sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Press Release - Ano 3 - nº 062 – 30 de setembro de 2016

Editorial
   MP do Ensino Médio expõe estupidez do governo http://bit.ly/2dtG3Al

TV Leituras
   TV Brasil - Ver TV - Jornalistas na cobertura da crise política http://bit.ly/2dlAToB

Artigos
   Cinema: Aquarius - a energia para continuar a lutar http://bit.ly/2diszqS

Política
   O Brasil na camisa de força http://bit.ly/2cTAzhr

Entrevista
   Luciano Da Ros: Não há um poder Judiciário no Brasil, mas 17.000 magistrados http://bit.ly/2cISrx5

Notícias
   Projeto itinerante de leitura é realizado em Uberaba http://bit.ly/2dIaUaf

   Lei que cria Política de Leitura e Escrita terá consulta http://bit.ly/2cITayl

   Argentina exibe manuscrito de Jorge Luis Borges encontrado no Brasil http://bit.ly/2dzL4sR

   Samba ironiza 'açúcar' tucano http://bit.ly/2dzNmYQ

   A hora e a vez de Sua Majestade, a Hipocrisia http://bit.ly/2dgfsJ5

   Bibliotecas terão programa de leitura para bebês e crianças de até 4 anos http://bit.ly/2dgVM4H

   Escolas de São Paulo inovam para formar leitores http://bit.ly/2dgg5Ch

O Prazer da Leitura
   Aprimorar para evitar desastres http://bit.ly/2dOKK8L

Imagem
   TV Espelho de Circo – deformação http://bit.ly/2dismDX


Prof. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor

Se desejar ler os demais Press Release, clique no blog Leituras http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - MP do Ensino Médio expõe estupidez do governo

A capacidade de atuar na administração, ter consciência de serviço ao país, e  firmeza e coragem para decisões - que pararam momentaneamente com o golpe que resultou no afastamento da Presidenta eleita - o vice só tramou, mentiu, traiu, e se apossou do cargo, em que mostrou-se mais incapaz ainda que apenas nas tarefas de substituição.

Além de envolver-se em malfeitos, crimes financeiros e entrega de riquezas naturais a preço irrisório, tocou essa semana na área da educação, na qual se mostrou um desastre ainda maior. Querer mexer no ensino médio e cortar disciplinas fundamentais. A justificativa para o texto caótico, com proposta ridícula e com falhas gramaticais, explicados como 'erros de digitação'. Depois veio a Medida Provisória, tocando na área mais sensível e maior poder de mobilização.

Embora já haja ações em diversas cortes, o STF tem sido pressionado a consertar o que podia ter evitado - já que sua tarefa é interpretar a Constituição - impugnando o golpe, contendo o desmonte do Estado, e impondo limites legais ao impostor. Já que a inação tem um alto custo para o país. 

Esta edição do Leituras traz matéria sobre a cobertura jornalística durante o golpe, em TV Leituras; o Artigo Cinema: Aquarius - a energia para continuar a lutar; a reflexão Política sobre O Brasil na camisa de força; a Entrevista que mostra a desarticulação do Judiciário; a demanda de evitar desastres em O Prazer da Leitura, e a TV Espelho de Circo - deformação, em Imagem. Em seguida, fatos das diversas leituras em Notícias:

Projeto itinerante de leitura é realizado em Uberaba

Lei que cria Politica de Leitura e Escrita terá consulta

Argentina exibe manuscrito de Jorge Luis Borges encontrado no Brasil

Samba Ironiza 'açúcar' tucano

A hora e a vez de Sua Majestade, a Hipocrisia

Bibliotecas terão programa de leitura para bebês e crianças de até 4 anos

Escolas de São Paulo inovam para formar leitores.

Vamos fazer boas leituras! E lutar por melhoras significativas.

TV Brasil - Ver TV - Jornalistas na cobertura da crise política




Cinema: Aquarius - a energia para continuar a lutar

Aquarius é um totem da resistência permanente dos brasileiros contra o esbulho dos
usurpadores e da energia da qual precisamos para botá-los para fora

Léa Maria Aarão Reis*

Quando um evento gera imensa expectativa antes de se concretizar, é frequente a decepção quando ele acontece. O objeto da espera invade a imaginação dos que aguardam  e inflaciona, na fantasia, a versão do acontecimento. Perde-se a dimensão do real. A data da partida, o dia da chegada, a noite da grande festa, do encontro decisivo. Da estreia de um filme muito badalado.

Não é o caso de Aquarius, cujo autor, de 48 anos, é um dos mais competentes cineastas brasileiros da sua geração, o pernambucano Kléber Mendonça Filho, de Recife, de formação jornalística. Aquarius não desaponta. Pelo contrário. Eletriza milhares de espectadores e é consagrado, durante e no final das sessões dos cinemas onde é exibido, como ocorreu no último fim de semana.

Depois de quatro meses aguardando para estrear no Brasil, desde o histórico fora-temer da sua equipe, nas escadarias do Festival de Cinema de Cannes, em maio passado, o filme protagonizado por Sonia Braga atinge uma marca rara de bilheteria - duzentos mil espectadores nos seus dez primeiros dias; sessões lotadas, calorosos aplausos e gritos de protesto das plateias contra o mordomo e o golpe de estado.


Aquarius se firma além da sua dimensão estritamente cinematográfica, que é admirável, e se torna um filme/ícone. É o totem da resistência permanente dos brasileiros contra o esbulho dos meliantes usurpadores do governo e da energia da qual precisamos para botá-los para fora.

Neste começo de carreira a sua trajetória é notável embora acabe de ter sido golpeado pelo governo através de uma comissão, sem representatividade e sem ética (um dos membros é daquela crítica mal cheirosa donão-vi-e-não-gostei de certos filmes), que tradicionalmente aponta as produções brasileiras a serem escolhidos por Hollywood como candidatas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Apesar do revanchismo político com gosto de vingança infantil, Aquarius já pode prescindir da benção de um Oscar. Ganhou prêmios nos festivais de Amsterdã, no Transatlantyk, da Polônia, em Lima, no Peru e em Sidney, na Austrália. Fez furor na Europa e esta semana está sendo mostrado no Festival de Cinema de Toronto – isto, por enquanto.

Já está vendido para o Netflix internacional, comprado para exibição em cinemas de 60 países e é praticamente unânime a crítica que recebe dos mais influentes jornais ocidentais. Um grande filme.

Portanto, não conceder ao Brasil a honra de apresentar Aquarius como candidato ao Oscar, é como não convocar Neymar para a seleção de futebol porque ele seria contra o golpe, diz-se nas redes sociais. Mais um escândalo internacional do governo temer. Mais um tiro no pé.

Os produtores do filme formam um time da pesada. Além dos  franceses Michel Merkt e Emilie Lascaux, Saïd ben Saïd está no grupo. É o respeitado produtor franco-tunisiano que costuma captar recursos para filmes de Polansky, Brian de Palma e Barber Schroeder. Os brasileiros Walter Salles e Carlos Diegues são co-produtores.

A espinha dorsal do roteiro de autoria de Mendonça traz um admirável e fascinante retrato de mulher forte e potente - idosa? madura? velha? meia-idade? -, a Clara de Sonia Braga, de 66 anos. Clara é o símbolo da mulher da geração libertária dos meados dos anos 60, corajosas mulheres da contracultura que romperam os padrões patriarcais vigentes até então. Clara é da leva de geração que se seguiu, nos anos 70/80.

Viúva, mãe de três jovens adultos, tem netos e é jornalista aposentada. Desde a juventude vive no apartamento do primeiro andar do Aquarius (na realidade, o edifício Oceania) defronte do mar, na praia da Boa Viagem, no Recife, onde criou os filhos e viveu boa parte de sua vida.

Interessados em construir uma torre, um prédio/pombal moderno, naquele espaço, os responsáveis pela empresa Bonfim já adquiriram todos os apartamentos do prédio, menos o de Clara. Por mais que tenha deixado claro que não pretende vendê-lo – o seu ninho afetivo -, ela sofre um assédio cada vez mais agressivo para mudar, por parte de um coronel transmutado (hoje) em empresário, e seus filho coxa que estudou nos Estados Unidos (netos dos entulhos da ditadura civil-militar de 64) e voltam “com os olhos cheios de sangue” (como diz o personagem) para começar a trabalhar aqui.

Com habilidade, o tom da narrativa pouco a pouco vai  transformando o universo plácido da protagonista numa história de quase-suspense onde o pano de fundo permanece a questão urbana e social desumana: a  gentrificação de bairros e quarteirões das grandes cidades brasileiras entregues à sanha de grupos da indústria imobiliária e da construção civil.

Em Boa Viagem, por exemplo, em determinado momento, Clara mostra ao filho e à jovem nora a língua negra de esgoto, na areia, que divide a avenida da praia das edificações onde mora a classe média e alta separada dos casebres da favela. Insinua-se que a favela, é óbvio, com o tempo será engolida. “Num país em que para tudo há um jeitinho, as cidades acabam sendo uma grande confusão,” diz o diretor.

