sexta-feira, 1 de abril de 2016

Em defesa do governo Dilma e por legalidade, milhares lotam Esplanada dos Ministérios

Ato com 100 mil pessoas, segundo os organizadores, e 50 mil, conforme a
Polícia Militar, teve participação de deputados e senadores de vários estados

Hylda Cavalcanti (RBA)

Brasília – Cem mil pessoas, segundo os organizadores, e 50 mil, conforme a Polícia Militar, entre representantes de movimentos sociais, trabalhadores rurais, sindicalistas e até indígenas de etnias diversas, bem como seringueiros, estudantes e servidores públicos encheram a Esplanada dos Ministérios, nesta quinta-feira (31), durante mobilização contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e pela legalidade no país. O movimento foi pacífico, e observado em vários pontos da capital, porque os grupos saíram concentrados de pontos e bairros diversos. Eles se juntaram por volta das 16h30, em frente ao Museu da República e, de lá, caminharam unidos pela Esplanada até o Congresso Nacional, quando a mobilização recebeu a adesão de parlamentares.

Manifestantes em defesa do Governo Dima, das eleições realizadas e da democracia

Marcaram o encontro faixas gigantes destacando a importância da Constituição, caras pintadas, muitos cartazes do período de campanha eleitoral da presidenta Dilma e pessoas com bandeiras da CUT, do PT e do Brasil. Também foram observadas muitas crianças, levadas pelos pais e demais familiares.

A passeata, contra o processo de impeachment, terminou sendo mais destacada em Brasília por apresentar muitas faixas e cartazes com críticas ao vice-presidente, Michel Temer, o PMDB e presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do que de apoio à presidenta, propriamente. “Está claro que estamos aqui em solidariedade à presidenta e às garantias constitucionais. Mas não podemos perder a oportunidade para denunciar o golpismo e oportunismo neste país, comandados por estes senhores”, disse o motorista Robson Silveira, que levou uma faixa contra Temer.

Também se destacou na manifestação, a exemplo da passeata que foi realizada no início de março, a quantidade de cartazes com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda da época de sua reeleição, em 2006. “Lula de novo, com a força do povo”, afirmava uma grande faixa carregada por estudantes da Universidade de Brasília (UnB), que se aglomeram em frente ao Ministério do Desenvolvimento Social.

No gramado do Congresso Nacional, também foi grande a movimentação de pessoas que preferiram ir direto para lá e aguardar a chegada da passeata – até por conta do trânsito ao redor do trecho, que estava bastante engarrafado por conta dos bloqueios colocados pela Polícia Militar e Detran.

'Golpe, nós já vimos'

Apesar do grande número de ônibus fretados levados por representantes de movimentos sociais e de moradores da região do entorno do Distrito Federal, a passeata contou com a participação de muitos cidadãos que resolveram se unir à mobilização, sem fazer parte de um grupo ou entidade organizada. Foi o caso do professor Ariclê Ribeiro, que acompanha a caminhada ao lado da mulher, Ana Rita Ribeiro e o filho, Camilo, de 16 anos.

“Viemos prestar nossa solidariedade e fazer a nossa parte, para impedir que a democracia deixe de existir neste país. Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe e golpe nós já vimos. Sabemos que não é o melhor para o Brasil”, afirmou Ariclê.

Também a servidora pública Ana Elisa Bezerra, do Governo do Distrito Federal, se reuniu a amigas para ocupar a Esplanada. “Estamos aqui para mostrar que a corrupção está do outro lado, dizer que não concordamos com o oportunismo e que vamos lutar, resistir até o fim para que a inclusão social e os programas que reduzem as desigualdades tenham continuidade. E isso só é possível com o governo que aí está”, enfatizou.

Em frente ao Estádio Mané Garrincha, um grupo de 70 indígenas da etnia Xakriabá, de Minas Gerais, fazia pinturas no corpo e se preparava para seguir até a Esplanada. Eles chegaram à capital esta manhã, para participar da manifestação e carregam uma grande faixa que afirmava “Não vai ter golpe”.

“Isso aqui é um encontro cívico. Não estamos defendendo por esse ou aquele grupo político, mas defendendo o país e a democracia. Por isso, esta solidariedade à presidenta de forma tão eclética. E é preciso essa tomada de consciência por parte de toda a população brasileira”, disse Aline Albuquerque, representante da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Transcrito de http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/03/em-brasilia-100-mil-pessoas-ja-estao-na-esplanada-dos-ministerios-para-seguir-em-passeata-595.html


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10 coisas que o Brasil inteiro precisa saber

O pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff não tem NADA A VER com
a Operação Lava Jato, nem com qualquer outra iniciativa de combate à corrupção.

Igor Fuser *

É preciso avisar tod@s @s brasileir@s, informar de um modo tão claro e objetivo que até as carrancas do Rio São Francisco tenham conhecimento de que:

1. O pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff não tem NADA A VER com a Operação Lava Jato, nem com qualquer outra iniciativa de combate à corrupção. Dilma não é acusada de roubar um único centavo. O pretexto usado pelos políticos da oposição para tentar afastá-la do governo, a chamada “pedalada fiscal”, é um procedimento de gestão do orçamento público de rotina em todos os níveis de governo, federal, estadual e municipal, e foi adotado nos mandatos de Fernando Henrique e de Lula sem qualquer problema. Ela, simplesmente, colocou dinheiro da Caixa Econômica Federal em programas sociais, para conseguir fechar as contas e, no ano seguinte, devolveu esse dinheiro à Caixa. Não obteve nenhum benefício pessoal e nem os seus piores inimigos conseguem acusá-la de qualquer ato de corrupção.

Porque as quase 200 pessoas investigadas e condenadas na Lava Jato não serão depostas
ou presas, mas apenas a que não é investigada e não responde por nenhum processo?

2. O impeachment é um golpe justamente por isso, porque a presidente só pode ser afastada se estiver comprovado que ela cometeu um crime - e esse crime não aconteceu, tanto que, até agora, o nome de Dilma tem ficado de fora de todas as investigações de corrupção, pois não existe, contra ela, nem mesma a mínima suspeita.

3. Ao contrário da presidenta Dilma, os políticos que pedem o afastamento estão mais sujos que pau de galinheiro. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que como presidente da Câmara é o responsável pelo processo do impeachment, recebeu mais de R$ 52 milhões só da corrupção na Petrobrás e é dono de depósitos milionários em contas secretas na Suíça e em outros paraísos fiscais. Na comissão de deputados que analisará o pedido de impeachment, com 65 integrantes, 37 (mais da metade!) estão na mira da Justiça, investigados por corrupção. Se eles conseguirem depor a presidenta, esperam receber, em troca, a impunidade pelas falcatruas cometidas.

4. Quem lidera a campanha pelo impeachment é o PSDB, partido oposicionista DERROTADO nas eleições presidenciais de 2014. Seu candidato, Aecio Neves, alcançar no tapetão o mesmo resultado político que não foi capaz de obter nas urnas, desrespeitando o voto de 54.499.901 brasileiros e brasileiras que votaram em Dilma (3,4% mais do que os eleitores de Aecio no segundo turno).

5. Se o golpe se consumar, a oposição colocará em prática todas as propostas elitistas e autoritárias que Aecio planejava implementar se tivesse ganho a eleição. O presidente golpista irá, com toda certeza, mudar as leis trabalhistas, em prejuízo dos assalariados; revogar a política de valorização do salário mínimo; implantar a terceirização irrestrita da mão-de-obra; entregar as reservas de petróleo do pré-sal às empresas transnacionais (como defende o senador José Serra); privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal; introduzir o ensino pago nas universidades federais, como primeiro passo para a sua privatização; reprimir os movimentos sociais e a liberdade de expressão na internet; expulsar os cubanos que trabalham no Programa Mais Médicos; dar sinal verde ao agronegócio para se apropriar das terras indígenas; eliminar a política externa independente, rebaixando o Brasil ao papel de serviçal dos Estados Unidos. É isso, muito mais do que o mandato da presidenta Dilma ou o futuro político de Lula, o que está em jogo na batalha do impeachment.

