da cidade cenário recorrente em seus textos. Já na língua inglesa, ele quase não tem tradução. Um dos únicos lançados em inglês, Dora Bruder foi publicado pela editora da Universidade da California, em 1999.

“Modiano tem cerca de 30 livros, a maioria romances. São obras muito curtas que se constituem em variações de um mesmo tema, a memória da perda, a relação entre identidade e memória”, disse o escritor e historiador sueco Peter Englund, secretário da Academia Sueca, em entrevista após o anúncio do prêmio. "São livros curtos e pequenos, não são difíceis de ler, você pode ler um à tarde e outro depois do jantar. Mas são muito bem escritos, muito elegantes."

Para quem ainda não conhece a obra de Modiano, Englund, recomendou o vencedor do Goncourt. "Para quem deseja começar a ler sua obra, recomendo Uma Rua de Roma, sobre um detetive que perdeu a memória e precisa descobrir quem ele realmente é. Para isso, precisa refazer os próprios passos. É um livro muito divertido, que brinca com o gênero policial."

Modiano também tem trabalhos no cinema. Ele aparece como roteirista nos créditos dos filmes Viagem do Coração (2003), de Jean-Paul Rappeneau, Lacombe Lucien (1974), de Louis Malle, Le Parfum d'Yvonne (1994), de Patrice Leconte, e Une Jeunesse (1983), de Moshé Mizrahi, os dois últimos adaptados de obras suas. E, de acordo com o site especializado em cinema IMDB, o autor também atua. Ele apareceu ao lado Catherine Deneuve em Genealogias de um Crime (1997), de Raoul Ruizfilm.

Transcrito de http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/premio-nobel-de-literatura-vai-para-o-frances-patrick-modiano

O jornalista Antonio Gramsci

Dênis de Moraes

Este texto é uma versão preliminar de parte da pesquisa “Gramsci e a imprensa: jornalismo, hegemonia e contra-hegemonia”, que coordeno com os apoios do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Programa Cientista do Nosso Estado da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Meu objetivo é contribuir para tornar mais conhecida entre nós a trajetória e os escritos jornalísticos do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci (1891-1937), desde os anos de iniciação em Turim até a fundação do jornal L’Unità, órgão oficial do Partido Comunista da Itália (PCI), do qual foi redator-chefe.



Suas atividades como jornalista vinculam-se, na maior parte do tempo, à militância como intelectual, ativista revolucionário e dirigente comunista. Só se interromperam em 8 de novembro de 1926, quando foi preso pela ditadura fascista com base em leis de exceção decretadas por Benito Mussolini, depois de terem sido revogadas suas imunidades como deputado eleito pelo PCI em 6 de abril de 1924. Mesmo nas condições barbáricas do cárcere, Gramsci encontrou ânimo para redigir apontamentos teóricos sobre a imprensa, o jornalismo e os jornalistas, objetos da investigação que realizo. Algumas dessas reflexões menciono em ensaios incluídos no meu livro Mídia, poder e contrapoder: da concentração monopólica à democratização da informação, em parceria com Ignacio Ramonet e Pascual Serrano, publicado pela Boitempo em 2013.

Antonio Gramsci esteve ligado ao jornalismo em etapas importantes de sua infelizmente curta mas intensa e fecunda jornada. De 1910, quando publicou o primeiro texto em L’Unione Sarda, até ser preso pelo fascismo em 1926, ele escreveu nada menos do que 1.700 artigos. Equivalem a mais do que o dobro das páginas reunidas nos Cadernos do cárcere, redigidos entre 1929 e 1935. “Em dez anos de jornalismo, escrevi linhas suficientes para encher quinze ou vinte volumes de quatrocentas páginas”, ressaltou numa carta à cunhada Tatiana Schucht, escrita na Penitenciária de Túri em 7 de setembro de 1931.[2]

Foi a partir de 1915, em Turim, que Gramsci se dedicou ao jornalismo, após desistir do curso de Letras (embora tenha mantido o fascínio pelos estudos linguísticos e literários). Já adepto do marxismo, colaborou nos jornais Il Grido del Popolo e Avanti!, ligados ao Partido Socialista Italiano. Em 1917, dirigiu o único número da revista La Cittá Futura, que visava estimular debates sobre a atualidade nacional e o socialismo, e no qual divulgou textos de Gaetano Salvemini e Benedetto Croce, intelectuais cujas ideias, a seu ver, deveriam ser mais conhecidas e discutidas. Em 1919, ao lado de Palmiro Togliatti, Umberto Terracini e Angelo Tasca, Gramsci fundou o semanário L’Ordine Nuovo, cujo subtítulo era “Resenha semanal de cultura socialista”. Tendo Gramsci como editor-chefe, L’Ordine Nuovo circulou de 1º de maio de 1919 a 24 de dezembro de 1920. Em 1º de janeiro de 1921, o jornal passou a ser diário, sob o lema “Dizer a verdade é revolucionário”. Vinte dias depois, passou a ser o órgão central do Partido Comunista Italiano (PCI), que acabara de ser fundado. Gramsci foi seu redator-chefe e articulista até 1924, quando L’Ordine Nuovo acabou substituído por L’Unità (“Diário dos operários e dos camponeses”).

Seus artigos, assinados ou com iniciais, ou com outras indicações de autoria, aparecem nestas publicações, cujo traço convergente era o compromisso com as lutas sociais e a renovação político-partidária e cultural. O espírito indômito que o impelia ao front jornalístico foi resumido numa carta à cunhada Tatiana Schucht, em 12 de outubro de 1931:

“Nunca fui jornalista de profissão, que vende sua pena a quem pagar melhor e deve continuamente mentir, porque a mentira faz parte de suas qualificações. Fui jornalista absolutamente livre, sempre de uma só opinião, e nunca tive de esconder minhas profundas convicções para agradar a patrões ou prepostos.”[2]

O jornalista Gramsci não fugiu de controvérsias partidárias e teóricas; defendeu pressupostos ético-políticos; e propôs estratégias, alianças e táticas de ação para a luta de classes. Não temeu a imersão no que antevia ser um difícil, acidentado, mas possível percurso de construção da sociedade socialista. E fez do jornalismo o principal veículo para o exercício da crítica, associada por ele, em artigo publicado no Il Grido del Popolo em 1916, aos espíritos insubmissos que rechaçam a alienação e o conformismo e se guiam pelo compromisso com a liberdade e a humanização da vida.