Para ele “o filme é de resistência e é um pouco um filme de sobrevivência.” Mas “trata-se de um filme sobre a energia necessária para existir. Às vezes cansa, mas há que encontrar mais energia para continuar a lutar.“

Na perspectiva cinematográfica, Aquarius me empolga por três principais razões: é cinema de substantivos fortes com pouca adjetivação. Como nos filmes de mestres, uma imagem nele vale por toda uma sequência, o que dá vontade de assisti-lo novamente. Por isto, Mendonça é saudado, com razão, como um diretor com domínio absoluto do cinema.

O trabalho poderoso de Sonia Braga é um capítulo á parte ao qual se deve voltar. E me fascina porque é impregnado da sensualidade de Recife e do Nordeste, no sentido mais largo, como é O Som ao redor (2013) outro belo filme do cineasta. A sensualidade trazida pela própria sedução e pela sexualidade intacta, apesar do câncer de mama e da idade, da vigorosa Clara cujo nome é um dos inúmeros símbolos, signos e chaves que permeiam a narrativa clara e serena tocada com a trilha musical deliciosa.

Na sua sensualidade Aquarius tem o doce perfume dos cajus que o lendário escritor  Rubem Braga sempre pedia aos amigos - “uma caixinha” - para trazerem para ele, na sua cobertura em Ipanema.

Discriminar Aquarius é passar mais um recibo da grossura e da burrice do governo golpista. É reforçar o que escreveu o crítico do jornal The Guardian, Peter Bradshaw – será ele um petralha?:

"Essa rica e misteriosa história brasileira é sobre desintegração social. Metáfora do Brasil com temas sobre nepotismo, corrupção e cinismo.”

Vamos mudar esta imagem. Fora, temer.

*Jornalista

Transcrito de http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/Aquarius-A-energia-para-continuar-a-lutar/39/36855

O Brasil na camisa de força

Mauro Santayana

Seguindo a linha de criação de factoides adotada por setores do governo interino – exibe-se a bandeira da “austeridade” com a mão e aumenta-se, com a outra, em mais de R$ 60 bilhões as despesas, proventos e contratações. Uma das novidades da equipe econômica interina é a criação de um “teto” para as despesas do setor público para os próximos 20 anos. A principal desculpa para engessar ainda mais o país – e até mesmo investimentos como os de saúde e educação – é, como sempre, o velho conto da dívida pública. Segundo jornais como O Globo, a dívida bruta do Brasil somou R$ 4,03 trilhões em abril, o equivalente a 67,5% do Produto Interno Bruto (PIB) – e pode avançar ainda mais nos próximos meses por conta do forte déficit fiscal projetado para este ano e pelo nível elevado da taxa de juros (14,25% ao ano).

E daí? A pátria do Wall Street Journal, os Estados Unidos, multiplicou, nos primeiros anos do século 21, de US$ 7 trilhões para US$ 23 trilhões a sua dívida pública bruta, que passou de 110% do PIB este ano, e se espera que vá chegar a US$ 26 trilhões em 2020. A Inglaterra, terra sagrada da City e The Economist, que tantas lições tenta dar – por meio de matérias e editoriais imbecis – ao Brasil e aos brasileiros, mais que dobrou a sua dívida pública, de 42% do PIB em 2002 para quase 90%, ou 1,5 trilhão de libras esterlinas (cerca de US$ 2,2 bilhões), em 2014. A da Alemanha também é maior que a nossa, e a da Espanha, e a da Itália, e a do Japão, e a da União Europeia...

Já no Brasil, com todo o alarido e fantástico mito – miseravelmente jamais desmentido pelo partido – de que o PT quebrou o Brasil, a dívida pública em relação ao PIB diminuiu de quase 80% em 2002, para 66,2% do PIB em 2015. Enquanto a dívida líquida caiu de 60% para 35%. E poupamos US$ 414 bilhões desde o fim do malfadado governo de FHC (US$ 40 bilhões pagos ao FMI mais R$ 374 bilhões em reservas em internacionais). E somos um dos dez países mais importantes do board do FMI, e o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Obras estratégicas, como Itaipu, seriam impensáveis sem a iniciativa do Estado
(Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional)

Então vamos à inevitável pergunta: por que será que os países mais importantes do mundo e as chamadas nações “desenvolvidas” são, em sua maioria, os mais endividados?

Será que é porque colocam o desenvolvimento na frente dos números? Será que é porque não dão a menor pelota para as agências de classificação de risco, que, aliás, estão a seu serviço, e nunca os “analisaram” ou “rebaixaram” como deveriam? Será que é por que conversam fiado sobre países como o Brasil, mas não cumprem as regras que não param – para usar um termo civilizado – de “jogar” sobre nossas cabeças? Ou será que é porque alguns, como os Estados Unidos, estabelecem seus objetivos nacionais, e não permitem que a conversa fiada de economistas e banqueiros e a manipulação “esperta” de dados, feita também por grupos de mídia que vivem, igualmente, de juros, sabote ou incomode seus planos estratégicos?

Todas as alternativas anteriores podem ser verdadeiras. O que importa não é o limite de gastos. Nações não podem ter amarras na hora de enfrentar desafios emergenciais e, principalmente, de estabelecer suas prioridades em áreas como energia, infraestrutura, pesquisa científica e tecnológica, espaço, defesa. O que interessa é a qualidade do investimento.

Como não parece ser o caso, como estamos vendo, dos reajustes dos mais altos salários da República, e dos juros indecentes que o Estado brasileiro repassa aos bancos, os maiores do mundo. Que tal, senhor ministro Henrique Meirelles, adotar a mesma proposta de teto estabelecida para os gastos públicos exclusivamente para os juros e os respectivos bilhões transferidos pelo erário ao sistema financeiro todos os anos? Juros que não rendem um simples negócio, um prego, um parafuso, um emprego na economia real – ao contrário dos recursos do ­BNDES, que querem estuprar em R$ 100 bilhões para antecipar em “pagamentos” ao Tesouro?

Agora mesmo, como o ministro Meirelles deve saber, os juros para igual efeito na Alemanha – com uma dívida bruta maior que a do Brasil – estão abaixo de zero. Os títulos públicos austríacos e holandeses rendem pouco mais de 0,2% ao ano e os da França, pouco mais de 0,3% porque são países que, mesmo mais endividados que o Brasil, não são loucos de matar sua economia, como fazemos historicamente – e seguimos insistindo nisso, com os juros mais altos do planeta, de mais de 14% ao ano, e outros, ainda mais pornográficos e estratosféricos, para financiamento ao consumo, no cheque especial, no cartão de crédito etc.

A diferença entre países que pensam grande e países que pensam pequeno, senhor ministro Henrique Meirelles, é que os primeiros decidem o que querem fazer, e fazem o que decidiram, sem admitir obstáculo entre eles e os seus objetivos. Enquanto os segundos, por meio da ortodoxia econômica – e do entreguismo –, antes mesmo de pensar no que vão fazer, submetem-se servilmente aos interesses alheios, e criam para si mesmos obstáculos de toda ordem, adotando – como as galinhas com relação à raposa na reforma do galinheiro – o discurso alheio.

Aqui, senhor ministro, não determinamos nem discutimos, nem defendemos interesses nacionais, e quando temos instrumentos que possam nos ajudar eventualmente a atingi-los, como ocorre com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, nos dedicamos a enfraquecê-los e destruí-los.

Cortando onde não se deve e deixando de cortar onde se deveria, estão querendo matar o Estado brasileiro, que, de Brasília a Itaipu, foi responsável pelas maiores conquistas realizadas nos últimos 100 anos – na energia, na mineração, na siderurgia, no transporte, na exploração de petróleo, na defesa, na aeronáutica, na infraestrutura.

Não existe uma só área em que, do ponto de vista estratégico, a iniciativa privada tenha sido superior ao Estado, como fator de indução e de realização do processo de desenvolvimento nacional nesse período – até porque, fora algumas raras, honrosas exceções, ela coloca à frente os seus interesses e não os interesses nacionais.

E é com base justamente na premissa e no discurso contrário, que é falso e mendaz, que se quer justificar uma nova onda de entrega, subserviência e privatismo, com a desculpa de colocar em ordem as contas do país, quando, no frigir dos ovos, nem as contas vão tão mal assim. Basta compará-las às outras nações para perceber isso. As dificuldades existem muito mais no universo nebuloso dos números, que mudam ao sabor dos interesses dos especuladores (onde está a auditoria da dívida?) do que na economia real.

Se a PEC do Teto, como está sendo chamada pelo Congresso, for aprovada, as grandes potências, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha – ainda que mais endividadas que o Estado brasileiro – continuarão progredindo tecnológica e cientificamente, e se armando, e se fortalecendo, militarmente e em outros aspectos, nos próximos anos, enquanto o Brasil ficará, estrategicamente, inviável e imobilizado, e ainda mais distante dos países mais importantes do mundo.

Para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e competitivo, senhor ministro Henrique­ Meirelles, o Brasil precisa de estratégia, determinação e bom senso. E não de mais camisas de força.

