sexta-feira, 6 de maio de 2016

Press Release 046 – 6 de maio de 2016

Editorial
   Golpe: até o nome aponta para a vala política comum http://bit.ly/1YdGMDq

Artigo
   Afastamento de Cunha é mais um lance do golpe midiático judiciário http://bit.ly/1T3cMcj

Poesia
   Amônio http://bit.ly/1SSXJDe

Entrevista
   Livros barrados na Escola – entrevista com Aparecida Paiva http://bit.ly/1WdJwCY

TV Leituras
   Único remanescente da expedição de Guimarães Rosa pelo sertão relembra histórias http://bit.ly/1Zokyiv

Notícias
 
   Google: nova biblioteca de digitais e aposta na evolução dos e-books http://bit.ly/1s1eZMX

   92% dos universitários preferem o livro impresso http://bit.ly/24CqdVK

   ‘Cadernos de literatura brasileira’ gratuitos http://bit.ly/21FFnrq

   Poema é censurado na Bahia http://bit.ly/1Xd7sGf

   Ler para entender e conviver http://bit.ly/1VN8f0Y

   Auxiliar de biblioteca vira página de sua história com leitura http://bit.ly/1rzU2ry

   Clarice Lispector reconquista a Alemanha http://bit.ly/1WdIQO9

Imagem
   Ler além das aparências http://bit.ly/1Tw4APf

O Prazer da Leitura
   Árvore de livros http://bit.ly/1Nm7h9j


Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor

Se desejar ler os demais Press Release, clique no blog Leituras http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - Golpe: até o nome aponta para a vala política

O artigo de Renato Rovai e direto e certeiro ao descrever o destino de golpes como o que está sendo perpetrado contra o povo brasileiro. Além de lembrar exemplos históricos como o de Getúlio Vargas e João Goulart, destaca as consequências sofridas por criminosos não apenados, com livre trânsito nos centros de poder e contatos com a potência que se assustou ao lidar com prsidentes que tinham dignidade.

Esta edição traz ainda a Poesia Amônio, de Cristiano Alves, a Entrevista com Aparecida Paiva, o depoimento de Criolo na TV Leituras, que integrou a expedição de Guimarães Rosa. Nas Notícias, aparecem as bibliotecas digitais, a opção dos universitários pelo livro impresso, os cadernos gratuitos de literatura brasileira, o poema censurado por denunciar crime policial, o lidar com a alteridade, a bibliotecária que foi mudada pela biblioteca e o impacto de Clarice Lispector na Alemanha. Imagem mostra como ler além das aparências e O Prazer da Leitura a Árvore de Livros.

Boa Leitura no fim de semana!

Árvore de livros


Ler além das aparências


Clarice Lispector reconquista a Alemanha

Do final da década de 1980 até 2013, Clarice Lispector ficou praticamente esquecida pelos leitores alemães. Foi daí que a Schöffling & Co publicou O lustre, que ganhou grande repercussão e foi eleito como um dos melhores livros do ano por um programa de rádio. Em poucos dias, a editora viu a tiragem de três mil exemplares se esgotarem nas livrarias alemãs. O sucesso fez a Schöffling investir na compra de outros dois títulos que saíram agora, em fevereiro: A hora da estrela, traduzida por Luis Rubi (que também traduziu O lustre), e Perto do coração selvagem, romance de estreia da autora, traduzido por Ray-Güde Mertin e Corinna Santa Cruz.

A biografia de Clarice, escrita por Benjamin Moser, também é publicado pela Schöffling e a editora está em negociações avançadas para publicar Todos os contos, coletânea organizada por Moser apontada pelo New York Times como um dos melhores livros de 2015 e que ganhará sua versão brasileira pela Rocco.



A editora recebeu, na manhã desta segunda-feira (22), a visita de uma missão de editores independentes brasileiros que estão na Alemanha durante essa semana para uma série de encontros com o objetivo de estreitar as relações entre os dois países. O grupo de editores está no País a convite do governo alemão e ciceroneado pela Feira do Livro de Frankfurt. A missão é composta por Arnaud Vin (Grupo Autêntica), Beatriz Nunes de Sousa (Tordesilhas / Alaúde), Daniel Pellizari (Estação Liberdade), Isabel Diegues (Cobogó), Isabella Santiago (Zahar), Iuri Pereira (Hedra), Maria Warth (Pallas) e acompanhada pelo PublishNews.

Além de ser a casa de Clarice Lispector na Alemanha, a Schöffling é conhecida por duas linhas editoriais bastante distintas. A primeira, uma coleção de calendários com citações literárias, em especial uma linha que traz gatos estampados. As “folhinhas” são responsáveis por financiar a segunda, com títulos literários, de ensaios e de memórias do Holocausto. Em média, a casa publica 25 títulos por ano, mais três ou quatro calendários.

Sabine Baumann, editora da Schöffling, foi quem recepcionou os editores brasileiros e a eles indicou um dos livros do catálogo da Shöffling. Lançado em 2011, Kaiserhofstraße 12, de Valentin Senger, conta a história de um homem judeu que, durante o Holocausto, esconde as suas origens e finge não ser judeu. O título integrou o festival One city, one book, que convidou todos os moradores de Frankfurt a fazerem uma leitura compartilhada da obra. “Durante o festival, fizemos tours guiados passando pelos endereços citados no livro. Ao fim, as pessoas perguntavam excitadas qual seria o próximo livro”, lembrou Sabine.

Reflexos da homenagem ao Brasil na Feira de Frankfurt

Depois do encontro com a equipe da Schöffling, os editores brasileiros fizeram uma reunião com Michael Kegler, que se apresentou como “tradutor e divulgador de literaturas de língua portuguesa” na Alemanha. Na contabilidade de Michael, em 2011, quando começou a desenhar a homenagem do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, havia 60 títulos de autores brasileiros traduzidos para o alemão. Mais da metade, eram livros de Paulo Coelho. A outra metade, eram clássicos ou livros fora do catálogo. O cenário mudou no ano seguinte. “Com o apoio do Programa de Tradução da Biblioteca Nacional, entre 2011 e 2013, esse número dobrou. Os números divergem um pouco, mas foram algo entre 50 e 70 títulos lançados nesse período”, disse Michael.

O tradutor, no entanto, lamenta que, no ano seguinte, esse número caiu praticamente a zero. Em 2014, foram publicados na Alemanha O mundo inimigo, de Luiz Ruffato, pela Assoziation A; o e-book Bandeira negra, amor, de Fernando Molica, pela Edition Diá, e Noites de alface, de Vanessa Bábara, pela A1 Verlag. “Estamos cientes que nunca mais vamos chegar aos números de 2013, mas se chegar a dez títulos por ano já é um sucesso”, disse. “Dois mil e treze [ano em que o Brasil foi homenageado] foi muito bom. O problema foi a falta de continuidade”, observou o tradutor.

Em 2015, o número voltou a crescer. Foram publicadas traduções de livros de André Sant´Anna, Beatriz Bracher, Caio Fernando Abreu, Carola Saavedra, Daniel Munduruku, Luiz Ruffato, Marcelo Pimentel e Vanessa da Matta.

“Carola Saavedra, por exemplo, é um caso raro de escritora brasileira que chegou a ter um segundo título publicado na Alemanha [em 2013, publicou Paisagem com dromedário e em 2015, Flores azuis]. Hoje ela já não é conhecida como ‘autora brasileira’ e sim como ‘escritora’. Temos que sair dessa bolha de ser literatura brasileira e passar a ser literatura universal”, defendeu Michael.lemanha

Transcrito de Leonardo Neto - Publishnews

Auxiliar de biblioteca vira página de sua história com leitura

Auxiliar de biblioteca vira página de sua história com leitura
Foto Eliana Bess / Assessoria Seduc-MT

Dois anos após entrar para a Escola Estadual Odorico Leocádio Rosa, em Rondonópolis, Tânia Mara de Assis deu uma reviravolta na sua vida e de muitos estudantes. Ela idealizou e pôs em prática um projeto com a meta de promover a leitura. Mas não aleatoriamente. Assim como ela, estudantes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental passaram a ler um livro por semana e a promoverem a roda compartilhada.