6. É um engano supor que a economia irá melhorar depois de uma eventual mudança na presidência da república. Todos os fatores que conduziram o país à atual crise continuarão presentes, com vários agravantes. A instabilidade política será a regra. Os líderes da atual campanha golpista passarão a se digladiar pelo poder, como piranhas ao redor de um pedaço de carne. E Dilma será substituída por um sujeito fraco, Michel Temer, mais interessado em garantir seu futuro (certamente uma cadeira no Supremo Tribunal Federal) e em se proteger das denúncias de corrupção do que em governar efetivamente. A inflação continuará aumentando, e o desemprego também.

7. No plano político, o Brasil mergulhará num período caótico, de forte instabilidade. A derrubada de uma presidenta eleita, sacramentada pelo voto, levará o país em que, pela primeira vez desde o fim do regime militar, estará à frente do Executivo um mandatário ilegítimo, contestado por uma enorme parcela da sociedade.

8. O conflito dará a tônica da vida social. As tendências fascistas, assanhadas com o golpe, vão se sentir liberadas para pôr em prática seus impulsos violentos, expressos, simbolicamente, nas imagens de bonecos enforcados exibindo o boné do MST ou a estrela do PT e, de uma forma mais concreta, nas invasões e atentados contra sindicatos e partidos políticos, nos ataques selvagens a pessoas cujo único crime é o de vestir uma camisa vermelha. O líder dessa corrente de extrema-direita, o deputado Jair Bolsonaro, já defendeu abertamente, num dos comícios pró-impeachment, que cada fazendeiro carregue consigo um fuzil para matar militantes do MST. 

9. Os sindicatos e os movimentos sociais não ficarão de braços cruzados diante da truculência da direita e da ofensiva governista e patronal contra os direitos sociais durante conquistados nas últimas duas décadas. Vão resistir por todos os meios – greves, ocupações de terras, bloqueio de estradas, tomada de imóveis, e muito mais. O Brasil se tornará um país conflagrado, por culpa da irresponsabilidade e da ambição desmedida de meia dúzia de políticos incapazes de chegar ao poder pelo voto popular. Isso é o que nos espera se o golpe contra a presidenta Dilma vingar.

10. Mas isso não acontecerá. A mobilização da cidadania em defesa da legalidade e da democracia está crescendo, com a adesão de mais e mais pessoas e movimentos, independentemente de filiação partidária, de crença religiosa e de apoiar ou não as políticas oficiais. A opinião de cada um de nós a respeito do PT ou do governo Dilma já não é o que importa. Está em jogo a democracia, o respeito ao resultado das urnas e à norma constitucional que proíbe a aplicação de impeachment sem a existência de um crime que justifique essa medida extrema. Mais e mais brasileiros estão percebendo isso e saindo às ruas contra os golpistas. Neste dia 31 de março, a resistência democrática travará mais uma batalha decisiva.

É essencial a participação de todos, em cada canto do Brasil, Todos precisamos sair às ruas, em defesa da legalidade, da Constituição e dos direitos sociais. Todos juntos! O fascismo não passará! Não vai ter golpe!

(*) O texto incorpora trechos de artigos de Jeferson Miola e de Fabio Garrido. Igor Fuser é professor de relações internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC).

Transcrito de http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/10-coisas-que-o-Brasil-inteiro-precisa-saber%0A/4/35808

ONU condena onda de violência sexista contra Dilma

A ONU  Mulheres Brasil divulgou dia 24, uma nota na qual condena a violência de ordem sexista que vem sendo praticada contra a presidenta Dilma Rousseff. "Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero", diz o comunicado, assinado pela representante da entidade, Nadine Gasman.

Dilma é a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil. Por questões políticas, têm sido vítima de xingamentos sexistas, de depreciação da figura da mulher e outras violências que a atacam enquanto mulher. Mensagens com esses tipos xingamentos, algumas bastante agressivas, ofensivas e com palavras de baixo calão, são vistas em cartazes e ouvidas durante protestos contra a petista.

A nota diz que a ONU Mulheres observa "com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito" e destaca ainda que, nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. "São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa", diz.

Leia a nota na íntegra:

A ONU Mulheres observa com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito.

Aos poderes da República, a ONU Mulheres conclama a preservação da legalidade, como condição máxima das garantias estabelecidas na Constituição Federal de 1988 e nos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

À sociedade brasileira, a ONU Mulheres pede serenidade nas manifestações e não-violência frente aos debates públicos necessários para a condução democrática dos rumos políticos do país. O debate saudável entre opiniões divergentes deve ser parte intrínseca da prática cidadã em uma democracia.

Nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa.

Como defensora dos direitos de mulheres e meninas no mundo, a ONU Mulheres condena todas as formas de violência contra as mulheres, inclusive a violência política de ordem sexista contra a Presidenta da República, Dilma Rousseff. Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero – prática patriarcal e misógina que invalida a dignidade humana.

Que o legado da democracia brasileira, considerado referência no mundo e especialmente na América Latina e Caribe, seja guia para as soluções da crise política.

Nadine Gasman
Representante da ONU Mulheres Brasil

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/impeachment/onu-mulheres-condena-violencia-sexista-praticada-contra-dilma,09cce81d62ff2ea13ea1b805d99a61e7crrt32hn.html

A importância da leitura infantil para o desenvolvimento da criança

O estudo realizado tem por objetivo, verificar a contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança. Ao longo dos anos, a educação preocupa-se em contribuir para a formação de um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade. Isso porque se vive em uma sociedade onde as trocas sociais acontecem rapidamente, seja através da leitura, da escrita, da linguagem oral ou visual.

Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.



Esta pesquisa visa a enfocar toda a importância que a literatura infantil possui, ou seja, que ela é fundamental para a aquisição de conhecimentos, recreação, informação e interação necessários ao ato de ler. De acordo com as idéias acima, percebe-se a necessidade da aplicação coerente de atividades que despertem o prazer de ler, e estas devem estar presentes diariamente na vida das crianças, desde bebês. Conforme Silva (1992, p.57) “bons livros poderão ser presentes e grandes fontes de prazer e conhecimento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.”

Apesar da grande importância que a literatura exerce na vida da criança, seja no desenvolvimento emocional ou na capacidade de expressar melhor suas idéias, em geral, de acordo com Machado (2001), elas não gostam de ler e fazem-no por obrigação. Mas afinal, por que isso acontece? Talvez seja pela falta de exemplo dos pais ou dos professores, talvez não.

O que se percebe é que a literatura, bem como toda a cultura criadora e questionadora, não está sendo explorada como deve nas escolas e isto ocorre em grande parte, pela pouca informação dos professores. A formação acadêmica, infelizmente não dá ênfase à leitura e esta é uma situação contraditória, pois segundo comentário de Machado (2001, p.45) “não se contrata um instrutor de natação que não sabe nadar, no entanto, as salas de aula brasileira estão repletas de pessoas que apesar de não ler, tentam ensinar”.

Existem dois fatores que contribuem para que a criança desperte o gosto pela leitura: curiosidade e exemplo. Neste sentido, o livro deveria ter a importância de uma televisão dentro do lar. Os pais deveriam ler mais para os filhos e para si próprios. No entanto, de acordo com a UNESCO (2005) somente 14% da população tem o hábito de ler, portanto, pode-se afirmar que a sociedade brasileira não é leitora. Nesta perspectiva, cabe a escola desenvolver na criança o hábito de ler por prazer, não por obrigação.

Contextualizando Literatura Infantil

Os primeiros livros direcionados ao público infantil, surgiram no século XVIII. Autores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam suas obras, enfocando principalmente os contos de fadas. De lá pra cá, a literatura infantil foi ocupando seu espaço e apresentando sua relevância. Com isto, muitos autores foram surgindo, como Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e Monteiro Lobato, imortalizados pela grandiosidade de suas obras. Nesta época, a literatura infantil era tida como mercadoria, principalmente para a sociedade aristocrática. Com o passar do tempo, a sociedade cresceu e modernizou-se por meio da industrialização, expandindo assim, a produção de livros.