Transcrito de http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/119/mauro-santayana-o-brasil-na-camisa-de-forca-3863.html

Luciano Da Ros: Não há um poder Judiciário no Brasil, mas 17.000 magistrados

Para Luciano Da Ros, Pesquisador da UFRGS, a autonomia sem transparência está na
raiz de ações de juízes contra jornalistas (Marco Santiago)

André de Oliveira

Em uma semana pulou de 37 para 45 o número de processos movidos por juízes e membros
do Ministério Público do Paraná contra jornalistas da Gazeta do Povo, que publicaram uma
série de reportagens, em fevereiro deste ano, tratando de supersalários no Judiciário do Estado.
Mas outras novidades relacionadas ao caso também aconteceram: o trabalho da equipe do
jornal recebeu o prêmio Liberdade de Imprensa da Associação Nacional de Jornais (ANJ), de
2016, e o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) declarou que a
moção das ações é um “suicídio institucional”.

Apesar das boas notícias para os jornalistas, contudo, a disputa judicial continua. Em entrevista ao EL PAÍS, o cientista político e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciano Da Ros, fala sobre problemas históricos do Judiciário brasileiro que, segundo ele, explicam em parte as ações movidas contra a Gazeta do Povo. Dedicando-se a diferentes campos de pesquisa, Da Ros tem um trabalho que foca na eficiência da Justiça no Brasil, levantando dados sobre gastos, transparência, celeridade etc.

El País - Você tem apontado que o Judiciário brasileiro é hoje o mais caro do mundo e que há muito pouco incentivo para que os Tribunais controlem seus gastos. Isso é uma exclusividade desse poder?

Da Ros - Não. É uma realidade comum à burocracia de forma geral, só que isso acaba sendo mais verdadeiro no caso de órgãos que têm uma autonomia muito grande, como é o caso do poder Judiciário no Brasil. Por exemplo, quando falamos em ajuste fiscal ou reformas no Estado, pensamos logo no Executivo, e nunca entram na lista o Legislativo ou o Judiciário. Quem acaba pagando a conta é o funcionalismo público do Executivo. Por quê? Porque existe certa facilidade no controle que vem de cima, da chefia do Executivo. Ou seja, dos governadores, prefeitos e presidentes eleitos. Só que esse comando centralizado e legitimado pela população não existe no poder Judiciário, até porque, em quase todos os casos, a liderança desses órgãos é eleita por seus próprios pares. A falta de incentivo para controle de gastos é generalizada, mas em órgãos com muita autonomia, cresce.


Nesse ponto, a imprensa tem papel de controle, não?

Sim. Eu diria que a maior parte das grandes reformas que a gente teve no Brasil para a melhoria da eficiência do poder Judiciário, que não envolvem apenas orçamento, mas também gestão de processos e outras coisas, não partiram de dentro dele. Posso exemplificar a partir de dois casos significativos. O primeiro, e mais recente, é a criação do Conselho Nacional de Justiça [CNJ]. Idealizado como um órgão de controle externo do Judiciário, sua criação fez parte da campanha presidencial de Lula, em 2002, e teve como principal defensor o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Só que a criação desse órgão era um tema que já tinha sido colocado lá na Constituinte, em 1988. O segundo, e mais antigo, é a implantação dos Tribunais de Pequenas Causas, hoje chamados de Juizados Especiais. A ideia por trás disso era dar maior celeridade e menor custo para o Judiciário. Embora existissem iniciativas em um ou outro Estado, o esforço para nacionalizar esse modelo partiu, assim como no caso da CNJ, de fora do Judiciário. Veio do então Ministério da Desburocratização. Ou seja, no caso do Judiciário, os esforços para reformas de grande impacto têm partido tanto do Executivo como a partir de mobilizações da opinião pública. As reformas aprovadas por iniciativa do próprio poder Judiciário existem, mas são mais incrementais. Aí, para voltar à questão, os meios de comunicação têm o papel fundamental de chamar a atenção para ineficiências da Administração pública e provocar o debate.

Como você avalia, então, a disputa judicial envolvendo magistrados do Paraná e jornalistas da Gazeta do Povo após a publicação de uma reportagem sobre rendimentos de servidores que acabam extrapolando o teto constitucional?

Diz-se, em todo o mundo, que a liberdade de imprensa deve estar apoiada em um Judiciário independente. E vice-versa: que a imprensa ajuda na autonomia da Justiça, enquanto o Judiciário garante que não haverá interferência de outros poderes no trabalho do jornalista. Se a abertura dessas múltiplas ações no Paraná é, ou não, caso pensado para intimidar a imprensa, o fato é que elas estão dificultando o trabalho desses repórteres. Seja como for, esse episódio faz a gente pensar se no Brasil essa relação entre Judiciário e imprensa não é o contrário do que deveria ser.

E o que está na raiz dessa briga judicial?

Acredito que é o fato de que nós tivemos avanços pontuais na Justiça, mas que algumas questões básicas e fundamentais ainda não foram resolvidas. Uma delas é o fato de que o elevado nível de autonomia individual dos membros do Poder Judiciário no Brasil, que é benéfico para manter sua isenção e imparcialidade, pode ao mesmo tempo se tornar prejudicial para a boa administração da Justiça se não for acompanhado de mecanismos de transparência e responsabilização. Só isso é capaz de explicar tanto esse tipo de ação individualizada dos juízes do Paraná, que tem sido vista por setores da sociedade como cerceamento de liberdade de imprensa, como também um dos motivos do custo desproporcional que o Judiciário brasileiro tem.

Como assim?

Um dos efeitos desta enorme autonomia individual dos magistrados é que cada juiz decide da forma que entende e, desse modo, é impossível ter posições claras de como o Judiciário, institucionalmente, decide. A melhor forma de ilustrar isso é dizer que não existe um Poder Judiciário propriamente dito no Brasil, e sim 17.000 magistrados. Quer dizer, toda a ideia do poder Judiciário é que haja independência exatamente para que os juízes tenham isenção de julgar sem que seus próprios interesses afetem o conteúdo da decisão. Para isso, é necessário um bom salário e garantias de que o magistrado não será exonerado ou removido de seu cargo. Contudo, isso não significa que, necessariamente, cada juiz pode decidir um caso da forma como ele sozinho acredita que deve ser decidido. Ele tem que obedecer a legislação, mas também tem que levar em conta as decisões anteriores que foram tomadas em casos idênticos. No Brasil, como esses mecanismos de controle da jurisprudência são recentes e o grau de autonomia dos magistrados individuais é muito alto, ocorre de um juiz decidir de uma forma e, em uma vara vizinha, outro juiz decidir um caso idêntico de outra forma. Isso é terrível, porque toda a ideia de que precisamos da independência do juiz é para que ele possa aplicar a mesma lei aos mesmos casos, para que haja igualdade e não diferença.

Você disse que isso é capaz de explicar as ações dos juízes e também o alto custo do Judiciário. Como entra essa segunda questão?

Hoje no Brasil em diversos casos vale mais a pena tentar a sorte na Justiça do que compor uma solução negociada fora do poder Judiciário. Isso porque as partes envolvidas em um processo não tem segurança sobre qual é ou será a posição do Judiciário a respeito de um determinado conflito, pois não há posições únicas dentro do próprio Judiciário sobre um mesmo tipo de caso. Isso é seguramente uma das causas da explosão de processos no país. Em 1990 eram cinco milhões de novos processos a cada ano, agora são 30 milhões. Para se ter uma ideia, hoje existe cerca de um processo em andamento para cada dois habitantes. Por fim, isso acaba produzindo uma carga de trabalho enorme e a consequência é o Judiciário mais caro do planeta. Enquanto os gastos de países como Espanha, EUA e Inglaterra ficam entre 0,12% e 0,14% do PIB, o do Brasil está na casa do 1,3%.

Você acredita que esse aumento no número de novos processos também está refletido na alta influência do Judiciário na vida política brasileira?

Com certeza. O professor Conrado Hübner Mendes, da Universidade de São Paulo, diz uma coisa muito verdadeira sobre o STF [Supremo Tribunal Federal] que é que não há um Supremo como instituição, mas 11 ministros e cada um deles têm enormes possibilidades de interferência sobre os processos com pedidos de vista, votos individuais, prazos pouco claros para levar os casos a julgamento, para incluí-los na pauta etc. Isso é visto no sistema judicial como um todo e é em parte por isso que os políticos têm levado as questões para a Justiça. É a mesma lógica: já que não se tem certeza das posições do Judiciário, vale arriscar. O problema é que existe pouca política institucional e muita atuação individual.

Mas então onde o Judiciário brasileiro tem sido bem sucedido?

Comparativamente com outros países da América Latina, por exemplo, ele é considerado um dos poderes mais bem estruturados, com maiores recursos, com garantias mais fortes de independência. Quer dizer, nós temos um Judiciário altamente profissionalizado. Há muitas discrepâncias regionais, claro. Por exemplo, no Estado do Maranhão, o primeiro concurso público para servidores aconteceu apenas em 2005, só depois do CNJ ser criado. Mas, de forma geral, temos um Judiciário que tem garantias de independência e atua com muitos recursos. Veja bem, a grande questão é que há pouco controle, pouca transparência e que, quando existe, essas práticas são muito recentes. Ninguém estuda, por exemplo, como funcionam as corregedorias da Justiça. Ou seja, como é que se punem magistrados para além do CNJ? Que tipos de punições existem? Há poucos estudos sobre isso e são questões essenciais para se compreender como se constrói um Judiciário íntegro e probo.


