sexta-feira, 20 de maio de 2016

Press Release 048 – 20 de maio de 2016

Editorial

   Os efeitos do golpe http://bit.ly/1Vei0og

TV Leituras

   Adélia Prado no Sesc Vila Mariana - Sempre Um Papo 2014 http://bit.ly/1TkDRuE

Poesia

   Escapamento http://bit.ly/1NCPWt8

Cultura         

   Museu do Amanhã mostra exposição Capte-me, nenhuma presença será ignorada http://bit.ly/1U4GNZq

Debates

   Mães presas não têm benefícios legais, dizem especialistas http://bit.ly/1U608qq

Notícias

   Preso político que sobreviveu à tortura é tema de filme de Emília Silveira http://bit.ly/1W7fT6H

   Festival de cinema em São Paulo exibe clássicos restaurados http://bit.ly/1sHWEVr

   Cine PE completa duas décadas com mostra de filmes brasileiros http://bit.ly/1YJYOO7

   Programação cultural para Jogos Olímpicos valoriza diversidade brasileira http://bit.ly/1YJXXg9

   Movimentos protestam por reabertura do Cine Olinda, fechado há mais de 35 anos http://bit.ly/1TLTdmc

   Festa Literária de Santa Teresa homenageia Nei Lopes e André Neves http://bit.ly/1RegsU6

   Feiras livres e festival de literatura movimentam o centro do Rio de Janeiro http://bit.ly/1NCPPgU

O Prazer da Leitura

   Mantenha sempre ao alcance das crianças http://bit.ly/1WHtrpW

Imagem

   Fatos sobre o Outono http://bit.ly/25ecRml


Prof. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor


Se desejar ler os demais Press Release, clique no blog Leituras http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - Os efeitos do golpe

Após o crime sempre vem a necessidade de disfarçá-lo, encobri-lo e negá-lo. Se não é possível esconder isso dos olhos do mundo, imagine dos brasileiros. Estes, mais que ninguém, já sofrem os efeitos do ato parlamentar-jurídico-midiático, com toda sua força. Aliás, o único componente visível - das tramas de 2006 até a invasão da EBC - todas legitimadas pelos sombrios magistrados.

No esforço de recobrar vida inteligente no planeta universitário, a mostra de Adélia Prado no Sesc Vila Mariana em TV Leituras , Escapamento na Poesia , a exposição Capte-me no Museu do Amanhã em Cultura, e as Mães presas e sem benefícios legais, em Debates. A coluna Notícias traz Preso político que sobreviveu à tortura, Festival de Cinema que exibe obras restauradas, Cine de PE com mostra de filmes, os Jogos Olímpicos dando cor ao golpe, a luta pela reabertura do Cine Olinda (PE), a Festa Literária de Santa Teresa (RJ) e o festival de literatura no centro do Rio de Janeiro. E O Prazer da Leitura com Mantenha sempre ao alcance das crianças, e Imagem com a foto Fatos sobre o Outono.

Esqueça o mal-estar e aproveite.

Museu do Amanhã mostra exposição Capte-me, nenhuma presença será ignorada

Cristina Indio do Brasil

“Essa exposição tenta revelar que a cada momento estamos  sendo captados por vários sensores", disse  a diretora do Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) do Museu do Amanhã e curadora da exposição, Marcela Sabinoi

A ideia de que cada pessoa no seu dia a dia produz rastros digitais e de que os dados produzidos por esta interferência podem ser usados na elaboração de conhecimentos, levou o Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, centro do Rio, a preparar a exposição CAPTE-ME: nenhuma presença será ignorada. O nome da exposição representa com exatidão a experiência que cada pessoa terá durante a visita. Os diversos movimentos que fizer no espaço serão notados e registrados de várias formas, mostrando, inclusive, que é possível, para o visitante, interferir no ambiente.


“Essa exposição tenta revelar que a cada momento a gente está, possivelmente, sendo captado por vários sensores e vários sistemas que estão em volta da gente. Anda na rua e tem câmeras que captam a gente. O nosso celular manda um sinal chamado de CDR e a cada dois minutos ele sabe a sua localização, quantos celulares estão em volta, então, são várias informações a todo momento. Cada vez mais a gente está sendo monitorado e captado por vários sistemas. O interessante com isso é poder entender esta informação e interferir no sistema”, disse à Agência Brasil a diretora do Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) do Museu do Amanhã e curadora da exposição, Marcela Sabino.

Durante a visita, o público passeia por ambientes lúdicos e exploratórios e interage com projeções, sons e gráficos, que se modificam com o recebimento de dados em tempo real, por meio de sensores que captam o movimento da pessoa, conforme a distância dos aparelhos e de acordo com a temperatura e luminosidade da sala. Pode ter ainda a experiência, de, por meio de tablets, visualizar representações do fluxo de pessoas no mundo. Além disso, pode acompanhar vídeos de especialistas com explicações para temas como: O que é dado, informação e conhecimento; Internet de todas as coisas; e Big Data.  “Essa é uma maneira artística de trabalhar o tema de dados, que pode ser muito seco, de uma forma lúdica. É uma metáfora para o que acontece no mundo em todos os momentos”, contou a diretora.

Marcela Sabino afirmou que os dados são a principal matéria prima da era da informação. “Quando se começa a tratar os dados com mais volume, com planilhas e estatísticas, passa a ter resultados que podem trabalhar de várias formas e geram conhecimento. Tiram conclusões que podem ser usadas em políticas públicas para soluções de problemas”, disse.

Tanta novidade animou Isabel Monteiro Cardoso. A menina de 9 anos percorreu a exposição registrando tudo em um vídeo feito com o seu celular. “Eu boto no youtube. Aí mostro a exposição, as coisas”, disse empolgada, informando, no entanto, que ainda não é uma YouTuber [pessoa que cria canais no site de vídeos YouTube]. “Não, mas estou tentando”.  Para a menina, que foi à exposição com a irmã gêmea Luíza e a amiga de 9 anos Maria Isabella Campos Carvalho, o que mais  chamou atenção foi passar a mão em quatro torres e provocar a criação de um som diferente em cada uma interferindo no ambiente. A mesma sensação teve a amiga. “É legal a gente ficar botando a mão ali e ter vários sons diferentes e escutar sons que a gente nunca escutou”, revelou. 

A irmã Luiza gostou tanto da experiência que vai falar com os amigos para irem na exposição. A menina já tinha ido algumas vezes passear na área externa do museu, mas se encantou em poder conhecer a parte interna. “Eu gosto de brincar lá e ver os navios [na Baía de Guanabara], os aviões [chegando e partindo do Aeroporto Santos Dumont, que fica próximo], o museu é bem legal, mas prefiro aqui dentro. Gostei muito”, disse.

Para a mãe de Maria Isabella, a dona de casa Márcia Campos Carvalho, 45 anos, que junto com o pai das gêmeas, Luiz Cardoso, acompanhava as crianças achou que também para os adultos a exposição é instigante. “Por mais que avence a tecnologia ninguém vai descobrir o que vai dentro de nós”, indicou.



O arquivista, Luiz Cardoso, de 69 anos, gostou de ver que as filhas e a amiga delas estavam se divertindo. “É conhecimento para elas. Para as crianças é muito importante. Achei formidável. Até então, eu não tinha conhecimento disso. Gostei muito”, apontou.

A advogada Carla Lacerda, de 47 anos, foi com a irmã Fabiana e achou tudo bem diferente. “Você verificar o som, a imagem  e a  sensibilidade. A gente quando entrou na sala estava até com frio, mas depois que a gente descobriu como funcionava a sala, ficou até com calor, por interagir com a luz e o som. Foi muito interessante.  Por meio do movimento conseguir transmitir dados para estudos é fora da nossa realidade atualmente, pelo menos que eu saiba”, contou.