Tudo começou quando conseguiu o trabalho como auxiliar de biblioteca na escola. Sem nunca ter lidado com tarefas na área de educação, uma vez que atuava em empresas privadas e em áreas administrativas, Tânia deixou-se ‘contaminar pelo ambiente’ e criou o projeto. Primeiro, para vencer a própria timidez, mas de tão bom que achou, interagiu com as crianças e adolescentes. Assim nasceu um projeto que motiva a classe estudantil.

A dinâmica não fica só na leitura. Todos fazem um resumo do livro e se reúnem uma vez por semana para contar as histórias aos demais colegas, numa grande roda de leitura.  “Ler me ajudou e muito, até na vida pessoal. Resolvi inventar uma ação porque estão numa fase (adolescência) em que gostam de coisas diferentes”, relatou.

Ideias

A maioria dos resumos fica arquivado na biblioteca da escola, outros estudantes preferem colar o material produzido em caderno que eles destinaram para esse fim.  Mikaelly Pereira de Matos, 12 anos, é participante fervorosa da iniciativa, até sugere as histórias que mais gosta para que outros colegas também leiam, inclusive para a idealizadora do ação.

“Os bons livros a gente sempre indica e todo mundo participa. É um trabalho muito bom e interessante, que rende frutos. Você pode desenvolver outras habilidades além da leitura, como falar melhor e ampliar o vocabulário. A primeira vez a gente sente um pouco de vergonha para relatar aos demais estudantes, mas depois vamos perdendo isso”, explicou a estudante.

A partir da leitura, outras ideias ganharam espaço na biblioteca, como declamar poesia com o microfone. “É outra atividade que eles adoram, além de ajuda-los a perderem o medo, a timidez, tornam-se mais desinibidos. Eu sofri muito com isso e falo para eles que não quero que passem por isso. Falo para eles o quanto é importante irem se soltando aqui, para não ter que se soltar lá na frente. Por que, assim, quando estiverem em outro ambiente escolar vai ser fichinha, vão tirar de letra. E todos gostam, dificilmente não querem participar”, destacou Tânia.

Ela confessa que até recorreu à ajuda de psicólogos para perder o medo e vencer o trauma pela gozação dos colegas (quando estudava). Hoje casada, tem filhos adultos, mas nenhum com o gosto pela leitura. Segundo ela, os estudantes já apresentam mudanças, se comparadas quando iniciaram o projeto. Agora já não demonstram tanta dificuldade em falar em público.

Cautelosa, no entanto, a auxiliar que acabou se tornando uma educadora no processo diz que mais coisas precisam ser mudadas, mas aos poucos. É que os estudantes não gostam de livros volumosos, sempre as escolhas são por obras mais finas. A preferência também varia. Os pequenos, do 1º ao 5º ano preferem fábulas, os maiores ficam com os contos e poesias.

Além da maratona de um livro por semana, eles não estão isentos das obras exigidas pelos professores em sala de aula. As ações inovadoras têm feito a diferença na Escola Estadual Odorico Leocádio Rosa, onde todos se envolvem no processo de ensino e aprendizagem.

A escola é a melhor da Região Centro-Oeste, segundo avaliadores do Prêmio Gestão Escolar. Ela é uma das finalistas, juntamente com outras 4 representantes regionais para a melhor do Brasil, que será conhecida em no início de dezembro em Brasília (DF).

Aprendizado

“Não sei como será minha vida fora da educação. Estou adorando esse serviço. Nunca gostei de trabalho repetitivo e aqui, o ambiente, a escola, os alunos, o projeto de leitura, tudo conspira para que cada dia haja uma nova descoberta, um novo aprendizado, uma troca”, revelou Tânia.

Como não gostava de ler, não conseguiu implantar essa disciplina com seus filhos, hoje já adultos. Mas o comportamento tende a ser diferente quando o assunto diz respeito a neta. “Leio historinhas e tento semear algo diferente com minha neta. Ela gosta de ouvir, já demonstra interesse e é participativa. Vai inclusive entrar na abertura da festa, um show de talentos que faremos no final de novembro aqui na escola”, destacou entusiasmada com a mudança de hábito que está a caminho entre os seus descendentes.

Tânia parece ter conquistado mesmo a confiança dos estudantes. Em busca das melhores performances na programação do final do mês, eles a procuraram para ajudá-los na preparação das apresentações. Os ensaios acontecem na biblioteca.

Transcrito de http://www.mt.gov.br/-/auxiliar-de-biblioteca-vira-pagina-de-sua-historia-com-leitura

Ler para entender e conviver

Além de divertir, literatura infantil e infanto-juvenil pode ajudar a
promover a diversidade e o respeito

Xandra Stefanel

Era uma vez... uma princesa que nasceu príncipe. Em outro reino, uma princesa se apaixona pela costureira que faria seu vestido de casamento. A Princesa e a Costureira e Joana Princesa, da escritora e psicóloga Janaína Leslão, trazem a mesma magia que permeia os contos de fada. A diferença é que suas histórias abarcam uma diversidade muito maior de personagens: uma princesa transgênero que tem uma irmã com deficiência física, outra princesa negra que cai de amores por uma costureira ruiva. Em comum, os dois livros trazem as aventuras de pessoas que se amam, querem viver o amor de forma plena e livre, com o bom e velho final “E viveram felizes para sempre”.



Não são muitos os livros infantis e infanto-juvenis que representam a diversidade social em suas narrativas, nem que busquem, além de entreter, ensinar as mais diversas questões ligadas à cidadania: o respeito ao próximo, o combate ao preconceito, o consumo consciente. Mesmo que ainda seja uma pequena parcela do que se encontra nas prateleiras das livrarias, há um número crescente de obras que abordam essas temáticas.

Um exemplo são os livros do selo Boitatá, da Editora Boitempo, criado no final de 2015 com o objetivo de apresentar temas de interesse social e de cidadania para crianças. Até agora, o selo lançou quatro obras: A Democracia Pode Ser Assim, A Ditadura É Assim, As Mulheres e os Homens e O que São Classes Sociais? Para os próximos meses, devem ser lançados livros que abordarão a prática do bullying, o respeito às diferenças e à diversidade e sobre deficiência física.

Para a editora da Boitatá, Thaisa Burani, é importante que não apenas a literatura, mas todas atividades infantis contribuam para formar um imaginário tolerante e cidadão. “Se o indivíduo não possui nem acredita em valores cidadãos (respeito ao próximo, tolerância, cidadania, justiça social, direitos humanos), de muito pouco adianta o discurso ou a ideologia, por mais bem intencionados que sejam. E a experiência da infância, o ato de ser criança, é onde mais podemos explorar e enriquecer nosso imaginário. Livros, filmes e brincadeiras, além de nos entreter, exercitam justamente isso: a forma como vemos, compreendemos e participamos no mundo. É por isso que uma heroína mulher é importante, é por isso que protagonistas negros são importantes, é por isso que falar de diversidade amorosa e de arranjos familiares diversos é importante, porque tudo isso se soma e também forma o imaginário. Se uma criança cresce entendendo que tudo isso é ‘normal’, que todos são iguais e merecem respeito, ela naturalmente será mais tolerante e cidadã”, opina.