A independência, então, é essencial, mas, ao mesmo tempo fonte de problemas.

Se não houver controle e transparência, sim. Outro exemplo de uma coisa boa, mas que pode ter um reflexo ruim se não houver uma forma de fiscalização eficaz é a facilidade de acesso ao Judiciário. Nosso acesso ao poder Judiciário se ampliou muito ao longo dos últimos anos. E isso é ótimo. Ainda que vários problemas persistam, vários mecanismos foram criados ou se expandiram, como a assistência judiciária gratuita e a própria defensoria pública. Só que ao se diminuir as barreiras para se ter acesso ao Judiciário, um outro problema ficou escancarado: a desigualdade do tratamento de diferentes partes. Veja, por exemplo, a desigualdade expressa na dificuldade em condenar definitivamente um político por corrupção, por um lado, e o fato de que hoje temos 200.000 presos sem julgamento no Brasil, por outro. Esse tipo de desigualdade de tratamento é extremamente danoso em um poder do Estado que deve primar pela igualdade de tratamento. Enfim, para resumir, eu destacaria como pontos bons, embora longe de resolvidos: grau de independência, recursos e acesso. Pontos negativos: desigualdade de tratamento e ineficiência.

Alguns observadores têm apontado que o Judiciário é um dos poderes menos democráticos do Brasil. Isso teria raízes históricas relacionadas à ditadura militar. Você concorda?

A ditadura militar no Brasil operou, grosso modo, com essa arquitetura institucional do Poder Judiciário que está hoje aí, tanto que a LOMAN [Lei Orgânica da Magistratura Nacional] é de 1979. De igual forma, não houve grandes expurgos na magistratura durante a ditadura e basicamente essa máquina que existia agora, existia lá atrás. O nosso Judiciário, então, conviveu com a ditadura, mas conviveu em um sistema de acomodação. O Judiciário foi em grande medida conivente com a ditadura e a ditadura foi conivente com abusos dentro do Poder Judiciário, permitindo remunerações enormes, nepotismo, sistemas de loteamento de cargos e um conjunto de práticas que herdamos e que estamos tentando resolver até hoje.

E houve algum avanço?

Sim. Vem havendo uma enorme renovação dos quadros da magistratura, de forma que hoje a grande maioria dos integrantes do Poder Judiciário ingressou depois de 1988. Há uma mudança gradual da cultura institucional e uma diversificação crescente na magistratura, mas a arquitetura e as práticas institucionais ainda são herdeiras desse sistema de acomodação com os militares. Agora, o nosso Judiciário não é menos democrático necessariamente por ser fruto da ditadura. Ele é um poder menos democrático porque, em suma, ele é o mais independente e menos sujeito a controle. E isso, como já dito, é uma faca de dois gumes. Por fim, ele também é o único dos três poderes que não tem ninguém eleito. Não há mecanismos de legitimação popular. Em alguns países, como nos Estados Unidos, existem eleições, por exemplo. E em vários outros países, o Judiciário funciona por um sistema de indicações, como é com o nosso STF, que é um mecanismo indireto de legitimação popular dos juízes. No nosso sistema Judiciário isso ocorre para apenas alguns cargos. Na maior parte deles, é o próprio Judiciário que seleciona seus integrantes.

Transcrito de http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/16/politica/1466099536_355126.html

Projeto itinerante de leitura é realizado em Uberaba

O projeto cultural itinerante de incentivo à leitura, Maktub, está em Uberaba e ficará  no  Calçadão  da Rua Arthur Machado até o dia  30  de  setembro.  O  movimento  Maktub  é  um  projeto  que  visa  à circulação de livros até então esquecidos nas estantes.

O trabalho do grupo é ir de cidade em cidade, sempre buscando apoio da Secretaria da Cultura local, com objetivo de estimular a leitura, com doações de livros entre moradores, fazendo trocas, recolhendo todas as doações e expondo nas praças locais ou área de grande circulação para que todos possam ler bons livros.

No Calçadão da Arthur Machado, a população pode ter a experiência literária todos os dias das 7h30 às 18h. “As pessoas podem trazer dois livros e trocar por um da bancada, e também aceitamos doações de livros. São livros variados”, explicou um dos coordenadores do projeto, o catarinense Christian Neres.

Transcrito de G1 - 19/09/2016

Lei que cria Politica de Leitura e Escrita terá consulta

Leonardo Neto

O Senado Federal colocou no ar uma consulta pública sobre o Projeto de Lei (PL) 212 / 2016, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE). O projeto, apresentado por José Castilho Marques Neto à Frente Parlamentar do Livro e Leitura em maio passado, traça estratégias permanentes para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil. Atualmente, a “Lei Castilho” aguarda entrar na pauta de votação da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

Sen. Fátima Bezerra é a relatora

Em julho, o senador Paulo Paim (PT / RS) apresentou relatório favorável ao PL. Uma única alteração foi proposta pelo relator. Originalmente, o PL recomendava um prazo de quatro anos para a vigência dos Planos Nacionais de Livro e Leitura (PNLL) elaborados a partir das diretrizes do PNLE. O senador petista propõe que esse prazo seja de dez anos.

Uma vez aprovado na CE, onde tem decisão terminativa, o PL segue para a Câmara dos Deputados, sem ter que passar pelo Plenário do Senado. Caso haja alguma alteração na sua tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto retorna para o Senado onde será finalizado e enviado para a sanção presidencial.

Até o fechamento desta edição, a consulta pública tinha 612 votos favoráveis e quatro votos contra.

Transcrito de Publishnews - 19/09/2016

Argentina exibe manuscrito de Jorge Luis Borges encontrado no Brasil

O manuscrito do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) usado para o famoso conto A biblioteca de Babel, encontrado no Brasil, começou a ser exibido em Buenos Aires, revelou o escritor Alberto Manguel, diretor da Biblioteca Nacional argentina.

“O documento estava em um ambiente lotado de papéis, quadros, fotos, mapas, cartas de rainhas e próceres como San Martín e Rivadavia. Me surpreendeu que, em uma pasta suja, tenha aparecido algo de tanto valor. Fiquei com a voz trêmula, foi uma emoção muito grande”, disse Manguel.


O original está escrito em letra minúscula. A obra pode ser observada na Biblioteca Nacional, que é dirigida há alguns meses por Manguel, um escritor que desenvolveu grande parte de sua carreira fora do país.

Borges foi autor de obras lidas e estudadas em todo o mundo como O Aleph. É considerado o maior escritor argentino da história e um dos grandes da literatura do século 20, mas não recebeu o Nobel.

Manguel trabalhava em uma livraria quando conheceu Borges e iniciaram uma amizade. O autor de História universal da infâmia, afetado pela cegueira, pediu a Manguel que lesse para ele em seu apartamento e isto aconteceu por quatro anos na década de 1960. Borges também foi diretor da Biblioteca Nacional.

Manguel levou o manuscrito para Buenos Aires como um empréstimo. Ele o encontrou quase ao acaso com um colecionador particular em São Paulo.

A biblioteca de Babel foi um dos contos incluídos no livro Ficções (1944), um dos pilares da obra borgeana. A ideia apresentada por Borges é a de um universo com uma biblioteca que contém todos os livros. É considerado uma metáfora sobre o infinito e foi objeto de estudos, inclusive do ponto de vista científico.

“É um autêntico tesouro. Estes papéis têm um valor material indiscutível e, por outro ladom um valor simbólico. Há poucos elementos que formam a simbologia universal e devemos a Borges um destes elementos: o conceito da biblioteca de Babel, que hoje podemos associar a Internet”, disse Manguel.

O valor material do manuscrito é avaliado em US$ 500 mil.

Transcrito de UAI - 14/09/2016

Samba Ironiza 'açúcar' tucano

Perguntado sobre os trocadilhos da música, o autor diz: 'não tem trocadilho, queremos alertar a população sobre os riscos do consumo excessivo de açúcar'

Enquanto a Dilma se defendia na tribuna do Senado, o deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA) sacudia um saquinho de pó branco próximo aos senadores da bancada tucana. O acontecido – que gerou enorme alvoroço nas redes sociais – agora vira um samba de autoria de Carlão do Peruche, Toinho Melodia, Rodolfo Gomes, André Santos e Matheus Crippa.

Rodolfo Gomes, destaque da nova geração do samba paulista, conta que a composição começou quando surgiu o assunto do pacotinho suspeito em um encontro de sambista: “Pairava entre nós a dúvida de quem era a mão que balança o saco, daí descobrimos que o dito cujo era um deputado com um nome extremamente sonoro e musical: “Imbassahy”. Seu Carlão do Peruche soltou o primeiro verso daí o samba veio”, disse Rodolfo.