Grande parte da produção jornalística de Gramsci reflete a sua evolução intelectual e a atuação política em meio a “dramáticos acontecimentos históricos (o primeiro conflito mundial, a revolução e a eclosão da primeira etapa da guerra, fria e quente, contra a Rússia soviética, o processo de radicalização ideológica e política do movimento operário no Ocidente, o despertar dos povos coloniais e as persistentes ambições imperialistas das grandes potências liberais, o advento do fascismo), aprofunda e radicaliza a crítica ao liberalismo e amadurece, em todos os níveis, a passagem ao comunismo”.[3]

Gramsci trata de uma gama de questões políticas, assuntos culturais e problemas filosóficos, alguns dos quais abordaria, de maneira mais sistemática, nos Cadernos do cárcere, ainda que sem dispor de ambiente e meios adequados para estudar. A variedade temática extrapolou bastante os limites da política, incluindo acontecimentos do cotidiano, personalidades públicas, economia, religião, pedagogia, artes, literatura, estética, imprensa, moral, etc. O estilo combativo de traduzir, em colunas jornalísticas, o mundo em constante ebulição, a partir da janela de contemplação de Turim, iria transformar Gramsci, segundo seu melhor biógrafo, Giuseppe Fiori, “na revelação do novo jornalismo socialista e, nos anos de guerra, praticamente no seu protagonista exclusivo”:

“Era evidente em todos os escritos de Gramsci, de breves ensaios teóricos às crônicas teatrais, um estilo novo, a passagem da ênfase discursiva dos Rabezzana e dos Barberis ao gosto pela ação; a língua velada, às vezes de pureza clássica, tão distante daquela em mangas de camisa dos ‘velhos’; a coerência, o fio que unia todos os escritos, para os quais temas aparentemente distantes eram na realidade ocasiões sucessivas para o desenvolvimento de um discurso nunca interrompido, e a originalidade e o concreto das propostas políticas, iluminadas sempre pela convicção de que a teoria não traduzível em fatos é abstração inútil e as ações não sustentadas pela teoria são impulsos infrutíferos.”[4]

As ênfases de sua obra jornalística podem ser agrupadas em três etapas.[5] Na primeira fase (1916-1918), ele reprovou tendências reformistas e positivistas dentro do Partido Socialista Italiano, colocando em relevo a participação ativa dos trabalhadores nas lutas pelo socialismo, a partir de uma formação política que favoreça o engajamento consciente e ajude a classe operária a superar uma visão econômico-corporativista. Na segunda etapa (1919-1920), Gramsci insistiu em que não se deve reduzir o processo revolucionário às dimensões econômicas e políticas, nem a tentações insurrecionais que não correspondiam, a seu ver, à análise da realidade objetiva. Ele salientou a necessidade de expandir a dimensão cultural da luta de classes, através de meios de difusão e de ações pedagógicas capazes de denunciar as estruturas excludentes da sociedade capitalista, aprofundar a consciência dos trabalhadores e exigir a transformação radical das relações sociais de produção. Na terceira etapa (1921-1926), como dirigente do PCI, Gramsci avaliou os obstáculos decorrentes da ascensão do fascismo. Convenceu-se de que as contradições do capitalismo não levariam inexoravelmente ao socialismo, o que obrigava as forças populares e socialistas a esboçar novas estratégias de luta considerando as complexidades dos países desenvolvidos. Ele destacou o enorme peso do fator cultural em uma sociedade civil mais densa, povoada de organizações complexas, na qual incidem múltiplas variantes intelectuais, sem contar a desmedida e altamente problemática interferência dos meios de comunicação na conformação da opinião pública.[6]

Nos textos pré-carcerários, Gramsci criticou o alinhamento ideológico de grandes jornais ao poder, bem como as fórmulas verticalizadas de controle do noticiário e da opinião. Em 26 de abril de 1922, foi contundente: “Os jornais do capitalismo teriam feito vibrar todas as cordas dos sentimentos pequeno-burgueses; e são estes jornais que asseguram à existência do capitalismo o consenso e a força física dos pequeno-burgueses e dos imbecis”.[7]

Para o filósofo italiano, os jornais burgueses “apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária”. Exemplificou com a cobertura tendenciosa das greves: “Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores”. Assim, o convencimento sobre os irremediáveis conflitos ideológicos entre a classe trabalhadora e a imprensa burguesa justifica a atitude política que Gramsci reputava como a mais consequente: boicotar os jornais vinculados às elites. E justificou:

“Tudo o que se publica [na imprensa burguesa] é constantemente influenciado por uma ideia: servir à classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. (…) E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador”.[8]

L’Ordine Nuovo representou para Gramsci a experiência mais nítida de “união entre pensamento e ação”. Entre 1919 e 1920 – o chamado “biênio vermelho” na Itália, marcado por manifestações operárias –, o jornal assumiu decididamente a defesa das comissões ou conselhos de fábricas, as células de autogestão proletária concebidas como variantes dos sovietes criados pela Revolução Russa de 1917. As páginas de L’Ordine Nuovo alinharam-se à mobilização em torno das comissões de fábrica, que se constituíam em núcleos de organização da luta operária, dentro de uma estratégia compatível com as circunstâncias da sociedade italiana. O ponto de partida foi o artigo de Gramsci “Democracia operária”, publicado em junho de 1919, no qual sustentava:

“A fábrica, com suas comissões internas, os círculos socialistas, as comunidades camponeses são os centros de vida proletária nos quais é preciso trabalhar diretamente. As comissões internas (de fábrica) são os órgãos da democracia operária que é necessário libertar das limitações impostas pelos empresários e nos quais é preciso infundir vida e energia novas. Hoje, as comissões internas limitam o poder do capitalista na fábrica e desempenham funções de arbitragem e disciplina. Desenvolvidas e enriquecidas, deverão ser amanhã os órgãos do poder proletário que substituirá o capitalista em todas as suas funções úteis de direção e de administração.”