Para Fabiana Lacerda o que mais chamou atenção foi se mexer diante de um painel e ver que os seus movimentos criavam imagens diferentes e geravam dados novos. “A gente às vezes nem para para pensar que nossos movimentos, a nossa energia, tudo pode ajudar até em uma pesquisa”,  analisou.

O aposentado mineiro Reinaldo Moreira, de 66 anos, morador no Rio ainda não tinha conhecido o Museu do Amanhã. Gostou do que viu e ainda mais por encerrar a visita na exposição. “Na era da tecnologia muita coisa mudou, principalmente, com o computador e a internet. É interessante ver isso tudo e poder saber que a gente pode interferir. É muito importante”, disse.



O Laboratório de Atividades do Amanhã, que apresenta a exposição, é dedicado à inovação e à experimentação, com atuação nos efeitos e resultados das tecnologias tradicionais e exponenciais, com inteligência artificial, robótica, impressão 3D e biotecnologia e ainda com preocupação com o futuro em temas que vão desde o trabalho até a alimentação. A exposição, que foi inaugurada na sexta-feira, poderá ser visitada até o dia 20 de julho.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/museu-do-amanha-mostra-exposicao-que-desvenda-rastros-digitais-voce-e


Mães presas não têm benefícios legais, dizem especialistas

Isabela Vieira e Tâmara Freire

Unidade Materno Infantil do Presídio Tavalera Bruce, que recebe mulheres
privadas da liberdade acompanhadas de seus bebês, desde o nascimento até 1 ano de idade
Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Tive meu filho algemada pelos pés e pelas mãos, uma coisa assim, bem forte. E, aos três meses de vida, ele teve que ir embora. Aí, meu mundo desabou, você só fica com a parede”. O relato da chef confeiteira Desirre Mendes Pinto, ex-usuária de drogas presa por tráfico, mostra a realidade das mães e gestantes nas cadeias brasileiras.

Apesar de leis preverem penas alternativas, incluindo a prisão domiciliar para mulheres gestantes e com filhos de até 12 anos – medidas recentemente aprimoradas na Lei da Primeira Infância – o Judiciário tem sido conservador nas condenações dessas mães. A avaliação é das organizações de defesa dos direitos humanos que apoiam proposta inédita de indulto (perdão ou redução de pena) para mulheres condenadas por tráfico de drogas em até cinco anos.

Elaborado pelo Ministério da Justiça, por meio do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, o documento já conta com adesão de 200 organizações e está sob análise da Casa Civil. O indulto foi assinado pela presidenta Dilma Rousseff.



De acordo com estudo do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, organização não governamental que há 15 anos atua no setor, e da Pastoral Carcerária, são mães 80% das mulheres que estão presas. A maioria foi condenada por tráfico de drogas e é formada por mulheres negras. São, em geral, as únicas responsáveis pelo sustento do lar, que muitas vezes se desintegra quando são encarceradas.

“Quando eu vim para casa, meus filhos estavam largados, com problemas no Conselho Tutelar, respondendo [fazendo pirraça], eles eram agressivos. Hoje estão mais tranquilos, não têm problemas na escola, eles se acalmaram”, contou Raquel dos Santos Machado. Ele foi presa por traficar uma pequena quantidade de drogas “para comprar fralda e leite” e conseguiu recorrer em liberdade. Raquel saiu da cadeia dois dias antes do nascimento de sua filha mais nova.

O encarceramento feminino cresceu 570% entre 2000 e 2014, segundo o Ministério da Justiça. No entanto, reverter o número de prisões preventivas e provisórias não é “uma utopia” e a lei já oferece alternativas. “Essas medidas mudam a vida dessas mulheres. Permitem que estejam com os filhos, sustentem e cuidem de suas crianças, que de outra forma estariam desassistidas”, frisou a Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Programa Justiça Sem Muros do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania - ITTC.

Diversas organizações vêm denunciando que o encarceramento coloca em risco a saúde dessas mulheres, assim como a gestação, o parto e o cuidado com os filhos e com idosos, os quais costumam ficar sob responsabilidade dessas mulheres. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também cobra penas alternativas e prioridade no julgamento de grávidas para proteger as crianças.

Acesso à defesa não é universal

A organização não governamental Criola, de defesa dos direitos das mulheres negras, acredita que fatores como a dificuldade de acesso à defesa e o racismo prejudicam a concessão de benefícios previstos em lei.

“Quando a pessoa que cometeu um crime ou está em situação de violência é negra o processo muda completamente, ela é a culpada natural”, criticou Lúcia Xavier, coordenadora técnica da ONG. Como exemplo, lembrou o caso de Ana Kellen Moura, negra, mãe de uma criança de três anos e presa há quase um ano sem julgamento. O caso ganhou repercussão depois que uma campanha pedia sua libertação.

“No caso de Ana, mesmo a investigação sendo frágil, ela continua presa, tendo endereço fixo e sendo réu primária. A defesa não consegue reverter”, explicou Lúcia, lembrando que tais fatores justificariam a concessão de penas alternativas.

A guarda do filho de Ana foi dada para a família do pai, que é belga e só conhecia o menino pela internet, decisão que, para Lúcia, configuraria mais um indício de racismo na forma como a Justiça lidou com o caso.

Julgamento moral

A diretora de Políticas Penitenciárias do Ministério da Justiça, Valdirene Daufemback defende que, diante de situações como as descritas acima, o Judiciário deve cumprir a Lei da Primeira Infância, que recentemente ampliou o escopo de medidas alternativas à pena de prisão e rever o encarceramento como única resposta ao crime.

“Estão igualando Justiça à prisão. Mas a grande maioria que está na prisão, até 80%, em algumas regiões, estão envolvidas no pequeno tráfico. São mulheres que traficam para manter a família”, confirma. “O caso delas precisa ser visto diferente do de um grande traficante”, disse.

A coordenadora do ITTC cobra o fim do julgamento moral das mulheres. Segundo Raquel, elas são mais severamente punidas. “O fato de um homem cometer crime não é visto como um desvio do papel social. O juiz nunca vai perguntar para um homem 'se ele não tem vergonha de vender drogas para criar um filho'”, criticou. “As mulheres ouvem isso cotidianamente”, assim como são xingadas e recebem ofertas de propina sexual, denunciou.

*Repórter do Radiojornalismo da EBC.
**As declarações de Rachel e Desirre foram dadas ao ITCC e disponibilizadas na internet.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-05/maes-presas-nao-tem-beneficios-legais-dizem-especialistas

Mantenha sempre ao alcance das crianças


Feiras livres e festival de literatura movimentam o centro do Rio de Janeiro

Isabela Vieira

Uma mistura de gastronomia, literatura, feira de antiguidade e muita cultura são atrativos que turistas e cariocas encontraram na Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Vários eventos culturais gratuitos ocupam ruas do centro, que costumam ferver durante a noite. A expectativa é que 5 mil pessoas passem pelo local.

Um das principais atrações é o Festival Lapalê, com atrações até as 18h de domingo. O evento, anual, faz nesta edição uma homenagem ao centenário do samba, organiza concurso literário, roda de conversa com escritores, feira de livros e até um roteiro por pontos históricos, como a Igreja Nossa Senhora do Desterro da Lapa, que deu nome ao bairro e data de 1751.