Considerado o último baluarte vivo do samba de São Paulo, seu Carlão do Peruche  já foi detido e depôs no DOPS por conta de sambas subversivos com críticas veladas à ditadura militar. Toinho Melodia, outro sambista da velha guarda de São Paulo, também é autor de inúmeros sambas que satirizam a política a exploração dos mais pobres.

Para Rodolfo, o samba é uma expressão artística que serve como instrumento de luta, um jeito de passar o recado de forma irônica, positiva: “há uma linhagem de compositores que são cronistas do cotidiano, Noel Rosa, Zé Keti, Adoniran Barbosa e Geraldo Pereira faziam poesia a partir da vida da população, com sarcasmo, inteligência e lucidez. A política e os políticos são temas que pairam sobre esse cotidiano popular.”

Perguntado sobre os trocadilhos da música, Rodolfo não titubeia: “não tem trocadilho, queremos alertar a população sobre os riscos do consumo excessivo de açúcar, obesidade, diabete…”

Estranho Açúcar

Carlão do Peruche, Toinho Melodia, Rodolfo Gomes, André Santos, Matheus Crippa

Desembaça aí, minha gente
Desembaça aí!
Levou um saquinho de açúcar pra rapaziada curtir…
Não era açúcar mascavo (nãaaaao)
Nem tampouco demerara (não, não!)
Não é qualquer bico de arara
Que mete a cara no doce
Não posso lhes dizer quem trouxe
Mas acho que sei de quem é

Ah, é? Ah, é?
Se eu te contar o nome do cara qual é
Ah, é? Ah, é?
Se eu te contar o nome do cara qual é

O açúcar no congresso é de um tipo diferente
Não é ‘Caravela’, tampouco ‘Da Barra’
Vem num saco transparente
Se o café está amargo
Você sabe como é:
Cada um adoça o expresso
Com o açúcar que quiser

Ah, é? Ah, é?
Se eu te contar o nome do açúcar qual é
Ah, é? Ah, é?
Se eu te contar o nome do açúcar qual é

Transcrito de http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Samba-Ironiza-u218acucar-u219-tucano/4/36853

A hora e a vez de Sua Majestade, a Hipocrisia

Lula advertiu os golpistas do Poder Judiciário: 'se acreditam que esta história
está chegando ao final, se preparem, porque está apenas começando'

Eric Nepomuceno, para o Página/12

Existem frases que dispensam comentários e rechaçam desmentidos. Nesta quarta-feira (14/9), quando os jovens promotores da equipe do Ministério Público Federal, responsáveis pela Operação Lava-Jato, disseram que não há provas contra o ex-presidente Lula da Silva, mas sim convicção, ficou claro que o processo contra o político brasileiro está muito mais próximo da Santa Inquisição que da Justiça.

Os abusos e inconsistências apresentadas ao público pelo fiscal encarregado da Lava-Jato, o predicador evangélico Deltan Dallagnol tiveram o efeito de um bumerangue na opinião pública.

O promotor evangélico fascinado pela corrupção, que a busca no mesmo lugar, pirotecnicamente

Fascinado e ofuscado pelas luzes da glória, o jovem e messiânico promotor cometeu erros jurídicos dignos de um menino pedante que não sabe sequer o endereço da escola de direito. O mais evidente e escandaloso desses erros primários foi ter dedicado a maior parte do tempo de sua exposição a apontar Lula como chefe de uma organização criminosa, o centro de um universo solar de corrupção, segundo ele.

Provas? Não há, nenhuma. Mas há convicção, como sentenciou um de seus também jovens assistentes. Baseadas em que? Em dados e indícios. Sendo assim, por que não denunciá-lo por formação de quadrilha? Silêncio.

A reação negativa foi imediata. Da conservadora Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a diários claramente comprometidos com o golpe institucional que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (também sem provas e sem crime) e instalou o usurpador Michel Temer na cadeira presidencial, surgiram diversas críticas, com mais ou menos ênfase ao espetáculo circense oferecido pelo irresponsável e vaidoso promotor Deltan Dallagnol, que tenta projetar uma imagem de salvador da pátria, ao estilo do que a imprensa vem comprando ultimamente, mas que até gora vem mostrando um desempenho bastante desastrado.

Foi ele o autor, por certo, da mais grave e extensa de todas as ações cujo objetivo claríssimo é eliminar do cenário político brasileiro o mais popular dos dirigentes das últimas seis ou sete décadas. Entregou em bandeja de prata, aos detratores de Lula da Silva, um arsenal estrondoso.

Porém, ao mesmo tempo, sua oferta se mostrou uma faca de dois gumes. Era claro que Lula reagiria. Ao transformar seu discurso num feroz pronunciamento político, o pobre Deltan entrou num campo de batalha no qual ele é um torpe e risível amador, e onde Lula é insuperável.

É verdade que ele conseguiu fornecer munição aos que não podem superar Lula nas urnas eleitorais. Alguns, sem limites para a sua hipocrisia, usaram essas mesmas ferramentas para reforçar o discurso violento contra o líder petista. O senador Aécio Neves, por exemplo, um dos cabeças da manobra que resultou no golpe contra Dilma, foi um dos primeiros: logo após ouvir a emotiva defesa pessoal apresentada por Lula da Silva, reclamou da falta de algum tipo de confissão, de mea-culpa por parte dele.

Aécio se esquece que é ele, precisamente, um dos políticos mais denunciados nas delações dentro da Operação Lava-Jato. Claro que ele sabe que jamais deixará de contar com o manto protetor de um sistema judiciário absolutamente politizado, que o vem protegendo de ter que testemunhar, evadindo assim qualquer necessidade de confessar o que seja – e assim continuará sendo.

Dallagnol, em sua caminhada rumo ao trono de Torquemada, abriu as largas avenidas para que Lula pratique uma de suas especialidades mais conhecidas: o discurso da indignação. Ao denunciar também a esposa do ex-presidente, dona Marisa Letícia, o triste promotor permitiu que Lula se dirigisse ao seu público se apresentando não como um ex-presidente vítima de uma injustiça cósmica, ou como um dirigente político que tem que ser derrotado por seus adversários por qualquer método – já que no jogo eleitoral ele continua sendo favorito, como indicam as pesquisas.

Permitiu a ele falar como cidadão indignado. Lula contou as humilhações que vem sofrendo com as ações ilegais e abusivas da Polícia Federal, que atuou sob as ordens de outro membro da Santa Inquisição de Curitiba, o provinciano juiz de primeira instância Sérgio Moro. “Chegaram a revisar debaixo do meu colchão”, contou Lula. “O que buscavam ali? O ouro de Moscou?”. O ex-presidente também contou que se levaram os celulares de suas netas. “Eles não tem o direito de humilhar a minha família”, gritou um Lula emocionado, que chorou umemais de um momento.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, outro dos cabeças do golpe, insinuou que a iniciativa do promotor Dallagnol talvez não tenha sido uma ideia brilhante: “é preciso analisar tudo com muita cautela”. Talvez recomendando, com suas palavras, que se a Justiça tenha a mesma cautela com as denúncias contra o seu partido o PSDB, especialmente as que ocorreram em seus mandatos presidenciais, entre 1995 e 2002 – as que são muitas, e que, diferente das do PT e de Lula, vem sendo tratadas com cautela excessiva.

A hipocrisia chega a níveis olímpicos quando se recorda algo que Lula da Silva destacou em seu discurso de quinta-feira (15/9). Há dois anos, a Polícia Federal encontrou um helicóptero carregado com 400 quilos de cocaína. O veículo pertence ao senador Zezé Perrella, amigo pessoal de Aécio Neves, e seu aliado no golpe e em outros negócios não exatamente republicanos. O fato ocorreu meses antes das eleições de 2014, quando Aécio era o principal candidato da oposição contra Dilma Rousseff, e a total omissão do fato na mídia, além da não investigação do Ministério Público, que levou definitivamente a que terminasse em impunidade, ajudou a candidatura do tucano a chegar ao segundo turno, e ameaçar a vitória petista.

“Comigo, dizem não ter provas, apenas convicção. No caso do helicóptero havia provas, pegaram ele lá cheio de cocaína, o que não havia era convicção”, fulminou um Lula da Silva em estado puro, com certa ironia ressaltando a diferença de tratamento por parte das investigações de um caso de outro.

O mesmo Lula, com a mesma indignação, advertiu os golpistas do Poder Judiciário: “se acreditam que esta história está chegando ao final, se preparem, porque está apenas começando”.

Tradução: Victor Farinelli

Transcrito de http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-hora-e-a-vez-de-Sua-Majestade-a-Hipocrisia/4/36843

Bibliotecas terão programa de leitura para bebês e crianças de até 4 anos

Quem passou pela experiência de ouvir histórias lidas pelos pais quando pequeno dificilmente esquece. Sem falar que essa atitude estimula o hábito de leitura por toda vida. Essa reflexão está presente no programa "Bebelê", que envolve bebês a partir de seis meses e crianças de até 4 anos de idade.

A iniciativa se baseia na teoria de Letramento Infantil (Early Literay), definida pelo National Institute of Child Heath and Human Development (NICHD), que enfatiza a importância do ato de ler e a interação com a leitura para o desenvolvimento infantil.