Identificação

Em 2007, a psicóloga Janaí­na Leslão trabalhava questões ligadas à sexualidade, gênero e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e aids com um grupo de adolescentes. Uma das atividades que eles deveriam realizar no final do ano era montar esquetes baseadas em histórias conhecidas, com uma roupagem atual e que abordasse as questões discutidas. “O referencial de final feliz que eles tinham ainda era o dos contos de fadas. Quando conversávamos sobre questões de sexualidade e gênero de pessoas trans ou do amor entre dois homens ou duas mulheres, não tinham nenhum referencial na literatura, muito menos nos contos de fadas. Só pelo noticiário de jornal, que mostra uma lâmpada na cara, uma travesti esfaqueada. Isso me despertou a vontade de escrever. Fui pesquisar e não tinha nada nesse gênero de literatura, com essas temáticas trabalhadas em uma linguagem mais leve e acessível”, lembra.

Foi assim que nasceu seu primeiro livro, A Princesa e a Costureira, escrito em 2009 e publicado em 2015 pela Metanoia Editora. “Ele vendeu bem, superou nossas expectativas, tanto que estamos indo para uma segunda edição e vamos lançar em e-book também. Muitas pessoas, especialmente jovens adultos, me procuram e dizem: ‘Nossa, que maravilha! Queria tanto ter lido isso quando eu era adolescente. Acho que não teria passado por tanto conflito’. Ou então: ‘Eu me senti representada, nunca tinha visto uma princesa negra e ainda por cima lésbica, como eu’. As pessoas me dizem que os contos de fadas com os quais todo mundo sonhava, nunca puderam representá-las. Então, a ideia principal era incluir pessoas que não estavam nas narrativas originais”, afirma a autora, que em maio deve lançar seu segundo livro, Joana Princesa.

Para a pedagoga Daniela Auad, professora de Sociologia da Educação na Universidade Federal de Juiz de Fora, livros como os de Janaína fazem com que as crianças vindas de lares homoparentais se sintam representadas. “Os livros infantis, infanto-juvenis e outras produções na televisão e no teatro mostram para crianças casais compostos por alguém do sexo feminino e alguém do sexo masculino: um homem e uma mulher, um menino e uma menina, um cachorrinho e uma cachorrinha… Mas não se tem usualmente casais compostos por pessoas do mesmo sexo. Esta falta de representação pode fazer com que as crianças que estão em um lar homoparental e, eventualmente crianças e adolescentes que se percebam tendo desejo por pessoas do mesmo sexo, não se sintam representadas”, diz Daniela, responsável pelo prefácio da segunda edição de A Princesa e a Costureira.

Olívia Tem Dois Papais (Cia. das Letrinhas), da escritora Márcia Leite, conta a história de uma menininha muito esperta que tem uma família um pouco diferente e totalmente encantadora: seu pai Raul ama brincar de filhinho e mamãe e quando ela se diz desfalecendo (ela adora esta palavra!) de fome, seu pai Luís vai para a cozinha e prepara deliciosas refeições. A autora afirma que a constituição desta narrativa não se deu por meio do tema (a família homoafetiva), mas sim de uma escolha que potencializa o campo de atuação da personagem principal. “A família homoparental é um tipo de família e ponto final. Se aceitamos que as famílias podem ter diferentes composições, o natural é explorar também nas narrativas as relações afetivas (ou a ausência delas) que as estruturam ou desestruturam, que estabilizam ou desestabilizam essa organização familiar. No caso da família da Olívia, o que tentei evidenciar foram situações de rotina, cuidado e amorosidade recíproca entre pais e filha, independentemente de sua composição.”

Neste caso, os questionamentos da personagem principal estão mais ligados às questões de gênero. “Procurei fazer com que Olívia fizesse perguntas e tivesse dúvidas pertinentes à idade e ao meio social em que vive sobre questões de gênero e não sobre questões de orientação sexual. Olívia deixa claro que se surpreende por um homem saber cozinhar, pentear a filha e cuidar tão bem dela. Esse é um questionamento de gênero e não de orientação sexual. Olívia não questiona porque os pais se amam, ou estão juntos, ou porque não tem uma mãe. Perguntas que também acontecem entre famílias heteroparentais, mas que quase sempre reforçam a noção de gênero dominante (menina faz isso, menino faz aquilo)”, afirma Márcia, também autora de Do Jeito que a Gente É (Editora Ática), em que um dos protagonistas é um menino gay.

Consumo consciente

Além de gênero e sexualidade, também há livros infantis e infanto-juvenis que abordam questões ligadas ao consumo e promovem, por exemplo, reflexões sobre a finitude dos recursos naturais, como é o caso de Eu Produzo Menos Lixo (Cortez Editora). Nele, a bióloga Cristina Santos faz um alerta ecológico para as crianças e contextualiza as mudanças que os hábitos de consumo modernos trouxeram para a sociedade. “Essas questões são contemporâneas e fazem parte de um grande problema mundial. Tentar apresentar esses assuntos numa linguagem que pudesse ser facilmente compreendida pelo público infanto-juvenil e que estimulasse o leitor a refletir sobre a sua maneira de consumir foram as grandes motivações para a preparação desse livro. Além disso, as ilustrações muito criativas de Freekje Veld foram fundamentais para apresentar o assunto de maneira mais descontraída, deixar o livro atraente, além de auxiliar na tarefa da compreensão de um tema considerado tão importante nos dias atuais”, diz a autora.

Com Bicicleta Amarela, previsto para ser lançado em abril, o designer recifense Igor Colares trata de forma lúdica sobre a importância da bicicleta para a mobilidade urbana. Em 2012, o autor lançou Bezerro Escritor, sobre o consumo do leite a partir do ponto de vista de Bombom, um bezerro desmamado que apresenta como o processo de industrialização atinge de forma cruel as vacas e seus filhotes.

O que motivou Igor a escrever as duas histórias é fazer com que as crianças veganas (que não consomem alimentos derivados de animais) e que os filhos de ciclistas e cicloativistas se sentissem representados na literatura. “Minha ideia não era convencer as pessoas a passarem a andar de bicicleta ou deixar de tomar leite. O que eu queria com os dois livros é que a galera que anda de bicicleta e a galera que não toma leite se identificassem. Para eles, é muito raro encontrar conteúdo em quase qualquer lugar, e na literatura infantil não é diferente. É como se as pessoas que estão engajadas nesses movimentos fossem meio alienígenas para o senso comum. A minha ideia era criar conteúdo com o qual eles se identificassem”, enfatiza.

A professora universitária Bárbara Eduarda Nóbrega Bastos, de 36 anos, leu a história de Bombom para o filho. “Sou vegana e queria um livro que me ajudasse a passar pro meu filho a realidade dos animais explorados para produção de alimentos numa linguagem adequada para a idade dele. Existem poucas publicações com essa temática, então o livro de Igor foi muito bem-vindo. Considero muito importante para a formação cidadã que as crianças conheçam os problemas da sociedade e entendam seu papel no combate a essas questões. Acredito que os temas devem ser apresentados de acordo com a idade, pois o objetivo não é deixar a criança assustada ou triste, então, deve-se levar em conta o que ela está preparada para aprender”, opina a mãe de Mateus Bastos Barretos, de 6 anos.

Entreter, ensinar, conscientizar

Estes são alguns exemplos de como a literatura também pode contribuir com a construção de um mundo melhor, mais tolerante, com menos ódio e mais respeito às pessoas e suas diferentes formas de viver. Thaisa Burani, do Boitatá, acredita que há muito a ser feito para a publicação de mais livros voltados para os pequenos cidadãos. “O mercado se verga muito facilmente a qualquer coisa que dê retorno financeiro alto e imediato – basta ver as gôndolas das livrarias abarrotadas de bobagens com personagens de grandes franquias da animação”, diz. “Mas não podemos negar toda a riqueza da história da literatura infanto-juvenil brasileira. Há mais de três décadas já tínhamos, por exemplo, uma Ana Maria Machado enaltecendo a beleza das meninas negras, ou mesmo um Pedro Bandeira e seu tão incisivo e politizado É Proibido Miar, sem contar a vasta obra de Tatiana Belinky, com todas as experimentações de linguagem e o caldeirão cultural que ela oferecia.”