Um dos organizadores do evento Leo Feijó lembra que autores que deixaram sua marca na literatura já foram moradores do tradicional bairro boêmio. “A ideia é discutir a realidade da Lapa, conectando o bairro com a tradição literária que vem desde o século passado, quando moravam aqui escritores como Manuel Bandeira e Machado de Assis – na Rua da Lapa. Na Mata Cavalos, que hoje é a Rua do Riachuelo (uma das principais), também morou [o compositor] Heitor Villa-Lobos”.

No domingo, o destaque da programação é a escritora Conceição Evaristo que segue com a agenda de encontros literários e rodas de debate sobre problemas comunitários.

Paralela ao Lapelê, hoje e amanhã, o Junta Local traz barraquinhas de comidas e bebidas de produtores independentes. Embaixo dos Arcos da Lapa, o evento atrai dezenas de pessoas, como Aloísio Almeida Álvares, em busca de uma opção diferente para o almoço.

“Já achei um queijinho gostoso ali, que vou levar um pedaço", contou o aposentado. “Vim conhecer, moro aqui de frente e nunca vi nada parecido. Aliás, estou vendo um camarão ali, que parece que está bom e eu vou bem experimentar”, disse.

A duas quadras dali, a tradicional Feira do Rio Antigo, que é realizada todo primeiro sábado do mês, ocupa toda a Rua do Lavradio. Os expositores apresentam antiguidades e um mix de produtos feitos artesanalmente. São peças únicas, que atraem cariocas e turistas que terminam a tarde em rodas e samba ou em restaurantes que servem, nas ruas e calcadas, a tradicional feijoada.

De Porto Alegre, a aposentada Dulce Marasckin, que passeava com a filha e o genro, comparou a feira a outros mercados alternativos espalhados pelo mundo. “Essa feira tem um atrativo que é a questão cultural. Na Europa, tem o Mercado das Pulgas em Paris, a El Rastro, em Madri, em Montevidéu a Feira de Tristán Narvaja”, citou a gaúcha. “É um hábito em muitos países comprar em feiras livres, as pessoas gostam de vir e desfrutar essa atmosfera”.

Atravessando a avenida no final da Rua do Lavradio está outra feira que atrai um público cativo. A Tiradentes Cultural completa um ano reunindo cerca de 40 expositores e porções de cerca de R$ 20. Um dos sucessos é a barraca de ceviche do peruano Vitor Lau que já tem clientes fixos.

É o caso de Melina Silva que chegou cedo para não correr o risco de ficar sem almoço. “Viemos especialmente para essa barraca, o ceviche é excelente e o preço é acessível”, recomendou a servidora pública que descobriu a Tiradentes Cultural pela internet. “Tem muita coisa interessante, produtos para levar e cozinhar em casa, muito produto de qualidade”, completou

No final da tarde, quem estiver passando poderá conferir a apresentação de um dos bloquinhos do carnaval alternativo mais celebrado da cidade: Biquinis de Ogodô convidam Sungas Odara.

Quem ainda tiver fôlego, pode passar pelas exposições do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), na Praça Tiradentes, e conferir a mostra na Galeria Rio Scenarium ou encerrar o passeio no Centro Municipal Helio Oiticica, com entrada gratuita até as 17h.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/feiras-livres-e-festival-de-literatura-movimentam-o-centro-do-rio-de-janeiro

Festa Literária de Santa Teresa homenageia Nei Lopes e André Neves

Akemi Nitahara

A oitava edição da Festa Literária de Santa Teresa (Flist), no bairro de mesmo nome no centro do Rio de Janeiro, ocorre no próximo fim de semana durante todo o dia. O evento gratuito terá 85 atrações, 162 convidados e 16 exposições permanentes que ocuparão o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo e o Parque das Ruínas.

A curadora da Flist, Ninfa Parreiras, explica que a festa é voltada para toda a família e toda a cidade, com atrações durante o dia, sempre no horário das 10h às 18h. “É para as famílias irem com as crianças, os avós, todo mundo. Não é uma festa literária apenas para moradores de Santa Teresa, ela é uma festa literária da nossa cidade. O bacana é que ela faz todo um envolvimento das instituições que existem em Santa Teresa e artistas que moram lá, que a gente procura prestigiar.”



Este ano, haverá um tributo ao escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, membro da Academia Brasileira de Letras, morto em 2014. “O Ariano é um autor da maior importância na literatura brasileira, a gente vai ter peças de teatro, mesas de debate e contação de histórias inspiradas na obra dele”, destaca Ninfa.

Os homenageados serão o ilustrador e escritor pernambucano André Neves e o escritor e compositor carioca Nei Lopes, ambos com trabalhos relacionados às matrizes africanas brasileiras, tema que também será abordado em debates e exposições.

Frequentador da Flist como convidado das mesas redondas, Nei Lopes se diz contente e envaidecido com a homenagem, que considera fruto do trabalho de mais de três décadas na literatura.

“Eu tenho uma atividade artística e literária de muitos anos. Comecei como compositor de música popular profissionalmente em 72 e, em 81, eu comecei uma carreira em livro, publicando quase que todo ano, eu tenho mais de 30 obras publicadas nesse período, é um volume bastante considerável.”

Com a obra totalmente ligada à ancestralidade africana, Nei afirma que é preciso inverter a visão mercadológica com relação à afrodescendência, que fica muito focada nas periferias.

“A gente tem que estar dentro, no meio, não é perifericamente, como se fôssemos ETs ou estrangeiros. Eu acho que a gente tem que estar dentro do fluxo da sociedade, coexistindo com ela, produzido para ela, absorvendo o que a sociedade tem de bom com naturalidade. É assim que o Brasil vai, se tiver que caminhar para frente, acredito que não seja coisa para o meu tempo, a solução é esta aí, integrar todas as suas vertentes de pensamento, integrar todas as suas vertentes de trabalho naturalmente, e não ficar olhando como se fosse uma visão periférica, uma visão do exótico.”

A Flist é promovida pelo Centro Educacional Anísio Teixeira (Ceat). São esperadas 10 mil pessoas nos dois dias de evento. Entre as atrações estão o poeta brasileiro Chacal, a escritora espanhola Ana Garralón e os cantores Marcos Sacramento e Chico, filho da cantora Cássia Eller.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/festa-literaria-de-santa-teresa-homenageia-nei-lopes-e-andre-neves

Movimentos protestam por reabertura do Cine Olinda, fechado há mais de 35 anos

Fachada do Cine Olinda, fechado há mais de 35 anos para reforma.
Movimentos de audiovisual defendem a reabertura do espaçoAndré Dib/CineRua

Fechado há mais de 35 anos, o Cine Olinda, que leva o nome da cidade histórica de Pernambuco onde está localizado, voltou a receber hoje (5) uma mostra de filmes. A exibição, no entanto, teve que ser feita do lado de prédio, já que o espaço está fechado para reforma há décadas. A sessão de filmes na rua foi programada justamente para chamar a atenção para o problema, como um protesto.



“Essa reforma é mais velha que eu. Muitas pessoas nem sabem que isso é um cinema. Esperamos que com essa atividade ao lado do cinema as pessoas olhem para ele, saibam da sua existência e cobrem do Poder Público a conclusão da reforma e a abertura desse equipamento cultural”, disse integrante do movimento CineRua Karuna de Paula.

O Cine Olinda, que em 2016 completa 105 anos, foi fechado em 1965. De acordo com pesquisa feita pelo movimento CineRua, após o fechamento, o prédio teve vários fins – de armazém de açúcar a alojamento para desabrigados – até ser desapropriado em 1979. Em 1981, a primeira tentativa de reforma para devolver o cinema ao local não foi concluída.