A partir daí os laços entre a escola e literatura começam a se estreitar, pois para adquirir livros era preciso que as crianças dominassem a língua escrita e cabia a escola desenvolver esta capacidade. De acordo com Lajolo & Zilbermann, “a escola passa a habilitar as crianças para o consumo das obras impressas, servindo como intermediária entre a criança e a sociedade de consumo”. (2002, p.25)

Assim, surge outro enfoque relevante para a literatura infantil, que se tratava na verdade de uma literatura produzida para adultos e aproveitada para a criança. Seu aspecto didático-pedagógico de grande importância baseava-se numa linha moralista, paternalista, centrada numa representação de poder. Era, portanto, uma literatura para estimular a obediência, segundo a igreja, o governo ou ao senhor. Uma literatura intencional, cujas histórias acabavam sempre premiando o bom e castigando o que é considerado mau. Segue à risca os preceitos religiosos e considera a criança um ser a se moldar de acordo com o desejo dos que a educam, podando-lhe aptidões e expectativas.

Até as duas primeiras décadas do século XX, as obras didáticas produzidas para a infância, apresentavam um caráter ético-didático, ou seja, o livro tinha a finalidade única de educar, apresentar modelos, moldar a criança de acordo com as expectativas dos adultos. A obra dificilmente tinha o objetivo de tornar a leitura como fonte de prazer, retratando a aventura pela aventura. Havia poucas histórias que falavam da vida de forma lúdica, ou que faziam pequenas viagens em torno do cotidiano, ou a afirmação da amizade centrada no companheirismo, no amigo da vizinhança, da escola, da vida.

Essa visão de mundo maniqueísta, calçada no interesse do sistema, passa a ser substituída por volta dos anos 70 e a literatura infantil passa por uma revalorização, contribuída em grande parte pelas obras de Monteiro Lobato, no que se refere ao Brasil. Ela então, se ramifica por todos os caminhos da atividade humana, valorizando a aventura, o cotidiano, a família, a escola, o esporte, as brincadeiras, as minorias raciais, penetrando até no campo da política e suas implicações.

Hoje a dimensão de literatura infantil é muito mais ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutíveis. Segundo Abramovich (1997) quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos.

É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica...É ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula (ABRAMOVICH, 1997, p.17)

Neste sentido, quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva,extremamente relevante à sua formação cognitiva.

Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar, indagar, duvidar ou discutir sobre ela, realiza uma interação verbal, que neste caso, vem ao encontro das noções de linguagem de Bakhtin (1992). Para ele, o confrontamento de idéias, de pensamentos em relação aos textos, tem sempre um caráter coletivo, social.

O conhecimento é adquirido na interlocução, o qual evolui por meio do confronto, da contrariedade. Assim, a linguagem segundo Bakthin (1992) é constitutiva, isto é, o sujeito constrói o seu pensamento, a partir do pensamento do outro, portanto, uma linguagem dialógica.

A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo: interrogar, escutar, responder, concordar, etc. Neste diálogo, o homem participa todo e com toda a sua vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, com o corpo todo, com as suas ações. Ele se põe todo na palavra e esta palavra entra no tecido dialógico da existência humana, no simpósio universal. (BAKHTIN, 1992, p112)

E é partindo desta visão da interação social e do diálogo, que se pretende compreender a relevância da literatura infantil, que segundo afirma Coelho (2001, p.17), “é um fenômeno de linguagem resultante de uma experiência existencial, social e cultural.”

A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. Segundo Coelho (2002) a leitura, no sentido de compreensão do mundo é condição básica do ser humano.

A compreensão e sentido daquilo que o cerca inicia-se quando bebê, nos primeiros contatos com o mundo. Os sons, os odores, o toque, o paladar, de acordo com Martins (1994) são os primeiros passos para aprender a ler.Ler, no entanto é uma atividade que implica não somente a decodificação de símbolos, ela envolve uma série de estratégias que permite o indivíduo compreender o que lê. Neste sentido, relata os PCN’s (2001, p.54.):

Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade.

Assim, pode-se observar que a capacidade para aprender está ligada ao contexto pessoal do indivíduo. Desta forma, Lajolo (2002) afirma que cada leitor, entrelaça o significado pessoal de suas leituras de mundo, com os vários significados que ele encontrou ao longo da história de um livro, por exemplo.

O ato de ler então, não representa apenas a decodificação, já que esta não está imediatamente ligada a uma experiência, fantasia ou necessidade do indivíduo. De acordo com os PCN’s (2001) a decodificação é apenas uma, das várias etapas de desenvolvimento da leitura. A compreensão das idéias percebidas, a interpretação e a avaliação são as outras etapas que segundo Bamberguerd (2003, p.23) “fundem-se no ato da leitura”. Desta forma, trabalhar com a diversidade textual, segundo os PCN’s (2001), fazendo com que o indivíduo desenvolva significativamente as etapas de leitura é contribuir para a formação de leitores competentes.

A importância de ouvir histórias

Ouvir histórias é um acontecimento tão prazeroso que desperta o interesse das pessoas em todas as idades. Se os adultos adoram ouvir uma boa história, um “bom causo”, a criança é capaz de se interessar e gostar ainda mais por elas, já que sua capacidade de imaginar é mais intensa.

A narrativa faz parte da vida da criança desde quando bebê, através da voz amada, dos acalantos e das canções de ninar, que mais tarde vão dando lugar às cantigas de roda, a narrativas curtas sobre crianças, animais ou natureza. Aqui, crianças bem pequenas, já demonstram seu interesse pelas histórias, batendo palmas, sorrindo, sentindo medo ou imitando algum personagem. Neste sentido, é fundamental para a formação da criança que ela ouça muitas histórias desde a mais tenra idade.

O primeiro contato da criança com um texto é realizado oralmente, quando o pai, a mãe, os avós ou outra pessoa conta-lhe os mais diversos tipos de histórias. A preferida, nesta fase, é a história da sua vida. A criança adora ouvir como foi que ela nasceu, ou fatos que aconteceram com ela ou com pessoas da sua família. À medida que cresce, já é capaz de escolher a história que quer ouvir, ou a parte da história que mais lhe agrada. É nesta fase, que as histórias vão tornando-se aos poucos mais extensas, mais detalhadas.

A criança passa a interagir com as histórias, acrescenta detalhes, personagens ou lembra de fatos que passaram despercebidos pelo contador. Essas histórias reais são fundamentais para que a criança estabeleça a sua identidade, compreender melhor as relações familiares. Outro fato relevante é o vínculo afetivo que se estabelece entre o contador das histórias e a criança. Contar e ouvir uma história aconchegado a quem se ama é compartilhar uma experiência gostosa, na descoberta do mundo das histórias e dos livros.

Algum tempo depois, as crianças passam a se interessar por histórias inventadas e pelas histórias dos livros, como: contos de fadas ou contos maravilhosos, poemas, ficção, etc. Têm nesta perspectiva, a possibilidade de envolver o real e o imaginário que de acordo com Sandroni & Machado (1998, p.15) afirmam que “os livros aumentam muito o prazer de imaginar coisas. A partir de histórias simples, a criança começa a reconhecer e interpretar sua experiência da vida real”.

É importante contar histórias mesmo para as crianças que já sabem ler, pois segundo Abramovich (1997, p.23) “quando a criança sabe ler é diferente sua relação com as histórias, porém, continua sentindo enorme prazer em ouvi-las”. Quando as crianças maiores ouvem as histórias, aprimoram a sua capacidade de imaginação, já que ouvi-las pode estimular o pensar, o desenhar, o escrever, o criar, o recriar. Num mundo hoje tão cheio de tecnologias, onde as informações estão tão prontas, a criança que não tiver a oportunidade de suscitar seu imaginário, poderá no futuro, ser um indivíduo sem criticidade, pouco criativo, sem sensibilidade para compreender a sua própria realidade.

Portanto, garantir a riqueza da vivência narrativa desde os primeiros anos de vida da criança contribui para o desenvolvimento do seu pensamento lógico e também de sua imaginação,que segundo Vigotsky (1992, p.128) caminham juntos: “a imaginação é um momento totalmente necessário, inseparável do pensamento realista.”. Neste sentido, o autor enfoca que na imaginação a direção da consciência tende a se afastar da realidade. Esse distanciamento da realidade através de uma história por exemplo, é essencial para uma penetração mais profunda na própria realidade: “afastamento do aspecto externo aparente da realidade dada imediatamente na percepção primária possibilita processos cada vez mais complexos, com a ajuda dos quais a cognição da realidade se complica e se enriquece. (VIGOTSKY, 1992, p.129) ”.