“Ler um livro sobre uma menina que tem dois pais ou duas mães, ou um pai apenas, ou nenhum dos dois, apenas amplia a condição de percepção do mundo, de si e do outro. Acredito que a literatura que fala/toca em temas considerados difíceis (não apenas sobre a homoafetividade) provoca espaços de conversa e de reflexão que acabam atuando como um acolchoado simbólico para a compreensão do mundo e de si mesmo junto aos pequenos e grandes leitores. Na minha opinião, isso ajuda os leitores a serem melhores pessoas e melhores cidadãos”, resume a escritora Márcia Leite.

Transcrito de http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/116/ler-para-entender-e-conviver-8487.html

Poema é censurado na Bahia

A escritora, poeta e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lívia Natália, teve um poema censurado na cidade baiana de Ilhéus. O texto Quadrilha faz parte do projeto “Poesia nas Ruas”, aprovado pelo Fundo de Cultura, e conta com poemas de outros autores como Nelson Maca, Alex Simões e Mel Adún. Os versos foram estampados em outdoors na cidade baiana, e o poema de Lívia recebeu críticas da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado da Bahia (Aspra). Com isso, o outdoor foi removido. A censura gerou manifestações de apoio à professora nas redes sociais, sites e blogs. Veja abaixo o poema censurado:

Quadrilha

Maria não amava João. 
Apenas idolatrava seus pés escuros.
Quando João morreu,
assassinado pela PM,
Maria guardou todos os sapatos.

(NATÁLIA, Lívia. Correntezas e Outros estudos Marinhos. Salvador: Ogum's Toques Negros, 2015).

Transcrito de http://www.publishnews.com.br/materias/2016/01/19/poema-censurado-na-bahia

'Cadernos de literatura brasileira' gratuitos

Desde 1996, o Instituto Moreira Salles (IMS) produz volumes dedicados a grandes nomes da literatura brasileira dentro da coleção Cadernos da literatura brasileira. Autores como Machado de Assis, Ariano Suassuna, Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto, foram destaques da coleção que já tem 27 volumes.



Alguns desses títulos podem ser lidos gratuitamente pelo site do IMS. Neles estão ensaios, depoimentos, entrevistas, manuscritos inéditos e fotografias de cada um dos perfilados. Nem todos os títulos estão disponíveis para acesso gratuito. Os que não estão, podem ser adquiridos na loja virtual do IMS.

Transcrito de http://www.publishnews.com.br/materias/2016/03/10/cadernos-de-literatura-brasileira-gratuitos

92% dos universitários preferem o livro impresso ao digital, diz pesquisa

Se você é um leitor voraz, com certeza deve conhecer o prazer sem igual que  é  segurar  um  livro  de papel em suas mãos e se deixar levar pela história impressa nele.

Você não está sozinho nisso. Uma recente pesquisa da American University, em Washington DC, Estados Unidos, mostra que mesmo hoje, com a possibilidade de leitura em várias plataformas digitais, como smartphones e tablets, e a forte presença dessa tecnologia na vida dos jovens, o livro de papel segue firme e forte entre os estudantes universitários, no que se refere a preferência.

Naomi Baron, professora de linguística da universidade, descobriu que 92% dos universitários preferem os livros impressos aos digitais para leituras sérias.



A pesquisa é parte do novo livro de Baron, Words Onscreen: the Fate of Reading in a Digital World ("palavras na tela: o destino da leitura no mundo digital", em português). Ela e sua equipe entrevistaram 300 estudantes de países como EUA, Japão, Alemanha e Eslováquia.

Segundo a professora, a atividade da leitura no papel tem componentes singulares, como o "físico, tátil e cinestético". (Cinestesia é o sentido que nos diz quando partes do corpo se movem.)

"Nos dados eslovacos, quando eu perguntei o que 'você' mais gosta nas cópias impressas, um em cada dez falaram sobre o cheiro dos livros", disse Baron, em entrevista à New Republic.

Outra característica apontada pelos estudantes foi a sensação de realização ao concluir um livro e vê-lo na estante.

Mas por que a geração digital ainda prefere o livro de papel?

"Há dois grandes problemas", disse a professora, na mesma entrevista. "O primeiro é que eles dizem se distrair [facilmente], se afastar para outras coisas. O segundo tem a ver com o cansaço nos olhos, dores de cabeça e desconforto físico."

"Um argumento que os estudantes deram a favor da mídia eletrônica é a preservação do meio ambiente. Mas essa é uma coisa difícil de se medir bem. Se você lê 400 livros no tempo de vida útil do seu kindle, ele foi eficiente à energia? Provavelmente", explicou.

"Mas há a questão de energia e reciclagem. Onde esses dispositivos são reciclados? Quem faz a reciclagem? Que tipo de equipamento de proteção eles têm? E sobre toda madeira que usamos para [fazer] o papel – nós sempre tivemos maneiras criativas de usar lascas de madeira ou outras coisas para fazer papel."

O digital, entretanto, não foram jogados para escanteio. As novas plataformas são as preferidas para leituras de forte aspecto visual ou notícias.

Transcrito de http://www.blogdogaleno.com.br/2016/02/17/92-dos-universitarios-preferem-o-livro-impresso-ao-digital-diz-pesquisa

Google: nova biblioteca de digitais e aposta na evolução dos eBooks

Os ebooks já estão por aí há algum tempo, e desde o seu surgimento até os dias atuais, os formatos de livros digitais apresentam tão somente o conteúdo de um livro impresso nas telas de computadores, laptops, celulares e dispositivos como o Kindle ou Kobo. Entre as décadas de 90 e 2000, diversos formatos foram criados, diferentes dispositivos tentaram entrar no novo mercado, mas apenas com a Amazon os ebooks se consolidaram de fato como produtos comerciais.

Mesmo assim, desde então, poucos formatos se mostraram firmes entre os leitores de livros digitais. Os principais deles são o ePub, Mobi (ambos em código aberto), Azw (exclusivo do Kindle), Lit (para o Microsoft Reader) e o PDF, que mesmo não sendo considerado pelo mercado como ebook de fato devido a suas limitações editoriais, ainda é muito popular entre os fãs de literatura mais tecnológicos.



Mas o que todos eles tem em comum desde as origens dos livros digitais? O fato de que simplesmente contém o mesmo conteúdo dos livros físicos que encontramos nas livrarias. Eles trazem o texto, capa, ilustrações, e raros são os casos em que há algum conteúdo exclusivo, e ainda assim são apenas novas ilustrações ou capítulos extras. Claro que há vantagens, como índices interativos, a possibilidade de se integrar ao dicionário dos dispositivos, compartilhar trechos e comentários online, entre outros, mas nada novo em termos de conteúdos.

É bem verdade que o ePub3 tentou, em 2012, fornecer novos tipos de conteúdos aproveitando-se das possibilidades digitais, incluindo marcações HTML5 para incluir mais interatividade, vídeos, entre outros recursos, mas nada disso vingou. A Google, no entanto, acredita que será capaz de ultrapassar a barreira dos textos tradicionais e fornecer novos tipos de ebooks através do Editions at Play.

Trata-se de uma pequena biblioteca de livros experimentais que tiram proveito da conectividade com a Internet em dispositivos móveis atuais. O slogan da nova biblioteca digital da Google diz: "Nós vendemos livros que não podem ser impressos". 