A tentativa de L’Ordine Nuovo era chegar, sobretudo, a estudantes, intelectuais e operários, nas fábricas, nos atos públicos e nas organizações sindicais, com a finalidade de difundir as reivindicações, fortalecer a organização dos trabalhadores e aumentar a sua consciência sobre a própria condição social e as funções por eles desempenhadas no processo produtivo e no conjunto da sociedade.

“A partir desse momento, a ideia de uma nova estruturação de poder que partisse da célula da comissão interna da própria fábrica e que fosse ampliada pelas massas de operários cada vez mais conscientes do próprio papel, passou a ser a mola propulsora de L’Ordine Nuovo. (…) A revista passou a atuar, portanto, em um campo bem diferente daquele que era comum às outras revistas que já tivemos ocasião de mencionar. Atuou bem próxima dos operários, bem mais que a Critica sociale, até então a revista do partido socialista. E os operários italianos, pela primeira vez na história, encontraram nos socialistas de L’Ordine Nuovo a determinação de concretizar, de colocar em ato, o que se vinha há tempos afirmando teoricamente.”[9]

Convencidos de que uma revolução socialista era uma possibilidade concreta, tendo em vista as ondas de contestação e rebeldia vivenciadas na Rússia, na Alemanha, na Hungria e na própria Itália, Gramsci e os articulistas de L’Ordine Nuovo travaram embates não apenas com a direita a caminho do fascismo (que acusava as comissões de fábrica de optarem por “um sindicalismo revolucionário, subversivo e fora da lei”), como também com correntes de esquerda que divergiam de suas concepções estratégicas e/ou de seus métodos de ação.

Da batalha das ideias na trincheira jornalística, Gramsci recolheu a certeza de que a publicação, dali em diante, seria indispensável à luta revolucionária. Inclusive após o refluxo dos conselhos de fábrica ainda em 1920, quando acolheu autocríticas sobre erros e ilusões em torno do movimento, como, por exemplo, a crença de que poderia se irradiar, com o ímpeto inicial de Turim e Piemonte, por todo o país, o que afinal não se verificou. No balanço da experiência, Gramsci ressaltou a sintonia moral, espiritual e política de L’Ordine Nuovo com causas e anseios do proletariado:

“Os artigos de L’Ordine Nuovo não eram frias arquiteturas intelectuais, mas brotavam de nossa discussão com os melhores operários, elaboravam sentimentos, vontades e paixões reais da classe operária de Turim, que tinham sido experimentados e provocados por nós. E porque os artigos de L’Ordine Nuovo eram quase como ‘uma tomada de consciência’ de eventos reais, vistos como momentos de um processo de íntima libertação e auto-expressão da classe operária.[10]

Quanto ao L’Unità, qualificou-o como “um jornal de esquerda, da esquerda operária, que permaneceu fiel ao programa e à tática da luta de classe, um jornal que publicará as atas e as discussões do partido, mas também, na medida do possível aquelas dos anarquistas, dos republicanos, dos sindicalistas”. E acrescentou: “Importa assegurar a nosso partido (…) uma tribuna legal que lhe permita atingir, de modo contínuo e sistemático, as amplas massas.” No mesmo ano em que surgiu L’Unità, Gramsci concebeu uma revista trimestral de estudos marxistas e de cultura política, intitulada Crítica Proletária, e lançou uma revista teórica quinzenal, reeditando o título L’Ordine Nuovo. A proposta era difundir o ideário do PCI e “educar e esclarecer a vanguarda operária” – uma vanguarda que precisaria se mostrar capaz de construir, na longa e árdua luta anticapitalista, o Estado dos conselhos operários e camponeses, estabelecendo as bases para a emergência e a consolidação da sociedade socialista.

Inspirando-se nas teses de Karl Marx e Vladimir I. Lenin sobre a imprensa comunista como instrumento de agitação, propaganda, esclarecimento, educação e formação da consciência revolucionária, Gramsci analisou o vínculo orgânico entre imprensa e ativismo político. Em primeiro lugar, o jornal deveria realçar em seus noticiários questões que diziam respeito à classe operária italiana e mundial, o papel histórico do Partido Comunista na condução revolucionária e as relações do partido com os sindicatos. Em segundo lugar, o diário só cumpriria seus propósitos se conseguisse “infundir nas massas operárias que um jornal comunista é carne e sangue da classe operária, e não pode viver, lutar e se desenvolver sem o apoio da vanguarda revolucionária, ou seja, daquela parte da população operária que não se desencoraja diante de nenhum insucesso, que não se desmoraliza em face de nenhuma traição, que não perde a confiança em si e nos destinos de sua classe, ainda que tudo pareça submergir no caos mais negro e cruel”.[11] Assim sendo, Gramsci classificava o jornal partidário como intérprete e elemento propulsor das reivindicações populares, com a tarefa de conscientizar as massas sobre a exigência insuperável de se derrogar o capitalismo, que arrasta consigo a exploração do homem pelo homem.

Nos Cadernos do cárcere, Gramsci retoma as análises sobre a imprensa, acentuando que a função dos jornais transcende a esfera político-ideológica e embute as determinações econômico-financeiras das empresas jornalísticas, que as impelem a atrair o maior número possível de leitores, em busca de rentabilidade e influência. Ele enfatiza que a imprensa burguesa se move em direção ao que possa agradar o gosto popular (e não ao gosto culto ou refinado), com o propósito de atrair “uma clientela continuada e permanente”.[12] E acrescenta que, por mais que as diretrizes editoriais tenham sua própria lógica de definição e aplicação, o fator ideológico constitui fator de estímulo ao ato econômico de aquisição e divulgação dos jornais, na medida em que suscita nos leitores identificações e empatias. Os componentes socioeconômicos e ideológicos estão na base do que o filósofo italiano denomina de “jornalismo integral”, isto é, “o jornalismo que não somente visa satisfazer todas as necessidades (de uma certa categoria) de seu público, mas pretende também criar e desenvolver estas necessidades e, consequentemente, em certo sentido, gerar seu público e ampliar progressivamente sua área [de influência]”.[13]

Ao focalizar a imprensa italiana das primeiras décadas do século XX, Gramsci a enquadra como “a parte mais dinâmica” da superestrutura ideológica, caracterizando-a como “a organização material voltada para manter, defender e desenvolver a ‘frente’ teórica ou ideológica”[14], ou seja, um suporte ideológico do bloco hegemônico. Na visão gramsciana, enquanto aparelhos privados de hegemonia (organismos relativamente autônomos em face do Estado em sentido estrito), a imprensa elabora, divulga e unifica concepções de mundo. Ou seja, cumpre a função de difundir conteúdos que ofereçam orientações gerais para a compreensão dos fatos sociais, a partir de óticas sintonizadas com determinado agrupamento social mais ou menos homogêneo e preponderante.