O prédio é um exemplar da arquitetura Art Déco, típico das décadas de 1920 a 1940, e estava em ruínas até a restauração da estrutura entre 2003 e 2004. A Prefeitura de Olinda concluiu o serviço, mas argumentou na época que não havia recursos para montar o cinema e fazê-lo funcionar.

Quatro anos e uma tentativa frustrada depois, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) assumiu o projeto, mas questões burocráticas prejudicaram o andamento dos trabalhos. A última notícia foi a suspensão do contrato com a empresa que ganhou a licitação para realizar o serviço, em março de 2016.

Em 2008, o Cine Olinda chegou a ser aberto para abrigar alguns eventos, como a Mostra de Cinema Sapo Cururu, e em 2011 foi um dos espaços da Casa Cor, mostra e arquitetura e design. A sala de exibição, no entanto, nunca ficou pronta, reduzindo ainda mais o número de cinemas de rua na região. E Olinda e Recife vários estabelecimentos do tipo já fecharam diante da competição com as grandes companhias exibidoras instaladas em shoppings.

Cinemas de rua

A valorização dos cinemas de rua é a bandeira do movimento CineRua. “A sociabilidade do cinema de rua é diferente do cinema de shopping. A relação de intimidade e de propriedade é diferente. Tomamos como exemplo o Cine São Luiz, o maior daqui [do Recife]. Tem um preço acessível e atrai pessoas que estão saindo do trabalho, marcam encontro com o namorado, estão esperando uma loja abrir ou encontrar uma pessoa. A ida ao cinema pode ser mais ocasional”, disse Karuna de Paula.

A ativista defendeu também a necessidade de espaços para exibição de produções independentes, sobretudo nacionais e pernambucanas, já que cinemas de shopping ocupam quase todas as suas salas com superproduções estrangeiras. “Pernambuco é um dos estados com maior produção atual, e de qualidade. É preciso escoar tudo isso, e os cinemas de rua tem essa característica. Exibem filmes que falam com o local, que problematizam a realidade.”

O CineRua, o movimento Ocupe o Cine Olinda e o Ponto de Cultura Cinema de Animação divulgaram e recolheram assinaturas para um manifesto que será entregue aos órgãos públicos responsáveis pelo cinema, como o Iphan e a Prefeitura de Olinda. “Reivindicamos o Cine Olinda não apenas como sala exibidora de cinema independente, dando vazão a uma importante produção ignorada pelo mercado, mas como um núcleo de formação, produção e exibição, um centro cultural capaz de abrigar pontos de cultura e outros núcleos aglutinadores da produção criativa”, diz um trecho do documento.



Atividades pela reabertura do Cine Olinda incluíram exibição de curtas-metragens, feira de artesãos e música Sumaia Villela/Agência Brasil

No manifesto, os grupos pedem ainda que o Iphan e a prefeitura esclareçam publicamente a atual situação e a gestão do equipamento, “e que se coloque em discussão estratégias e soluções para que ele seja entregue à população ainda este ano”. O manifesto também pede a realização de uma audiência pública em até 30 dias, com participação do Ministério Público, para definir formas de ocupação e de reinício das obras, além da criação de um comitê de fiscalização para acompanhar as providências.

Filmes, música e feira

Na programação estavam em cartaz curtas-metragens que tinham como tema o sítio histórico da cidade e o próprio Cine Olinda. Depois da exibição, os autores participaram de um debate. O encerramento ficou por conta da exibição especial de Noturno em Ré-cife Maior (1981), de Jomard Muniz de Brito, com trilha sonora ao vivo do músico e compositor Johann Brehmer.

Também houve projeções na fachada do prédio, uma feira de artesãos e música, que atraiu muitos moradores das redondezas. Na plateia, duas moradoras da comunidade da Praia dos Milagres levaram os filhos para assistir aos filmes. Uma delas, a empregada doméstica Maria da Conceição Albuquerque da Silva, 42, é personagem de um documentário exibido no local, Milagres, e gostaria de ver o filme dentro do Cine Olinda. “Ficava mais bom, né? Ficava mais bonito, mais legal pra gente assistir.”

A amiga Gilvaneide Araújo, 30, sabia que o prédio era um cinema, mas achava que o espaço estava abandonado. A dona de casa acredita que a comunidade poderia se beneficiar com o equipamento cultural. “Seria ótimo, principalmente pras crianças.”

Por anos, uma salinha de cinema foi montada no Clube Atlântico, ao lado do Cine Olinda, onde a artista plástica Maria Luísa Mendes Lins, 69, conhecida como Isa do Amparo, lembra de ter visto um festival de animação. Nascida na Bahia, ela mora há 35 anos no município – e quando chegou o Cine Olinda já estava fechado.
No manifesto, os grupos pedem ainda que o Iphan e a prefeitura esclareçam publicamente a atual situação e a gestão do equipamento, “e que se coloque em discussão estratégias e soluções para que ele seja entregue à população ainda este ano”. O manifesto também pede a realização de uma audiência pública em até 30 dias, com participação do Ministério Público, para definir formas de ocupação e de reinício das obras, além da criação de um comitê de fiscalização para acompanhar as providências.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/movimentos-protestam-por-reabertura-do-cine-olinda-fechado-ha-mais-de-35

Programação cultural para Jogos Olímpicos valoriza diversidade brasileira

Alana Gandra

A valorização da diversidade cultural por meio de manifestações das diversas linguagens artísticas, que incluem música, dança, teatro, artes visuais, circo, entre outras, é a tônica do Programa de Cultura nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, lançado hoje (4) na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, pelo Ministério da Cultura (MinC).

Serão dois mil espetáculos e atividades gratuitos que ocorrerão em 80 locais, envolvendo cerca de dez mil artistas de todos os estados. O programa é uma iniciativa do Ministério da Cultura, com apoio do Comitê Rio 2016 e da Autoridade Pública Olímpica (APO).

Marcelo Pedroso lembrou a importância de continuidade do programa
Arquivo/Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Presidente da Autoridade Pública Olímpica, Marcelo Pedroso disse que o programa de cultura construído pelo MinC objetiva ter a cultura como elemento estratégico de posicionamento do Brasil, no momento em que o país sedia os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Pedroso lembrou a importância de continuidade desse programa e da unidade de trabalho,”porque ela vai garantir que o planejado será executado. Mostra também a riqueza e a diversidade culturais que é a produção do nosso povo. E, sem dúvida, nosso povo é nossa maior riqueza”.

Para o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o momento era de alegria. “O trabalho coletivo tem de ser valorizado, porque o Brasil está em um momento de questionamento de tudo. Acho que essa coisa individualizada, essa disputa autofágica que a gente reproduz na esfera pública é muito ruim”.

Segundo ele, a Olimpíada vai mobilizar cerca de cinco bilhões de espectadores em todo o mundo e trará para o Rio de Janeiro mais de um milhão de pessoas. “Essa programação vai dar uma cara, uma força, um reforço para a Olimpíada em dimensões inimagináveis. Isso fica como afirmação do Brasil”.

De acordo com o ministro do Esporte, Ricardo Leyser, o programa é consistente. Destacou que, embora os jogos envolvam disputas esportivas, eles têm “um pilar muito forte na cultura e uma ideia muito forte de mostrar o país”. Lembrou que o Brasil, ao contrário do que ocorre no mundo, tem uma agenda forte e moderna de tolerância, de diversidade cultural e religiosa, de inclusão, da construção de um país com pessoas de várias origens e recortes. “E nada melhor que os Jogos Olímpicos para mostrarmos esse nosso ideal civilizatório”. Acrescentou que “o nosso programa cultural aponta com muita clareza nesse sentido”. 