Há apenas alguns livros disponíveis e outros serão lançados em um futuro próximo. Um dos livros é "A Verdade Sobre Cães e Gatos", de Sam Riviere e Joe Dunthorne, que conta com animações e até mesmo instruções para orientar o leitor através da leitura do conteúdo. Os usuários poderão alternar entre poemas e histórias de Riviere e Dunthorne a qualquer momento, por isso cada leitura será diferente.

O outro livro, que usa recursos ainda mais curiosos, é "Entradas e Saídas" de Reif Larsen. Esta história é contada através do Street View da Google e a narrativa combina locações reais e ficcionais.

Os livros são otimizados para serem lidos em smartphones e eles são compatíveis com aqueles que executam o Android 4.4 ou mais recente, assim como iOS 8 ou posteriores. Ainda assim, nem todos os aparelhos terão suporte para esses livros, então os usuários podem experimentá-los antes de fazer a compra.

Esta parece ser uma boa maneira de como livros digitais poderiam evoluir, e mesmo se isso ainda levar mais algum tempo até que a biblioteca cresça significativamente, a Google está disposta a ouvir todas as sugestões sobre a criação de livros digitais.

Por outro lado, autores de livros à moda atual talvez sejam ainda um tanto resistentes quanto à criação de conteúdos com novos recursos. Afinal, para a maioria desses artistas, o que vale é uma boa história para se contar. Se conteúdos como animações e outros tipos de recursos dentro das histórias são coisas que os próprios autores devem se preocupar, ou se surgirá parcerias com outros profissionais mais especializados nessas tecnologias, só o tempo dirá.

Tanscrito de http://www.blogdogaleno.com.br/2016/02/05/google-nova-biblioteca-de-digitais-e-aposta-na-evolucao-dos-ebooks

Afastamento de Cunha é mais um lance do golpe midiático judiciário

Renato Rovai

Depois de fazer o que se esperava dele, coordenar o processo de impeachment de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi afastado do mandato e do cargo pelo ministro do Supremo Teori Zavascki.

Antes se assegurou que nada iria dar errado. Esperou-se que o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), um golpista que não se intimida de ter praticado as mesmas ações administrativas que estão levando Dilma ao impeachment quando era governador do seu estado, fizesse um relatório condenando-a.

Golpes midiático-legislativo-judicial exigem criminosos competentes

Esperou-se também que não houvesse risco algum de que a ampla maioria do Senado estivesse no barco do impeachment de Dilma, para tirar Cunha do cargo e do mandato.

Mas engana-se quem acha que Cunha será o único.

A suspensão do seu mandato por Teori permite ter alguma clareza sobre as características do golpe em curso.

É um golpe midiático judicial, como já escrito aqui no dia condução coercitiva de Lula.

Os políticos estão apenas fazendo parte do trabalho sujo, mas muitos serão presos e perderão seus cargos neste processo. Como em todos os golpes.

Carlos Lacerda achava que iria se tornar presidente com a queda de Getúlio, mas foi assassinado pela ditadura.

Outra ação que fica muito clara com essa ação espetacular contra Cunha, no dia que ele seria julgado pelo pleno do STF, é que vem chumbo quente contra Lula e Dilma.

Não haveria como prender Lula e deixar Cunha dando as cartas no governo Temer.

E ao mesmo tempo entregar a cabeça do presidente da Câmara é fundamental para que a Lava Jato possa continuar operando sua justiça seletiva. E vá pra cima de novos alvos. o jornalista Luis Nassif já falou que na lista dos procuradores estão advogados e blogueiros.

Qual a participação de Michel Temer nessa armação toda? Certamente não é pequena, mas ainda não se sabe o seu alcance. Temer parece um membro ativo do golpe, mas ao mesmo tempo um pato manco. Que terá de fazer o serviço que lhe for dado, para também não ser golpeado.

Ao denunciar Aécio, Dilma, Lula e uma série de ministros, deputados e senadores, Rodrigo Janot preservou Temer. E com isso também deu dois sinais.

O primeiro é o de que faz o que bem entende com as denúncias que lhe chegam.

O segundo é que Temer está nas suas mãos e precisará dançar o samba que lhe convier.

A república midiática judiciária ainda está dando os seus primeiros passos. Mas não é mais possível apenas assistir o que virá. Talvez seja o momento de ações políticas internacionais mais radicais.

Talvez seja mesmo o caso de Lula e Dilma pedirem asilo e denunciarem que o Brasil é vítima de um golpe de Estado onde o direito de defesa não é mais uma garantia cidadã. E que com base em peças kafkianas pessoas estão sendo encarcerados sob os holofotes midiáticos.

Não só Dilma e Lula, aliás.

Mesmo Renan Calheiros deveria ficar esperto. Ele também corre riscos. Como boa parte dos deputados, senadores, governadores e prefeitos.

A tal mão forte da justiça vai pesar contra quem se colocar em sua frente e contrariar seus canhões, como a Globo.

Dá muita vontade de gritar chupa Eduardo Cunha, mas infelizmente o que seu afastamento prenuncia é algo muito pior do que a sua índole, sua história e sua folha corrida.

Transcrito de http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/05/05/afastamento-de-cunha-e-mais-uma-prova-do-golpe-midiatico-judiciario/

Livros barrados na escola - entrevista com Aparecida Paiva

Tory Oliveria

O Brasil é um dos países que mais investem na compra e na distribuição de livros para as escolas. Só em 2013, o governo federal entregou 6,7 milhões de obras literárias, um investimento de 66 milhões de reais.

No entanto, a política de distribuição de livros, protagonizada principalmente pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), não se traduziu na apropriação do livro, tampouco na formação de leitores. Na maioria das vezes, as obras literárias não saem das caixas.

Foi o que constatou a pesquisadora Aparecida Paiva, organizadora e uma das autoras do livro Literatura Fora da Caixa – O PNBE na escola, publicado pela Editora Unesp. Segundo a professora de pós-graduação da Universidade Federal de Minas Gerais, a formação incipiente de mediadores de leitura e a falta de entendimento do livro como um bem cultural ajudam a explicar por que as obras literárias não chegam aos estudantes.

Aparecida Paiva critica a Política de Distribuição de Livros

“Muitos professores nem sabem que os livros chegam à escola”, afirma Aparecida, que conversou com Carta Educação sobre o PNBE, sua inserção nas instituições e a importância da literatura como uma possibilidade de educação cultural que não pode ser puramente escolarizada.

Carta Fundamental: O que falta para que uma política de distribuição de livros, como a do PNBE, seja bem-sucedida?

Aparecida Paiva: Se nós circunscrevermos a conversa ao PNBE, é muito louvável a política que gasta milhões de reais por ano para atender as bibliotecas. O problema é que essa política universal de distribuição de livros não vem acompanhada de uma formação de mediadores de leitura. Antigamente, questionava-se que os alunos de escolas públicas não tinham acesso aos livros. Hoje os livros chegam às bibliotecas, mas permanecem dentro das caixas.

O País precisaria investir em formação de mediadores de leitura, mas antes é necessário informar que os livros estão chegando. Muitos professores relatam que nunca souberam que esses livros chegavam às escolas. Se eles não sabem o paradeiro dos livros, como é que vamos pensar numa política de formação de leitores? Além da falta de informação, falta a formação do professor enquanto mediador. Se ele não é leitor, não terá a competência instalada de mediador de leitura. Também falta uma consciência de que a literatura transcende o processo de escolarização. Há um grande equívoco: consolida-se a distribuição dos livros sem o acompanhamento de uma política de formação de leitores.

De forma geral, as bibliotecas escolares brasileiras possuem um bom acervo? 