O contato da criança com o livro pode acontecer muito antes do que os adultos imaginam. Muitos pais acreditam que a criança que não sabe ler não se interessa por livros, portanto não precisa ter contato com eles. O que se percebe é bem ao contrário. Segundo Sandroni & Machado (2000, p.12) “a criança percebe desde muito cedo, que livro é uma coisa boa, que dá prazer”. As crianças bem pequenas interessam-se pelas cores, formas e figuras que os livros possuem e que mais tarde, darão significados a elas, identificando-as e nomeando-as.

É importante que o livro seja tocado pela criança, folheado, de forma que ela tenha um contato mais íntimo com o objeto do seu interesse.A partir daí, ela começa a gostar dos livros, percebe que eles fazem parte de um mundo fascinante, onde a fantasia apresenta-se por meio de palavras e desenhos. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p.16) “o amor pelos livros não é coisa que apareça de repente”. É preciso ajudar a criança a descobrir o que eles podem oferecer. Assim, pais e professores têm um papel fundamental nesta descoberta: serem estimuladores e incentivadores da leitura.

A literatura e os estágios psicológicos da criança

Durante o seu desenvolvimento, a criança passa por estágios psicológicos que precisam ser observados e respeitados no momento da escola de livros para ela. Essas etapas não dependem exclusivamente de sua idade, mas de acordo com Coelho (2002) do seu nível de amadurecimento psíquico, afetivo e intelectual e seu nível de conhecimento e domínio do mecanismo da leitura. Neste sentido, é necessária a adequação dos livros às diversas etapas pelas quais a criança normalmente passa. Existem cinco categorias que norteiam as fases do desenvolvimento psicológico da criança: o pré-leitor, o leitor iniciante, o leitor-em-processo, o leitor fluente e o leitor crítico.

O pré-leitor: categoria que abrange duas fases.Primeira infância (dos 15/17 meses aos 3 anos) Nesta fase a criança começa a reconhecer o mundo ao seu redor através do contato afetivo e do tato. Por este motivo ela sente necessidade de pegar ou tocar tudo o que estiver ao seu alcance. Outro momento marcante nesta fase é a aquisição da linguagem, onde a criança passa a nomear tudo a sua volta. A partir da percepção da criança com o meio em que vive, é possível estimulá-la oferecendo-lhe brinquedos, álbuns, chocalhos musicais, entre outros. Assim, ela poderá manuseá-los e nomeá-los e com a ajuda de um adulto poderá relacioná-los propiciando situações simples de leitura.

Segunda infância (a partir dos 2/3 anos) É o início da fase egocêntrica. Está mais adaptada ao meio físico e aumenta sua capacidade e interesse pela comunicação verbal. Como interessa-se também por atividades lúdicas, o “brincar”com o livro será importante e significativo para ela.

Nesta fase, os livros adequados, de acordo com Abramovich (1997) devem apresentar um contexto familiar, com predomínio absoluto da imagem que deve sugerir uma situação. Não se deve apresentar texto escrito, já que é através da nomeação das coisas que a criança estabelecerá uma relação entre a realidade e o mundo dos livros.

Livros que propõem humor, expectativa ou mistério são indicados para o pré-leitor

A técnica da repetição ou reiteração de elementos são segundo Coelho (2002, p.34) “favoráveis para manter a atenção e o interesse desse difícil leitor a ser conquistado”. O leitor iniciante (a partir dos 6/7 anos) Essa é a fase em que a criança começa a apropriar-se da decodificação dos símbolos gráficos, mas como ainda encontra-se no início do processo, o papel do adulto como “agente estimulador” é fundamental.

Os livros adequados nesta fase devem ter uma linguagem simples com começo, meio e fim. As imagens devem predominar sobre o texto. As personagens podem ser humanas, bichos, robôs, objetos, especificando sempre os traços de comportamento, como bom e mau, forte e fraco, feio e bonito. Histórias engraçadas, ou que o bem vença o mal atraem muito o leitor nesta fase. Indiferentemente de se utilizarem textos como contos de fadas ou do mundo cotidiano, de acordo com Coelho (ibid, p. 35) “eles devem estimular a imaginação, a inteligência, a afetividade, as emoções, o pensar, o querer, o sentir”.

O leitor-em-processo (a partir dos 8/9anos) A criança nesta fase já domina o mecanismo da leitura. Seu pensamento está mais desenvolvido, permitindo-lhe realizar operações mentais. Interessa-se pelo conhecimento de toda a natureza e pelos desafios que lhes são propostos. O leitor desta fase tem grande atração por textos em que haja humor e situações inesperadas ou satíricas. O realismo e o imaginário também agradam a este leitor. Os livros adequados a esta fase devem apresentar imagens e textos, estes, escritos em frases simples, de comunicação direta e objetiva. De acordo com Coelho (2002) deve conter início, meio e fim. O tema deve girar em torno de um conflito que deixará o texto mais emocionante e culminar com a solução do problema.

O leitor fluente (a partir dos 10/11 anos) O leitor fluente está em fase de consolidação dos mecanismos da leitura. Sua capacidade de concentração cresce e ele é capaz de compreender o mundo expresso no livro. Segundo Coelho (2002) é a partir dessa fase que a criança desenvolve o “pensamento hipotético dedutivo” e a capacidade de abstração. Este estágio, chamado de pré-adolescência, promove mudanças significativas no indivíduo. Há um sentimento de poder interior, de ver-se como um ser inteligente, reflexivo, capaz de resolver todos os seus problemas sozinhos. Aqui há uma espécie de retomada do egocentrismo infantil, pois assim como acontece com as crianças nesta fase, o pré-adolescente pode apresentar um certo desequilíbrio com o meio em que vive.

O leitor fluente é atraído por histórias que apresentem valores políticos e éticos, por heróis ou heroínas que lutam por um ideal. Identificam-se com textos que apresentam jovens em busca de espaço no meio em que vivem, seja no grupo, equipe, entre outros.É adequado oferecer a esse tipo de leitor histórias com linguagem mais elaborada. As imagens já não são indispensáveis, porém ainda são um elemento forte de atração. Interessam-se por mitos e lendas, policiais, romances e aventuras. Os gêneros narrativos que mais agradam são os contos, as crônicas e as novelas.

O leitor crítico (a partir dos 12/13 anos) Nesta fase é total o domínio da leitura e da linguagem escrita. Sua capacidade de reflexão aumenta, permitindo-lhe a intertextualização. Desenvolve gradativamente o pensamento reflexivo e a consciência crítica em relação ao mundo. Sentimentos como saber, fazer e poder são elementos que permeiam o adolescente. O convívio do leitor crítico com o texto literário, segundo Coelho (2002, p.40) “deve extrapolar a mera fruição de prazer ou emoção e deve provocá-lo para penetrar no mecanismo da leitura”.

O leitor crítico continua a interessar-se pelos tipos de leitura da fase anterior, porém, é necessário que ele se aproprie dos conceitos básicos da teoria literária. De acordo com Coelho (ibid, p.40) a literatura é considerada a arte da linguagem e como qualquer arte exige uma iniciação. Assim, há certos conhecimentos a respeito da literatura que não podem ser ignorados pelo leitor crítico.

Conclusão

Desenvolver o interesse e o hábito pela leitura é um processo constante, que começa muito cedo, em casa, aperfeiçoa-se na escola e continua pela vida inteira. Existem diversos fatores que influenciam o interesse pela leitura. O primeiro e talvez mais importante é determinado pela “atmosfera literária” que, segundo Bamberguerd (2000, p.71) a criança encontra em casa. A criança que houve histórias desde cedo, que tem contato direto com livros e que seja estimulada, terá um desenvolvimento favorável ao seu vocabulário, bem como a prontidão para a leitura.