O palco principal da programação será a Fundição Progresso, na Lapa, enquanto os grandes shows, para públicos maiores, ocorrerão em um palco externo montado nos Arcos da Lapa. Haverá atividades também em vários bairros da cidade, além da região metropolitana, cidades do futebol, onde ocorrerão partidas do futebol olímpico, e cidades do revezamento da tocha olímpica.

Para o ministro Juca Ferreira, o trabalho coletivo tem de ser valorizado em um momento de questionamentos Valter Campanato/Agência Brasil

A programação inclui diversos festivais, como o de Culturas Indígenas, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), que reunirá na capital fluminense índios de várias etnias brasileiras para divulgação de atividades esportivas e culturais, e o Festival de Cultura Popular, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), com apresentações de grupos de manifestações populares de rua em vários locais do Rio de Janeiro, Niterói, Baixada Fluminense e arenas de competição dos jogos.

Durante a Olimpíada e a Paralimpíada, o ministério levará à capital fluminense estruturas completas de grandes festas de rua do Brasil. “A ideia é aproveitar a vocação do Rio de Janeiro para festa. Isso também é parte de nossa cultura e precisa ser valorizado nesse conjunto de atividades”, disse o coordenador do Comitê Executivo de Jogos Olímpicos e Paralímpicos do MinC, Adriano De Angelis. De Angelis informou que os dois eventos são uma oportunidade de mostrar para o mundo os carnavais brasileiros, em especial os de rua, de maneira efervescente.

Haverá uma edição especial da Bienal de Música Brasileira Contemporânea, com espetáculos de música de câmara, orquestra e ópera selecionados pela Fundação Nacional de Artes (Funarte). “Será uma ação de grande impacto também, mostrando que o Brasil tem do funk à orquestra sinfônica, sempre de qualidade”, destacou o coordenador. O programa prevê montagem de espetáculos cênicos de grandes companhias em equipamentos públicos, além de música eletrônica, com seleção de 27 Djs, sendo um por estado, para discotecagem na praia.

Na Virada Cultural Palmares da Cultura Afro-brasileira serão feitas ações de cultura contemporânea de periferia, englobando funk, o passinho e o grafite. Um dos pontos altos da programação é o Piano no Arpoador, que oferecerá ao público concertos de pianistas brasileiros em um palco montado sobre a Pedra do Arpoador, em Ipanema, zona sul da cidade. Toda a programação estará disponível para consulta no aplicativo colaborativo Culturi.

O coordenador lembrou ainda que na Casa Brasil, espaço de promoção do país instalado na zona portuária do Rio de Janeiro, o governo federal tem por objetivo fortalecer a imagem do Brasil como destino cultural, turístico, esportivo e de negócios.

O diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mário Andrada, acrescentou que um dos compromissos dos jogos é ter a cultura como anfitriã do país e da festa. “No comitê, a gente entende a cultura no seu aspecto mais amplo. A gente aprende muito com a cultura”, afirmou.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-05/programacao-cultural-do-minc-para-os-jogos-valoriza-diversidade-brasileira

Cine PE completa duas décadas com mostra de filmes brasileiros

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

Ao completar duas décadas de existência, o Cine PE, Festival Audiovisual de Pernambuco que une produções nacionais de grande orçamento e obras independentes, foi aberto no cinema São Luiz, edificação histórica do Recife, com as primeiras exibições de mostras competitivas abertas ao público.



O evento vai de até este mês. São três mostras de competição: uma de curtas metragens pernambucanos; uma de curtas nacionais e a competição entre longas-metragens de todo o país. São ao todo 24 premiações e os melhores de cada categoria recebem o troféu Calunga. Debates e workshops também entram na programação.

De acordo com o diretor do Cine PE, Alfredo Bertini, o critério para a escolha das obras foi de “máxima pluralidade. Você vai ver filme extremamente experimental, outro com proposta mais comercial e tem filme infantil”.

Este ano, além da comemoração dos 20 anos do festival, uma novidade é a composição das mostras somente por filmes brasileiros, ao contrário de edições anteriores. “Daqueles [filmes estrangeiros] que poderiam ser selecionados existiam projetos nacionais tão ou mais interessantes. Foi levada em conta também a questão cambial e as dificuldades para trazer gente de fora. É um investimento relativamente alto e, dentro de um quadro de crise e dificuldades de patrocínio, ficou inviável este ano. Por isso, resolvemos privilegiar o cinema brasileiro”, conta Alfredo

O primeiro filme da mostra competitiva de longas metragens é Por Trás do Céu, de Caio Sóh, rodado em 2014 e exibido pela primeira vez nesta segunda-feira. A sinopse indica que a história se passa em um lugar “esquecido por Deus, assolado pela pobreza e pela falta de mínimas condições básicas”. É nesse local que se desenrolam os sonhos de Aparecida, a protagonista representada por Nathalia Dill. “É um dos festivais mais legais do Brasil, e é uma honra participar. O filme é muito lúdico, muito poético, combina muito com esse festival”, comenta a atriz, que vem pela segunda vez ao Cine PE. A primeira foi com Paraísos Artificiais.

Nesta edição, dois profissionais são homenageados: a cineasta Carla Camurati e o ator Jonas Bloch. Ele recebe a honraria neste primeiro dia de festival. Com várias novelas no currículo e mais de 40 trabalhos realizados, dos quais ele contabiliza pelo menos oito que passaram pelo Cine PE, Bloch falou da importância dos festivais para o audiovisual no país. “O festival começa a fazer um boca a boca, faz um congraçamento de todas as pessoas, discute o cinema brasileiro em workshops, ou seja, repensa o que está sendo feito, tem toda uma vitalidade, uma movimentação que só faz bem para o cinema brasileiro”, avalia.

Jonas Bloch também falou do atual momento do cinema nacional. “Teve uma época que os diretores, de um modo geral, queriam todos 'cabeça'. Chega uma hora que se começou a pensar de outra maneira. Não tem só um tipo de filme, tem comédia, drama, experimentais e uma infinidade de curtas metragens. Isso significa muito, os cursos de cinema se proliferaram pelas universidades. É outro Brasil, outro cinema brasileiro. Ele tem uma vitalidade, uma diversidade que é muito importante hoje”, elogia, embora critique o papel dos exibidores nesse contexto.

“Estamos produzindo cada vez mais e alguns filmes conseguem bater os filmes americanos. O problema é que tem uma jogadinha por fora, de alguns exibidores. Você quer ver filme brasileiro, não consegue, tem que ir lá longe. Na Barra [Rio de Janeiro], por exemplo, todos os cinemas exibem o mesmo filme, e o brasileiro está lá no 'bairrozinho'”.

O festival atrai gente como Regina Lopes, 43. A assistente oftalmológica não pisava em uma sala de cinema há mais de um ano. Fruto da facilidade de assinaturas de programas e compra de DVDs, diz: “Vim pela curiosidade, ver um filme pela primeira vez e ver os atores”.

Grandes produções dividem espaço com filmes de menor orçamento, de realizadores independentes. A obra que abriu o festival, por exemplo, foi dirigido por uma jovem de 22 anos. Não tem só mandacaru, um documentário sobre a poesia de São José do Egito, município pernambucano, é o segundo da carreira de Tauana Uchôa. Além de inaugurar o telão do Cine PE, ela conseguiu ter não um, mas dois curtas selecionados para a mostra competitiva – o outro é uma ficção, A vida em uma viagem.

Em seu rápido discurso, Tauana agradeceu a diversidade cultural de Pernambuco. “A cultura rica do estado me presenteou com esse filme”. Mais cedo, a pernambucana falou sobre críticas feita pela Associação Pernambucana de Cineastas, de que o Cine PE favoreceria títulos comerciais e não fortaleceria o mercado local.