Os acervos são bons.  Grosso modo, as escolas públicas são abastecidas com essa grande política. O esperado é que pelo menos esses livros componham os acervos, além de algumas políticas municipais que também produzem seus kits e das compras autônomas de gestores. O paradoxo é que você gasta milhões, mas é muito pouco diante do conjunto de alunos e da dimensão do País.

São poucos livros por acervo, nunca passa de cem por escola. Se um professor quiser fazer um trabalho com determinada obra, ele tem um ou dois exemplares no máximo para desenvolver isso com suas turmas. É pouco, mas quando se pensa no conjunto de livros, a quantidade distribuída é muito grande. Fica difícil.

Livros dentro das caixas - desperdício

Que ações poderiam ser tomadas para que os livros não fiquem dentro das caixas? 

Primeiro, o MEC precisa fazer correspondências que não sejam apenas uma carta dentro das caixas. Precisava haver uma política de divulgação da chegada dos livros de literatura nas escolas. Além isso, o diretor tem de se comprometer com a divulgação: acionar o coordenador, o professor, o bibliotecário, o auxiliar da biblioteca, e divulgar. O MEC tem uma distribuição de materiais generosa e, às vezes, os gestores ficam atordoados com o volume dos materiais. Sem o devido esclarecimento da política, você não pode responsabilizar o gestor e deixar a iniciativa correr por conta de um profissional mais esclarecido.

Todos na escola precisam divulgar e se apropriar do livro. Não adianta imaginar que o único endereçamento do livro seja para o professor de Português e para o responsável pela biblioteca. Boa vontade dos profissionais que estão na escola existe, mas entre sair do discurso de que o livro é importante para uma prática concreta de formação de leitores há um caminho muito longo.

Quais as características esperadas de um bom mediador de leitura na escola? 

Ele tem de ser um leitor, gostar de literatura, não interessa o gênero. Ele precisa estar disposto a viver o inusitado, precisa ter disponibilidade e competência para articular esse texto literário com o cotidiano e com o con-
teúdo que ele ministra. O problema é que essa característica do mediador fica muito no âmbito do escolar, enquanto se deveria pensar no leitor perene, para fora dos muros da escola. O mediador precisa entender que a literatura é uma possibilidade de educação cultural, da educação da sensibilidade do ser humano, que não pode ser puramente escolarizada. Ele tem de investir sem pensar num resultado imediato.

Assim como acontece com as leituras para o vestibular?

Exatamente. Já entrevistei muitos professores que dizem que quando eram adolescentes liam muito, mas depois que passaram no vestibular só leem livros técnicos da sua área. Esse é o leitor que parou nas obrigações escolares, que não faz uso social da literatura, não se apropria dela como um lazer. Na verdade, evito citar características de um bom mediador de leitura, não tem como traçar um perfil. Houve uma pesquisa na UFMG para distinguir qual era o melhor alfabetizador, cruzaram-se vários dados: formação, idade, tempo de serviço, experiência em salas de alfabetização, remuneração.

A única coisa comum a todos os bons alfabetizadores era gostar de alfabetizar, era ter prazer em acompanhar o desenvolvimento da criança em contato com a escrita. A pessoa tem de gostar de literatura, mas também se convencer de que aquilo é um bem a ser transmitido, do contrário aquilo permanece no foro íntimo, como uma atitude ­pessoal. Na verdade, precisamos reconhecer que a literatura amplia horizontes, desenvolve a capacidade leitora. Apropriações escolares ajudam, mas queremos muito mais.

A última pesquisa Retratos da Leitura aponta o professor como principal influenciador da leitura. 

Essa foi a nossa grande alegria. Porque o núcleo familiar sempre predominou como os maiores incentivadores da leitura e esse deslocamento para o professor pode ser lido de uma forma muito positiva. É muito bom trabalhar esse dado com os professores, falar que eles podem fazer diferença. Porém, nós que investigamos o campo de pesquisa precisamos pensar em outras coisas. As crianças de escola pública só têm acesso aos livros na escola. É a escola que faz a mediação, porque as famílias estão subnutridas de leitura.

O resultado do professor como mediador é incontestável, já avançamos muito. Mas sempre é o professor, aquele que faz a diferença na vida do aluno. Precisava ser uma coisa mais consistente, uma ação educacional mais colegiada na escola, no sentido de eleger a formação de leitores não pelo viés da avaliação de proficiência em leitura, mas porque queremos formar cidadãos conscientes, que leem e que podem fazer descobertas incríveis por meio do ­texto ­literário, que é capaz de romper com grilhões de formatação de educação.

Quem são os profissionais que trabalham nas bibliotecas escolares? 

Na escola pública, são muito poucos, sem carreira. O curso de Biblioteconomia sofreu reformulações grandes e muitos não querem ser bibliotecários escolares, querem perseguir outras carreiras. Começa por aí, não tem um bibliotecário por escola, muitas vezes um bibliotecário atende dez escolas do seu polo. O auxiliar de biblioteca ou o responsável, em grande parte é o professor em desvio de função, que não tem condições de estar em sala de aula, ou é aquele profissional de nível médio, de qualquer área, que faz concurso para trabalhar nas bibliotecas escolares.

Eles são valorizados dentro da instituição de ensino?

Ele é pouco valorizado porque não se ­investe no papel de fomentador cultural e de formador de leitor. Ele é o guardião de livros: cuida, cataloga e abre ocasionalmente a biblioteca para os alunos acessarem. Às vezes ele até fecha a biblioteca na hora do recreio, no único horário que os alunos podem acessar. E não recebe formação específica nenhuma para trabalhar como formador de leitores. As condições são muito precárias: eles trabalham sozinhos, dobram turno, a biblioteca fica fechada, os armários ficam trancados porque os livros não podem sumir. A realidade das bibliotecas escolares brasileiras é muito dramática. Pode ser uma visão pessimista, mas não vejo ainda o trabalho do bibliotecário como um educador, como um profissional integrado na escola, salvo exceções.

Além de não fazer esse trabalho de formação de leitores, o responsável pode até dificultar o acesso aos livros? 

Já presenciei professores que não têm a menor condição de receber os alunos na biblioteca, um espaço que é tudo e nada ao mesmo tempo: lá se guardam livros, mas é também lugar de castigo por indisciplina, é onde se guardam os recursos audiovisuais, é sala de reunião para os professores. Como um espaço que é tudo e nada pode ser identificado como um espaço de leitura? A luta pela biblioteca de verdade ainda é muito grande

Como o bibliotecário pode atrair as crianças para a biblioteca da escola? Um acervo com obras mais próximas da juventude pode ser um caminho?

Qualquer livro é uma isca. Muitas vezes a comunidade de leitores que se forma fora da escola é mais poderosa do que a de dentro. Como os meninos não querem ficar excluídos dos assuntos da turma, eles fazem fila para pegar o livro da vez. Se o profissional estiver atento a isso, pode sugerir outros títulos, tem de mostrar mais, tem de atrair. Levar os meninos para a biblioteca pode ser um segundo passo, antes, ele deveria ir para a sala de aula fazer propaganda da biblioteca. Tudo esbarra no projeto político pedagógico da escola. Jeito tem, basta querer.

Transcrito de http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/livros-barrados-na-escola/

Único remanescente da expedição de Guimarães Rosa pelo sertão relembra histórias

O Jornal Estado de Minas veiculou em seu caderno de Cultura, uma reportagem assinada por Mariana Peixoto que mostra a história de Criolo, primo de segundo grau de Guimarães Rosa e que participou da expedição com o escritor pelo sertão mineiro.