De acordo com Bamberguerd (2000) a criança que lê com maior desenvoltura se interessa pela leitura e aprende mais facilmente, neste sentido, a criança interessada em aprender se transforma num leitor capaz. Sendo assim, pode-se dizer que a capacidade de ler está intimamente ligada a motivação. Infelizmente são poucos os pais que se dedicam efetivamente em estimular esta capacidade nos seus filhos. Outro fator que contribui positivamente em relação à leitura é a influência do professor. Nesta perspectiva, cabe ao professor desempenhar um importante papel: o de ensinar a criança a ler e a gostar de ler.

Professores que oferecem pequenas doses diárias de leitura agradável, sem forçar, mas com naturalidade, desenvolverão na criança um hábito que poderá acompanhá-la pela vida afora. Para desenvolver um programa de leitura equilibrado, que integre os conteúdos relacionados ao currículo escolar e ofereça uma certa variedade de livros de literatura como contos, fábulas e poesias, é preciso que o professor observe a idade cronológica da criança e principalmente o estágio de desenvolvimento de leitura em que ela se encontra. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p.23) “o equilíbrio de um programa de leitura depende muito mais do bom senso e da habilidade do professor que de uma hipotética e inexistente classe homogênea”.

Assim, as condições necessárias ao desenvolvimento de hábitos positivos de leitura, incluem oportunidades para ler de todas as formas possíveis. Freqüentar livrarias, feiras de livros e bibliotecas são excelentes sugestões para tornar permanente o hábito de leitura.

Num mundo tão cheio de tecnologias em que se vive, onde todas as informações ou notícias, músicas, jogos, filmes, podem ser trocados por e-mails, cd’s e dvd’s o lugar do livro parece ter sido esquecido. Há muitos que pensem que o livro é coisa do passado, que na era da Internet, ele não tem muito sentido. Mas, quem conhece a importância da literatura na vida de uma pessoa, quem sabe o poder que tem uma história bem contada, quem sabe os benefícios que uma simples história pode proporcionar, com certeza haverá de dizer que não há tecnologia no mundo que substitua o prazer de tocar as páginas de um livro e encontrar nelas um mundo repleto de encantamento.

Se o professor acreditar que além de informar, instruir ou ensinar, o livro pode dar prazer, encontrará meios de mostrar isso à criança. E ela vai se interessar por ele, vai querer buscar no livro esta alegria e prazer. Tudo está em ter a chance de conhecer a grande magia que o livro proporciona. Enfim, a literatura infantil é um amplo campo de estudos que exige do professor conhecimento para saber adequar os livros às crianças, gerando um momento propício de prazer e estimulação para a leitura.

Transcrito de http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-importancia-literatura-infantil-para-desenvolvimento.htm

Piquenique da leitura inicia atividades de 2016 em Oeiras-PI

Na garantia de incentivar a leitura e oportunizar que muitas crianças adentrem no universo mágico das letras, a Prefeitura de Oeiras iniciou no último dia 04 de março a temporada do Piquenique da Leitura 2016. O projeto é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, em parceria com a Biblioteca Municipal de Oeiras e a Secretaria Municipal de Educação.



Na primeira edição deste ano ocorreu na Praça das Vitórias e recebeu a visita dos alunos da Escola Municipal Lourenço Barbosa Castelo Branco (Maçonaria). De acordo com o Secretário Municipal de Cultura, Stefano Ferreira, o Piquenique da Leitura faz parte do Programa de Democratização e Incentivo à Leitura, juntamente com a Hora da Contação e com a Biblioteca Itinerante.

O projeto tem como objetivo oferecer às crianças contato mais direto com o universo literário, através de leituras ao ar livre, contação de histórias e atividades lúdicas diversas, propiciando lazer através dos livros.

Segundo Carminha Rodrigues, uma das responsáveis pelo projeto de leitura, o jovem ou a criança que passa a ter contato com a leitura terá um melhor desempenho nos resultados da escola. Por conta disso a leitura precisa ser encarada com seriedade e um tempo de estudo precisa ser reservado para o ato de ler.

A ação acontece mensalmente em praças públicas, levando alunos de escolas diversas da rede municipal de ensino. Pais e comunidade em geral participam também da ação, onde parte do acervo literário da Biblioteca Municipal é exposto em varais e tapetes espalhados pelas praças, oportunizando o encontro da biblioteca com a comunidade.

Transcrito de meionorte.com

Ensino de Filosofia a crianças leva a aprendizado mais rápido

A Filosofia tem um impacto positivo no aprendizado dos estudantes - e não apenas em conceitos da própria disciplina. Uma pesquisa conduzida no Reino Unido pela Education Endowment Foundation, ONG dedicada à educação para famílias de baixa renda, mostrou que crianças que tiveram Filosofia na escola aprenderam matemática, leitura e escrita (de inglês) mais rapidamente.



O estudo contemplou 3 mil crianças entre nove e dez anos em 48 escolas espalhadas pela Inglaterra que tiveram aulas de Filosofia por um ano.

Os resultados indicam que os alunos avançaram o equivalente a dois meses de aulas no aprendizado. Crianças que tinham dificuldades de aprendizado evoluíram ainda mais: quatro meses em leituras, três meses em matemática e dois meses em escrita.

Segundo os professores, as crianças também se mostraram mais abertas a ouvirem os colegas e ficaram mais confiantes. Além disso, dois anos após a conclusão do experimento, os alunos continuaram a mostrar mais facilidade nos estudos.

Alguns dos impactos não são mensuráveis diretamente. Um professor, por exemplo, disse que após o programa, as crianças se sentiram mais à vontade para fazer questionamentos - transformando a sala em “um ambiente de aprendizagem mais colaborativo”.

Os professores também se sentiram diferentes após o programa. “Agora vejo uma mudança em como respondo às discussões dos meus alunos. Além disso, minha aula envolve muito mais conversas e ouvir mais, além de eu encorajar as opiniões dos estudantes”, disse um tutor aos pesquisadores.

Como o estudo foi feito

O programa usado pelos estudantes britânicos se chama P4C (sigla para Philosophy for Children, ou Filosofia para crianças em português) e foi criado pelo professor Matthew Lippman em Nova Jersey, nos EUA, na década de 1970.

Os estudantes não tiveram que ler textos de Marx ou de Kant, mas foram apresentados a livros, poemas e filmes que trazem discussões sobre temas filosóficos como verdade, justiça e conhecimento.

Nas aulas, os alunos sentavam em círculo com o professor e discutiam os temas. Após os temas serem apresentados e todos discutirem juntos, eles tinham um tempo dedicado à reflexão individual.

Depois, eles deveriam fazer questionamentos sobre o tema e apresentar as perguntas a todos. Por último, passavam a discutir juntos e a procurar respostas para os questionamentos filosóficos.

Kaluan Bernardo - Nexo

Estação das Letras faz programação de aniversário

No mês em que a Estação das Letras comemora duas décadas de vida sob o comando da poeta e professora Suzana Vargas, o escritor Paulo Scott vai ser responsável pelo Clube de Criação e Vivência Literária na casa. Já o músico e compositor Cristiano Mota Mendes divide sua experiência no Diadorim Clube de Leitores.

O primeiro será realizado a partir de abril, em um sábado por mês, sempre das 10h às 16h, com a proposta de os alunos refletirem sobre o ato de escrever, particularmente, no que diz respeito à prosa de ficção.



O segundo clube iniciará suas atividades com o Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, em encontros quinzenais, nos dias 01, 15, 29/04; 13 e 27/05; 10 e 24/06, das 17h30 às 19h30.

As aulas serão realizadas na R. Marquês de Abrantes, 177, no Flamengo, e as inscrições estão abertas aqui: www.estacaodasletras.com.br

A programação do mês conta também com cursos sobre capacitação para o mercado editorial, com Michelle Strzoda, diretora editorial da Babilonia Cultura Editorial, e assessoria de imprensa, com Valéria Martins, fundadora da Oasys Cultural, entre outros.

Sobre a Estação das Letras
Nascida em 1996 para concretizar um sonho pessoal de sua criadora, a poeta e mestre em teoria literária Suzana Vargas, e de um grupo de escritores, entre eles Flávio Moreira da Costa, Victor Giudice, Sérgio Sant’anna e Antônio Torres, a Estação (www.estacaodasletras.com.br) está fazendo 20 anos, com uma bagagem de mais de 15 mil alunos em sua trajetória, e é reconhecida como reduto da literatura nacional no meio do caminho entre o Centro e a Zona Sul do Rio de Janeiro.