“Os festivais como um todo, não só o Cine PE, são, sim, uma porta para que alguns realizadores tenham espaço. A questão de ter mais ou menos espaço, quando o festival é local, acho que é uma coisa que vai ser discutida por muito tempo ainda. Quem sou eu para dar uma resposta definitiva. Mas acho que ele tem sua importância”, argumentou.

A  Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas de Pernambuco, divulgou carta aberta no fim de abril informando que não aceitaria o convite para participar do júri do festival. Eles questionam o modelo de financiamento do Cine PE e a desigualdade de pagamento entre artistas famosos e profissionais locais. Os produtores responderam, em nota, a posição das organizações. “Nós respeitamos e vamos continuar sempre os convocando para participar do festival. Por princípios democráticos, fazemos questão de respeitar os pontos de vista, porque compreendemos a pluralidade do setor”, diz um trecho.

Os ingressos custam R$ 5 para todo o público. A programação completa está na página do cine PE na internet.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/cine-pernambuco-completa-duas-decadas-com-festival-de-filmes-brasileiros

Festival de cinema em São Paulo exibe clássicos restaurados

Flávia Albuquerque

Filmes de Charles Chaplin fazem parte da programação do
Cinema Ritrovato on TourCentro Cultural São Paulo

Começa na capital paulista, a segunda edição do Cinema Ritrovato on Tour, com a exibição de clássicos do cinema restaurados que fizeram parte da programação do festival italiano de Cinema Ritrovato. A maioria dos filmes, que serão exibidos no Centro Cultural São Paulo e na Biblioteca Mário de Andrade, foram restaurados pelo laboratório L’Immagine Ritrovata, pertencente à Cineteca di Bologna.



O festival vai até 19 de maio e é organizado pela Fondazione Cineteca di Bologna, há 30 anos na cidade de Bolonha. Para a segunda edição no Brasil, estão previstas obras que foram restauradas pela organização não governamental The Film Foundation, que se dedica à proteção e à preservação da história do cinema, restaurando filmes fundamentais da cinematografia de países em desenvolvimento.

A mostra traz também produções de Sergei Parajanov no Centro Cultural São Paulo

Entre as obras selecionadas, estão A Cor da Romã (Sayat Nova, URSS, 1969), de Sergei Parajanov, e Estrela Encoberta de Nuvens (Meghe Dhaka tara, Índia, 1960), de Ritwik Ghatak.

Estão na programação também filmes de Charles Chaplin, Mario Casarini, Roberto Rossellini e Jean Renoir. Destaque para o filme Spartaco (Itália, 1913), de Giovanni Vidali, cuja restauração foi possível pela existência de uma cópia preservada da obra na Cinemateca Brasileira. Outro destaque é o filme de Jean Renoir, Um Dia no Campo (França, 1936), obra nunca terminada pelo autor devido aos tantos imprevistos na filmagem, com a montagem finalizada uma década depois.

Todos os filmes serão exibidos em cópias digitais (DCP, Bluray ou DVD) com legendas eletrônicas em português. Na Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, 94 – os ingressos serão gratuitos. No Centro Cultural São Paulo, os preços são R$1 para a inteira e R$ 0,50 para a meia.

Outras atividades

A programação inclui também a palestra Uma Conversa sobre Restauração Cinematográfica, com Fernanda Coelho, pesquisadora com mais de 30 anos de experiência na preservação audiovisual, e um curso sobre a obra de Roberto Rossellini ministrado por Luiz Carlos de Oliveira Jr, crítico e pesquisador.

Veja a programação completa no site vaievemproducoes.com

Transcritto de http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/festival-de-cinema-em-sao-paulo-exibe-classicos-restaurados

Preso político que sobreviveu à tortura é tema de filme de Emília Silveira

Isabela Vieira

Documentário Galeria F, da diretora Emília Silveira, mostra a história de
preso político que sobreviveu à tortura Divulgação

A tortura e a prisão nos porões da ditadura, que voltaram ao debate com a declaração polêmica do deputado Jair Bolsonaro (PP) em homenagem ao general Carlos Alberto Brilhante Ustra, é tema do Galeria F. O documentário da diretora Emília Silveira, que estreou no festival É Tudo Verdade, volta ao passado para falar do presente. Em estilo road movie (filme de estrada) mostra, com passagens bem-humoradas e poucas imagens de arquivo, a história de um preso político que sobreviveu à tortura e à prisão no regime militar, como a própria diretora, ex-presa política.

Lei da Anistia

“Não busco imagem de arquivo para ilustrar o que as pessoas estão dizendo. Acho que o que elas dizem é forte o suficiente. O arquivo entra para reverberar o que o personagem tem a dizer e não para ilustrar”, explicou Emília, que usou, em determinado momento, trecho de entrevista do líder político baiano Antônio Carlos Magalhães para revelar o autoritarismo da época, que levou Theodomiro Romeiro dos Santos, personagem principal do Galeria F, a fugir da cadeia.

Com cenas do interior da Bahia e depoimentos não lineares que descortinam, pouco a pouco, a história de Theo para o público, o documentário refaz a inusitada fuga do ativista, desta vez ao lado do filho Guga, estabelecendo conexão com um passado que não foi expurgado. Era véspera da publicação da Lei de Anistia, que excluiu do perdão militantes condenados por atos terroristas, assassinatos, mas incluiu militares que praticaram todas as formas de tortura.

Reconstruindo o cotidiano de Theo na prisão, a primeira cena do filme logo revela como a família encarou e registrou o momento em que ele, um ativista no auge da juventude, aos 18 anos, foi condenado à morte, ao reagir à  prisão e matar um militar que perseguia outro companheiro. A foto desse dia, da condenação, ilustra um álbum de família, com muitas outras fotos de filhos e da esposa de Theo na prisão onde ele passou nove anos, antes de fugir, depois de ser ameaçado.

Por meio dos diálogos com o personagem, a própria diretora é obrigada a encarar suas vivências na ditadura. “Emília, você sabe, o desejo de todo preso é fugir”, comenta Theo, hoje anistiado, na cela onde ficou preso na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador.

“Fiz 20 anos de análise e achava que estava tudo ali arrumado (dentro de mim)”, contou Emília, que também dirigiu o filme 70 (2013), sobre os ativistas trocados no sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, grupo com quem conviveu. “Mas a vivência de fazer os filmes foi uma nova análise”, completou ela, que após dois anos de prisão atuou como jornalista nos principais veículos do país.

Rio de Janeiro - A cineasta Emília Silveira fala sobre seu novo documentário
(Tomaz Silva/Agência Brasil)

À Agência Brasil, Emília Silveira fez um paralelo entre o golpe militar de 1964, o momento político atual no Brasil e o Galeria F – que estreia no circuito comercial no final deste ano. Em maio, está prevista, no Rio de Janeiro, uma sessão especial.

Leia a íntegra da entrevista:

Agência Brasil: em um dos seus discretos diálogos com o Theo, ele fala da ideia fixa do preso, que é escapar. Você tinha essa ideia fixa também quando ficou detida no Rio de Janeiro?