Aos 80 anos, Criolo rememora viagem de 1952, e fala sobre a recusa do escritor em abandonar o percurso com a boiada, além de seus dias de treinamento na fazenda para aprender a montar

Francisco Guimarães Moreira Filho, o Criolo, em frente ao curral na
Fazenda São Francisco, que hoje não pertence mais à sua família

Primos de segundo grau, Joãozito e Chico mal se conheciam. Enquanto um tinha deixado o interior, o outro passava a vida entre suas fazendas no sertão mineiro. Mas um jipe ano 1951 acabou unindo-os. Chico pediu a Joãozito, influente na capital federal, que liberasse na alfândega o recém-comprado veículo importado. E a história de Joãozito e Chico nunca mais foi a mesma.

Há pouco chegado de uma temporada em Paris, João Guimarães Rosa – na família conhecido como o Joãozito, filho de Chiquitita – era, naquele início de 1952, chefe de gabinete do então ministro das Relações Exteriores João Neves da Fontoura.

A família Guimarães, por sinal, era pródiga em Franciscos. Chico, na verdade Francisco Guimarães Moreira, era filho de Chiquinha, tia da mãe de Guimarães Rosa, a já citada Chiquitita. Um favor leva a outro e, depois desse primeiro contato no Rio de Janeiro, Guimarães pediu a Chico que lhe apresentasse o sertão.

Foi assim que, entre 17 e 26 de maio de 1952, Guimarães Rosa empreendeu sua célebre expedição pelo sertão. A viagem inspiraria 'Corpo de baile', lançado no início de 1956, meses antes de sua obra-prima, 'Grande sertão: veredas', ser publicada.

Ao longo dos 241 quilômetros que dividem as fazendas Sirga (em Três Marias) e São Francisco (em Araçaí, nas proximidades de Sete Lagoas), Guimarães Rosa conheceu e conviveu com Manuelzão (o capataz), Zito (o guieiro e cozinheiro), Bindóia (o tocador de berrante), Tião Leite, Gregório, Santana e Pedro Baiano. Com os boiadeiros, transportou 180 cabeças de gado.

Todos os personagens desta história já morreram, à exceção de um. Chico Moreira não acompanhou o primo sozinho. Levou consigo o filho caçula, de nome também Francisco, um garoto que, aos 17 anos, sabia manejar uma boiada. Tinha sido inclusive cozinheiro e capataz de uma viagem. Era o sétimo filho de Chico, um garoto muito branco, loiro, de olhos verdes. Tão branco que chegava a incomodar a mãe, que chamava o menino, desde pequeno, quando o aninhava, de meu “preto, criolinho”, para ver se ele pegava uma cor.

Desta maneira, Francisco Guimarães Moreira Filho virou Criolo. E para toda a vida. Ainda hoje, aos 80 anos, ele só gosta de ser chamado pelo apelido. Se alguém chegar a Sete Lagoas perguntando por Francisco, ninguém vai saber quem é.

Passado 

Única testemunha viva da expedição, Criolo sabe reverenciar o passado. Guarda todas as imagens da época, reproduções das fotografias que Eugênio Silva fez para a revista O Cruzeiro no final da viagem. E fala da aventura como se fosse ontem.

“Guimarães Rosa falou com papai: ‘Eu escrevo, mas não vejo. Quero sentir de perto a boiada, tenho vontade de conhecer o sertão’”, conta Criolo. Chico Moreira preparou o terreno para a chegada do primo. Que chegou a Araçaí de trem de ferro. Chico e Criolo pegaram Guimarães, o levaram no tal jipe 51 para a Fazenda São Francisco e lá pernoitaram. No dia seguinte, rumaram, ainda de jipe, para a Sirga.

“Lá ele andou a cavalo uns dias para poder treinar. Ele não sabia montar”, relembra Criolo. Mas pegou o jeito rapidinho. Após o treinamento, o grupo de vaqueiros, mais Chico, Criolo e Guimarães Rosa, fez a saída da boiada, que não era uma coisa nada fácil.

Guimarães Rosa seguiu viagem com os vaqueiros, enquanto Chico e Criolo foram cuidar da vida. A viagem pelo sertão estava prevista para durar 10 dias. O dono da boiada, temeroso do que pudesse ocorrer com o primo da cidade, resolveu buscá-lo mais cedo. “Vamos encontrar com eles em Andrequicé, porque Guimarães Rosa não vai dar conta de ir a cavalo. Ele já conheceu o sertão, lidou com peão, a vontade que ele queria foi feita. Pode ir embora de carro com a gente”, foi o que o dono da boiada disse ao filho.

Porém, ao encontrar o grupo, Chico Moreira levou um redondo não de Guimarães Rosa. “Ele disse para papai que não iria embora de jeito nenhum, que queria ir a cavalo até o fim”, relata Criolo. Vontade feita, Chico e o filho saíram a cavalo de madrugada, se reuniram com o grupo e fizeram todo o caminho de volta até a Fazenda São Francisco.

Foi na parte final da viagem que eles se encontraram com a equipe d’O Cruzeiro (além de Eugênio Silva, estava o repórter Álvares da Silva). Lá em São Francisco, Criolo relembra, o fotógrafo pediu que o grupo remontasse o acampamento que havia feito durante a viagem. Também fez a imagem em frente ao curral, com o escritor, Chico Moreira, Criolo e os boiadeiros enfileirados.

Expedição de Guimarães Rosa - Sebastião Leite, Gregório, Zito, Manuelzão,
Guimarães Rosa, Bindoia, Santana, Criolo e Chico Moreira
em frente ao curral da Fazenda São Francisco, em Araçaí, em 1952

Curral 

Hoje, a Fazenda São Francisco não mais pertence à família Moreira. A casa, muito simples, é outra, mas o curral permanece o mesmo, passados 63 anos. Criolo continua montando a cavalo. Tanto que, em 2007, abrindo as homenagens do centenário de Guimarães Rosa (nascido em 27 de junho de 1908), comandou expedição com o mesmo percurso entre a Sirga e São Francisco, mais uma vez entre 17 e 26 de maio.

Foi um grupo grande, mais de 40 pessoas. Criolo era o único que havia participado da expedição original. Na equipe estavam ainda os dois netos dele, Tiago e Rafael. “Na época da primeira vez, era sertão mesmo. Tinha lugar que você passava horas e horas sem achar porteira, cerca. Era tudo aberto. Quando fomos em 2007, quase tudo era plantado de eucalipto. A originalidade do sertão tinha acabado”, conta ele.

A originalidade com que o primo distante recriou o sertão que Criolo conhecia tão de perto chamou a atenção dele. A exemplo de Chico Moreira, Criolo nunca leu Guimarães Rosa. “A gente achou muito estranho ele fazer uma viagem pelo sertão para escrever um livro chamado 'Corpo de baile'. Depois saiu 'Grande sertão' e foi um sucesso. E papai não deu conta de ler. O linguajar de Guimarães era muito evoluído, sei lá dizer. Também não consegui”, assume Criolo.

Guimarães Rosa e Chico Moreira nunca mais se viram depois da viagem. Mas mantiveram contato, como atesta carta enviada do Rio de Janeiro à Fazenda São Francisco em 6 de outubro de 1952. Passados cinco meses de sua imersão pelo sertão, Guimarães Rosa se considerava “apenas um diplomata-vaqueiro”.

Lembrança da Fazenda

“E na Sirga? Como vai o pessoal de lá? Estou sempre me lembrando deles, dos bons companheiros. O papagaio está gordo e alegre, magnífico. Aprendeu muita conversa carioca, mas não se esqueceu do repertório sertanejo: canta, chora como menino pequeno, e sabe chamar as vacas, com notável entusiasmo – o que faz, sem falta, todas as madrugadas”.