Nessa perspectiva, Gramsci situou os jornais como verdadeiros partidos políticos, na medida em que interferem, com ênfases específicas, nos modos de seleção e interpretação dos acontecimentos:

“Jornais italianos são muito mais bem-feitos do que os franceses: eles cumprem duas funções – a de informação e de direção política geral, e a função de cultura política, literária, artística, científica, que não tem seu órgão próprio difundido (a pequena revista para a média cultura). Na França, aliás, mesmo a função distinguiu-se em duas séries de cotidianos: os de informação e os de opinião, os quais, por sua vez, ou dependem diretamente de partidos, ou têm uma aparência de imparcialidade (Action Française – Temps – Débats). Na Itália, pela falta de partidos organizados e centralizados, não se pode prescindir dos jornais: são os jornais, agrupados em série, que constituem os verdadeiros partidos”.[15]

Antes e durante os injustos, sombrios e extremamente penosos anos do cárcere, Antonio Gramsci demonstrou ter exata noção do papel-chave da imprensa como aparelho privado de hegemonia sob influência de classes, instituições e elites dominantes. Os meios de comunicação procuram intervir nos planos ideológico-cultural e político com o intuito de disseminar informações e ideias que concorrem para a formação e a sedimentação do consenso em torno de determinadas concepções de mundo. A maioria deles funciona como alicerces para a conservação da hegemonia do que José Paulo Netto bem definiu como “a ordem social comandada pelo capital”. [16]

Notas
[1] Consultar a introdução de Carlos Nelson Coutinho no volume 1 (1910-1920) dos Escritos políticos, de Antonio Gramsci. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
[2] Antonio Gramsci. Cartas do cárcere (vol. 2: 1931-1937). Org. de Luiz Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005, p. 103.
[3] Domenico Losurdo, “Os primórdios de Gramsci: entre o Risorgimento e a I Guerra Mundial”, Cadernos Cedes, Campinas, vol. 26, nº 70, setembro-dezembro de 2006, p. 17.
[4] Giuseppe Fiori. A vida de Antonio Gramsci. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p 128-129.
[5] Thiago Chagas Oliveira e Sandra Cordeiro Felismino. “Formação política e consciência de classe no jovem Gramsci (1916-1920)”. Anais do VI Seminário do Trabalho: Trabalho, Economia e Educação no Século XXI, Unesp, Marília, 2008, p. 1-5.
[6] Daniel Campione. Para ler a Gramsci. Buenos Aires: Ediciones del Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini, 2007, p. 20.
[7] Antonio Gramsci. Escritos políticos (vol. 2: 1921-1926). Org. de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, p. 116-117.
[8] Antonio Gramsci,. “Os jornais e os operários”. Marxists Internet Archive, 2005c.
[9] Maria Teresa Arrigoni, “Gramsci: universidade, jornalismo e política”, Perspectiva, Florianópolis, vol. 5, nº 10, janeiro-junho de 1988, p. 74-75.
[10] Antonio Gramsci. Escritos políticos (vol. 1: 1910-1920). Org. de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, p. 404.
[11] Antonio Gramsci. Escritos políticos, ob. cit., vol. 1, p. 431-432.
[12] Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere, (volume 2: Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo). Org. de Carlos Nelson Coutinho, Marco Aurélio Nogueira e Luiz Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, vol. 2, p. 218.
[13] Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere, ob. cit., vol. 2, p. 197.
[14] Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere, ob. cit., vol 2, p. 78.
[15] Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere, ob. cit., vol. 2, p. 218.
[16] José Paulo Netto. O leitor de Marx. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012, p. 7.

Dênis de Moraes é doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutor pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO, Argentina). Atualmente, é professor associado do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense, pesquisador do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ.

Transcrito de http://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2013/11/dc3aanis-de-moraes_gramsci.jpg

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Imagem: Veríssimo

O vento, de Luiz Fernando Veríssimo


Castilho: PNLL é órgão mediador dos Ministérios da Cultura e da Educação

Entrevista com o Prof. José Castilho Marques Neto



coordenador do
Programa Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), do Ministério da Cultura (MinC),
condedida ao Instituto Interdisciplinar de Leitura (iiLer) /
Cátedra UNESCO de Leitura
Para assistir, clique aqui 

Imagem - O Prazer da Leitura

Jardins Literários


Ferreira Gullar é eleito para a Academia Brasileira de Letras

Poeta ocupará vaga que era de Ivan Junqueira: 'Comovente', disse. Cadeira 37 já foi de Getúlio Vargas, Chateaubriand e João Cabral de Melo.

Lívia Torres

O poeta maranhense Ferreira Gullar, de 84 anos, foi eleito na tarde desta quinta-feira (9), em primeiro escrutínio, membro da Academia Brasileira de Letras, em votação  no Petit Trianon, no Centro do Rio. O mais novo "imortal" vai ocupar a Cadeira 37, que pertencia ao poeta e tradutor Ivan Junqueira, morto em julho deste ano.



"Estou muito feliz. Mais ou menos eu já esperava pelo que os acadêmicos me disseram. Desde que soube, já estava muito feliz. Mas na hora que acontece é diferente. Vira realidade mesmo, deixa de ser promessa", disse Ferreira Gullar pouco depois da escolha, em festa no apartamento do também imortal Antonio Carlos Secchin em Copacabana.