O programa foi implantado com sucesso na Biblioteca de São Paulo, em 2012, e Biblioteca Parque Villa-Lobos, em 2014, ambas na capital, e agora será desenvolvido em dez bibliotecas do Estado. Desde então, foram desenvolvidas 480 ações, com mais de 3.000 atendimentos.

Participam do projeto equipamentos das cidades de Auriflama, Birigui, Guararema, Jundiaí, Lençóis Paulista, Praia Grande, Presidente Prudente, Igarapava, Itapetininga e Ourinhos, que foram contemplados entre 34 bibliotecas de todo o Estado, inscritas em edital lançado pela Organização Social SP Leituras, em parceria com o Instituto Tellus. O concurso também contou com o apoio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEb) e Secretaria da Cultura.

As instituições selecionadas iniciam agora a implantação do programa por meio da contratação de profissionais que participarão de oficinas em São Paulo para o processo de cocriação e desenvolvimento do projeto. Será um especialista por unidade.

Além disso, as bibliotecas receberão por doação um kit completo composto por acervo de livros-brinquedo, material pedagógico, tablets, TV, móveis e demais recursos para serem empregados nas ações.

Transcrito de http://www.saopaulo.sp.gov.br - 16/09/2016

Escolas de São Paulo inovam para formar leitores

Isabela Palhares

São Paulo – Redes sociais, internet, jogos e televisão. Cada vez mais aumenta a lista de concorrentes dos livros pela atenção dos jovens.

Para que os estudantes descubram o prazer da leitura, escolas particulares de São Paulo estão desenvolvendo projetos para aproximar os jovens dos livros.

O Instituto Pró-Livro, associação de incentivo à leitura, publicou neste ano a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que mostrou que, conforme vão crescendo, as crianças deixam de indicar o “gosto” como motivação para a leitura.

Nas faixas etárias de 5 a 10 anos e de 11 a 13, o “gosto” é apontado como maior motivação por 40% e 42%, respectivamente, dos entrevistados.

Já nas faixas de 14 a 17 e de 18 a 24 anos, essa justificativa cai para 29% e 21%, respectivamente.


Para Zoara Failla, coordenadora do levantamento, a mudança de motivação para a leitura resulta de uma série de transformações na vida do jovem e, na maioria das vezes, não é acompanhada de ações que mostrem como ela pode ser prazerosa.

“O livro na infância é quase um brinquedo, é colorido, cheio de ilustrações e normalmente traz um contato da criança com os adultos. Depois, ele passa a representar uma obrigação que a criança tem na escola, justamente no momento em que descobre novos interesses.”

Para evitar o distanciamento com o mundo da leitura, o Colégio Santa Maria, na zona sul da capital, montou neste ano um book truck (caminhão de livros) para que os alunos do ensino fundamental 2 (do 6.º ao 9.º ano) tenham as obras sempre próximas.

Os próprios estudantes passaram por treinamento, são bibliotecários voluntários do caminhão e têm como responsabilidade organizar os livros e indicá-los para colegas.

“Até o 6.º ano, os alunos frequentam muito a nossa biblioteca, mas quando ficam maiores e com outros interesses – celular, amizades, redes sociais – deixam de frequentá-la e passam a encará-la como um lugar burocrático. Nós queríamos mudar isso e os aproximar da leitura”, afirma Marcia Rufino, orientadora do colégio.

Mateus Aranha, de 13 anos, é um dos que se voluntariou para o projeto. “É bom conhecer mais sobre diversos tipos de livro e indicar para amigos, principalmente para aqueles que dizem que não gostam de ler.”

Sem preconceitos

Para incentivar os alunos a lerem livros e gêneros diferentes dos quais estão acostumados, o Colégio Marista, também na zona sul, fez em julho uma experiência com os alunos.

Antes de saírem de férias, os do fundamental 2 e do ensino médio foram convidados a levar um livro da biblioteca, mas não puderam escolher o título que levariam.

As obras foram embrulhadas em papel pardo e pistas foram espalhadas pela sala. Pela primeira pista que escolheram, os alunos chegavam ao título, sem saber qual era.

“Percebemos que eles só querem ler os best-sellers, os livros que estão em alta nas redes sociais e acham que o restante é chato. A ideia era incentivá-los a não julgar um livro pela capa e estar aberto a experiências literárias”, explica Valéria Santos, bibliotecária do colégio.

No Colégio Humboldt, também na zona sul, autores de livros são convidados a conversar com os alunos sobre os livros que leram.

Segundo a professora de português Daniella Buttler, essa é uma forma de fazer com que os jovens fiquem mais motivados para a leitura.

“Eles se sentem mais comprometidos com a leitura, não porque vão ter uma prova ou atividade sobre o livro. Mas porque vão receber e conversar com quem o escreveu. Essa é uma forma de aproximá-los da leitura.”

Transcrito de O Estado de S. Paulo - 12/09/2016

Aprimorar para evitar desastres


TV Espelho de Circo - deformação


sábado, 17 de setembro de 2016

Press Release 061 – 16 de setembro de 2016

Editorial
   TV Pública assume a Leitura do Golpe http://bit.ly/2ci7AoO

TV Leituras
   TV Brasil - Ver TV - Papel da TV na Crise Política Atual http://bit.ly/2cw7Uw4

Artigo
   A Leitura como prática cotidiana e motivacional http://bit.ly/2cHn5Wq

Notícias
   Universidade de Coimbra lança ferramenta de medição de leitura http://bit.ly/2cHo1tJ

   Após TCC, estudantes publicam livro-reportagem sobre ex-presidiários http://bit.ly/2ci6j11

   Menino de 12 anos lança segunda obra de finanças http://bit.ly/2czBaYc

   O hábito que ajudou Bill Gates, Warren Buffett e Oprah Winfrey alcançarem o sucesso http://bit.ly/2cVi4Ll

   Sem a livraria, Cortez quer crescer e internacionalizar http://bit.ly/2cmUtRq

   Quando a mulher era proibida de ler livros http://bit.ly/2cTN9w3

   Cerca de 300 livros acessíveis serão disponibilizados em bibliotecas públicas http://bit.ly/2cJYs7X

   Na onda do Pokémon Go, livros apostam na realidade aumentada http://bit.ly/2ci6MQT

   Biblioteca celebra aniversário do Rio Tietê com lançamento de livro http://bit.ly/2cmVFEv

   Bibliotecário doa US$ 4 milhões para universidade onde trabalhou http://bit.ly/2cmUYer

   Livro mais misterioso do mundo será finalmente publicado http://bit.ly/2cHO6Hy

O Prazer da Leitura
   Golpe não exige prova, apenas convicção http://bit.ly/2cHQ8am

Imagem
   Leitura libertadora http://bit.ly/2cJYIUs

Prof. Antonio Carlos Ribeiro
Universidade Federal do Tocantins/PPGL/CAPES
Editor

Se desejar ler os demais Press Release, clique no blog Leituras http://bit.ly/1E35ugR

Editorial - TV Pública assume a Leitura do Golpe

O golpe urdido com os que se corromperam nos poderes republicanos provoca o desmonte da estrutura de bem-estar social do país, construída com grandes esforços financeiros e custos políticos na última década e meia.

Para que a sociedade não siga entorpecida pela peçonha de US$ 50 bilhões, já que engordou apenas políticos e empresários, a TV pública denuncia o golpe, assume o debate e dá nome aos corruptos, do golpista, do juiz pago para destroçar a economia, cujos nomes ficam associados à raia miúda dos poderes, que se tornou graúda após o crime.

Este número debate o Papel da TV na Crise Política Atual, em TV Leituras; A Leitura como prática cotidiana e motivacional, no Artigo; a Leitura libertadora, em Imagem; o Golpe não exige prova, apenas convicção, em O Prazer da Leitura; e as Notícias abaixo:

   Universidade de Coimbra lança ferramenta de medição de leitura

   Após TCC, estudantes publicam livro-reportagem sobre ex-presidiários

   Menino de 12 anos lança segunda obra de finanças

   O hábito que ajudou Bill Gates, Warren Buffett e Oprah Winfrey alcançarem o sucesso

   Sem a livraria, Cortez quer crescer e internacionalizar

   Quando a mulher era proibida de ler livros

   Cerca de 300 livros acessíveis serão disponibilizados em bibliotecas públicas

   Na onda do Pokémon Go, livros apostam na realidade aumentada

   Biblioteca celebra aniversário do Rio Tietê com lançamento de livro

   Bibliotecário doa US$ 4 milhões para universidade onde trabalhou

   Livro mais misterioso do mundo será finalmente publicado

Boa leitura!

TV Brasil - Ver TV - Papel da TV na Crise Política Atual


A Leitura como prática cotidiana e motivacional

Da infância ao crescimento intelectual e discernimento crítico

Marcus Vinícius Machado dos Santos

Resumo: Este artigo aborda a leitura, como motivação ao crescimento
intelectual, considerando a vida da criança na família e na escola até o 
seu desenvolvimento crítico. A responsabilidade de pais e professores
é essencial nesse processo de leitura. 
Palavras-chave: Leitura; Leitura - motivação; Leitor crítico. 