Transcrito de http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/arte-e-livros/2015/08/04/noticia_arte_e_livros,170268/unico-remanescente-da-expedicao-de-guimaraes-rosa-pelo-sertao-relembra.shtml

Amônio



Cristiano Alves

Antônimo de mim
Sinônimo de você
Anônimo célebre
Heterônimo igual
Pseudônimo real
Polinômio físico
Hormônio estéril
Neurônio errante
Patrimônio grátis
Matrimônio a sós
Ozônio pelo chão
Antônio nenhum
Demônio interior.

Transcrito de http://me-estranha-se.blogspot.com.br/2014/02/amonio.html

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Press Release 045 – 29 de abril de 2016

Editorial
   Evento movimenta a vida acadêmica na crise http://bit.ly/24bpUnV

Artigo  
   I Jornada de Literatura, Artes e Ensino http://bit.ly/1O21rVl

Poesia
   O poeta mais feio http://bit.ly/26CXYIt

Ensaios
   A leitura no Brasil: sua história e suas instituições http://bit.ly/1N9cHEE

Clássicos da Literatura
   Euclides da Cunha http://bit.ly/1pkkcqX

Saberes na Rede
   Existe cura gay? http://bit.ly/24bqF0h

Notícias

   Clube da literatura incentiva meninas na busca por histórias em MG http://bit.ly/24bqPok

   Biblioteca Digital da BN completa 10 anos http://bit.ly/1TBp5we

   Leitor digital se agarra a nicho para não sumir http://bit.ly/1WwGbxI

   Biblioteca Parque recebe Fórum do PMLLB http://bit.ly/1Un2ZzU

   Bienal do Livros de Minas bate recordes http://bit.ly/1YWZkbl

   Editora Vozes lança selo que reúne clássicos da literatura mundial http://bit.ly/1QGpdGl

   12 dicas para escritores iniciantes por George R. R. Martin http://bit.ly/1WYPasc

   Na Alemanha, Rufatto vence prêmio Hermann Hesse 2016 http://bit.ly/1VYe7VO

   Gaboteca: legado de Gabriel García Márquez fica disponível on-line http://bit.ly/1r4sdr5

   Projeto lista 100 livros com protagonistas negras http://bit.ly/1QGpmJL

   Biblioteca inglesa completa 600 anos e tem o primeiro livro do mundo http://bit.ly/1SVbwee

O Prazer da Leitura
   Rastro de Leituras http://bit.ly/1VYewrg

Imagem
   Mulheres e Leitura http://bit.ly/1YX09Ri

Prof. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor


Se desejar ler os demais Press Release, clique em http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - Evento movimenta a vida acadêmica na crise

A primeira Jornada de Literatura, Artes e Ensino é promovido pelo Colegiado de Letras do Campus de Araguaína e consegue avanços aos reunir docentes, escritores e poetas dos quatro cantos do Estado. O Evento acadêmico agregou debatedores, temas do momento como a irrelevância da literatura para organismos governamentais e os avanços relevantes conquistados pelo debate desses assuntos.

Esta edição de Leituras retoma a Poesia com 'O poeta mais feio', um Ensaio sobre 'A leitura no Brasil: sua história e suas instituições'; disponibiliza a obra de Euclides da Cunha na plataforma Clássicos da Literatura, e apresenta o debate do tema da homossexualidade em Saberes na Rede. As Notícias cobrem assuntos como o Clube da Literatura que mobiliza meninas, o aniversário do setor digital da Biblioteca Nacional, o nicho do leitor digital, a Biblioteca Parque debate, Plano Municipal do Livro e da Leitura no Brasil, a Bienal de MG, os clássicos lançados pela editora Vozes, as dicas para escritores iniciantes, o brasileiro que levou o prêmio Hermann Hesse 2016, a biblioteca de Gabriel Garcia Márquez, os 100 livros com protagonistas negras, e a biblioteca inglesa de 600 anos. Os temas ilustrativos são tratados em Imagem e O Prazer da Leitura.

Boa Leitura no fim de semana!

I Jornada de Literatura, Artes e Ensino

Antonio Carlos Ribeiro

A primeira jornada de literatura, artes e ensino, realizada nos dias 25 e 26 de abril, reuniu professores de linguística, literatura, língua e história da Universidade Federal do Tocantins, dos campi Araguaína, Palmas, Miracema, Porto Nacional e Gurupi, além de escritores e poetas convidados e dos que docentes que ministraram cursos para professores da rede pública do município de Araguaína, em torno do tema: ‘O que pode a Literatura?’

Os diversos temas que se desdobram deste eixo central foram tratados em seis mesas, sendo duas pela manhã e uma à noite, contando com professores representantes de abordagens diferentes mas convergentes, além dos que mediaram os debates nas mesas, que trataram de temas como: O que pode a Literatura produzida no Tocantins?; O que pode a Teoria Literária e a Literatura no ensino? e O que pode a poesia?, no primeiro dia. Para o segundo dia ficaram temas como Literatura, Semiótica e Ensino; O que pode a Literatura de Língua Estrangeira no ensino? e O que pode a poesia?! e O que pode e a Literatura?! Os alunos dos cursos de Graduação prestigiaram os eventos, acompanharam as exposições e dirigiram perguntas aos docentes que integraram as mesas.

A mesa: O que pode a Literatura de Língua Estrangeira no ensino?, com a participação das docentes Miliane Cardoso Vieira, Elisa Borges Alencar e Andréa Mateus, mediadas por Fátima Falcão  

Ao lado desse conjunto de atividades teóricas consistentes, envolvendo apresentação de palestras, perguntas e debates, de manhã e à noite, houve ainda a apresentação de comunicações de alunos nas tardes dos dois dias, coordenadas por outros docentes, realizadas em salas do Prédio H. Neste mesmo horário foram realizados minicursos no Anfiteatro, sobre Literatura Infantil e Juvenil, tendo como público-alvo os professores da Secretaria Municipal de Educação de Araguaína. Houve ainda palestrantes que não puderam participar por razões pessoais.

As atividades da noite sempre foram iniciadas com uma apresentação cultural, que teve apresentação de poemas e música, na segunda-feira, e uma apresentação de Makulelê e Samba de Roda, pelo grupo Casa da Capoeira, do Mestre Anzol, na terça-feira. Do mesmo modo, essas atividades foram concluídas com sorteios de brindes para os participantes.





O Grupo Casa de Capoeira se apresentou, mostrando sua arte e encantando o público acadêmico... 




... trazendo o Makulelê e o Samba de Roda, sempre de forma ritmada e sob a direção do Mestre Anzol




                                                         

O evento foi administrado por uma Comissão Organizadora composta pelos professores Eliane Testa, coordenadora geral, e Márcio Araújo e Janete Santos, como vice-coordenadores adjuntos, que atuaram com outros sete docentes na Comissão Científica, e alunos e alunas que compuseram a Comissão Organizadora desta jornada.

A avaliação geral da coordenação é que o evento alcançou os objetivos previstos, mostrou parte da produção acadêmica desenvolvida nos cursos de Letras nos diversos campi. Ademais a participação do público foi intensa, se tornando efusiva em diversos momentos – levantando questões relevantes e até provocando palestrantes – em relação aos temas e abordagens.

O poeta mais feio



Cristiano Alves

A minha magreza abrange um vazio
Um metro e oitenta que não condiz
Ao tamanho que é minha pequenez,

Distribuída em ossos que me doem
Ou nas feridas que só são retocadas
Sob um peito asmático de tanto ser,

Alguém que escreve suas cicatrizes
Num rosto oleoso e escondido de si
Para que não se olhe outras belezas,

Uma contemplação das fisionomias
Que não cabe em mim, corpo-morto.

http://me-estranha-se.blogspot.com.br/2015/04/o-poeta-mais-feio.html