Convencido por amigos

O anfitrião da festa lembrou do lado "antiacadêmico" de Gullar, que deve assumir a cadeira no fim de novembro ou início de dezembro. "Por outro lado, ele percebeu que tinha amigos e admiradores na academia", afirmou Secchin.

Gullar disse que foi convencido por amigos a se candidatar. "Vários acadêmicos amigos meus me ligavam pra dizer que eu tinha que entrar, para me convencer. O fato de substituir o Junqueira, que é meu grande amigo, pesou muito. Foi uma coisa muito comovente, eu não sabia que ele estava doente", declarou.

Gullar recebeu 36 dos 37 votos (um foi em branco) e superou, em apenas 15 minutos de votação, terminada às 16h15, os candidatos Ademir Barbosa Júnior, José Roberto Guedes de Oliveira e José William Vavruk. Os ocupantes anteriores da cadeira foram: Silva Ramos, fundador - que escolheu como patrono o poeta Tomás Antônio Gonzaga -, Alcântara Machado, Getúlio Vargas (1883-1954), Assis Chateaubriand (1892-1968) e João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

"Foi uma votação muito generosa. Ele foi acolhido com muito carinho. Foi um ingresso auspicioso. Ele entra nessa casa com sua poesia. O acolhemos com muita galhardia. Ele esta entrado na instituição presidida por Machado de Assis", disse a imortal Nelida Piñon durante a tradicional queima de votos após a eleição. "A queima é simbólica, desaparecem os vestígios deixado em cada cédula, para ninguém nunca mais saber. Isso é uma elegância, o Brasil precisa de elegância. Só fica a gloria. Ele vai entrar e a poesia entra. Na academia não tem divórcio", acrescentou a ex-presidente da ABL.

Outras duas cadeiras da ABL estão abertas: a dos escritores João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, que morreram duas semanas após Ivan Junqueira. A eleição para a vaga de João Ubaldo é no dia 23 de outubro. Uma semana depois, no dia 30, será feita a votação para a cadeira de Suassuna. Os três derrotados na eleição desta quinta podem se candidatar novamente. Outro concorrente, no entanto, é o favorito para a vaga do pernambucano: o escritor Zuenir Ventura.

Biografia

Ferreira Gullar, um dos mais aclamados autores brasileiros vivos, é o pseudônimo José Ribamar Ferreira. Ele nasceu em São Luís, no Maranhão, em 10 de setembro de 1930. Publicou seu primeiro livro, "Um pouco acima do chão", aos 19 anos de idade. Dentre suas principais obras, estão "A luta corporal" (1954), "Dentro da noite veloz" (1975), "Poema sujo" (1976) e "Na vertigem do dia" (1980).

Seu mais recente é "Em alguma parte alguma", que ganhou o prêmio Jabuti de livro do ano em 2011. Ao subir no palco para agradecer pelo reconhecimento, afirmou: "Eu só vou dizer: não sei se poesia é literatura. Fora isso, a gente faz poesia porque a vida não basta".

Transcrito de http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/10/ferreira-gullar-e-eleito-para-academia-brasileira-de-letras.html

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Chamada para publicação da Revista EntreLetras (UFT-PPGL)

Chamada para publicação da Revista EntreLetras

v. 5, n. 2, agosto a dezembro de 2014

Dossiê Gramática e Ensino de Língua Materna

A revista EntreLetras, para o v. 5, n. 2, com publicação para o segundo semestre de 2014, será voltada aos estudos linguísticos, contemplando, nesta edição, contribuições sobre a gramática no ensino e aprendizagem da língua materna, cujos artigos sejam resultantes de pesquisas que problematizem ou enfoquem tópicos como Gramática e ensino da Norma Culta; Gramática, Variação Linguística e Ensino; Ensino Contextualizado de Gramática ou questões afins.
Organizadores: Janete Santos (UFT) e Luiz Roberto Peel (UFT)

Editora: Valéria Medeiros

Prazo final para envio de artigos: 06 de dezembro de 2014.

Informações

Seminário: Cidadania e Cultura na época da Ditadura

SEMINÁRIO HISTÓRICO-CULTURAL
CIDADANIA E CULTURA NA  ÉPOCA DA DITADURA
50 ANOS DEPOIS DO GOLPE DE 1964

Ao longo deste ano de 2014 vários eventos ocorreram em todo o Brasil com a finalidade de repensar os 50 anos do fatídico golpe civil-militar desfechado no dia 31 de março de 1964. Durante os 21 anos de ditadura militar (1964-1985), houve revisão nas legislações, a fim de tornar legítimas as ações coercitivas dos governos militares, e os direitos civis e políticos foram significativamente restringidos. Se por um lado, o governo militar agiu no sentido de calar o “coro dos descontentes”, por outro, a oposição ao regime foi bastante ferrenha. Por meio de passeatas, protestos, ações parlamentares, denúncias na imprensa e guerrilhas (urbanas e rurais), muitos brasileiros engajaram-se na luta contra a ditadura. Quando falamos da história do Brasil entre os anos 60 e 80, contudo, não podemos nos esquecer da importância das manifestações culturais, pois esse período foi bastante produtivo no campo artístico (musical, cinematográfico, dramatúrgico, literário, etc).
                                                                  

Tendo em vista essa perspectiva, o Curso de História do Campus da UFT de Araguaína, em parceria com o Observatório de Leitura e Inovações Tecnológicas para Educação no Tocantins - UFT/CNPq, irá realizar um evento, nos dias 07 e 17 de novembro e 03 de dezembro de 2014, intitulado Cidadania e Cultura na  Época da Ditadura: 50 anos depois do golpe de 1964,  com a finalidade de debater a repressão e a oposição política  nos tempos da ditadura, bem como para lembrar as produções que foram realizadas no campo cultural, as quais, ainda hoje, são prestigiadas e servem como referência para as novas gerações de artistas no âmbito nacional e internacional.
Aos refletirmos sobre as duas décadas de ditadura militar no Brasil, queremos ainda tratar das interpretações sobre as experiências e as expectativas possíveis no passado, e ressaltar a importância de realizar uma gestão da memória para que possamos construir um futuro melhor para toda a sociedade brasileira. Afinal, aprendemos com as experiências. São elas que nos servem de parâmetro para o melhoramento da vida individual e coletiva. Ao abordarmos as restrições à cidadania e as reações da sociedade civil durante a ditadura, nossa expectativa é que essas leituras da história sirvam para que possamos valorizar ainda mais a importância de se viver em um Estado democrático de direito.
As inscrições para o evento são gratuitas e serão realizadas, no período matutino e noturno, no dia 06 de novembro no corredor do Bloco C.