A grade de aulas disponibiliza cursos regulares, que duram até quatro meses, oferecidos nas modalidades Introdução e Avançado, e cursos mais rápidos de um ou dois meses, workshops, ciclos de palestras, além de aulas rápidas aos sábados. Em 2015, inaugurou ainda seu “Núcleo de Línguas e Literaturas Estrangeiras”, para difundir o ensino de idiomas estrangeiros no contexto de suas literaturas.

Dessa história merece reverência ainda o serviço fixo de análise de originais, criado há uma década, atendendo a autores de todas as regiões do país.

Para empresas, há cursos direcionados aos funcionários, com o objetivo de treinar a escrita adequada e estimular as capacidades criativa e interativa dos funcionários, bem como ampliar os conhecimentos culturais dos mesmos. A LiterÁrea, livraria da Estação, é um polo a parte para reuniões, lançamentos, confraternizações e, claro, venda de obras escolhidas com muito cuidado.

Os quinze livros mais procurados na Mário de Andrade em SP

Em tempos de tablets e e-readers, ir a uma biblioteca e pegar um livro para ler pode parecer coisa do passado. Mas o fato é que esses locais ainda são muito procurados. Para ter uma ideia, a Mario de Andrade – maior estabelecimento do tipo em São Paulo – emprestou, em 2014, 69.707 livros (no ano passado, o número subiu para 74.100). Além disso, ela atrai 1.200 visitantes diariamente, sendo que 90% deles têm menos de 33 anos.



A biblioteca, inclusive, está em processo de funcionar 24 horas por dia. Por enquanto, apenas as áreas comuns do prédio podem ser acessadas sem horário restrito. A ideia é que, em breve, as seções de acervo – que incluem a Coleção Circulante, a Sala de Artes e a Coleção Geral – também possam ser visitadas a qualquer hora do dia... ou da noite.

Para quem pretende integrar o time de leitores notívagos da Mario de Andrade ou simplesmente costuma frequentá-la independentemente do horário, fomos atrás dos livros mais requisitados da biblioteca em 2015. Saiba quais são eles:

1. Vidas Secas, Graciliano Ramos (86 empréstimos)
O romance publicado em 1938 mostra a vida de Fabiano, Sinhá Vitória, seus filhos e a cachorra Baleia - uma família de sertanejos que é obrigada a se mudar periodicamente para fugir da seca do Nordeste.

2. Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis (60 empréstimos)
Brás Cubas – herdeiro da família Cubas e narrador do livro – conta suas memórias depois de morto e faz a caracterização de todos os personagens da história. A obra ironiza os privilégios da elite brasileira do fim do século XIX.

3. Inferno, Dan Brown (56 empréstimos)
Nesta ficção lançada em 2013, o professor de Simbologia de Harvard Robert Langdon é levado a um mundo angustiante ligado a uma das obras literárias mais longas e misteriosas da história: A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

4. A Cidade e as Serras, Eça de Queirós (52 empréstimos)
No último romance de sua vida, o escritor português compara, por meio do personagem Jacinto, a vida agitada na cidade de Paris ao estilo de vida tranquilo e pacato da cidade de Tormes, no interior de Portugal. 

5. Garota Exemplar, Gillian Flynn (49 empréstimos)
Este suspense narra a história do súbito desaparecimento de Amy Dunne e as dúvidas que circundam o ocorrido. Nick, seu marido, é apontado como o principal suspeito.

6. Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett (49 empréstimos)
Na primeira parte deste romance, o narrador relata suas impressões de viagens, citando trechos de obras literárias, filosóficas e históricas. Na segunda, é contada a história de um drama amoroso que envolve cinco personagens e que tem como pano de fundo os conflitos entre liberais e miguelistas (1830 a 1834).

7. Os Irmãos Karamázov, Dostoiévski (46 empréstimos)
Este clássico da literatura russa fala da conturbada relação entre Fiodor Karamázov e seus três filhos: Aliócha, Ivan e Dmitri.

8. Cidades de Papel, John Green (43 empréstimos)
Desde a infância, Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela sua vizinha, a misteriosa Margo Spiegelman. Um dia, ela invade sua casa e o convida a acompanhá-la num plano de vingança – e ele aceita. No dia seguinte, contudo, a garota desaparece enigmaticamente. Quentin não se conforma e parte em busca de Margo – que não é bem quem ele imaginava que fosse.

9. Casa Grande & Senzala, Gilberto Freyre (40 empréstimos)
A primeira edição da principal obra deste intelectual brasileiro foi publicada em 1933. Nela, Freyre analisa fatos e costumes dos povos que formaram a nação brasileira – da colonização pelos portugueses à época da escravidão.

10. Til, José de Alencar (38 empréstimos)
O romance marca a fase regionalista de José de Alencar. A obra relata o cotidiano numa fazenda do interior paulista do século XIX. A personagem principal é Berta, mais conhecida como Til, caracterizada por ser bondosa e preocupada com todos.

11. Morte Súbita, J.K. Rowling (38 empréstimos)
Lançado em 2012, este best-seller da autora de Harry Potter leva o leitor a Pagford, um vilarejo fictício da Inglaterra. Após a morte de Barry Fairbrother, membro da Câmara de Pagford, a cidade fica em choque e vê seu cotidiano completamente transformado.

12. Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa (37 empréstimos)
Riobaldo é um rico fazendeiro que relembra, ao longo de mais de 600 páginas, suas lutas, seus medos e seu amor reprimido por Diadorim. O personagem conversa com um interlocutor, que não se manifesta diretamente durante o livro. A narrativa simula o próprio sertão, onde acontece a história.

13. Capitães da Areia, Jorge Amado (37 empréstimos)
O romance retrata, de maneira humanizada, um grupo de meninos que vive nas ruas de Salvador. A obra não se limita a mostrar as atitudes violentas desses garotos, mas também suas aspirações e seus pensamentos ingênuos, comuns a qualquer criança.

14. Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire (36 empréstimos)
Nesta obra de 1996, Paulo Freire apresenta uma reflexão sobre a relação entre professores e alunos e propõe práticas pedagógicas que incentivam a autonomia, a capacidade de crítica e a valorização da cultura e de conhecimentos.

15. A Capital da Solidão, Roberto Pompeu de Toledo (35 empréstimos)
A cada capítulo, o autor conta a história da cidade de São Paulo – de quando ainda era a primeira vila do interior do Brasil, no século XIV, até se tornar uma metrópole, em 1900.

Transcrito de Luiza Monteiro - VejaSP

‘Passos no porão’ está entre os finalistas do Jabuti

Os finalistas da 57ª edição do Prêmio Jabuti foram anunciados na noite desta quinta-feira. No total, foram inscritas 2 573 obras em 27 categorias, duas delas inseridas neste ano na premiação, Adaptação e Digital Infantil.

Passos no Porão, de Maria Clara Cavalcanti, está entre os 10 mais cotados na categoria.



“Nas noites em que o vento soprava forte, o menino ouvia passos no porão e, com muito medo, corria para a cama do pai, que o acolhia com braços protetores.  Transformando medo em aconchego, suspense em afago, a especialista Maria Clara Cavalcanti (iiLer PUC-Rio) e o ilustrador Luís Silva oferecem ao leitor uma obra sensível e poética sobre a relações familiares que sobrevivem ao tempo. No livro, as ilustrações opostas à página do texto dialogam e ampliam o horizonte da narrativa. Assim, vemos, por exemplo, o crescimento do menino e a perda do medo. Sugerindo a sobrevivência dos afetos diante da força do tempo, a obra potencializa ainda reflexões sobre confiança, saudade, medo e perspectiva” (Francisco Camêlo, pesquisador do iiLer).

Os três primeiros colocados de cada categoria serão conhecidos em 19 de novembro. Já a entrega do prêmio, bem como o anúncio do Livro do Ano de Ficção e do Livro do Ano de Não Ficção, será em 3 de dezembro.