Emília Silveira: realmente, você tem essa ideia fixa. Fui presa com 20 anos e fiquei dois anos. E quando você é jovem, quer liberdade, mesmo que essa liberdade seja uma coisa do plano imaterial. Eu tive dois momentos. O primeiro, é quando você sai da prisão provisória, da tortura, que você pensa que vai sobreviver, vai aguentar, vai sair dessa. Você só pensa nisso. Quando você vai para o presídio, convive com dois sentimentos conflitantes: a busca da liberdade e a adaptação ao novo cotidiano – que é o que tento passar nos meus filmes, tudo vira cotidiano. Então, você pode rir de uma situação difícil, você pode contar uma piada, que aquilo já fez parte de sua vida. Por um lado, você busca liberdade e busca aprofundar suas causas - 'estou nessa merda porque tem uma razão para estar aqui e não estou sozinha'' -, mas existe a rotina. A prisão tem uma rotina militar e eu me lembro que fazia um suéter de tricô, pensando que estava acostumada àquela vida e que se tivesse que passar mais 20 anos nela, eu passaria.

Como foi a escolha do Theodomiro como personagem?

Olha, quando eu fiz o 70, voltado para essa temática da ditadura militar – que era mais um filme sobre pessoas, sobre almas, sobre seres humanos que passaram por essas experiências-limite – em uma das sessões a jornalista Margarida Autran me procurou dizendo que tinha uma história para contar. Na hora em que ela me contou, eu disse: essa história dá um filme. Nessa época, a Sandra Moreyra (parceira e roteirista do 70) estava viva (a jornalista morreu em novembro de 2015) e, naquele mesmo dia, a gente decidiu fazer o filme. Isso tem dois anos.

Sendo um documentário, por que tem poucas imagens de arquivo?

Não busco imagem de arquivo para ilustrar o que as pessoas estão dizendo. Acho que o que elas dizem é forte o suficiente. As imagens de arquivo entram para reverberar o que o personagem tem a dizer e não para ilustrar. A televisão já tem um monopólio da imagem e da fala. Faz tudo de maneira que não deixe espaço para a imaginação do espectador e eu quis me libertar dessa escola, fazendo um cinema em que as imagens entram como complemento de um pensamento e não como ilustração. O próprio [Claude] Lanzmann – um dos meus ídolos do documentário, junto com Eduardo Coutinho – diz que ele, ao fazer Shoah, sobre o nazismo, não tinha imagens, porque era o holocausto, não tinha imagem dos fornos, nem nada. Na ditadura é um pouco parecido, não tenho imagem das pessoas sendo torturadas, da ditadura prendendo as pessoas nas casas. Por incrível que pareça, nesse filme tenho imagens de dentro da prisão porque eles [personagens] que ficaram nove anos lá foram fazendo. Abrimos, com isso, com a foto do Theo, depois de ter sido condenado à morte – o que é a coisa mais louca, para mim, do filme, que começa com um álbum de fotografia – essas coisas estão em álbuns de família. Agora, as imagens, da ditadura mesmo, elas não existem. O que fazer, então? Acreditar na força do seu personagem.


E como foi começar a filmar no dia do suicídio do Marcão Maranhão (ativista político, um dos personagens do filme 70 e amigo pessoal da diretora)?

Marcão morreu no primeiro dia de filmagem do Galeria F. Ele se matou [assim como outros dos ativistas trocados no embaixador, como Frei Tito e Maria Auxiliadora Lara Barcelos]. Eu estava na Bahia. O que eu fiz? Tomei dois comprimidos de frontal (remédio) e fui filmar. Muito louco. Temos que encontrar algum canal [para essas angústias].

Aquela cena do Theo andando na cela, de um lado para outro, era você também?

Aquela cena estava na minha cabeça antes de começar a fazer o filme. Conversando com a montadora, comentei: 'acho que o Theo nunca foi solto'. Porque ele é aquela pessoa rígida, que não aceita o erro do outro. E aí decidimos terminar o filme como ele na cela [no presídio Lemos Brito]. No dia em que a gente gravou, fomos eu, o câmera e o menino do áudio. Entrei na cela – porque o filme só mostra a cela na última cena – no canto, e não falei nada. Não perguntei nada, não fiz nada, fiquei quieta. E aí, ele não é bobo, não sabia o que fazer, fez o que ele fazia sempre: começou a andar, andar, andar, andar. Não colocamos um trecho no filme porque o áudio não ficou bom, mas ele diz: aqui, dentro dessa cela, eu andei quilômetros.

Você sugeriu que foi torturada, pode compartilhar essa experiência?

Não, nem pensar. Porque não adianta descrever tortura. É a mesma coisa que descrever o ato sexual, descrever certas coisas que eu não conseguiria.

Mas você ainda se lembra disso?

Fiz 20 anos de análise e achei que tinha superado. Acho que levo uma vida completamente normal desde 1972, quando saí da prisão e fui trabalhar no Jornal O Globo. Eu sou daquela cota de terroristas e comunistas perigosos que o Roberto Marinho empregava. A imprensa mudou muito. Fiquei um ano no Globo, depois fui para o Jornal do Brasil e, dois anos depois, tive meus [dois] filhos. Sou uma pessoa sequelada, como qualquer pessoa da minha geração que passou por isso. Mas sou como qualquer outra.

Fazer os filmes que mexem com esse passado ajuda a superar isso?

Então, estava tudo ali arrumado (dentro de mim). A questão principal que eu tive, até profissionalmente, era não saber lidar com a questão do poder. De não saber mandar nos filhos, de não saber ser chefe, embora eu tenha sido chefe de tudo, daí para a frente. Fui diretora-geral de programa na Globo, editora-chefe de jornal durante 20 anos. Quando tive filho, decidi que minha militância ia ser profissional, eu não ia sacanear os outros, não ia fazer coisas com as quais não concordasse. Mas queria dizer que a vivência de fazer o filme foi uma nova análise.

Para você, que passou por tudo isso, como foi ouvir o deputado Jair Bolsonaro, na votação do impeachment, saudar um militar declarado torturador pela Justiça?

Eu vi isso grudada na TV, sozinha, passando mal. Achei muito grave. Os golpes não são, necessariamente, golpes dos militares. O golpe ocorre toda vez que você breca uma realidade institucional para atender a interesses de pequenos grupos. A liberdade é tão importante para a democracia que temos de estar sempre atentos para não perdê-las. É patético ver que o Brasil está passando por isso em 2016, e os jornais internacionais estão denunciando. O Bolsonaro, ele é o que há de pior na sociedade, defende valores contra a humanidade. Mas a sociedade, não é reacionária, embora a vanguarda política hoje também seja minoria.

Transcrito de http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/preso-politico-que-sobreviveu-tortura-ganha-filme-da-cineasta-emilia

Escapamento


Cristiano Alves

Perdoe-me, escrevi por acidente
Logo, esburaquei meu coração
Não há remendo para os poetas
Por si só, já são congestionados
Pelo tráfego que é apenas existir.
Eu, motorista de qualquer palavra
Habilitado pelo aptidão mais lírica
Escrevo sobre o asfalto de papel
Sim, a rua é agora também poema
Daqueles feitos do bolor da vida.
Sabe, meu amor não acelera mais
Mas o que não pode é então frear,
Jamais! O amor é uma contramão!
Que dobra as esquinas do corpo
E vai atropelando qualquer verso
Sem prestar socorro ao tal leitor
Lá, estirado sob o livro capotado.
Da próxima vez, policio a escrita
Esta, de lataria escrita e pinchada
Que sabe ser combustível do ser
E percorre quilômetros de rima.
Neste caso, aconselho dirigir-se
Como medida de arte-segurança 
Pois ao pisar em qualquer trânsito
Cuidado: pode ser um poema meu.

http://me-estranha-se.blogspot.com.br/2014/04/escapamento.html

Adélia Prado no Sesc Vila Mariana - Sempre Um Papo 2014



Fatos sobre o Outono


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Press Release 047 – 13 de maio de 2016