Martha Victor Vieira
Professora do Curso de História da UFT do Campus de Araguaína-TO 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical (UFT-PPGCAT) seleciona candidatos


UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS
CÂMPUS DE ARAGUAÍNA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL TROPICAL

A Universidade Federal do Tocantins (UFT), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação – PROPESQ e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical – (PPGCAT), torna público que estarão abertas entre os dias 04 de outubro de 2014 e 03 de novembro de 2014, no horário de 8h às 11h e das 14h às 17h, as inscrições para selecionar candidatos para ingresso nos cursos de Mestrado e Doutorado Acadêmico em Ciência Animal Tropical.

Para ler o edital, clique aqui

Press Release 011 – 06.10.2014

Notícias
   Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical seleciona candidatos - http://bit.ly/1vIW1pO

Grandes Clássicos - Obras completas
   Adélia Prado - http://bit.ly/1oR1NA6

Grandes Clássicos – Obra Musical Completa
   Wolfgang Amadeus Mozart - http://bit.ly/1oR1NA6

Notícias
   Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical seleciona candidatos - http://bit.ly/1vIW1pO

Eventos
   Google oferece curso gratuito de tecnologia e educação para brasileiros - http://bit.ly/1vyJ5mo

Resenha de livro
   Diversidade Cultural e Ensino de Língua Estrangeira - http://bit.ly/1vCFSDk

Resenha de filme
   'Colegas' - http://bit.ly/1ui7MFf

Imagem
   Palácio do Alvorada - Brasília/DF - http://bit.ly/1vBwIa9

Imagem - O Prazer da Leitura
   A magia da leitura - http://bit.ly/1E6hVJn

Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro
Pós-Doutorando – UFT/PPGL
Editor



Se desejar ler os demais Press Release, clique em http://bit.ly/1E35ugR

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Resenha de filme: 'Colegas'

Antonio Carlos Ribeiro

Colegas (Dir. Marcelo Galvão, com Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola e Lima Duarte. Comédia , Brasil, 2012) é um filme especial. Tocante, bem-humorado, com belas paisagens e cenas inusitadas. Mas tem um pré-requisito fundamental: exige dose extra de sensibilidade, daquele tipo que nos torna humanos, básicos, genéricos, sem afetações, que usa a linguagem esconder, mentir ou humilhar.



Trata-se de uma comédia que conta a história de três jovens com síndrome de Down que vivem num Instituto, decidem dar novo rumo a suas vidas. Fogem num Karmann-Ghia, um carro esportivo italiano muito conhecido nos anos 60 e 70, tomado emprestado do jardineiro. Saem do interior de São Paulo e chegam a Buenos Aires.

O roteiro segue Thelma & Louise, de Ridley Scott, tendo paisagens brasileiras como pano de fundo. Cada um tem um sonho e Colegas é a luta para realizá-los. Stalone (Ariel) quer ver o mar. Marcio (Breno Viola) insiste na ideia de voar. E Aninha (Rita Pokk) deseja encontrar um marido que seja cantor. O enredo, movido a ousadia e lances de risco e sorte, é uma aventura baseada nas coisas simples da vida.

De cidade em cidade, cruzando com personagens cotidianos, enquanto atravessa os estados do sul e chega à Argentina. Antes do filme chegar às telonas, conseguiu uma vitória significativa na internet. Amigos de Ariel Goldenberg produziram o vídeo ‘#vemseanpenn’, documentando a vontade do ator de trazer o astro Sean Penn para assistir a estreia. Os atores Juliana Paes, Lima Duarte, Caio Castro e Gabriela Duarte apoiaram a campanha, junto com outros artistas brasileiros, recebendo 1 milhão e meio de acessos no YouTube.

O filme ganhou cinco kikitos no Festival de Gramado de 2012, inclusive o de melhor filme, e recebeu premiação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, entre outros. Ademais foi exibido e aplaudido nos festivais de Trieste (Itália), Moscou (Rússia) e Utah (EUA).

Além dos protagonistas, o elenco contou com Lima Duarte, Leonardo Miggiorin, Marco Luque, Juliana Didone, Christiano Cochrane, Daniele Valente, Otavio Mesquita, Germano Pereira, Nill Marcodes, Thogun e mais de 60 jovens com síndrome de Down. O desprezo do colunista da Folha de S. Paulo, retomando diversos ‘momentos’ da cinematografia mundial, que foram responsáveis por muita risada, revelou não ter percebido o esforço de superação, o desempenho dos atores, a linguagem hilária, sem perceber o ‘mote’ do filme e perdendo a capacidade de participar da alegria

E, sem isso, caímos na insensibilidade que ofende, no desacato sofisticado e suave (soft), no ataque do qual não podemos ser acusados, cujas consequências se estendem na memória dos sujeitos históricos aos quais não atribuímos valor. Como um editor da TV Globo que anunciou a morte do presidente Chávez com um sorriso irônico, enquanto as ruas de Caracas se transformavam num imenso mar vermelho. Incólume à última década.

Para assistir ao trailer do filme, clique aqui

Resenha de livro: Diversidade Cultural e Ensino de Língua Estrangeira

DOCES BÁRBAROS: REFLETINDO SOBRE ALTERIDADE, LÍNGUA E CULTURA

Valéria da Silva MEDEIROS

     Em 23 de janeiro de 2013, entre 3000 e 5000 pessoas marcharam, em Atenas, contra o racismo e o aumento da violência xenófoba na Grécia. A manifestação foi convocada na sequência da morte de um imigrante paquistanês, esfaqueado por dois homens, nos subúrbios da capital, quando seguia de moto para o trabalho na manhã do dia 20. Dois gregos, de 25 e 29 anos, foram detidos pela polícia que, para além-armas brancas e munições, encontrou inúmeros panfletos do partido de extrema-direita radical “Aurora Dourada” na casa de um dos suspeitos.