Estamos na torcida, não só por nossa pesquisadora, autora de vários títulos primorosos, mas pelo livro – texto de uma delicadeza e intensidade literária que merece reconhecimento.

Transcrito de http://iiler.puc-rio.br/2015/10/23/passos-no-porao-de-maria-clara-cavalcanti-esta-entre-os-finalistas-do-jabuti/

PUC-Rio assina acordo de cooperação científica e cultural com a UAQ

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) assinou Convênio de colaboração acadêmica com a Universidad Autónoma de Querétaro (UAQ), do México. Intermediado pelo Instituto Interdisciplinar de Leitura PUC-Rio (iiLer), o convênio tem o propósito de cooperação científica e cultural em diferentes áreas do conhecimento, contemplando formação de estudantes e professores, desenvolvimento de projetos de pesquisa em comum e intercâmbio entre diferentes áreas de interesse.



O acordo prevê também a criação de um grupo de colaboração científica na área de promoção da leitura, com objetivos específicos de pesquisa, ensino e difusão da leitura e da cultura, através de intercâmbio de experiências que contribuam com o fortalecimento dessas áreas do conhecimento.

 A cerimônia de assinatura ocorreu no campus da UAQ, no último dia 30/10.O Reitor da PUC-Rio foi representado pelo prof. Luiz Antônio Coelho, diretor do iiLer, que destacou a importância da cooperação com a UAQ como fundamental para futuros projetos que tratem da leitura em uma abrangência para além da experiência verbal, mas que consideram outras linguagens.

Também presente à cerimônia, o Reitor da UAQ, Gilberto Herrera Ruiz, destacou a importância da promoção da leitura como meio de facilitar a cooperação e o desenvolvimento de novas opções de formação para os universitários das duas instituições. Estiveram presentes, ainda, Mtro. Óscar Guerra Becerra, Procurador Geral da UAQ, Dra. Adriana Gómez, Diretora de Cooperação e Mobilidade Acadêmica, e, representando a Faculdade de Psicologia daquela Universidade, Luis Enrique Puente Garnica, diretor, Fabiola García Martínez e Consuelo Josefina Jaime, respectivamente Secretárias Acadêmica e Administrativa e Professoras Beatriz Soto e Gabriela Calderón.

Transcrito de http://iiler.puc-rio.br/2015/11/26/acordo-com-a-universidad-autonoma-de-queretaro/

Confira cinco hábitos diários para escrever melhor

“O escritor é um homem que, mais do que qualquer outro, tem dificuldade para escrever”, disse o alemão Thomas Mann, vencedor do prêmio Nobel de literatura de 1929.

A frase é um alento para aqueles que sofrem diante da página em branco. As palavras, afinal, exigem suor e empenho até dos artistas mais brilhantes.

Apesar disso, fatores como a influência da tecnologia têm trazido prejuízos adicionais para a escrita do cotidiano, afirma Diogo Arrais, professor de português no Damásio Educacional.



“Com a rapidez trazida pela internet, a maioria dos profissionais precisa se comunicar de uma forma praticamente imediata no trabalho", diz ele.

Com a pressa, sobram mensagens ambíguas e mal construídas - que, por sua vez, podem levar a erros operacionais, conflitos com colegas e até prejuízos financeiros para a empresa.

A influência da comunicação oral e a falta de familiaridade com a escrita também fazem com que muitos textos corporativos sejam infestados de problemas estruturais, diz Rosângela Cremaschi, professora de comunicação escrita na Faap.

"Ambiguidades, redundâncias, clichês, jargões, erros de sintaxe, pontuação incorreta e excesso de estrangeirismos são extremamente comuns", afirma ela.

A boa notícia é que todas essas “pragas” têm remédio. Veja a seguir cinco hábitos sugeridos pelos professores para melhorar a sua redação:

1. Adote um livro de cabeceira 
Você certamente já ouviu que, para escrever bem, é preciso ler muito. Arrais corrobora o conselho e diz mais: escolha um livro do seu interesse e não passe um dia sem abri-lo, nem que seja para ler poucas páginas.

O ideal é priorizar obras de ficção. “Além de trazer repertório gramatical e vocabular, a literatura apresenta analogias e metáforas, o que ajuda a escrever melhor sobre qualquer assunto”, diz o professor do Damásio.

2. Use qualquer pretexto para escrever
Se você prestar atenção, verá que o cotidiano abre espaço para pequenas redações o tempo todo. "Escreva e-mails, recados, bilhetes, lembretes, cartas e até poemas", sugere Rosângela. O importante é usar todas as oportunidades possíveis para treinar a escrita.

Arrais vai além e propõe alimentar um blog ou até um perfil nas redes sociais com textos mais “autorais”. Nesse exercício, diz o professor, a prioridade não é tanto o conteúdo dos artigos, mas sim a atenção que você dedicará à sua forma.

3. Pense no leitor (e peça feedback)
Na pressa do dia a dia, é comum apertar o botão “enviar” do e-mail sem revisar nada. Nada pode ser mais nocivo para a qualidade da comunicação, dizem os professores.

Se você quer aperfeiçoar a sua redação, é importante investir alguns segundos para reler o que você escreveu. Falta alguma informação? A mensagem está realmente clara? Segundo Arrais, é fundamental se imaginar no lugar do leitor ou até pedir comentários e críticas sobre o seu texto a colegas, familiares e amigos.

4. Desabilite o corretor ortográfico
Rosângela diz que não são poucos os profissionais que ficam "reféns" de corretores automáticos. "O problema é que esse tipo de instrumento é incapaz de compreender nossas ideias e nosso estilo de escrita”, afirma a professora da Faap. Em vez de ajudar, a tecnologia acaba confundindo e gerando insegurança.

Para ganhar confiança e independência, a dica é substituir a ferramenta por bons materiais de consulta, como um dicionário atualizado pelo novo acordo ortográfico e uma gramática confiável.

5. Investigue o que você (ainda) não sabe
Ao se deparar com uma dúvida de português, você costuma mudar a frase para evitar a construção que está causando insegurança? Esse tipo de “fuga” é muito frequente, mas desperdiça grandes chances de aprendizado, afirma Rosângela.

Quando você questiona a escrita de alguma palavra, o uso de determinada expressão ou a construção de uma frase, essa é a hora de consultar os materiais de referência mencionados no item anterior. Segundo a professora, a pior alternativa é ignorar o problema e, assim, perpetuar a dúvida.

Transcrito de www.amodireito.com.br

Ciência e Letras - A formação do leitor


Bilontra era quem levasse a política a sério

Resenha de CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

Kellen Araújo Sousa¹

O livro Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi, de José Murilo de Carvalho, é um clássico da historiografia brasileira no que se refere ao estudo da prática de cidadania entre o povo brasileiro no início da República. Utilizando-se de inúmeras fontes, que vão desde revistas e jornais da época a documentos oficiais, desde artigos e teses a livros conceituados, o autor constrói seu trabalho de maneira singular. O trabalho é dividido em cinco capítulos, além da conclusão, notas, caderno de fotos e bibliografia no final. São ao todo 196 páginas muito bem utilizadas, e que vale a pena serem lidas.



Na introdução da obra o autor, como bom historiador que é, nos informa o recorte espaço-temporal de seu estudo: a cidade do Rio de Janeiro no período de transição do Império para a República até o governo de Rodrigues Alves. É também na introdução que ele lança o questionamento que buscará responder no decorrer do livro: por que o povo era considerado bestializado? Qual a razão de sua apatia política? Num primeiro momento, ao ler-se o título da obra, pensa-se até que o autor tratará da passividade do povo brasileiro, de sua inércia política. Mas seu objetivo é outro: é “tentar entender que povo era este, qual seu imaginário político e qual era sua prática política”.

O primeiro capítulo – O Rio de Janeiro e a República – traz uma descrição das mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais por que passou o Rio de Janeiro na transição entre os regimes monárquico e republicano, e as consequências delas advindas para a população. Também enfatiza o impacto do novo regime no que se refere à expectativa de maior participação política do povo. Mas tais esperanças foram logo traídas. O governo tratou de calar a população. Era preciso estabilidade política, a qual não seria possível se o negro, o pobre, o estrangeiro, o operário tivessem voz. A grande maioria da população foi excluída do processo eleitoral, mas o povo encontrou outros meios de inserção no sistema e participação política, embora não fossem nada formais. Este ponto será mais bem tratado nos capítulos seguintes.