1 INTRODUÇÃO

         Ler, antes de tudo, é descobrir e expandir horizontes, porém ler apenas como um decifrar dos sentidos dos signos parece automatismo. Deve ser encarado como um ato de prazer instigado desde a mais tenra idade por pais, professores e meios de comunicação, levando as crianças à ludicidade necessária a fim de que o gosto pela leitura esteja inserido naturalmente no cotidiano e jamais como obrigação. O objetivo disso? Futuros leitores assíduos e críticos. 
         No Brasil, infelizmente, lê-se pouco, normalmente ocorre por obrigatoriedade nas escolas, pois o exemplo de casa com raras exceções existe. Essa leitura escolar está distanciada da realidade das experiências pessoais. Daí que ao chegar à vida adulta a maioria esqueceu há tempos o gosto por esse hábito e a probabilidade disso repetir-se de geração para geração, de pai para filho, da escola para o aluno, é deveras preocupante e real. 
         É importante algumas perguntas serem abordadas: como inserir ao natural às crianças a prática da leitura? De que forma motivar os jovens à leitura como fonte de prazer e conhecimento? O que fazer para que se tenham leitores críticos? O hábito de ler formado desde cedo e encarado com satisfação pode ser um caminho às elucidações. Deste modo, ter-se maior discernimento crítico parece conseqüência, já que a necessidade será expandir-se sempre, crescer intelectualmente. 
         Um tema como esse está intrinsecamente interligado aos temas da Biblioteconomia que não só informa, como urge por leitores ávidos por conhecimento, compreensão, que desejem decifrar as entrelinhas, não apenas dos livros e dos bancos de dados, mas, principalmente, do dia-a-dia, da luta rotineira e opressora que empurra a todos impreterivelmente a seguir a trilha do saber. 

2 MOTIVAÇÕES PARA A PRÁTICA DA LEITURA

         Ler. Eis aí um ato repleto de inúmeras implicações, conseqüências, e dependendo de cada um que lê, de motivações. Sim, motivações, pois até pegar um jornal diário e dar uma passada rápida com os olhos pelas manchetes requer algum interesse por trás deste simples folhear despreocupado de páginas. Cada leitor busca algo que lhe sacie o desejo por conhecimento ou apenas por lazer e este objeto desejado muitas vezes torna-se obscuro, de difícil acesso, já que nem sempre se pode incluir no dia-a-dia a leitura. 
         Quando não é elitizada a informação, seja por desigualdade social, seja por preconceito, ela pode estar negligenciada, relegada a segundo plano, aos setores da sociedade realmente interessados, à vida acadêmica, aos privilegiados. Porém o que será tratado aqui mais especificamente, será o porquê da leitura não estar entre os principais interesses de tantas pessoas e como motivar este batalhão de quase excluídos. Quase, pois essas pessoas é que pensam não gostar de ler. Ledo engano. Elas foram adestradas durante anos, a começar desde a mais tenra idade, a não apreciarem um livro. Não sabem que não tiveram opção de escolha, já foi escolhido para elas não gostarem e pronto. 
         Tudo começa no seio familiar; todos os principais exemplos de conduta que serão levados pela vida toda estiveram ali durante rápidos e decisivos anos como em uma exposição de fatos, princípios, comportamentos. É neste ambiente propício para a construção da personalidade que se marca indelevelmente as vontades e os anseios, os desejos e as motivações. 
         Como uma esponja insaciável e curiosa, esse pequeno aprendiz age, urge por interação com tudo e todos a fim de reter a maior quantidade possível de informações, conhecimentos, experiências. Se não for alimentado, essa gana por novidades poderá, com o tempo, distanciar-se do caminho que leva à leitura, o hábito prosaico e deleitoso de ler quer seja um simples gibi, quer seja Camões. O tempo trata de rapidamente apresentar trilhas muito mais fáceis de serem percorridas, pois algumas dessas trilhas não necessitam de guia ou setas, apenas da atenção alheia. A televisão é uma delas, certamente. Requer pouquíssima concentração, nenhuma aptidão, qualquer vontade que seja. Pronto, perdeu-se outro leitor e agora o que se faz? Motiva-se apresentando outras fontes de prazer, talvez reapresentando o ato de ler como um ato natural, sem dor alguma, ao contrário do que tantos denotam erroneamente. 
         Conforme Yunes (1984, p. 53) 
O estímulo  sistemático à  leitura  deveria ser   meta  prioritária  em  países em   via  de  desenvolvimento.  Constata-se  no   Brasil  que o  hábito   de  ler  não   representa   uma tradição  e,  por isso,  a    motivação através de  técnicas  específicas  deve  ser encarada como um campo de estudo e pesquisa de novas modalidades  que visem à aproximação do livro com o leitor. 
         Já Sandroni (1986 apud BORTOLOM et al, p. 11) afirma que “para ler é preciso gostar de ler.” Óbvio que quando não é fomentada esta prática ou qualquer outra que seja, quando não há exemplos vindos dos principais parâmetros referenciais, no caso aqui o lar familiar e a escola, raramente tem-se um leitor assíduo e interessado em conhecimento. Raríssimas são as exceções. Adultos que jamais lêem um livro, que passam tempo demais frente à teve, que pouco discutem assuntos de ordem geral e polêmicos. 
         E o sistema escolar há muito tem parcela de culpa neste panorama. Como denotou Freire (1988 apud GADOTTI, 1996), é grande a distância entre o que é lido nas escolas e o mundo das experiências pessoais, o mundo em que todos vivem suas vidas, com experiências personalíssimas.  Ao estudante, resta a obrigação de ler calhamaços, ou melhor, decorar mera e simplesmente. A vontade pessoal, os gostos de cada um pouco importa. Claro que está mudando esse quadro, apesar da lentidão e dos sempre escusos interesses de quem não deseja ver um Brasil de cidadãos opinativos e críticos. 
         Então, como existir leitores de opiniões próprias se tantos nem gostam de ler? Claro que fica muito mais difícil iniciar-se a inserção de uma pessoa depois de adulta ao mundo das letras do que uma criança que já está por natureza apta e pronta para receber tantos ensinamentos e condicionamentos que carregará por toda a vida de forma natural. Enquanto houver alguém sem ler, ali estará um futuro leitor crítico, se for incentivado. Segundo Silva (1981, p. 45) é relevante “o fato da leitura ligar-se muito intimamente ao projeto educacional e à própria existência do indivíduo.” De fato, quanto mais a leitura estiver fazendo parte do cotidiano de cada um, haverá mais leitores realmente conscientes do que lêem, e para quê lêem. Leitores afeitos ao prazer, sempre em prontidão para conhecerem outros mundos, outras idéias, em benefício próprio.

2.1 Motivações em casa

         É interessante instigar a criança à ludicidade, à curiosidade pela fantasia, por histórias, adaptadas ou não, tanto faz, o importante é contá-las ou lê-las aos filhos. Casos ocorridos, lembranças de vida, “causos” passados de geração a geração, tudo é válido. A aquisição rotineira de livros aos filhos prestando atenção nas preferências deles também conta, assim como levá-los à bibliotecas e livrarias, inserindo no dia-a-dia da família este hábito salutar, uma vez que o contato com este mundo somente ajudará e muito para os costumes familiares caminharem em direção ao conhecimento. É crucial saber que a criança deve ter as escolhas próprias respeitadas. Com o gerenciamento dos pais obviamente. 
         A partir do que Silva (1981, p. 42) escreveu quando diz que “leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento e mais essencial ainda à própria vida do Ser Humano”, nota-se a importância ao hábito de ler sem restrições. Impossível censurar alguém por ler. Talvez mostrar outros prazeres da vida, como viver em meio à natureza, fazer amizades, amar, praticar esportes, etc. Mas jamais censurar. O oposto a isso é que deve ser seguido por todos. Motivar sempre à leitura, mostrar o tal caminho das pedras. E para isso, os primeiros anos de vida valem ouro quase literalmente. O ambiente familiar exerce influência primordial na construção do futuro leitor. 
         O exemplo que a criança tem em casa é o mais valioso, por isso quando ela vê os pais em diversas oportunidades “agarrados” a livros ou mesmo periódicos, terá maior facilidade a valorizar tal ato instintivamente (SANDRONI, L. C.; MACHADO L. R., 1987). 
         Para os bem pequeninos são recomendadas as histórias mais curtas e rápidas, de linguagem bem simples, com muitas ilustrações que denotam movimento e reforçam a história. Deve-se ler para eles em voz alta, podendo-se interpretá-las encenando-as junto à leitura. Isso fará a criança interessar-se em aprofundar-se neste mundo mágico, desejar mais e mais, até chegar o momento dela própria buscar histórias que lhe interessam. 
         Para os já em processo de alfabetização, livros de fácil leitura, com histórias curtas impressas em letras grandes, de frases curtas, ou aqueles que brincam com as formas da palavra. 
         Importante sempre dar vazão à fantasia e mostrar às crianças nesta idade contos e histórias que não dêem relevância excessiva à moral, assim como à lógica exacerbada e como denota Sandroni (1987, p. 19), “os pais devem entrar no jogo [...]; pais e filhos juntos procurarem juntos as respostas, consultando livros.” Os livros devem ficar num lugar da casa de acesso fácil. 
         Entretanto, há crianças que não gostam de ler e impõem obstáculos à prática da leitura. É necessário não se preocupar em demasia, nem pressionar. Com paciência haverá livros para serem encontrados que vão ao encontro dos interesses da criança. Mesmo que sejam gibis ou tiras dos quadrinhos de jornal, não importa, tudo o que leva ao hábito de ler desde cedo deve ser encarado com naturalidade e jamais com reservas, pois com o tempo esse iniciante leitor passará a desejar mais e novos rumos, o que o fará crescer intelectualmente. 