     A Grécia é a porta de entrada para mais de 80% dos imigrantes ilegais que chegam anualmente à União Europeia. Os ultranacionalistas do “Aurora Dourada”, que defendem a expulsão dos imigrantes ilegais, alcançaram 7% dos votos nas últimas eleições e entraram pela primeira vez no parlamento. As últimas sondagens colocam o partido como terceira força política grega com mais de 10% das intenções de voto.

   Por um lado, o episódio vem somar a muitos outros nos últimos anos, envolvendo repúdio a imigrantes em uma Europa cada vez mais abalada pela crise econômica mundial, e as reações aos pedidos de ajuda dos países pertencentes ao grupo conhecido como PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) ao Fundo Monetário Internacional. Por outro, evoca a imagem de hordas de estrangeiros (fugindo da miséria e em busca de segurança econômica) pressionando as fronteiras de países do Velho Mundo, usando o termo renascentista, e corrompendo sua civilização – tal quais os povos bárbaros destruindo o Império Romano no século V.

   Mas que nova ameaça é essa que se espelha em imagens difundidas a partir do século V? Que bárbaro é esse, ou melhor, bárbaro para quem – quem é o eu e quem é o outro no encontro entre culturas?

   Edward Gibbon, no célebre Declínio e queda do Império Romano publicado em 1952, descreve a fúria dos hunos e a ameaça à liberdade e à segurança que as chamadas Invasões Bárbaras representaram até a historiografia mais recente. Estes povos viriam a ser amalgamados na imagem de Átila, uma lenda em vida cujos adversários temiam a ponto de render-se sem combater, responsável por trazer a selvageria e a infelicidade às portas do civilizado mundo antigo (em enorme parte romano ou romanizado): 

   No desastroso período da queda do Império Romano, que pode ser justificadamente datada do reinado de Valente, a felicidade e a segurança de cada indivíduo era atacada, e as artes e obras de séculos rudemente desfiguradas pelos bárbaros da Cítia e da Germânia. A invasão dos hunos impeliu, nas províncias do Oriente, a nação gótica, que em menos de quarenta anos avançou do Danúbio ao Atlântico e abriu caminho, pelo sucesso de suas armas, às invasões de tantas tribos hostis, mais selvagens do que ela própria (GIBBON, 2005, p.446-7).

   Um olhar sobre os diversos campos disciplinares das ciências humanas, sociais e naturais revela, com mais ênfase desde os anos 70, a disseminação de transformações que se situam, sobretudo nos pressupostos epistemológicos que orientam a produção do conhecimento nestas áreas.

   Em certos casos, as mudanças mobilizaram comunidades científicas que levantaram a bandeira de uma revolução paradigmática e demandaram uma revisão de seus próprios fundamentos. Esta crise pôde ser compartilhada de modo exemplar no campo da história e se manifestava, antes de tudo, no questionamento de pressupostos positivistas que legitimavam a produção científica do historiador. Com a sua tarefa, vinculava-se, muito claramente, a demanda de contar o que efetivamente ocorreu. Em outras palavras, essa tarefa – traduzida em sua visão mais famosa por Leopold Von Ranke no século XIX – obedecia aos postulados privilegiados por uma comunidade coesa em torno de certos princípios básicos, entre eles, a convicção da existência de uma realidade anterior e exterior à observação do historiador, cujo ofício se expressava na transformação de dados empíricos em escrita.

   Subjacente a este tipo de postura encontrava-se o modelo dicotômico que localiza em esferas opostas o historiador e o objeto de sua investigação. Esse observador de primeira ordem encontra a sua tradução modelar, como vimos no cientista-detetive empenhado no desvendamento de enigmas, um processo que lhe permita penetrar na suposta essência das coisas.

    Quando Jacques Le Goff e Pierre Nora publicaram em 1974 Faire de l’histoire, em três volumes, a coletânea - de autoria de um grupo de historiadores que convergiam em seus questionamentos de uma história positivista – foi recebida como manifesto-programa para uma nova orientação da história. O conjunto da proposta acentuava, respectivamente, novos objetos, novas abordagens, novos métodos.

   De modo geral, o problema poderia ser colocado nos termos da perda da convicção e do desaparecimento deste modelo de História do campo de inquietações, tanto dos chamados “novos historiadores”, quanto dos pensadores contemporâneos em geral. Neste horizonte de novas perspectivas e expectativas alteradas, emerge igualmente ao longo das últimas décadas, a questão da sobrevivência de um modelo historiográfico em sintonia com pressupostos epistemológicos questionadores. O espaço da historiografia tradicional, hoje entendida como suposta correspondência ao real, vem sendo ocupado por perspectivas motivadas pelas implausibilidades desta escrita historiográfica convencional. Trata-se, segundo Heidrun Krieger Olinto, em “Como falar de histórias (de literatura) hoje?”, de um novo espaço ocupado por noções de “histórias-problema” que, questionando a permanência da herança anterior, seus usos e projetos, desobrigam-se da pretensão teleológica expressa em conceitos como causalidade, linearidade e continuidade progressiva, por exemplo.

   Neste sentido, estas novas formas de escrita e os seus conteúdos privilegiados atestariam estas hipóteses e também “as expectativas alteradas de seus leitores, ao firmarem novos pactos e novos termos baseados, por assim dizer, na minimização ou eliminação de cláusulas incontornáveis em pautas antigas” (OLINTO, 2001, p.115). Elas se caracterizam como tentativas de reavaliação de modos específicos da compreensão, da função e das formas de representação diante de convicções atualmente indefensáveis, como a forma narrativa de sua conformação anterior e sua premissa tácita de estruturação da ação de personagens em uma sequência lógica, linear e progressiva. Estes tipos de experimentos historiográficos traduzem, de modo enfático, as reflexões epistemológicas, teóricas e metodológicas, que têm mobilizado teóricos e historiadores da literatura desde a década de 70.