No capítulo II – República e cidadanias – o autor trata das diversas concepções de cidadania nascidas no início da República. Vários setores da população foram despertados pela expectativa de expansão dos direitos políticos, como abordou Carvalho no capítulo anterior. Por sua vez, as diferentes ideologias e as próprias condições sociais dessa população diversificada, influenciaram a formação de múltiplos conceitos de cidadania.

Dentre essas concepções, Carvalho cita a dos conservadores ou o “setor vitorioso da elite civil”, que apoiavam o conceito liberal de cidadania (liberdade de pensamento, de reunião, de profissão, de propriedade etc.), mas ao mesmo tempo impedia a democratização com as inúmeras barreiras ao direito ao voto pela grande maioria da população. O autor destaca que houve até um retrocesso nos direitos políticos e sociais. A noção positivista de cidadania apoiava a ampliação dos direitos civis e sociais, mas não incluía os direitos políticos. O anarquismo repudiava qualquer tipo de autoridade e tinha aversão aos partidos políticos e eleições. A luta deveria ser direta, através de greves, boicotagem, manifestações públicas. Já os socialistas acreditavam na organização partidária, porém seus partidos não duraram muito.

Porém, como essas concepções eram muitas vezes abafadas pela elite governante, a reação dos excluídos foi a “estadania, ou seja, a participação, não através da organização dos interesses, mas a partir da máquina governamental, ou em contato direto com ela” (p. 65).

O terceiro capítulo – Cidadãos inativos: a abstenção eleitoral – é dividido em três momentos. Primeiramente, o autor apresenta testemunhos da época sobre o comportamento político brasileiro, que era visto por estrangeiros e até por propagandistas da República como apático e sem expressão. Entretanto Carvalho nos adverte a examinar tais testemunhos com cuidado e não tomá-los como retratos da realidade, pois como vimos no capítulo anterior, eram várias as concepções de cidadania. O autor critica as afirmações acima, considerando-as exageradas, uma vez que havia intensa participação popular desde a Independência, e com a República, as manifestações, as greves, as passeatas, os quebra-quebras se tornaram cada vez mais frequentes. Os testemunhos dos contemporâneos eram baseados em percepção europeizada do cidadão: bem-educado, militante organizado. Não encontraram este tipo no Rio, ou melhor, o cidadão carioca não se enquadrava nos conceitos que os observadores tinham em vista.

Na segunda parte do mesmo capítulo, o autor utiliza como referências censos da época para analisar a população fluminense, cuja composição, segundo seus estudos, é em grande parte de trabalhadores informais e de imigrantes. Carvalho aponta que tais características dificultavam a cidadania política no Rio. No primeiro caso, porque era difícil para esse setor popular (trabalhadores mal qualificados) compreenderem os mecanismos que regiam a sociedade.

No segundo caso, porque a grande presença de estrangeiros também reduzia o envolvimento organizado na vida política da cidade.

Carvalho, no terceiro momento deste capítulo, busca compreender a participação do povo através dos canais oficiais, como o voto. O autor nos mostra que o eleitorado era bastante limitado. Apenas 20% da população do Rio podiam votar, e, dentre estes, poucos exerciam esse direito. O autor esclarece, que além da exclusão legal do processo eleitoral havia a auto-exclusão, cuja decisão era tomada por boa parte dos votantes, por saberem das fraudes eleitorais e do perigo de votar. Podemos entender isso como um meio de resistência a esse sistema corrupto.

Como a participação eleitoral era uma farsa e não lhe valia muita coisa, o povo buscou outras maneiras de se fazer ouvir. O capítulo IV – Cidadãos ativos: a Revolta da Vacina – aborda exatamente essa questão. Primeiramente, o autor nos apresenta o contexto social do Rio antes da Revolta, tratando das obras públicas de reforma urbana e saneamento na cidade, como também da luta pela implantação da vacina obrigatória contra a varíola, liderada por Oswaldo Cruz. Vários setores da sociedade iniciam então a Revolta da Vacina, que é descrita pelo autor dia após dia. Tal revolta foi fragmentada, reflexo da sociedade também fragmentada da época, que não tinha a tradição de organização e luta como havia entre o operariado europeu, consequência também das características dos trabalhadores do Rio.

Porém, quando o povo entendia que o governo havia passado dos limites, seja no campo material (criação ou aumento dos impostos) ou no campo da moral (invasão de privacidade, desrespeito à honra da família, valores ameaçados), o povo reagia. A Revolta da Vacina foi um exemplo claro disso, “um movimento popular de êxito baseado na defesa do direito dos cidadãos de não serem arbitrariamente tratados pelo governo” (p. 139).

No capítulo V – Bestializados ou bilontras? – o autor procura explicar o comportamento político do Rio de Janeiro. De um lado, percebia-se um comportamento participativo na religião, na assistência mútua e nas grandes festas, em que a população parecia reconhecer-se como comunidade. Porém, de outro, havia a indiferença pela participação na política e ausência de visão do governo como responsabilidade coletiva.

Uma forte razão para isso, segundo o autor, era o peso das tradições escravista e colonial que viciaram a relação dos cidadãos e o governo. “O Estado aparece como algo a que se recorre, como algo necessário e útil, mas que permanece fora do controle, externo ao cidadão” (p. 146). Até porque a elite utilizou de vários mecanismos para alienar esse povo, para este permanecer quieto e passivo.

Porém, o autor nos mostra que essa atitude da população era também uma forma de resistência. A população logo descobriu que o novo regime não havia trazido avanços a liberdade e a participação. Então, “perante tal Estado, a cidade reagia seja pela oposição, seja pela apatia, seja pela composição” (p. 155).

Os casos de apatia e oposição foram abordados nos capítulos III e IV. Os de composição referiam-se  a exatamente a estadania, a aproximação do Estado, para reclamarem e conseguirem direitos que acreditavam serem da alçada do governo, como segurança, limpeza pública, transporte, arruamento. Todas eram maneiras de o povo atuar, reivindicar, reclamar, já que sabiam que não havia outros caminhos oficiais de participação. A República não era para valer. O discurso bonito do Estado não condizia com a realidade. Quem percebia isso não era bestializado. “Bestializado era quem levasse a política a sério, era o que se prestasse a manipulação (...) Quem apenas assistia, como fazia o povo o Rio por ocasião das grandes transformações realizadas a sua revelia, estava longe de ser bestializado. Era bilontra [gozador, espertalhão].” (p. 160).

Em sua conclusão o autor explica que como não aconteceu uma República real, ou seja, o governo nunca foi uma coisa pública, a cidade não teve cidadãos, nesse sentido. Estes se relacionavam com o Estado da maneira que conseguiam. Como a cidade foi impedida de ser República, foram formadas várias repúblicas, onde os cidadãos foram construindo a sua identidade coletiva.

Por tudo isso apresentado até aqui, vemos o trabalho excepcional do historiador José Murilo de Carvalho, sobre o povo brasileiro e sua prática política. No decorrer da leitura nos surpreendemos com a sua análise, que se mostra muito bem estruturada. A maneira pela qual ele constrói seus argumentos, não nos deixa perdidos na leitura. Os capítulos são sempre construídos de forma a darem suporte ao seguinte, de modo que o leitor consegue acompanhar sua linha de raciocínio. Ao final do livro, o autor conclui retomando todas as ideias anteriores, e solidifica ainda mais a nossa compreensão.

José Murilo de Carvalho não se mostra apenas como um bom escritor, mas também como um exímio pesquisador. As dez páginas de citação de fontes e referências bibliográficas ao final do livro, já nos dá uma boa impressão do trabalho. Jornais, revistas, almanaques, documentos oficiais, livros científicos e literários, artigos e teses foram utilizados pelo autor para construir esse trabalho. Porém, não só pela quantidade, mas também pela qualidade e inteligência que ele apresenta no uso dessas fontes, podemos perceber a confiabilidade de sua obra.


¹ Graduanda do curso de Bacharelado e Licenciatura em História, pela Universidade Federal de Roraima.