Editorial
   O luto e a luta http://bit.ly/23OWTcm

Debates
   Mídia tem o papel de domesticar população em nova fase do neoliberalismo mundial http://bit.ly/1WvDU7W

Poesia
   Salve-se ou perca-se http://bit.ly/1ZOZEcH

TV Leituras
   Dia D, Homenagem a Carlos Drummond de Andrade no Sem Censura (TV Brasil) http://bit.ly/1TbUirq

Eventos
   V Semana Acadêmica do Curso de Geografia – UFT – Campus Araguaína http://bit.ly/226eehH

Notícias
   Papa recebe Keinarik Boujikian e Letícia Sabatella, que denunciam o golpe no Brasil http://bit.ly/1rL4DAh
   O fantasma de 1964 http://bit.ly/1VWjcNO
   Deus perdeu a paciência com os congressistas do Brasil? http://bit.ly/1TLYycU
   Presidenta Dilma cria mais cinco universidades e inaugura 42 campi de institutos federais http://bit.ly/1VWjcgP
   Bienal do Livro de SP anuncia autores best-sellers internacionais http://bit.ly/23OXAm2
   Biblioteca da Unifor celebra 25 anos de automatização do seu sistema http://bit.ly/23OXGdd
   Argentina vive, só agora, febre do livro de colorir http://bit.ly/1Xq7drB
   Leitura é aliada no tratamento de crianças internadas em Belém http://bit.ly/1Wwm0kL
   Contos escritos por detentos em Joinville são publicados http://bit.ly/1NtK8SC
   Presidente de Portugal apela à leitura e lamenta falta de tempo para... ler http://bit.ly/1NtK8BT
   Terra de caolho http://bit.ly/1qjrRvU

Imagem
   Ler civiliza http://bit.ly/24Y1XAT

O Prazer da Leitura
   Das pessoas normais... a mim  http://bit.ly/24R0Csj

Prof. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor


Se desejar ler os demais Press Release, clique no blog Leituras http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - O luto e a luta

Esta edição do Leituras destaca assume o luto e a luta e destaca o papel da mídia de domesticar a população, em Debates. Relembra a Poesia visual de Leminski, divulga a homenagem a Carlos Drummond de Andrade em TV Leituras e a V Semana Acadêmica do Curso de Geografia - UFT Campus Araguaína, em Eventos.

As Notícias trazem a acolhida do Papa a uma juíza e uma atriz que levaram a carta de um jurista sobre o golpe, a volta do fantasma de 1964, a crise no Parlamento, as cinco universidades criadas por Dilma Rousseff, a Bienal do Livro de SP, a Biblioteca da Unifor, o livro de colorir na Argentina, a leitura no tratamento de crianças hospitalizadas, contos escritos por detentos de Joinville, a importância da leitura para o presidente português. E a civilização pela Leitura em Imagem e a imagem infantil em O Prazer da Leitura.

Mídia tem o papel de domesticar população em nova fase do neoliberalismo mundial

Em seminário na USP, professora de Coimbra diz que crise brasileira é
semelhante à que ocorreu em Portugal. Para professor da ECA, “não regulamentação”
dos meios teve papel importante no processo

Eduardo Maretti (RBA)

São Paulo – A aguda crise político-econômica do Brasil e a participação dos meios de comunicação nessa crise não têm causas exclusivamente brasileiras. O fenômeno decorre de uma realidade global, que tem vitimado outros países. “O que se passa no Brasil não é muito diferente do que nós, em Portugal, na Espanha e até mesmo na Itália, tivemos em outros momentos, com a autonomização dos grandes meios (de comunicação) em relação aos meios políticos e o desenvolvimento da própria política”, diz a professora da Universidade de Coimbra Isabel Ferin Cunha.

Vitor Blotta, do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA (USP)
e Isabel Ferin Cunha, da Universidade de Coimbra

Para ela, o momento do Brasil é semelhante ao período em que se instaurou a chamada “austeridade neoliberal" em Portugal e Espanha, com intervenções do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu no início da década. Os países estão entre os primeiros a ser fortemente afetados pela crise de dimensões globais que se abateu sobre as economias mais frágeis da Europa – e que revelou ao mundo que o neoliberalismo estava mais vivo do que nunca. Na Itália, o processo, segundo ela, foi representado pelo governo de Silvio Berlusconi (a partir de 2008).

Isabel foi uma das palestrantes no seminário Liberdade e Interdição: Pontos de Vista, realizado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ontem (29). Após o seminário, foi lançado livro com mesmo título, organizado pela professora Maria Cristina Castilho Costa, coordenadora do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom), reunindo ensaios de vários autores.

“Temos uma tradição autoritária, que vem da igreja católica e da própria formação dos nosso países. Portugal, e depois o Brasil, é uma linha autoritária que se mantém. Mas a questão da relação entre mídia e política é um outro fenômeno, introduzido na chamada globalização neoliberal na terceira ou quarta fase, em que a mídia tem o papel de domesticar a população pela aceitação dessa nova fase do neoliberalismo”, afirmou.

O professor Vitor Blotta, do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA e pesquisador Associado do Núcleo de Estudos da Violência da USP, considera que a “não regulamentação” dos meios de comunicação no país tem um papel “importantíssimo” no processo político atual e na crise política brasileira.

“Isso na medida em que diminui a diversidade de opiniões, e então não há versões distintas. Às vezes temos que olhar para a imprensa internacional para contrastar as versões nacionais. Parte da liberdade de expressão é garantir a diversidade das vozes. Por isso, as normas de direitos humanos mais atuais na Europa colocam a necessidade da pluralidade da mídia ao lado da liberdade de expressão e a proteção da privacidade”, diz o professor.

Nesse estado neoliberal internacionalizado, a professora da Universidade de Coimbra não concorda que o golpe contra o governo Dilma Rousseff possa ser atribuído a um acontecimento típico de uma “república de bananas”.

“Não vejo assim. Vejo isso como um processo muito maior, que no Brasil tem configurações próprias, nacionais, mas está dentro de um processo de expansão e reestruturação do neoliberalismo nessa fase da globalização que, em cada país, se dá de acordo com sua cultura, não só no sentido geral, mas no sentido da cultura do sistema midiático, e agora surge com todo seu ‘esplendor’ nesta fase do conflito político.”

Para Blotta, com a realidade trazida pela internet, há uma perspectiva de ampliar o “espectro de vozes” que podem se fazer ouvir no âmbito das comunicações. Mas, mesmo essa saída, apontada por profissionais progressistas dos meios de comunicação e analistas de mídia como um contraponto ao poder midiático dos grandes grupos de comunicação, deve ser vista com reservas.

“Com a concentração, em termos de canais provedores de internet ou grandes empresas de conteúdo e aplicativos como Google e Facebook, também vai sendo gerada uma certa homogeneização, o que dá uma falsa impressão de espaço mais democrático. Tenho estado um pouco cético quanto a isso”, diz Blotta.

Nessa realidade que, para muitos, não permite que se veja luz no fim do túnel, a evolução para um cenário mais favorável à cidadania pode ser possível, mas com avanços lentos e pontuais. “Em termos de estrutura dos meios e de regras de concessão, sou um pouco cético quanto às perspectivas. Acho que são pequenas reformas que podem talvez levar a uma melhora, mais do que um grande marco geral de comunicações, que acho muito difícil de ser aprovado”, diz Blotta. "O Marco Civil da Internet precisa ser protegido."

Transcrito de http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/04/midia-tem-o-papel-de-domesticar-populacao-em-nova-fase-do-neoliberalismo-6861.html



Salve-se ou perca-se


Dia D, Homenagem a Carlos Drummond de Andrade no Sem Censura (TV Brasil)