   Nesta perspectiva, as invasões bárbaras não devem ser entendidas como grandes deslocamentos em massa de populações para destruir o Império Romano que caiu, de fato, por si só, corroído por contradições internas (VEYNE, 2009). Não nos cabe aqui aprofundar estas contradições, mas lançar alguma luz sobre as imagens criadas pelo fim de um mundo que deixa espaços, que poderão ser preenchidos por outros povos, guiados pela Nova História.

   Tomemos como exemplo, dentre as diversas tribos que avançaram sobre o Império Romano do Ocidente, intermitentemente, por mais de dois séculos, os vândalos. Estes não foram mais ou menos violentos ou destruidores do que os demais povos bárbaros. Eram cristãos arianos que perseguiram implacavelmente os católicos quando dominaram a África romana e, por isso, tiveram seu nome associado pelos intelectuais da Igreja Católica a um comportamento violentamente desprezível e à destruição de uma cultura ou bem alheio em retaliação. Mas foi apenas no século XVIII, mais precisamente em 1794, que o abade Gregório usa o termo “vandalismo” para repudiar os danos causados pelos revolucionários franceses ao patrimônio que pertencia, de fato, ao povo francês (LOGEAY, s/d., p. 12-13). Apesar de os vândalos respeitarem as tradições romanas, sua cultura tornou-se sinônimo, e deu nome aos atos de depredação contra bens públicos.

   Mas se no século V, o Império Romano perde suas províncias ocidentais, onde os bárbaros delimitam reinos; sua continuação, reduzida à sua metade oriental, é assegurada pela civilização bizantina. O que permanece (ainda que transformada gradativamente pela passagem do tempo) é a cultura ática, pois, em Roma, a civilização, a cultura, a literatura, a arte e a própria religião provieram quase inteiramente dos gregos ao longo do meio milênio de aculturação; desde sua fundação, Roma, poderosa cidade etrusca, não era menos helenizada que outras cidades da Etrúria (VEYNE, 2009, p.12-13).

   Foi Homero quem utilizou repetidamente na Ilíada a palavra barbarófono, àquele que fala como um bárbaro – mais especificamente os aliados dos troianos que falavam grego incorretamente, corrompendo a língua.

   As Guerras Médicas (conflitos bélicos entre os antigos gregos e o Império Persa durante o século V A.C.) tiveram pelo menos três importantes consequências: Atenas emerge como cidade grega hegemônica, a expressão “bárbaro” deixa de ser uma generalização e passa a identificar um povo específico (os persas) e cria-se a mentalidade de divisão do mundo entre Oriente e Ocidente. Como os persas dominavam regiões do Oriente, os gregos associaram a região aos bárbaros e o Ocidente à civilização, um conceito que ainda persiste mesmo que de forma subliminar.

   Segundo Anne Bernet, no artigo intitulado “Bárbaro era quem não falava grego” (s/d), apesar de habitantes de cidades-estado rivais, os gregos antigos eram conscientes de que para além da língua comum compartilhavam uma religião, um conjunto de valores – a forma como concebiam o universo, a política e a cidadania. Livre e civilizado, o modelo grego não integrava o estrangeiro. Não se tratava da xenofobia em sua feição atual, mas a ideia de uma superioridade cultural que não permitia a assimilação do diferente – mas que também não significava ignorá-lo. O xenos, grego de outra cidade, deveria ser respeitado, acolhido e honrado – uma vez que protegidos por Zeus Xenos e Atena Xênia – porém seus valores e cultura não deveriam ser incorporados. O não-heleno, este não-grego que falava outra língua, ainda que não pudesse ser compreendido, continuava sem identidade e insignificante.

   A experiência da alteridade e o encontro entre culturas mobilizam esforços de diferentes áreas do conhecimento para compreendê-lo, especialmente no mundo globalizado. Passemos então, do breve percurso histórico desse outro que assume diferentes faces e nomes durante a história do Ocidente - mas sempre produzindo sensações de estranhamento e encantamento - à dimensão que foi critério, como vimos, para o estabelecimento de uma linha bem demarcada entre o eu e o outro na Antiguidade Clássica: a língua.

   No livro há ainda artigos de Miliane Moreira Cardoso VIEIRA, Amber Margaret JENNINGS, Michol Malia MILLER.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Imagem - O Prazer da Leitura

A magia da leitura


Google oferece curso gratuito de tecnologia e educação para brasileiros

São Paulo – Estão abertas inscrições para o Google Teacher Academy, que acontecerá, pela primeira vez no Brasil, nos dias 9 e 10 de outubro, no escritório do Google em São Paulo. Trata-se de um intensivo de desenvolvimento profissional para os 50 selecionados para as atividades.



O evento é direcionado para professores do ensino fundamental e médio. Durante o encontro, os participantes terão experiências práticas com ferramentas do Google e aprenderão sobre estratégias educacionais para melhorar o processo de ensino e aprendizagem utilizando recursos como o Google Apps for Education e Google Earth.

O período de inscrições encerra na sexta-feira (29). Para participar, os educadores devem preencher um formulário on-line e incluir a url de um vídeo com duração de um minuto sobre a pergunta: “Como você inova na sala de aula ou na comunidade educacional usando tecnologias do Google para gerar uma mudança positiva?”

O professor não precisa necessariamente estar no vídeo, mas deve pensar em uma forma criativa de demonstrar desenvoltura, comprometimento, personalidade e interesses. É importante que a gravação seja inédita uma vez que não serão aceitos vídeos feitos para outros projetos.

Serão selecionados aproximadamente 50 educadores para comparecer a cada Google Teacher Academy. Eles serão escolhidos com base na experiência profissional, paixão pela educação e sucesso no uso de tecnologia no ambiente escolar. 

Podem se candidatar professores, especialistas de currículos, especialistas em tecnologia, bibliotecários, administradores, instrutores e outros profissionais que atuam na área. O resultado da seleção será divulgado no dia 5 de setembro.

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