2.2 Motivações na escola

         A escola é por um bom tempo na vida do Ser Humano o segundo lar e a segunda família. Nada mais natural então, que os pais tenham contato estreito e sincero com professores, já que desta união quem ganha certamente é a criança que será motivada com maior conhecimento de causa tanto em casa como no ambiente escolar. Motivações que precisam ser para qualquer momento propício à leitura (SOUZA, 1986). Essas motivações devem ser observadas inerentemente à faixa etária do aluno, pois todos eles necessitam estar sempre em constante interesse pela leitura. 
         A escola integrada à vida do aluno, tendo diversos fatores em comum ao cotidiano é ponto crucial. Uma escola desligada do que ocorre no “mundo de fora”, dos anseios e aflições características dessas fases da vida (principalmente a adolescente), até mesmo dos modismos culturais, corre seriamente o risco de ficar para trás, ultrapassada, e pior, de fomentar inúmeros inimigos da leitura. Por isso discutir assuntos de toda ordem, falar sobre o que os alunos gostam, não como uma concessão, mas como um atrativo sedutor a mais no processo todo, irá fazer com que eles desejem outros temas, outros livros, por histórias que os levem por trilhas desconhecidas. 
          Como escreveu Souza (1986, p. 41), é preciso “angariar a simpatia do aluno, oferecendo-lhe oportunidade de resgate de experiências pessoais [...] em sintonia com as experiências do texto.” E quando o aluno ansiar por leituras além daquelas oferecidas pelos professores, que ela surja sem condicionamentos, enfim, quando e onde ele bem desejar, livremente. 
         Ler deve ser prazeroso. É base para uma vida toda, ferramenta para enfrentar os desmazelos da sociedade e a escola exerce fator importantíssimo no que se refere a esta construção do Ser Humano consciente do que o rodeia. Segundo Bortolom et al. (1998, p. 118) “no Brasil a escola talvez seja o único lugar onde a grande maioria das pessoas tem contato com o livro.” 
         Partindo desse pressuposto, tem-se a relevância da escola, que não substituirá jamais os pais no que lhes competem, mas auxilia sem restrições os futuros adultos às múltiplas visões acerca do universo que vivem, uma vez que leitura não está ligada apenas a textos, mas também a acontecimentos variados, às diversas mídias existentes e continuamente em expansão, às entrelinhas dos fatos que se sucedem perante os olhos de cada um e que muitas vezes não são realmente aquilo que aparentemente parecem ser. 


3 O LEITOR CRÍTICO

         Escreve-se para alguém normalmente. Não sendo assim é apenas terapia pessoal ou um passatempo sem maiores implicações ou conseqüências aparentes. E quando é criado um texto, daquele instante em diante aquelas linhas serão do mundo, de todos, e a cada um que lê cabe intrinsecamente a transformação da lógica, do conteúdo, da razão de ser da obra em si. Conhecendo e aprendendo, o indivíduo através da decifração da escrita amplia horizontes consideravelmente, assim como adiciona possibilidades a um texto. 
         Esse ato descrito acima não é nenhum demérito a um escritor ou jornalista, pelo contrário, é a prova de que tais escritos levaram a discussões e a outras interpretações, enfim, o que se propõe é uma leitura crítica e consciente, nunca passiva. 
         Na visão de Tufano (198? apud Bortolom et al) “um texto não traz, declarado, o seu sentido; é o leitor, que no diálogo com a linguagem passa a atribuir significados [...]. Nesse sentido crítico, não podemos ler pelos outros [...]; o ato de ler é solitário [...]. Não há leitura autêntica sem a marca do leitor.” O leitor torna-se seletivo, escolhe, decide o que lhe é útil. 
         O processo de caminho à criticidade inicia-se em casa e é levado adiante na escola (claro, nas escolas que se doam a tal método instigante e essencial ao crescimento intelectual do Ser Humano). No lar têm-se, principalmente, os exemplos dos pais, no cotidiano, em momentos sem maior importância inclusive, pois uma criança que cresce vendo-os sempre entregues à leitura (independentemente do que se está lendo) terá chances maiores de que no seu próprio cotidiano seja formado por toda a vida o hábito de ler. 
         E ler é ferramenta primordial para que o Ser Humano saiba posicionar-se, ter opiniões próprias, ser crítico, conforme tantos autores já louvaram. Pena que a grande maioria das escolas brasileiras de ensinos fundamental e médio não exerça essa prática com afinco, trilhe o caminho mais fácil, burocrático e desestimulante. O contrário é dispor e usar do recurso que a leitura revela a fim de ter-se armas na luta contra a alienação e a massificação. Isso significa lutar em prol de cidadãos originais e autênticos, que concebam suas próprias linhas de raciocínio, seus próprios pensamentos, que sejam únicos, por mera e simplesmente obra do conhecimento adquirido. E ter tal atitude torna-se então necessidade desses seres que aprendem e buscam, contestam e provam o sabor da independência. Sim, essa talvez seja a palavra-chave: independência. 
         Comunicação, apreensão, fixação, compreensão, transformação. No momento da leitura o leitor está senhor de si e de suas decisões. Como que em conflito com o texto, o transforma em algo familiar, algo seu. Conforme Silva (198l, p. 45) “ler é [...] um modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a compreender-se no mundo.” 
         Domínio da linguagem, dos conceitos abstratos, das palavras não usuais, eis um desafio hercúleo para pais e mestres, porém os frutos a colher são os mais saborosos, são aqueles que se degusta com deleite e regozijo, e cidadãos formados em consciência crítica o são frutos especiais, de raro prazer para quem planta sementinhas de saber, rega com carinho e esmero sabendo que aqueles frutos herdarão liberdade plena. 
         Tomada de consciência que impreterivelmente gera criação, novidades. O leitor parte para a criação, seu próprio texto e segundo Silva (1981, p. 81) “a leitura crítica deve ser caracterizada como um projeto, pois se concretiza numa proposta pensada pelo ser-no-mundo, dirigido ao outro”. 
         Enfim, ler liberta, impulsiona as possibilidades de conhecimento a níveis inimagináveis, transforma a consciência do Ser Humano perante o mundo em que vive, dota o leitor a ser capaz de abrir inúmeras portas do desconhecido, instiga ao infinito. 

4 CONCLUSÃO

         Verificou-se a importância do ato de ler desde os primeiros anos da criança, como deve ser a influência dos pais neste processo – decisiva para toda a vida – e de que forma a escola interfere para o bem  ou para o mal. 
         A leitura segue sendo a principal forma de se construir opiniões próprias, de ter-se embasamento necessário para toda e qualquer atividade ou área. E precisa-se ressaltar também a leitura como lazer, um hábito que dá prazer ao Ser Humano. 
         O acréscimo de conhecimento está intrinsecamente ligado à construção do senso crítico, do modo de se portar perante o mundo, e tal atitude leva à personalidade original de cada um, forte, marcante, única. 

Referências

BORTOLOM, M.A. et al. Levantamento das características culturais no hábito de leitura da comunidade acadêmica do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina. Revista ACB, Florianópolis, v. 3, n. 3, p. 113-123.

FREIRE, P. Ler palavras, ler o mundo. In: GADOTTI, M. (Org.). Paulo Freire: uma bibliografia. São Paulo: Cortez, 1996, p. 453.

SANDRONI, L. C.;  MACHADO, L. R. Ler em casa. In:_____. A criança e o livro. 2. ed. São Paulo: Ática, 1987, p. 18-21.

SANDRONI, L. C.; MACHADO, L. R. A importância da imagem dos livros. In:_____. A criança e o livro. 2. ed. São Paulo: Ática, 1987, p. 42-43.

SILVA, E. T. da. Ler é, antes de tudo, compreender. In:_____. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. São Paulo: Cortez, 1981, p. 42-45.

SILVA, E. T. da. Leitura crítica – explicitação. In:_____. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. São Paulo: Cortez, 1981, p. 78-81.

SOUZA, M. S. D. de. O interesse pela leitura poderá surgir. A conquista do jovem leitor. Florianópolis: EDUFSC, 1986, p. 39-41.

YUNES, E. A leitura e a formação do leitor: questões culturais e pedagógicas. Rio de Janeiro: Antares, 1984, p. 53.

Transcrito de https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/462/579